12/17/2012


KRUGMAN, Paul, Acabem Com Esta Crise – Já!. Lisboa, Presença: 2012 (Ca. 247 pp. e 15 Euros) *


“a sabedoria convencional entre aqueles a que alguns de nós chamavam sarcasticamente, Pessoas Muito Sérias pôs completamente de lado a máxima central de Keynes: «A altura certa para a austeridade é em tempo de fartura e não de recessão.» Agora é a altura certa de o governo gastar mais, e não menos, até que o setor privado esteja pronto para voltar a fazer singrar a economia – mas as políticas de austeridade e de destruição do emprego tornaram-se entretanto na norma”  (p. 13)



“E as pessoas (…) que sabiamente declaram que os nossos problemas estão profundamente enraízados e que não há nenhuma solução fácil, que precisamos de nos adaptar todos a um panorama mais austero  soam-nos sensatas e realistas, apesar de estarem absolutamente erradas.” (…) “pôr fim a esta depressão seria uma experiência de alívio para praticamente toda a gente, exceto para quem investiu política, emotiva e profissionalmente em doutrinas económicas irracionais. “ (p. 35)



“Se examinarmos aquilo que os austerianos [adeptos da austeridade - nota de Kriu] querem – uma política orçamental concentrada nos défices e não na criação de emprego (…)  tudo isso serve, com efeito, os interesses dos credores, daqueles que emprestam dinheiro por oposição àqueles que contraem os empréstimos/e ou trabalham para ganhar a vida. Aqueles que emprestam dinheiro querem que os governos tenham como sua maior prioridade honrar as suas dívidas e opoêm-se a qualquer ação monetária que prive os banqueiros de retornos (…).


Por último perdura uma urgência constante de transformar a crise económinca numa peça de moralidade, num conto em que a depressão é a consequência necessária de pecados anteriores que não devem ser atenuados. (…) especialmente (…) os banqueiros centrais e outros dirigentes financeiros, cujo sentimento de autoestima se encontra entrelaçado com a ideia de serem os adultos que dizem «não».
O problema é que na situação atual, insistir em perpetuar o sofrimento não é a forma madura e adulta de resolver as coisas. É infantil (julgar uma política pelos sentimentos e não pelos atos) e destrutiva.

(…) pôr dinheiro nas mãos das pessoas em situações aflitivas e haverá uma boa hipótese de que o gastem, que é exatamente aquilo que precisamos que aconteça.

(…) como poderemos mudar de rumo? Será este o assunto a abordar (...) neste livro. (p. 217)

* laureado com o Premio Nobel

12/16/2012


"Se à primeira não conseguires, volta a tentar uma e outra vez."

Franklin Roosevelt

12/03/2012


CARR, Nicolas, Os Superficiais. O que a internet está a fazer aos nossos cérebros. Lisboa: Gradiva, 2012 (ca. 316 pp. e 19.50 euros)

“A google não é Deus, nem Satanás (…) o que é perturbador sobre os fundadores da empresa não é o seu desejo infantil de criar uma máquina fantástica que seja capaz de suplantar os seus criadores, mas a concepção oprimida da mente humana que dá origem a esse desejo.”   (p. 220)


“Há provas de que (…) à medida que construímos o nosso armazém de memórias, as nossas mentes se tornam perspicazes” (p. 238)


“O cérebro demora algum tempo, descobriram os investigadores, a «transcender o imediato envolvimento do corpo» e a começar a compreender e sentir «a dimensão moral e psicológica da situação» (36) (p. 270)


“Seria surpreendente tirar a conclusão precipitada de que a internet está a destruir o nosso sentido moral. Não será imprudente sugerir que, como a internet reorganiza os nossos circuitos vitais e diminui a nossa aptidão para a contemplação, está a alterar a profundidade das nossas emoções assim como dos nossos pensamentos” (p. 271)


(36) Mary Helen Immorduri-Yang, Andrea McColl, Hanna Damásio, e António Damásio «Natural Correlets of Admiration and Compassion» Proceedings of the National Academy of Sciences, 106, nº 19, 12 de Maio de 2009, pp. 8021-8026

11/05/2012

Destaque in : http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2012/11/carta-alemanha.html?spref=fb


Senhora Merkel, Chanceler da Alemanha

Venho pedir-lhe, por ocasião da visita que em breve nos fará, para levar consigo na partida uma breve mensagem aos seus concidadãos. Eis o que gostava que lhes transmitisse:

Sabemos que na década passada os vossos governos vos disseram que tinham de abrir mão de parte dos salários para preservar o futuro do vosso Estado Social. Disseram-vos, e vocês acreditaram, que se prescindissem de uma pequena parte do rendimento presente vos tornaríeis “mais competitivos” e que, dessa forma, o vosso país poderia obter uma poupança capaz de sustentar as vossas pensões e os direitos sociais dos vossos filhos no futuro.
Sabemos que a década passada não foi fácil para vós e que o vosso país se tornou desde então menos bonito e mais desigual. Sabemos também que o objetivo pretendido foi conseguido. Que a Alemanha se tornou «mais competitiva», exportou muito, importou menos e mais barato, conseguiu grandes excedentes da balança de pagamentos e acumulou poupança nos vossos bancos.
Nós sabemos, mas vocês talvez não saibam, porque isso não vos é dito pelos vossos dirigentes, que esse dinheiro acumulado nos vossos bancos, foi por eles aplicado, à falta de melhor alternativa, em empréstimos a baixo juro aos bancos do sul da Europa, entre os quais os bancos portugueses, e por eles emprestado de novo com muita publicidade e matreirice a famílias do sul cujos salários também não cresciam por aí além, mas que desejavam ter casa, carro e um modo de vida parecido com o vosso.
As nossas economias sujeitas à concorrência criada pela globalização que tanto convinha às vossas empresas exportadoras cresciam pouco. Mas o crédito que os vossos bancos nos ofereciam, por intermédio dos nossos, lá ia permitindo que as nossas famílias tivessem acesso a bens de consumo, muitos deles com origem nas vossas empresas exportadoras. Durante algum tempo este estado de coisas parecia ser bom para todos.

Quando em 2008 todas as bolhas começaram a estoirar, os vossos bancos descobriram que não podiam continuar a arriscar tanto e cortaram o crédito aos bancos do sul e mesmo aos Estados. Se a União Europeia não tivesse decidido que nenhum banco podia abrir falência, responsabilizando os Estados pelas dívidas bancárias, teríamos assistido a uma razia quer dos bancos endividados, quer dos bancos credores. Mas a UE decidiu que os governos iam «resgatar» os bancos e que depois ela própria, com o BCE e o FMI, «resgatariam» os Estados. Foi desta forma que os vossos bancos, que haviam emprestado a juros baixos para lá de todos os critérios de prudência, se salvaram eles próprios da falência. Foi assim que eles conseguiram continuar a cobrar os juros dos empréstimos e a obter a sua amortização. Doutra forma, teriam falido. Talvez vocês não saibam, mas os empréstimos concedidos à Grécia, à Irlanda e a Portugal são na realidade uma dívida imposta aos povos destes países para «resgatar» os vossos bancos.
Talvez vocês não saibam também que até agora, os vossos Estados, todos vós como contribuintes, não gastaram um euro que fosse nos «resgates» à Grécia, à Irlanda e Portugal. Até agora o vosso governo concedeu garantias a um fundo europeu que emite dívida a taxas quase nulas para emprestar a 3% ou 4% aos países «resgatados».

Talvez vocês não saibam que em breve este estado de coisas se pode vir a alterar. A austeridade imposta em troca de empréstimos está a arrasar os países «resgatados». Em breve, estes países, chegarão ao ponto em que terão de suspender o serviço da dívida. Nessa hora, haverá perdas, perdas pesadas para todos, contribuintes alemães incluídos.
Talvez vocês não saibam, mas no final, todo o esforço que haveis feito na década passada para tornar a Alemanha «competitiva» e excedentária se pode esfumar num ápice. Afinal os vossos excedentes, são os nossos défices, os créditos dos vossos bancos são as nossas dívidas. Os vossos dirigentes deviam saber que uma economia é um sistema e que a economia do euro não é exceção. Quando as partes procuram obter vantagens à custa umas das outras, o resultado para o conjunto e cada uma delas não pode deixar de ser desastroso.
Talvez vocês não saibam, mas os vossos dirigentes andam a enganar-vos há muito tempo.
Perdoe-me senhora Merkel se entre uma e outra palavra deixei transparecer amargura em excesso. É que não sou capaz de o esconder: o espetáculo de uns povos contra outros é para mim insuportável, sobretudo quando afinal todos eles se debatem com um problema que é comum – o da finança que governa com governos ao serviço de 1% da população, como o seu e o nosso. À memória ocorrem-me tragédias passadas que deviam ser impensáveis. Concordará comigo pelo menos num ponto: é preciso evitar esses inomináveis regressos ao passado.

11/02/2012


McTAGGART, Lynne, O Campo, A Força Secreta Que Move o Universo. Lisboa: Presença, 2001 (ca. 347 pp. e 18 euros)


“Estes paradigmas – o Mundo como uma máquina, o Homem enquanto máquina de sobrevivência – trouxeram um domínio tecnológico do Universo mas (…) A um nível espiritual e metafísico, conduziram a um sentimento de isolamento”  (p. 11)

“A um nível subatómico não existe nenhum mecanismo causal no Universo”


“A partir do momento em que nascemos é-nos dito que para cada vencedor tem de existir um vencido (…)


O Corpo conta uma história científica radicalmente nova. O último capítulo dessa história, (…) sugere que, na nossa essencia, existimos como uma unidade, uma relação,  completamente interdependentes, com cada parte a afetar o todo,  (…) Se um campo quântico nos mantém a todos juntos na sua rede invisível, temos de repensar as nossas definições de nós mesmos e daquilo que é, exatamente, ser-se humano.” (p. 227)

“Numa altura em que as velhas  histórias científicas, cuja ênfase está no domínio técnico do Universo, estão a ameaçar extinguir o nosso planeta, O Campo oferece um futuro alternativo” (p. 229)

                             
“Um campo é uma matriz ou um meio que liga dois ou mais pontos no espaço, normalmente através de uma força, tal como a gravidade ou o eletromagnetismo. A força  é habitualmente representada por vibrações ou por ondas no tempo” (p. 44)

11/01/2012

10/26/2012

Destaque, in BBC NEWS, 26.10.2012 às 8.00 H.


Abraço sela reencontro 'emocionante' de irmãos gorilas separados por dois anos

 
Irmãos se abraçaram no reencontro, após passarem dois anos longe um do outro
Dois irmãos gorilas protagonizaram cenas emocionantes, ao se reencontrarem após mais de dois anos separados.
O parque de diversões e safári Longleat, no sudoeste da Inglaterra, registrou o momento em que o gorila Kesho, de 13 anos, foi devolvido ao parque e reviu seu irmão mais novo, Alf, de nove anos. Os dois se abraçaram e brincaram. Um terceiro irmão, Evindi, de seis anos, também foi recebido calorosamente pelo gorila mais velho.

 

10/14/2012



STEPHENSON, Sean, Chega de Mas! Como dei passos de gigante na minha vida e tu podes dar também. Lisboa: ed. Nascente, 2012 (ca. 175 pp. e 15 euros)


“Sem paixão, ficamos enredados na teia do simplesmente ganhar a vida, em vez de conceber a vida”


“Devo o meu espírito combativo aos meus pais que desde o meu primeiro dia de vida se empenharam em fazer-me sobreviver, em que eu vingasse e me transformasse numa força poderosa neste planeta”  (p.15 ) [Sean nasceu com a doença de Oi ou doença da fragilidade óssea – N.de Kriu]
“A necessidade de lidar com a dor levava-me a escolher naturalmente técnicas de meditação,  (…) A dor foi minha professora e eu o seu melhor aluno” (p.18)


«Sean» declarou ela [a mãe – N. de Kriu] a dor é inevitável. Acaba sempre por nos afetar a todos. Já o sofrimento é opcional” (p. 21)


“Mas se começarem a reparar que alguns dos vossos amigos só falam do que está mal, do que não presta ou do que é injusto no mundo e nas suas vidas – e por extensão, na vossa vida – isso significa que estão a falar com um consumidor. Vocês têm uma energia limitada, certo? Se deixarem esses vampiros de energia consumir-vos, ficarão sem forças para lidar convosco próprios” (p. 136)


“Temos de olhar para lá do comportamento dos outros e tentar perceber o que é que se passa no mundo interior deles que os faz serem tão descarados, mal-educados, egoístas e maus no seu mundo exterior. Repito: as pessoas não se medem pelo seu comportamento”.
“O vosso objetivo não é corrigir o comportamento deles, mas sim ajudá-los a libertarem-se da armadilha que lhes prende a mente e o coração” (p. 49)



10/08/2012

Destaque

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

11:37 Sexta feira, 5 de outubro de 2012

Ex-vice da Moody's apela a revolução na zona euro

tempo para uma discussão "educada" terminou. O que está em causa no "Sul" da Europa é a diferença entre um futuro de prosperidade ou depressão. Palavras duras de Christopher T. Mahoney, ex-vice presidente da agência Moody's.

Está na hora de uma revolução na zona euro, o tempo para uma discussão educada terminou. O que está em causa não são um ou dois por cento de crescimento económico no Sul, mas, pelo contrário, a diferença entre um futuro de prosperidade e um de depressão", refere hoje Christopher T. Mahoney, ex-vice presidente da agência de notação Moody's, num artigo intitulado "Southern Europe Must Revolt Against Price Stability ", publicado no "Project Syndicate".
Essa "revolução" deve ser "liderada pela França, Itália e Espanha", com a França à cabeça, e os seus alvos principais são a Alemanha e o Bundesbank. "O tempo é agora, antes que a Espanha e Itália sejam forçadas a capitular à estricnina e ao arsénio da troika", sublinha.
Mahoney é um veterano de Wall Street que saiu de vice-presidente da Moody's em 2007. Considera-se um "libertário do mercado livre".
"Se o Sul continuar a permitir que o Norte administre o remédio envenenado da deflação monetária e da austeridade orçamental, sofrerá, desnecessariamente, anos e anos", adverte Mahoney, para, depois, apelar à "revolução" do Sul.
"A zona euro é uma república multinacional em que cada país, independentemente da sua notação de crédito, pode atuar como um hegemonista. A Alemanha tem apenas dois votos no conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), não tem controlo e não tem poder de veto. A Alemanha é apenas mais outro membro da união e o Bundesbank apenas mais outra sucursal regional do sistema do euro. O Tratado do BCE não pretendeu ser um pacto de suicídio, e pode ser interpretado de um modo suficientemente aberto para permitir que seja feito o que tem de ser feito. Se o Tribunal Constitucional objetar, então a Alemanha pode sair."
E reforça: "O que advogo é uma rutura pública com o Bundesbank e com os seus satélites ideológicos".
A finalizar, diz: "Talvez seja mais prudente conduzir esta revolta em privado, mas o que acho é que só funciona como ultimato público".

10/02/2012

Destaque




União Europeia



( Isabel Arriaga e Cunha, in  jornal “ O Público”  de 2/10/2012)

A crise da zona euro só se resolverá com uma revolução que leve à criação dos Estados Unidos da Europa dotados de instituições federais de suporte à moeda única e que permitam conciliar a necessária disciplina orçamental com a indispensável solidariedade. Esta posição foi ontem defendida pelos líderes dos grupos políticos liberal e verde do Parlamento Europeu - Guy Verhofstadt, ex-primeiro ministro belga e Daniel Cohn-Bendit, ex-líder do movimento estudantil francês de Maio de 1968 - no quadro de um grande manifesto para a construção dos Estados Unidos da Europa.


Para os dois líderes a crise do euro não é "nem económica, nem financeira, mas política" e resulta de um "vício de construção" da moeda única que, se não for rapidamente corrigido, lhe "poderá ser fatal". Este erro resulta, por seu lado, da ausência de um Estado capaz de suportar a moeda única e defendê-la e aos seus membros dos ataques especulativos.


Se, "os Estados-membros continuam ainda hoje a pensar que poderão preservar o euro escapando a "um avanço substancial na integração europeia - estão enganados".
(…)  "Não conseguiremos preservar o euro sem alterar os Estados nações, pelo menos na sua forma actual." E das duas uma, defendem [os dois deputados]] : "Ou emerge um  Estado federal europeu, uma Europa política pós-nacional, ou o euro desaparecerá.  Não existe nenhuma solução intermédia."


"(…) não  são os governos que vão resolver o problema, são os cidadãos", defende
Cohn-Bendit. A expectativa dos dois autores é que o próximo Parlamento Europeu seja dotado de um mandato constituinte para a elaboração de uma "lei fundamental" europeia que substitua as centenas de páginas dos actuais tratados.

“as políticas de austeridade não vão resolver a crise em Portugal, Grécia ou Espanha e [os deputados] defendem duas medidas urgentes para os  ajudar: o reforço do orçamento comunitário (hoje limitado a 1% do PIB da UE) para permitir a formulação de políticas de crescimento económico, e a criação de um mercado único de obrigações  que poderão fornecer a liquidez de que os países mais frágeis necessitam para se financiarem a baixo custo.


"Hoje quando os governos [do euro] dizem a estes países que precisam de fazer esforços, não medem o grau de frustração, angústia e medo que estão a criar nessas sociedades", alerta Cohn-Bendit. Em sua opinião, aliás, "o futuro da democracia europeia joga-se em Atenas, Lisboa, Madrid ou Roma", onde o desespero ameaça reforçar os movimentos populistas e extremistas, podendo conduzi-los a soluções do passado, como "o regresso dos coronéis" na Grécia. 

9/19/2012



BURDEN, Chas Newrey, Adele, Alguém Como Nós – Como uma rapariga comum se tornou a maior cantora do mundo. Lisboa: ed. Oficina do livro, 2010 (Ca. 228 pp. e 13.90 Euros)


“a atmosfera de prestígio e a missão não oficial da BRIT School, que a destacam entre outras escolas de artes, combinam muito com a personalidade e a atitude de Adele. Segundo um professor, a BRIT School foi criada para “os diferentes”. A escola molda-se à personaliade deles, em vez de exigir que eles formem a sua personalidade de acordo com a escola.” (p. 48)


“A escola BRIT Performing Arts and Technology  [A escola, fundada em 1991, é do governo mas opera de modo independente. N. de Kriu.] já foi comparada à New York High School for the Performing Arts, escola norte-americana que foi a inspiração para “Fame.”
[Na BRIT ] «pude ouvir música todos os dias durante quatro anos. (…)  Eles ensinavam-nos a ter a mente aberta e éramos incentivados a escrever a nossa própria música” (p. 50)


« o essencial nos grandes cantores é acreditar em cada palavra cantada» comenta Dickins [empresário de Adele, N. de Kriu] «E acho que todos acreditam em todas as palavras que saem da boca de Adele» (p. 77)


“Preferiria pesar cinco toneladas e fazer um disco incrível a parecer a Nicole Riche e fazer um disco ridículo” (p. 89)


“Já conheci  pessoas que (…)  foram totalmente afetadas pelo “sucesso” (…)  Há tanta gente que se julga superior e  trata as pessoas como lixo e, se um dia eu ficar assim, pararei o que estou a fazer por um tempo para me encontrar de novo” (p.228)

9/18/2012


La mort n'est rien


La mort n'est rien,
je suis seulement passé, dans la pièce à côté.

Je suis moi. Vous êtes vous.
Ce que j'étais pour vous, je le suis toujours.

Donnez-moi le nom que vous m'avez toujours donné,
parlez-moi comme vous l'avez toujours fait.
N'employez pas un ton différent,
ne prenez pas un air solennel ou triste.
Continuez à rire de ce qui nous faisait rire ensemble.

Priez, souriez,
pensez à moi,
priez pour moi.

Que mon nom soit prononcé à la maison
comme il l'a toujours été,
sans emphase d'aucune sorte,
sans une trace d'ombre.

La vie signifie tout ce qu'elle a toujours été.
Le fil n'est pas coupé.
Pourquoi serais-je hors de vos pensées,
simplement parce que je suis hors de votre vue ?
Je ne suis pas loin, juste de l'autre côté du chemin.



 Selon Jean Bastaire, ce texte est extrait d’un sermon sur la mort intitulé « The King of Terrors », prononcé le 15 mai 1910 à la Cathédrale St Paul de Londres, peu après le décès du Roi Edouard VII. La version originale du texte est la suivante : 




« Death is nothing at all, I have only slipped away into the next room.

I am I, and you are you.

Whatever we were to each other, that we still are.

Call me by my old familiar name, speak to me in the easy way which you always used, put no difference in your tone, wear no forced air of solemnity or sorrow.

Laugh as we always laughed at the little jokes we shared together.

Let my name ever be the household word that it always was.

Let it be spoken without effect, without the trace of a shadow on it.

Life means all that it ever meant.

It is the same as it ever was.

There is unbroken continuity.

Why should I be out of mind because I am out of sight?

I am waiting for you, for an interval, somewhere very near, just around the corner.
All is well. » 

PIMENTEL, Irene Flunser.  A Cada Um o Seu Lugar. Lisboa: Círculo de Leitores, 2011 (ca.455 pp. 20 Euros)


”Desejoso de destruir a influência “ jacobina” do professorado republicano, o Estado Novo foi degradando o estatuto socioprofissional dos docentes. Prosseguiu aliás, a política já seguida pela Ditadura Militar que,  em 1931, criara nomeadamente a figura dos regentes escolares que, na sua grande maioria mulheres, que eram quase analfabetas e recrutadas segundo o quase exclusivo critério de « idoneidade moral»  (P.128)


“Mas á tão apregoada exaltação da mãe continuava a não corresponder medidas estatais de assistência materno-infantil (...) o desemprego continuava também sempre latente com o seu rol de consequências, entre as quais se contavam a miséria e as migrações internas. (...)
Em 12 de novembro de 1964 uma mãe de Marteleira ( Mafra) mostrava –se «aborrecida» pela falta de dinheiro para « comprar um centilho de azeite para temperar as couves» e lamentava que os filhos fossem em jejum para a escola. (P.324)

 A menina dorme com o irmão de dois anos numa enxerga feita de dois sacos de serapilheira, no chão, um com dez anos dorme num divã e eu, minha mulher e mais dois filhos de três e cinco anos numa cama. Só tenho uma manta a mais que tiro da minha para pôr nas crianças.
Carta de um pai em 17 de novembro de 1961 á “ Obra das Mães pela Educação Nacional.

 “A principal atividade da OMEN era o controlo político, social, e moral das familias numerosas, através de prémios que permitiam às dirigentes da OMEN (...) uma intromissão no seio do espaço privado familiar”.  (P.322)

9/13/2012

DESTAQUE - in "Diário de Notícias" de 13-09-2012


BEM PELO CONTRÁRIO

A grande mistificação

por MANUEL MARIA CARRILHO  
A gelada placidez com que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, apresentou as suas novas medidas de austeridade, que fizeram estremecer todos os portugueses, surpreendeu muita gente. Mas não devia: mais do que, como alguns disseram, a outra face de um escondido cinismo, ou de uma lamentável impreparação, ela é na verdade a pura expressão de um conjunto de convicções nucleares, tão erradas como dogmáticas, que dominam hoje boa parte da política, da economia e dos "media".
A questão é de fundo, não é de forma. Trata-se da placidez de quem vive numa campânula, isolado do mundo, e age com base em alguns dogmas, imune à realidade. O problema é, de resto, muito geral, ele apenas toma entre nós uma forma mais aguda, dadas as circunstâncias do momento.
A placidez do primeiro-ministro, a campânula em que vive e os dogmas que o inspiram, tudo isto decorre de uma teoria que data já dos anos 70 do século passado, que é a teoria da eficiência dos mercados: ela postula o dogma que só os mercados contam, tudo o mais é irrelevante. E que eles se autorregulam automaticamente, dispensando qualquer intervenção do Estado, que só vem sempre, claro, complicar.
Esta teoria foi o passo decisivo na divinização dos mercados que se disseminou por todo o mundo contemporâneo como um vírus incontornável de uma nova servidão voluntária. Sobretudo quando se passou a aplicar a mesma cegueira também aos mercados financeiros, num movimento de intensidade tal que, apesar de se reconhecer a sua "exuberância irracional" - as palavras foram de Alan Greenspan -, foi muito aplaudido nos anos 90 e no começo do século XXI.
Não se prestou então a devida atenção a muitos fatores, e nomeadamente ao facto, simples mas determinante, de a finança não ter propriamente por objeto a relação dos indivíduos com as mercadorias, mas antes a relação dos indivíduos com o tempo, no preciso sentido em que um título financeiro é um direito sobre rendimentos futuros, por natureza bem incertos... Pelo contrário, pretendeu-se com a teoria da eficiência financeira justificar a própria "financeirização" da economia, o que se fez com os resul- tados que hoje todos conhecemos.
O que é absolutamente extraordinário - e exige hoje um novo tipo de lucidez política, que terá de se distanciar tanto da histérica apologia como da cega diabolização dos mercados -, é que esta grande mistificação, que tem sido sistematicamente desmentida pelos factos desde a eclosão da crise dos subprime, em 2007, continua a dominar imperialmente a economia, a pretender impor-se a todos os sectores (saúde, educação, televisão, segurança, etc.) e a condicionar completamente o discurso político-mediático, essa miscelânea ininteligível que cada vez mais parece uma conversa de papagaios amestrados em economês/financês.
Em rigor, a situação só é comparável com a do fanatismo religioso mais ortodoxo, em que é a própria implausibilidade dos dogmas que reforça a cegueira dos seus crentes. Assim se tem atribuído à economia um estatuto à parte, que a protege do confronto com a realidade e com os seus desmentidos. Estatuto que ninguém imagina que noutros saberes - pense-se, por exemplo, na medicina ou na aeronáutica - pudesse ser tolerado um minuto que fosse...
Repetidamente incapaz de qualquer previsão segura e útil, alimentada por cálculos matemáticos falaciosamente usados e manipulados (veja-se, a propósito, o esclarecedor livro O Vírus B - A Crise Financeira e as Matemáticas, de C. Walter e M. Pracontal), apoiando-se em conivências e cumplicidades de todo o género, nomeadamente na universidade e na política, esta economia revela-se uma disciplina de natureza astrológica, que - como ouvimos terça-feira nas redondas e intermináveis declarações do ministro das Finanças, Vítor Gaspar - tudo justifica sem na verdade nada explicar.
E foi a esta economia que se entregou o projeto europeu, como se todas as outras dimensões fundamentais - sociais, culturais, etc. - daí decorressem naturalmente. Viu-se! E o problema é que, também aqui, se persiste no erro, como ainda agora ocorreu com a generalidade dos dirigentes políticos, a demitirem-se das suas responsabilidades e a pendurarem- -se nas decisões do BCE, numa nova "fuga para a frente" cheia de armadilhas, como rapidamente iremos verificar.
O economês/financês tornou- -se a mais resistente forma de ignorância contemporânea sobre as pessoas, a sociedade e o mundo. Devia, por isso, era ser estudado pela "agnotologia", essa recente disciplina criada por Robert N. Proctor, da Universidade de Stanford, para estudar a ignorância, entendida esta não como algo destinado a ser superado, mas como algo de intencionalmente fabricado, produzido com a devotada colaboração de diversas formas de informação e de conhecimento.
É por isso urgente questionar seriamente, e em todas as dimensões, esta disciplina e os seus dogmas, com o objetivo de quebrar a arrogante ortodoxia que a estrutura, e de introduzir um verdadeiro pluralismo no seu interior, nas suas abordagens e nas suas propostas.
E não haja ilusões: tudo o que se possa procurar como alternativa política à situação atual, seja em termos de análise e de ideias seja de linguagem e de propostas, passa necessariamente por aqui. Só assim se conseguirá sair da campânula que já asfixia o País.

9/04/2012



KAHNEMAN, Daniel. Pensar, Devagar e Depressa. Lisboa: Círculo de Leitores, 2012  (Ca. 640 pp. e 24.50 Euros)


“ (…) é este o meu objetivo (…) melhorar a capacidade de identificar e compreender os erros de juízo e escolha nos outros e, eventualmente, em nós próprios, ao propor uma linguagem mais rica e mais precisa para os discutir. Pelo menos nalguns casos, um diagnóstico preciso poderá sugerir uma intervenção para limitar os estragos que os juízos e as escolhas erradas muitas vezes provocam” (p. 11)


“O meu principal objetivo aqui é o de apresentar uma perspetiva acerca do como a mente funciona, inspirada no recente desenvolvimento da psicologia cognitiva e social” (p. 19)

8/20/2012


É DE PEQUENO QUE SE TORCE O PEPINO...

nair lúcia de britto


Eu cresci ouvindo a minha avó e minha mãe dizendo esse ditado: “É de pequeno que se torce o pepino”. Esses ditados populares são tão sábios que atravessaram séculos até os dias de hoje; e espero que não se percam com a modernidade...
Este vem bem a calhar para os pequenos crimes da Internet, que na maioria das vezes não têm recebido a atenção necessária, por se tratarem de pequenos delitos e que as pessoas atingidas acabam “deixando pra lá”...
A verdade é que se os pequenos crimes tivessem a repreensão merecida, talvez não ouvíssemos tantas notícias de crimes cada vez mais monstruosos.


(...) 


Um, entre vários exemplos, me aconteceu quando escrevi uma matéria sobre Chá Verde (benéfico para a saúdetomado com a devida cautela). Essa matéria foi publicada na revista Estilo Natural, n. 46, edição de julho de 2007. Pois bem, presumo que um desses trolls encaminhou-a para um site de apologia à Anorexia, onde foi postada. Comprometendo, assim, a imagem de uma excelente revista (...) Denegrindo, inclusive, a minha idoniedade como jornalista porque, acessando os sites de busca, meu nome estava associado ao nome desse site, agora extinto: Hotel Bela Muerte. O constrangimento cessou quando a assessoria jurídica da revista tomou providências.


(...)

A princípio também pensei em deixar pra lá, como de outras vezes; mas, depois, me dei conta de que essa informação fraudulenta me faz sentir moralmente atingida; (...) É preciso uma investigação e as providências necessárias (se for o caso) com relação a esses pequenos crimes. Porque, como dizia minha santa avó: É de pequeno que torce o pepino.


MOON, Sun Myung Rev.. Como Um Cidadão Global Que Ama a Paz. Lisboa: Colibri, 2011 (ca. 310 pp. e 15 euros)


“A verdade do universo é que devemos reconhecer-nos e ajudar-nos mutuamente. Mesmo os animais mais pequenos  sabem isso. Cães e gatos (…) se os criarmos na mesma casa, acarinham as crias uns dos outros e são amigos. (…) O princípio do universo é que toda a gente viva em harmonia, em interdependência mútua. Qualquer pessoa que se desvie deste princípio  enfrentará certamente a ruína. Se os nacionalismos e as religiões continuarem a atacar-se mutuamente, a humanidade não tem futuro. Haverá um ciclo interminável de terror e guerra, até que um dia ficaremos extintos. Porém não perdemos a esperança. Há que ter esperança. (…) quero é derrubar completamente os muros e barreiras que dividem o mundo numa multiplicidade de modos, e criar um mundo de unidade. Quero destruir os muros entre religiões e entre raças, e colmatar o fosso entre ricos e pobres.  (…) Para refrear e nosso desejo de possuir uma quantidade crescente de bems materiais, e restaurar a nossa maravilhosa essência como seres humanos, precisamos de regressar aos princípios de paz e ao bafo de amor que aprendemos quando íamos às cavalitas dos nossos pais.” (pp. 6,7)




“Penso que ir para a prisão não é algo completamente mau   [a propósito da prisão sofrida nos EUA na sua luta pela liberdade religiosa - N. de Kriu] Se quero que as pessoas que estão no vale de lágrimas se arrependam tenho primeiro de derramar lágrimas” (p. 220)




“”Existe muito debate religioso e filosófico sobre o que constitui o pecado, mas o que é claro é que não devemos envolver-nos em ações que atormentem a nossa consciencia. Quando fazemos coisas que nos dão uma consciência culpada, isso deixa sempre uma sombra no nosso coração. (…) Temos de viver não para nós próprios mas  para os outros; não para a nossa família mas para o bem do próximo; não para o nosso país mas para o mundo. Todo o pecado no mundo é originado quando o indivíduo se coloca em primeiro lugar. Desejos e ambições individuais  prejudicam o próximo e, de modo geral, arruínam a sociedade.” (p. 221)




8/16/2012


CAIN, Susan. Silêncio. O Poder dos Introvertidos Num Mundo Que Não Pára de Falar. Lisboa: Círculo de Leitores, 2012 (ca. 432 pp. e 20 Euros)


“Sou um cavalo para um só arreio. Não talhado para trabalho em grupo ou equipa. (…) porque sei que para atingir um objetivo concreto é  imperativo uma só pessoa a pensar e a comandar”
(Albert Einstein, citado a p. 105)


“Enquanto os extrovertidos tendem a alcançar a liderança em domínios públicos, os introvertidos tendem a consegui-lo nos domínios estético e teórico. Líderes como Charles Darwin. Marie Curie, Patrick White e Arthur Boyd, que criaram novos campos de pensamento e rearranjaram o conhecimento existente passaram grandes períodos da sua vida em solidão.  Portanto a liderança não se aplica apenas nas situações sociais mas também ocorre em situações mais solitárias, como no deenviolvimento de novas técnicas,  nas artes,  na criação de novas filosofias, na escrita de livros profundos e na conquista de progressos científicos.”

 (Citação de Janet  Fanel  e Leonie Kronberg em «Leadership Development For The Gifted and Talented » na  p. 114)


“O Novo Pensamento de Grupo também é praticado  nas nossas escolas (…)  Este estilo de ensino reflete a comunidade empresarial (…) onde o respeito das pessoas umas pelas outras é baseado nas suas aptidões verbais e não na sua originalidade  ou no seu pensamento. Tem de ser alguém que fale bem e que chame a atenção para si mesmo. É um elitismo que não se baseia no mérito.”

 (p. 113)


“Um homem tem tantos seres sociais quantos os diferentes grupos de pessoas cuja opinião preza. Geralmente ele mostra um lado diferente de si mesmo a cada uma destes grupos.”


(William James, citado na p. 227 )

8/08/2012

STENGEL, Richard, O Legado de Mandela - Quinze Licões de Vida, Amor e Coragem. Lisboa: Planeta, 2010 (Ca. 189 pp. e 16 Euros)

"Um verdadeiro chefe não faz alarde das suas opiniões e não ordena aos outros que o sigam. Escuta, resume o que ouviu, e procura moldar as opiniões no sentido de passar à acção, mais ou menos como o pastor que lá de trás conduz a manada. Para Mandela é o que há de melhor na tradição africana de liderança.  Na sua opinião o Ocidente é um bastião  de ambições pessoais onde as pessoas lutam entre si por ocupar os primeiros lugares e deixar os outros para trás.  O individualismo renascentista  nunca penetrou em Africa e na América.  O modelo africano de chefia  tem a sua expressão mais exacta na palavra ubuntu, a ideia de que o poder de cada um deriva de todos os outros, e que nos vamos aperfeiçoando através da interacção desinteressada" (p. 71)


7/23/2012


ROSS, Carne, A  Revolução Sem Líder”. Lisboa: Bertrand, 2012 (ca. 271 pp. e 16 euros)


“Tudo começará com indivíduos a agir de acordo com as suas consciências. Continuará a reforçar-se à medida que eles se forem juntando – talvez pessoalmente, talvez na internet – para se organizarem, não para fazerem campanha mas para agir e dar corpo às  mudanças que procuram. Estas redes de cooperação podem ser temporárias, podem ser duradouras.
(…) À medida que a consciência de perda do poder dos governos se vai espalhando, esta nova forma de fazer política tornar-se-à cada vez menos centrada nas manifestações  ou nas petições e mais centrada na ação” (p. 172)



“A escolha tornou-se clara: ceder a voz aos que gritam mais alto, observar enquanto governos, empresas e redes criminosas fogem ao nosso controlo ou juntarmo-nos à luta pelo arbítrio sobre questões que nos pertencem de direito” (p. 243) 

7/04/2012


AGHION, Philippe e ROULET, Alexandra. Repensar o Estado. Para uma Social-Democracia de Inovação. Maia: ed. Círculo de Leitores, 2012 


“Como podemos desinteressar-nos da história fiscal destes países  [escandinavos, nota de Kriu] quando nos propomos reformar o sistema fiscal? Não obstante as reformas introduzidas, uma característica comum aos regimes fiscais escandinavos atuais é a de continuarem a apresentar um sistema de imposições obrigatórioas globalmente elevadas e fortemente progressivas. Esta acentuada progressividade, bem como a ausência de nichos fiscais, explicam por que é que a distribuição dos rendimentos após impostos é mais equitativa nestes paises do que nos outros” (p. 98)


“Este livro propõe uma estratégia diferente para responder às mesmas preocupações: o  investimento em capital  humano e a concretização de inovação para estimular o crescimento e o emprego, para permitir aumentar continuados de salários, sem reduzir a competitividade; a implementação de uma flexisegurança para proteção dos indivíduos contra os efeitos negativos do desemnprego; uma nova politica industrial para impulsionar o  nosso setor fabril  na cena internacional;  uma representação ou assistência sindicais em todas as empresas para aumentar os direitos dos trabalhadores e melhorar as relações laborais; um sistema fiscal mais progressivo sem nichos que permita reduzir sensivelmente  as desigualdades de rendimentos sem no entanto desencorajar o investimento inovador; finalmente um Estado apoiado numa base sólida, não só porque a democracia é boa em si mas também porque a novação precisa de verdade e porque a democracia impede (…) o nepotismo e as políticas clientelistas” (p.p. 148,9)

7/03/2012


RIEMEN, ROB, O Eterno  Retorno do Fascismo. Lisboa: Bizâncio, 2012 (ca.  78 pp e 5 euros)

“Na verdade, para todos os eleitores que não votaram em Hitler, nenhum partido foi capaz de liderar a resistência contra o monopólio nacional-socialista. E isto teve tudo a ver com a deterioração das élites, que não tiveram coragem para defender os seus princípios e responsabilidades sociais. Os liberais deixaram de defender os ideais da liberdade do humanismo europeu, passando a interessar-se apenas pela liberdade do mercado. (…) Foi assim que os fascistas chegaram ao poder.”  (pp. 38,9)


“A nossa verdadeira identidade não é determinada pela nacionalidade, origem, língua, crença, rendimentos  (…) ou tudo o que distingue as pessoas umas das outras, mas precisamente por aquilo que as une e possibilita a unidade: os valores espirituais universais que moldam a dignidade humana  e  que todos os homens devem adoptar. (…) a arte, as humanidades, a filosofia e a teologia ocupam um lugar central na educação, porque são o  conjunto  mais importante de instrumentos que permitem forjar em nós as virtudes e nos ajudam a adquirir uma certa sabedoria.,” (p. 54)


“Numa sociedade do Kitsch, a política já não é um espaço  público para um debate sério sobre um modelo de sociedade e o modo de a atingir. A política tornou-se uma espécie de circo, no qual os políticos se esforçam por conquistar e manter o poder através de slogans e de uma imagem pública. (…) A educação já não visa o carácter para ajudar as pessoas a viverem na verdade e a criarem beleza para permitir a aplicação da justiça e a transmissão de uma certa sabedoria.  Degenerou num instrumento de transmissão de tudo o que é utilitário, de conhecimentos úteis à economia e de tudo o que necessitamos de saber para ganhar dinheiro.” (p. 86)

6/06/2012


JORNET, Kilian, Correr ou Morrer. Lisboa: ed. Lua de Papel, 2012  ( ca. 165 pp e 14 Euros)

“ (…) E não se pode morrer sem ter dado tudo por tudo, sem romper a chorar de dor e das feridas, não se pode desistir. Há que lutar até à morte. Porque a glória é o máximo e apenas se deve aspirar a atingir a glória ou a perder-se pelo caminho depois de ter dado tudo por tudo. Não vale não lutar, não vale não sofrer, não vale não morrer… Já é a hora de sofrer, já é a hora de lutar, já é a hora de ganhar. Beija ou morre.
Eram estas as palavras (…) que eu lia todas as manhãs antes de sair para treinar” (p. 14)


“(…) Os limites reais, os que nos levam a desistir ou a continuar a lutar, os que nos permitem realizar os nossos sonhos, não dependem do corpo mas sim da mente, da motivação e da vontade de tornar os sonhos realidade” (p.68)


“A felicidade não é o destino, é apenas o caminho a seguir, e perco tempo neste caminho, afastando o fim inevitável.” (p. 165)

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