12/04/2008

POEMA 12 Gonçalo Barra

Segredo


Pousei nas tuas mãos uma rosa rara

Deixei cair certa mentira pura e cara

A dura côdea que me sustem a alma

Morna jaze na concha da tua palma

 

Guarda bem esse pão que é meu tesouro

Afaga no teu regaço essa rosa minha dona

E dona minha te suspiro que silêncio é ouro


















Urgência


Como se eu pudesse adivinhar entre as dobras da tua pele

Um coração que vê o mar e sente a brisa afagar-lhe o rosto

Como se as minhas mãos fossem água e a minha boca mel

Docemente a imergir até o ventre te estalar cheio de mosto

 

Estou dentro de ti, sem começo, permeio nem acabamento

Uma andorinha na busca eterna do sol a brilhar na tua alma

Serei em ti sempre nada mais do que a brisa dum momento

Um doce beijo no veludo do teu seio ao final da tarde calma

 

Festejo o calor do vento que te lambe o corpo a alma e as entranhas

A força do fantasioso ritmo que te entontece os pés e levita o desejo

Que tua boca amor reencontre fome de colher da andorinha um beijo


















Butterflies


Do sangue vermelho surgem borboletas de todas as cores,

Como se o teu magenta fosse o branco eterno e completo,

Um Sol a desvendar em si o espectro do cabo além dores,

A Boa Esperança enfeitada por asas de cromático dialecto.

 

Não vejo drama na borboleta pousada no cerejo fontanário,

Nem a vergonha brota dos vulcões sob o leito onde se esvai,

Onde a coragem ordenou lavrar sobre a pele o seu glossário,

Sílabas de fogo guardadas pelos Deuses quando a noite cai.

 

Não pedem meu perdão as marcianas borboletas que o teu rio enfeitam,

Não escuto o prenúncio da azáfama sanguinosa dos abutres em festim,

Só ouço o mensageiro vento a passar por nossas vidas e à vida dizer sim.

 

2 comentários:

  1. ...de novo me arrepio e me comovo; parece que a visualização em "local público" da poesia que guardo em mim lhe dá uma nova dimensão, quase mágica...
    ...E vejo-me em cada frase, cada verso, sinto-os em mim, porque a minha alma encontrou refugio e guarida na tua poesia.

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  2. Anónimo1/3/09 12:11

    Alento, meu alento poético
    Doce açucar da minha alma
    Iludes assim meu tormento que acalma
    por um falso cromado, dialectico.

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