6/02/2013

A elite, os insultos ou a palavra “palhaço” pelo Sr. Sr. M.S. Tavares

Já neste blogue referi (16.02.13) o insulto proferido pelo Sr. Francisco José Viegas, ex-secretário de Estado da Cultura, quando, para tratar mal a entidade das finanças, mandou virtualmente um funcionário daquela “tomar no c… “
Agora vem o Sr. Miguel Sousa Tavares utilizar a palavra “palhaço” como arremesso pejorativo.
Trata-se do cuidado a ter com as palavras, da propriedade no uso da língua, porque não me lembra que o Sr. Tavares, por sinal adepto da barbarie touradas, possa também pensar, como primitivamente, que atriz significa “mulher fácil”  ou “palhaço” é desprimorante. (Neste caso, o dito senhor só já não insultaria com o epíteto “judeu” porque esse grupo social de imediato o chamaria à pedra! )

Este tipo de deslizes, chamemos-lhes assim, quer o do Sr. Viegas, quer o do Sr. Tavares dizem, afinal, do rigor da nossa elite. Que, naturalmente, entre si também alberga grupos, subgrupos e alguns destes, claro, bem grossos. 

"Gigi", por Nair Lúcia de Brito


Gigi corre de um lado...
Para outro
Corre atrás da sua presa
Que lhe escapa das patas
Patas pequeninas
Patas femininas..
De um cão vira-lata
Mas que nas ventas
Tem charme, tem sex-appeal
E ainda tem nome francês!

Pelo vitrô da janela
Eu a observo, sem que me veja
Olho, sorrio, acho muita graça
Com toda certeza!

Gigi corre pra cá, corre pra lá
Busca sua caça aqui, acolá...
Mas qual nada!
Não consegue agarrá-la...

Gigi é ágil, ligeira,
Bizarra!
Quando ela quer...
Também é brejeira
Mas então por quê?
Por que o seu alvo
Escapa-lhe das garras?

Quer mesmo saber?
Por que ela corre, corre...
Mas corre a toa?
É porque Gigi quer pegar
A sombra do pássaro
Que vôa!

3/20/2013


ZIEGLER, Jean, O Ódio ao Ocidente, Lisboa: Círculo de Leitores, 2012 (ca. 328 pp. e 20 euros)


“Raramente na História os Ocidentais deram mostra de uma  tal cegueira, de um  tal desinteresse, de um tal cinismo como este que hoje demonstram. A sua ignorância das realidades é impressionante. E assim se alimenta o ódio.” (p. 297)

“A que se deve esta explosão dos preços das matérias-primas no mercado mundial? [No primeiro trimestre de 2008 o arroz aumentou no mercado mundial 59% e os preços do trigo, milho e milho miúdo em média 61% - Nota de Kriu]  A sua causa assenta no acumular dos efeitos de três estratégias, aplicadas pelos Ocidentais.

A 1ª é obra do FMI. Para conter a dívida externa acumulada dos  países ditos em via de desenvolvimento, o FMI impõe periodicamente aos mais pobres planos ditos de ajustamento estrutural. Na prática todos estes planos privilegiam a agricultura de exportação à custa das culturas alimentares. Por uma razão simples: só exportando algodão, soja, acúcar de cana, óleo de palma, café, cacau, etc. o país devedor poderá obter divisas. Ora nem os juros nem a amortização da dívida externa podem ser financiados em moeda local. Por isso há que procurar divisas seja como for. Deste ponto de vista o FMI funciona como guardião impiedoso dos interesses dos grandes  bancos de crédito das sociedades multinacionais ocidentais.

Ao mesmo tempo o FMI  contribui para aniquilar a agricultura alimentar em imensos países do sul. Onde crescem o algodão ou a cana de açúcar não crescem nem o arroz nem o milho miúdo ou a mandioca. (…)

A especulação desempenha um papel importante na subida brutal dos preços (…) oito ou nove sociedades ocidentais controlam hoje o essencial do mercado mundial dos bens alimentares.
(…)


A 3º estratégia em causa é a que implica a conversão maciça dos alimentos de base em agrocombustíveis, sob pretexto de luta contra as alterações climatéricas. (…) para encher o depósito de um automóvel médio que funcione a bioetanol são queimados 358 kg de milho e 358 kg de milho são suficientes para garanir a vida de uma criança do  Méxivo ou da Zâmbia (onde o milho é a base de alimentação) durante todo o ano. As sociedades agroalimentares ocidentais realizam lucros astronómicos com o biodiesel e o bioetamol. E que rebentem os pobres da metade do sul do planeta (pp. 297 a 300)

3/17/2013


“Laranja Mecânica”, 1971
de Stanley Kubrick


A arte é algo que, através da sua forma, nos seduz. Qualquer artista sabe que pode levar o Leitor onde quiser, desde que o prenda ao objeto artístico pela sua beleza, enquadrada esta, logicamente, no conceito de beleza a que ele, Leitor,  há-de reagir positivamente.  E, claro, as grandes obras acabarão por impor novos gostos ou conceitos de beleza.

Vem isto a propósito de  “Laranja Mecânica” de Kubrik, filme que tenho visitado ao longo da vida: aos vinte anos senti-me dominado pelo seu impacto e, hoje, algumas décadas passadas, ao revê-lo  numa sessão de cinemateca, pareceu-me sobretudo um filme sobre a manipulação.

A primeira manipulação passa-se na “leitaria” onde o leite é adulterado por substâncias que, manipulando o cérebro, lhe dão uma “estaleca”.
Enquanto assistimos a cenas violentas e presenciamos a dor de vítimas, ouvimos música clássica, a qual, em princípio, pelo prazer que habitualmente a sua escuta proporciona, se   associa, não a dor, mas a êxtase.  E extase será o que experimenta Alex em tais cenas, no seu papel de violador e assassino.  Portanto, nós, espetadores, através da música, identificamo-nos com  o estado de espírito de Alex e damos-lhe razão, não por que ele mate ou viole,  mas porque a música que entretanto se escuta – e ele nem a não ouve! - nos empolga. Ou seja, Alex entusiasma-se com a violência que leva a cabo e nós, espetadores, com a música que ouvimos, a qual, aliás, contém em si um crescendo que funciona como a busca de um máximo de intensidade.  E, assim, ambos somos simultâneamente empolgados, Alex pela dor e sangue que provoca e,  nós, pelo som arrebatador da música.  Eis a primeira manipulação, e não pequena, que o filme executa, isto é, faz-nos associar prazer musical e sofrimento.

A manipulação que ocupa a segunda parte do filme consiste na associação entre violência e enjôo.  E, de caminho, também a violência se associa à música de Beethoven. Trata-se, afinal, da associação que o espetador sofreu, mas já protagonizada  por Alex. Isto é, da mesma forma que o filme, na primeira parte, nos leva a associar êxtase musical e dor, assim, na segunda parte, uma   tal associação se faz em Alex, mas  já com este a repudiar  a dor. E quanto a nós, espetadores, ficamos “curados” daquela primeira associação, isto é, da associação extase musical/sofrimento? Não. A música continuar-nos-à associada a violência mas, desta feita, à que o Estado já exerce sobre Alex.
E a manipulação acaba por ser no ecrã o ponto culminante do filme, quando Alex pousa para os fotógrafos no hospital, abraçado ao político que dele se serve.

Manipulações, menores dir-se-ia,  são ainda o uso que Alex faz do seu saber bíblico para enganar o capelão, quando este imagina o prisioneiro do lado de Cristo e, afinal, aquele se vê em sonhos um seu algoz, e a manipulação que o escritor, outrora vítima de Alex, exerce através do “vinho” para neutralizar o rapaz.
Kubrik jogou afinal “em casa” ao tratar de manipulação no seu filme:  “Laranja Mecãnica”  é  um objeto artístico e este, como ao princípio se disse,  manipula para seduzir.

CMelo

3/15/2013

Textos de Gonçalo Barra


Para Joana

Tudo por agora
As palavras seguem os sonhos quando a hora é grave, e tudo está mergulhado na alma, corpo, esperança, e memória, tudo feito coração e história. A boca fala muda, os olhos brilham com saudade do possível, as mãos acariciam a fantasia, no limbo da existência menos que plena. Tudo em redor é calmo, como a gestação que desponta, e tudo é significado de amanhã, sem ser tarde, nem longe. Tudo é o que se decide.

Leve sorrir
Floris e no canteiro do teu sorriso tudo fica mais leve, como se o teu coração fosse uma garça, abrindo as asas para voar, e pétalas de rosas e lírios convidam nobres abelhas, tão trabalhadoras, para polinizar o mundo com amizades, tanto novas, quanto velhas, que são a tua cultura de todas as horas.

Primeiro tempo
Se fechando a porta fosse abrindo a janela ao mundo, se fechando a janela o postigo fosse a saída para um horizonte pleno e profundo, se fechando tudo ainda assim, o olhar quebrasse qualquer muro, como o tempo faz aos ponteiros dos relógios, se caíssem todas as barreiras no acordar do Sol,  e tudo a nu fizesse destes tempos os primeiros.

Para Anita

Desejo
Sei dum cume onde duas colinas cortam o sol nascente, arqueiam como adros de convento, em portais góticos geminados sem ciúme, ornados de rosas brancas fragrantes e gentis, de neve quente, flores paradoxais em seio de gente, assentes em quadris, como ponte sobre barcas de prazer, a baloiçar sob a cintura, fina e curva como a própria base da ternura, desenvolta em torso, onde habita esconso um vulcão, que irrompe em esforço fuste acima, e deixa a bater louco o coração, na verdade, sei apenas dum corpo de mulher menina, que tem pernas como rios que correm, um para o outro, como amantes a fugir à solidão, e formam torrentes de fantasia a inundar a imaginação, deste que vos guia, ao olhar estampado de paixão, aos braços de vento que há-de abraçar um dia.









Anda
Vem transformar a tarde de cinza numa noite de prata, se fores raposa traz-me a carícia suave e quente, se fores marta, quero percorrer os dedos pela seda do teu pelo, traz-me confiança e não deixes gelar as minhas mãos, nem o pensamento, sê o meu animal de estimação, fiel e irrequieto, mas nem submisso nem desistente, e eu serei animal, tal como tu, vestido de gente, e no quarto onde estivermos crescerá mata, e no escuro haverá luz para guiar a tua pata, cor nos cheiros, e forma nos ruídos, e nessa intuição unidos, ao luar deixaremos uma marca sobreposta, uma sombra ondulante e maior, faremos da montanha mar e do medo amor.


Agora
Desenho um coração, dois círculos e um triângulo, e logo em perseguição, esse mote feito ponta duma seta, me arrasta a uma velocidade imaginária, para a corrida do amor, que antes de partir já está na meta, daí arrancam desejos paralelos, uns são feios, outros belos, depende dos teus olhos sobre eles, quererem plantar-lhes o feitio, e mudar-lhes o tropel, apenas os cegos ficam imunes à divisória, ignaros se partiram ou chegaram, sem sentir limão ou mel, por se perder e insistem na hora em que, passado o cabo fundo do cansaço, pela tua mão se vão embora, sem repouso no teu colo, ou nele com premiada demora, e se nessa sorte quer este coração vencer a morte, e ter ultrapassado o belo, continua pela noite à espera da aurora.

2/16/2013

TRANSIÇÃO...http://www.youtube.com/watch?v=GjE5QMXaRSQ

"Multa por não pedir factura? 'Terei de lhe pedir para ir tomar no cu"  (Francisco José Viegas, ex-secretário de Estado da Cultura)



A questão de "tomar no cu" não me interessa pessoalmente mas sei que tal ato faz parte do quotidiano de um setor considerável da população, que é parte integrante da sua sexualidade e, portanto, devo respeitar esse gesto que em nada é inconstitucional e está mesmo pressuposto na legislação portuguesa a qual sanciona o casamento homosexual masculino. Sendo assim, não compreendo como uma pessoa, que foi responsável por uma importante pasta ministerial ligada à cultura, pode utilizar a expressão “tomar no cu” pretendendo com tal proferir algo insultuoso.  Pois que das duas uma: ou "tomar no cu"  é um insulto e a legislação portuguesa, ao dar cobertura a tal ato, é ela mesma insultuosa, ou quem utiliza uma  tal expressão, como insulto, ofende a percentagem da população que, com todo o seu direito, "toma no cu". 
Em que ficamos? 
No primeiro caso convém atentar na legislação e, no segundo, exigir a quem, com responsabilidades públicas, proferiu tal forma, que dela se retrate, pois que terá proferido uma expressão homófoba, proibida por lei. 

2/12/2013


Conversas de rua  (1)

“Nunca me interessou a história e muito menos a portuguesa. Não ligo a tais coisas!” – a frase era dito pelo ocupante de uma cadeira na fila detrás, na sala da cinemateca, e eu, à sua frente, apontei-a para vir aqui comentá-la.

Ou seja, a cultura científica vista como dispensável, à qual se pode ou não ligar,  algo que não estrutura o próprio ser, e por isso se torna imprescindivel numa civilização complexa como a nossa. Claro que a cultura não coloca a felicidade ao nosso alcance mas auxilia a  saber porque se é infeliz. 


Ratzinger bate com a porta?

Ponha-se de parte a hipótese de que, por de trás da resignação de Bento XVI, existe alguma razão além da oficialmente anunciada.

Resta então que o papa resigna porque se sente intelectualmente incapaz.

Cristo morreu na cruz e, filho de Deus e doado por Este para exemplo humano, teve de assumir a sua humanidade, mostrando a sua agonia. (A questão de que, estando condenado não podia escolher a sua via, fica posta de lado quando se pensa que o destino de Cristo foi marcado por seu Pai e, logo, não casual). Ou seja, por humildade Cristo, e os seus sucessores, estarão obrigados a beberem o cálice da vida até ao fim, não podendo invocar qualquer razão para o não fazerem. Esse o exemplo que ficou de João Paulo II, papa que no seu pontificiado mostrou a pujança, e logo a decrepitude, oferecendo da vida humana um quadro completo, natural e, por fim, grandioso.


Ratzinger (que até ao momento nem se disse portador de qualquer doença degenerativa)  acha que não está capaz de governar e resigna.  Tal significa, ainda, que não confia   na cúria que o rodeia e teme seguir-lhe as indicações porque, logicamente, outros papas terão igualmente sentido o avanço da idade e, como reação, refugiado nas opiniões dos mais próximos colaboradores, tornando-as suas. Ratzinger, impressionado certamente pela traíção do seu mordorno, último golpe numa vida que, por importante, terá sido muito  “apunhalada”, não resistiu a mais este e bate com a porta?  


Traição à exemplar “via dolorosa” de Cristo,  afastamento crítico do exemplo dado pelo papa  seu antecessor, (que diria João Paulo II do gesto de Ratzinger?), demonstração de vaidade intelectual, a qual não permite a Ratzinger que se mostre sem ânimo, contributo importante para laicizar/banalizar o papado, descofiança nos que o rodeiam e, the last but not the least”, desautorização da vontade divina que o elegeu: eis o que lega Bento XVI ao resignar.  A exemplo doutras monarquias que se “macdonalizaram” para acompanhar os tempos – ou os súbditos – o gesto de Ratzinger torna também mais acessível - e, logo, confortável - o papado.

1/09/2013


Hobbit, filme de  Peter Jackson, 2012

Hobbit não gostaria de ter abandonado a sua casa e diz a X que este só se mete em aventuras precisamente porque perdeu o seu lar. Ou seja, desde que nada obrigue ao risco, não há como ficar na sala de estar, sentado frente à TV. Esta a moral que se retira da leitura ideológica de Hobbit, herói contra vontade, tal como são todos os heróis de uma sociedade  que, apesar de inserida numa civilização fundada no sacrifício (os pregos da cruz cristã não constam que fossem de chocolate!)  aspira, sobretudo, ao conforto, à facilidade e à abolição do pensamento.

Por outro lado – ou pelo mesmo? – Hobbit é um objeto que deve o seu estatuto a uma soberba técnica e nesta reside o seu sucesso, isto é, Hobbit resulta de um pensamento profundo  mas exclusivamente aplicado à descoberta de soluções técnicas. Profundidade ausente do filme  a outro nível, pois que este se desenvolve numa mesma superfície  na qual se sucedem diversas aventuras ou onde o aprofundamento se faz apenas a nível físico pelas diversas entradas nos buracos da terra e nunca da psicologia.

Entretenimento - mas não “gaia ciência”, pois Hobbit é irrelevante  a nível pedagógico, ou mesmo contraproducente pelas razões acima descritas – Hobbit insere-se nos produtos  que  pressupõem – ou para os quais é útil pressupor – a divisão do ser humano em duas partes inconciliáveis: uma, atenta às subtilezas da vida e aos seus diferentes matizes e uma outra parte que, da mesma vida, só lhe interessa a rama e o verniz.  

Ou como os soberbos media mediatizam/relativizam o seu utilizador.

12/17/2012


KRUGMAN, Paul, Acabem Com Esta Crise – Já!. Lisboa, Presença: 2012 (Ca. 247 pp. e 15 Euros) *


“a sabedoria convencional entre aqueles a que alguns de nós chamavam sarcasticamente, Pessoas Muito Sérias pôs completamente de lado a máxima central de Keynes: «A altura certa para a austeridade é em tempo de fartura e não de recessão.» Agora é a altura certa de o governo gastar mais, e não menos, até que o setor privado esteja pronto para voltar a fazer singrar a economia – mas as políticas de austeridade e de destruição do emprego tornaram-se entretanto na norma”  (p. 13)



“E as pessoas (…) que sabiamente declaram que os nossos problemas estão profundamente enraízados e que não há nenhuma solução fácil, que precisamos de nos adaptar todos a um panorama mais austero  soam-nos sensatas e realistas, apesar de estarem absolutamente erradas.” (…) “pôr fim a esta depressão seria uma experiência de alívio para praticamente toda a gente, exceto para quem investiu política, emotiva e profissionalmente em doutrinas económicas irracionais. “ (p. 35)



“Se examinarmos aquilo que os austerianos [adeptos da austeridade - nota de Kriu] querem – uma política orçamental concentrada nos défices e não na criação de emprego (…)  tudo isso serve, com efeito, os interesses dos credores, daqueles que emprestam dinheiro por oposição àqueles que contraem os empréstimos/e ou trabalham para ganhar a vida. Aqueles que emprestam dinheiro querem que os governos tenham como sua maior prioridade honrar as suas dívidas e opoêm-se a qualquer ação monetária que prive os banqueiros de retornos (…).


Por último perdura uma urgência constante de transformar a crise económinca numa peça de moralidade, num conto em que a depressão é a consequência necessária de pecados anteriores que não devem ser atenuados. (…) especialmente (…) os banqueiros centrais e outros dirigentes financeiros, cujo sentimento de autoestima se encontra entrelaçado com a ideia de serem os adultos que dizem «não».
O problema é que na situação atual, insistir em perpetuar o sofrimento não é a forma madura e adulta de resolver as coisas. É infantil (julgar uma política pelos sentimentos e não pelos atos) e destrutiva.

(…) pôr dinheiro nas mãos das pessoas em situações aflitivas e haverá uma boa hipótese de que o gastem, que é exatamente aquilo que precisamos que aconteça.

(…) como poderemos mudar de rumo? Será este o assunto a abordar (...) neste livro. (p. 217)

* laureado com o Premio Nobel

12/16/2012


"Se à primeira não conseguires, volta a tentar uma e outra vez."

Franklin Roosevelt

12/03/2012


CARR, Nicolas, Os Superficiais. O que a internet está a fazer aos nossos cérebros. Lisboa: Gradiva, 2012 (ca. 316 pp. e 19.50 euros)

“A google não é Deus, nem Satanás (…) o que é perturbador sobre os fundadores da empresa não é o seu desejo infantil de criar uma máquina fantástica que seja capaz de suplantar os seus criadores, mas a concepção oprimida da mente humana que dá origem a esse desejo.”   (p. 220)


“Há provas de que (…) à medida que construímos o nosso armazém de memórias, as nossas mentes se tornam perspicazes” (p. 238)


“O cérebro demora algum tempo, descobriram os investigadores, a «transcender o imediato envolvimento do corpo» e a começar a compreender e sentir «a dimensão moral e psicológica da situação» (36) (p. 270)


“Seria surpreendente tirar a conclusão precipitada de que a internet está a destruir o nosso sentido moral. Não será imprudente sugerir que, como a internet reorganiza os nossos circuitos vitais e diminui a nossa aptidão para a contemplação, está a alterar a profundidade das nossas emoções assim como dos nossos pensamentos” (p. 271)


(36) Mary Helen Immorduri-Yang, Andrea McColl, Hanna Damásio, e António Damásio «Natural Correlets of Admiration and Compassion» Proceedings of the National Academy of Sciences, 106, nº 19, 12 de Maio de 2009, pp. 8021-8026

11/05/2012

Destaque in : http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2012/11/carta-alemanha.html?spref=fb


Senhora Merkel, Chanceler da Alemanha

Venho pedir-lhe, por ocasião da visita que em breve nos fará, para levar consigo na partida uma breve mensagem aos seus concidadãos. Eis o que gostava que lhes transmitisse:

Sabemos que na década passada os vossos governos vos disseram que tinham de abrir mão de parte dos salários para preservar o futuro do vosso Estado Social. Disseram-vos, e vocês acreditaram, que se prescindissem de uma pequena parte do rendimento presente vos tornaríeis “mais competitivos” e que, dessa forma, o vosso país poderia obter uma poupança capaz de sustentar as vossas pensões e os direitos sociais dos vossos filhos no futuro.
Sabemos que a década passada não foi fácil para vós e que o vosso país se tornou desde então menos bonito e mais desigual. Sabemos também que o objetivo pretendido foi conseguido. Que a Alemanha se tornou «mais competitiva», exportou muito, importou menos e mais barato, conseguiu grandes excedentes da balança de pagamentos e acumulou poupança nos vossos bancos.
Nós sabemos, mas vocês talvez não saibam, porque isso não vos é dito pelos vossos dirigentes, que esse dinheiro acumulado nos vossos bancos, foi por eles aplicado, à falta de melhor alternativa, em empréstimos a baixo juro aos bancos do sul da Europa, entre os quais os bancos portugueses, e por eles emprestado de novo com muita publicidade e matreirice a famílias do sul cujos salários também não cresciam por aí além, mas que desejavam ter casa, carro e um modo de vida parecido com o vosso.
As nossas economias sujeitas à concorrência criada pela globalização que tanto convinha às vossas empresas exportadoras cresciam pouco. Mas o crédito que os vossos bancos nos ofereciam, por intermédio dos nossos, lá ia permitindo que as nossas famílias tivessem acesso a bens de consumo, muitos deles com origem nas vossas empresas exportadoras. Durante algum tempo este estado de coisas parecia ser bom para todos.

Quando em 2008 todas as bolhas começaram a estoirar, os vossos bancos descobriram que não podiam continuar a arriscar tanto e cortaram o crédito aos bancos do sul e mesmo aos Estados. Se a União Europeia não tivesse decidido que nenhum banco podia abrir falência, responsabilizando os Estados pelas dívidas bancárias, teríamos assistido a uma razia quer dos bancos endividados, quer dos bancos credores. Mas a UE decidiu que os governos iam «resgatar» os bancos e que depois ela própria, com o BCE e o FMI, «resgatariam» os Estados. Foi desta forma que os vossos bancos, que haviam emprestado a juros baixos para lá de todos os critérios de prudência, se salvaram eles próprios da falência. Foi assim que eles conseguiram continuar a cobrar os juros dos empréstimos e a obter a sua amortização. Doutra forma, teriam falido. Talvez vocês não saibam, mas os empréstimos concedidos à Grécia, à Irlanda e a Portugal são na realidade uma dívida imposta aos povos destes países para «resgatar» os vossos bancos.
Talvez vocês não saibam também que até agora, os vossos Estados, todos vós como contribuintes, não gastaram um euro que fosse nos «resgates» à Grécia, à Irlanda e Portugal. Até agora o vosso governo concedeu garantias a um fundo europeu que emite dívida a taxas quase nulas para emprestar a 3% ou 4% aos países «resgatados».

Talvez vocês não saibam que em breve este estado de coisas se pode vir a alterar. A austeridade imposta em troca de empréstimos está a arrasar os países «resgatados». Em breve, estes países, chegarão ao ponto em que terão de suspender o serviço da dívida. Nessa hora, haverá perdas, perdas pesadas para todos, contribuintes alemães incluídos.
Talvez vocês não saibam, mas no final, todo o esforço que haveis feito na década passada para tornar a Alemanha «competitiva» e excedentária se pode esfumar num ápice. Afinal os vossos excedentes, são os nossos défices, os créditos dos vossos bancos são as nossas dívidas. Os vossos dirigentes deviam saber que uma economia é um sistema e que a economia do euro não é exceção. Quando as partes procuram obter vantagens à custa umas das outras, o resultado para o conjunto e cada uma delas não pode deixar de ser desastroso.
Talvez vocês não saibam, mas os vossos dirigentes andam a enganar-vos há muito tempo.
Perdoe-me senhora Merkel se entre uma e outra palavra deixei transparecer amargura em excesso. É que não sou capaz de o esconder: o espetáculo de uns povos contra outros é para mim insuportável, sobretudo quando afinal todos eles se debatem com um problema que é comum – o da finança que governa com governos ao serviço de 1% da população, como o seu e o nosso. À memória ocorrem-me tragédias passadas que deviam ser impensáveis. Concordará comigo pelo menos num ponto: é preciso evitar esses inomináveis regressos ao passado.

11/02/2012


McTAGGART, Lynne, O Campo, A Força Secreta Que Move o Universo. Lisboa: Presença, 2001 (ca. 347 pp. e 18 euros)


“Estes paradigmas – o Mundo como uma máquina, o Homem enquanto máquina de sobrevivência – trouxeram um domínio tecnológico do Universo mas (…) A um nível espiritual e metafísico, conduziram a um sentimento de isolamento”  (p. 11)

“A um nível subatómico não existe nenhum mecanismo causal no Universo”


“A partir do momento em que nascemos é-nos dito que para cada vencedor tem de existir um vencido (…)


O Corpo conta uma história científica radicalmente nova. O último capítulo dessa história, (…) sugere que, na nossa essencia, existimos como uma unidade, uma relação,  completamente interdependentes, com cada parte a afetar o todo,  (…) Se um campo quântico nos mantém a todos juntos na sua rede invisível, temos de repensar as nossas definições de nós mesmos e daquilo que é, exatamente, ser-se humano.” (p. 227)

“Numa altura em que as velhas  histórias científicas, cuja ênfase está no domínio técnico do Universo, estão a ameaçar extinguir o nosso planeta, O Campo oferece um futuro alternativo” (p. 229)

                             
“Um campo é uma matriz ou um meio que liga dois ou mais pontos no espaço, normalmente através de uma força, tal como a gravidade ou o eletromagnetismo. A força  é habitualmente representada por vibrações ou por ondas no tempo” (p. 44)

11/01/2012



Lichtenstein, Roy, No Carro

10/26/2012

Destaque, in BBC NEWS, 26.10.2012 às 8.00 H.


Abraço sela reencontro 'emocionante' de irmãos gorilas separados por dois anos

 
Irmãos se abraçaram no reencontro, após passarem dois anos longe um do outro
Dois irmãos gorilas protagonizaram cenas emocionantes, ao se reencontrarem após mais de dois anos separados.
O parque de diversões e safári Longleat, no sudoeste da Inglaterra, registrou o momento em que o gorila Kesho, de 13 anos, foi devolvido ao parque e reviu seu irmão mais novo, Alf, de nove anos. Os dois se abraçaram e brincaram. Um terceiro irmão, Evindi, de seis anos, também foi recebido calorosamente pelo gorila mais velho.

 

10/14/2012



STEPHENSON, Sean, Chega de Mas! Como dei passos de gigante na minha vida e tu podes dar também. Lisboa: ed. Nascente, 2012 (ca. 175 pp. e 15 euros)


“Sem paixão, ficamos enredados na teia do simplesmente ganhar a vida, em vez de conceber a vida”


“Devo o meu espírito combativo aos meus pais que desde o meu primeiro dia de vida se empenharam em fazer-me sobreviver, em que eu vingasse e me transformasse numa força poderosa neste planeta”  (p.15 ) [Sean nasceu com a doença de Oi ou doença da fragilidade óssea – N.de Kriu]
“A necessidade de lidar com a dor levava-me a escolher naturalmente técnicas de meditação,  (…) A dor foi minha professora e eu o seu melhor aluno” (p.18)


«Sean» declarou ela [a mãe – N. de Kriu] a dor é inevitável. Acaba sempre por nos afetar a todos. Já o sofrimento é opcional” (p. 21)


“Mas se começarem a reparar que alguns dos vossos amigos só falam do que está mal, do que não presta ou do que é injusto no mundo e nas suas vidas – e por extensão, na vossa vida – isso significa que estão a falar com um consumidor. Vocês têm uma energia limitada, certo? Se deixarem esses vampiros de energia consumir-vos, ficarão sem forças para lidar convosco próprios” (p. 136)


“Temos de olhar para lá do comportamento dos outros e tentar perceber o que é que se passa no mundo interior deles que os faz serem tão descarados, mal-educados, egoístas e maus no seu mundo exterior. Repito: as pessoas não se medem pelo seu comportamento”.
“O vosso objetivo não é corrigir o comportamento deles, mas sim ajudá-los a libertarem-se da armadilha que lhes prende a mente e o coração” (p. 49)



10/08/2012

Destaque

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

11:37 Sexta feira, 5 de outubro de 2012

Ex-vice da Moody's apela a revolução na zona euro

tempo para uma discussão "educada" terminou. O que está em causa no "Sul" da Europa é a diferença entre um futuro de prosperidade ou depressão. Palavras duras de Christopher T. Mahoney, ex-vice presidente da agência Moody's.

Está na hora de uma revolução na zona euro, o tempo para uma discussão educada terminou. O que está em causa não são um ou dois por cento de crescimento económico no Sul, mas, pelo contrário, a diferença entre um futuro de prosperidade e um de depressão", refere hoje Christopher T. Mahoney, ex-vice presidente da agência de notação Moody's, num artigo intitulado "Southern Europe Must Revolt Against Price Stability ", publicado no "Project Syndicate".
Essa "revolução" deve ser "liderada pela França, Itália e Espanha", com a França à cabeça, e os seus alvos principais são a Alemanha e o Bundesbank. "O tempo é agora, antes que a Espanha e Itália sejam forçadas a capitular à estricnina e ao arsénio da troika", sublinha.
Mahoney é um veterano de Wall Street que saiu de vice-presidente da Moody's em 2007. Considera-se um "libertário do mercado livre".
"Se o Sul continuar a permitir que o Norte administre o remédio envenenado da deflação monetária e da austeridade orçamental, sofrerá, desnecessariamente, anos e anos", adverte Mahoney, para, depois, apelar à "revolução" do Sul.
"A zona euro é uma república multinacional em que cada país, independentemente da sua notação de crédito, pode atuar como um hegemonista. A Alemanha tem apenas dois votos no conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), não tem controlo e não tem poder de veto. A Alemanha é apenas mais outro membro da união e o Bundesbank apenas mais outra sucursal regional do sistema do euro. O Tratado do BCE não pretendeu ser um pacto de suicídio, e pode ser interpretado de um modo suficientemente aberto para permitir que seja feito o que tem de ser feito. Se o Tribunal Constitucional objetar, então a Alemanha pode sair."
E reforça: "O que advogo é uma rutura pública com o Bundesbank e com os seus satélites ideológicos".
A finalizar, diz: "Talvez seja mais prudente conduzir esta revolta em privado, mas o que acho é que só funciona como ultimato público".

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