2/22/2012

Cardoso, Fernando Henrique, Cartas a um jovem político. Lisboa: ed. Quixote. 2011 (ca. 154 pp. e 18 euros)

" Se a classe trabalhadora mudou muito no Brasil, a classe média nem se fala. A classe média no passado era a classe média tradicional, ou seja, os membros caídos das classes dominantes. Os filhos eram colocados no Exército, na Igreja ou na universidade para se poder manter mais ou menos um padrão razoável de vida. Agora há uma nova classe média que vem de baixo, não tem ligação com o Estado e é composta por uma imensa quantidade de gente. (...) O velho princípio de «solidariedade de classe» é outro também, porque a competição entre as pessoas aumentou muito" (p. 75)


"Uma ou algumas pessoas que possam realmente contar e ouvir a verdade (...) Pode ser um velho amigo, ou amiga, um auxiliar próximo, um ministro, não importa. (...) Ou a pessoa no poder consegue construir uma linha permanente de contato com a verdade - e com o mundo real - ou fica perdida"    (p. 102)


"qualquer pessoa que queira exercer uma função política a sério tem que saber responder à seguinte pergunta: para quê? Com qual propósito, exatamente, estou entrando na política? O que eu quero mesmo fazer? A quem desejo representar?
(...) 
E o alicerce das alianças sadias é a convicção de que elas se destinam a cumprir um programa para alcançar objetivos. " (p. 125)

Matar os pais...


Voltaremos a matar os pais?


Outrora, por razões económicas, abandonavam-se os pais quando eles já não produziam para a comunidade familiar e  apenas  representavam bocas a alimentarem.  


Devemos voltar a esse tempo e fazer tudo em nome da economia?
Ou devemos pensar a economia como um conjunto de factores, sem o contributo dos quais  ela fica vazia de sentido, senão absurda?


Que significa optar pela construção de um silo para automóveis em vez de um jardim só porque o silo é mais barato? (http://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N19416)


De que serve pagar rapidamente a minha dívida (sobretudo se o meu dinheiro nem faz uma falta urgente ao credor) se, para pagá-la com brevidade, arrrisco a nem sobreviver? 


De que seve um ensino barato, mas falho na aprendizagem da cidadania ou das artes? Para a criação de bárbaros instruídos? 
Goebbels, o ministro da cultura de Hitler, não era um homem instruído?

A economia não pode ser um fim em si mesma, pois o humano é  por demasiado complexo para que tudo o que faça não  deva ser analizado nas suas múltiplas consequências.


A economia não pode ser um fim em si mesma, sob pena de voltarmos ao tempo em que matavamos os pais.  


Ou é isso o que queremos?

2/19/2012

um milhão de sins por uma europa solidária!

http://www.1millionsignatures.eu/?a=form

inquérito a moribundos...

revela que, em fim de vida, a maioria diz que gostaria de:
- ter tido a coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo e não a vida que os outros esperavam de mim.
- não ter trabalhado tanto.
- ter tido a coragem de expressar os meus sentimentos.
- ter mantido contactos com os meus amigos.
- queria ter-me permitido ser feliz.

(in jornal "Metro" de 9.02.2012. p. 2) 

Portugal: quem deve a quem?

http://auditoriacidada.info/

mudam-se os tempos, mudam-se os "velhos"...

http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/jane_fonda_life_s_third_act.html

2/04/2012



,






RACHNAN, GIDEON, O Mundo de Soma Zero – As políticas, o poder e a prosperidade depois do crash (ca. 420 pp. E 17 euros)

“A lógica da soma zero – os lucros de um país parecem ser as perdas do outro – levou a um acentuar de tensões entre a China e os Estados Unidos” (p. 13)

 «a cooperação internacional estagnou. Desde alterações climáticas e comércio à proliferação nuclear e à reforma da ONU, o reequilíbrio macroeconómico e financiamento para o desenvolvimento – a lista poderia continuar – quase todas as principais iniciativas para resolver os problemas mais fundamentais do nosso século, encontram-se quase todas paradas»  (1) (p. 405)

(1)          Richard Samans, Klaus Schwab e Mark Malloch-Brown, «Runnning the World After the Crash», Foreign Policy, janeiro-fevereiro de 2011, p. 80)

“Se agora a democracia se enraízar no Médio Oriente, a «exclusão árabe» terá terminado o que afectaria seriamente o “eixo do autoritarismo” (...)  novas tecnologias, (,,,) combinadas com a globalização, servirão para a propagação de liberdades políticas” (p. 406)


“Se a América ficar muito preocupada com o facto de estar enredada no estrangeiro (…) não existe nenhuma força global coordenada que esteja preparada para avançar e colmatar esse vazio. Cada um dos poderes autoritários provavelmente tornar-se-á mais assertivo no seu próprio quintal. (…) não se trata de um desafio coordenado à ordem liderada pelos Estados Unidos nos últimos vinte anos. É mais como a propagação da decomposição, minando a estrutura da ordem mundial. O resultado será um mundo menos próspero, menos previsível e mais violento – um mundo fracturado. 





http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/jane_fonda_life_s_third_act.html

11/02/2011

Philippe AskenazyThomas CoutrotAndré OrléanHenri SterdyniakJoão RodriguesNuno SerraManifesto dos Economistas Aterrados, Crise e Dívida na Europa 22 Medidas Para Sair do Impasse. Lisboa: Actual Editora, 2011 (ca. 88 pp e 5 euros)




“A explosão recente da dívida pública na Europa e no mundo deve-se (…) aos planos de salvamento do sector financeiro e, sobretudo, à recessão provocada pela crise bancária e financeira que começou em 2008 (…) Perante a ausência de uma harmonização fiscal, os Estados europeus dedicaram-se livremente à concorrência fiscal, baixando os impostos sobre as empresas, os salários mais elevados e o património” (pp. 42,3)

“Sim, a economia é política e deve estar, por esse motivo, sujeita ao debate” (Prefácio, de João Rodrigues e Nuno Serra (http://ladroesdebicicletas.blogspot.com)



“Uma auditoria à dívida pública do país seria um primeiro passo para saber quem detém os títulos nacionais e em que condições. Só assim se poderá saber quem está a ganhar com o processo de transferência de rendimentos das classes populares para o sistema financeiro. Portugal e os restantes países periféricos devem, pois, colocar a possibilidade de uma reestruturação da dívida por si organizada para forçar alterações europeias que superem as políticas de austeridade. A rebelião das periferias exige uma rebelião intelectual prévia. E este manifesto pode, justamente, contribuir de modo significativo para o desencadear” (in prefácio, pp. 15,6)
CARRILHO, Pedro Queiroga, O Seu Primeiro Milhão. Como Poupar e Fazer Crescer o Seu Dinheiro. Alfragide: grupo Leya, 2010 (Ca. 116 pp. e 10 Euros)


“teria sido necessário que alguém nos dissesse muitas vezes quando éramos novos: “Não tens dinheiro, não compras.” (p. 37)


“o que importa não é quanto ganhamos mas sim quanto dinheiro conservamos.” (p.51)


“O que (...) possibilitou que se tornassem milionários (...) :
- manter  os objectivos e não sair do caminho;
- aprender com quem já o fez;
- estar num negócio que se ama, a fazer algo que se ame;
- associar-se a pessoas bem sucedidas;
- ser integro e merecer a confiança de outras pessoas;
- resolver problemas de atitude pessoal;
- ser sábio relativamente a dinheiro;  (p. 52)


“Ao recebermos um ordenado devemos retirar logo uma percentagem de dinheiro para uma conta poupança ou de investimento.” (p. 55)


10/24/2011

GIROUX, Henry A., Contra o Terror do Neoliberalismo - A Política para Além da Era da Ganância. Lisboa: ed pedago, 2011 (ca. 143 pp. e 15,90 euros)







“À medida que o estado é enfraquecido e esvaziado das suas fontes financeiras e à medida que os serviços sociais se extinguem, as políticas de contenção tornam-se os principais meios para disciplinar a juventude e restringir a sua capacidade para pensar de modo crítico e para se ocupar com práticas de oposição. (...) Tais abordagens descapacitam os professores, (...)  e preparam os jovens para serem dóceis.” (p. 35)


“inúmeras universidades são actualmente concebidas segundo os conhecimentos do mundo empresarial e parecem menos interessadas no ensino superior do que em tornar-se montras acreditadas de marcas


(...)

Os alunos (...) apressam-se a frequentar cursos (...) nas áreas dos negócios e biociência à medida que as humanidades perdem especializações e diminuem.” (p. 38)



“defendo que os intelectuais públicos deveriam (...) ligar a prática do ensino na sala de aula com a operação de poder na sociedade. (p.40)


“Estamos na era das «utopias individuais», (...) e por isso torna-se natural (para além de estar na moda) zombar e ridicularizar os projectos que implicam uma revisão das opções (...) colectivamente postas à disposição dos indivíduos (1)



(1) Zygmunt Baumon, Work, Consumerism and the New Poor (Philadelphia: Open University Press, 1998, pp. 97-98)











10/15/2011

JR, NYE, Joseph S., Liderança e Poder. Lisboa: Gradiva, 2009 (ca. 255 pp. e 17 euros)




“A revolução e a democratização da informação estão a provocar uma mudança de longo prazo no contexto das organizações pós-modernas verificando-se a substituição gradual de um estilo de comando por um estilo de coaptaçao. As ligações em rede requerem um estilo de liderança mais consultivo, por vezes rotulado de “feminino”. Apesar do estereótipo, a verdade é que tanto os homens como as mulheres enfrentam esta mudança, à qual têm de se adaptar. Seguidores mais capacitados fazem líderes mais fortes” (p. 192)



Os líderes transformacionais estabelecem relações com os seguidores «de modo que uns e outros se seguem mutuamente a níveis mais elevados de motivação e moralidade [...] O melhor exemplo é talvez Gandhi que mobilizou e elevou a esperança e exigencia de milhões de individuos, engrandecendo nesse processo a sua vida e personalidade» (46)  (p. 167)


(46) Stephen J. Zaccaro, «Trait-Based Perspectives of Leadership», American Psychologist 62, nº 1 (2007): p. 7













10/04/2011

Hum...

Hum...

Um jovem de 23 anos invadiu a casa de uma idosa, de 80 anos, completamente nu, em São Martinho do Porto, Alcobaça.

(Correio da Manhã, 4/10/11)

10/02/2011

SALÁRIOS MÍNIMOS NA EUROPA em 2011:



Suíça - 2.916,00€




Luxemburgo - 1.757,56€




Irlanda - 1.653,00€




Bélgica - 1.415,24€




Holanda - 1.400,00€




França - 1.377,70€




Reino Unido - 1.035,00€





Espanha - 748,30€



Portugal - 485,00€
"DESÇO, MUDO O MUNDO E VOLTO"

(escrito numa parede em Itália)

10/01/2011

DESTAQUE
BCE explicado às criancinhas...

(em circulação via mail)


O QUE É O BCE?

- O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.


E DONDE VEIO O DINHEIRO DO BCE?

- O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuiram com 30%.



E É MUITO, ESSE DINHEIRO?

- O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.



ENTÂO, SE O BCE É O BANCO DESTES ESTADOS PODE EMPRESTAR DINHEIRO A PORTUGAL, OU NÃO?
- Não, não pode.



- ENTÃO, A QUEM PODE O BCE EMPRESTAR DINHEIRO?

- A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.



AH PERCEBO, ENTAO PORTUGAL, OU A ALEMANHA, QUANDO PRECISA DE DINHEIRO EMPRESTADO NÃO VAI AO BCE, VAI AOS OUTROS BANCOS QUE POR SUA VEZ VÃO AO BCE.

- Pois.


MAS PARA QUÊ COMPLICAR? NÃO ERA MELHOR PORTUGAL OU A GRÉCIA OU A ALEMANHA IREM DIRECTAMENTE AO BCE?

- Bom... sim... mas assim os banqueiros não ganhavam nada no negócio.



AGORA NãO PERCEBI!!...

- Sim, os bancos precisam de ganhar. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%. Com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil milhões de euros.



MAS QUEM É QUE MANDA NO BCE?

- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.


ENTÃO, OS GOVERNOS DÃO O NOSSO DINHEIRO AO BCE PARA ELES EMPRESTAREM AOS BANCOS A 1%, PARA DEPOIS ESTES EMPRESTAREM A 5 E A 7% AOS GOVERNOS QUE SÃO DONOS DO BCE?


- Não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós, à Grécia ou à Irlanda e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6%, a 7 ou mais.



ENTÃO NÓS SOMOS OS DONOS DO DINHEIRO E NÃO PODEMOS PEDIR AO NOSSO PRÓPRIO BANCO!...

- Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.



MAS, E OS NOSSOS GOVERNOS ACEITAM UMA COISA DESSAS?

- Os nossos Governos... Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros...


MAS ENTÃO ELES NÃO ESTÃO LÁ ELEITOS POR NÓS?

- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois...  Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial,  e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.



E ONDE O FORAM BUSCAR?

- Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?....



MAS METERAM OS RESPONSÁVEIS NA CADEIA?

- Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram... passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.



E ENTÃO COMO É? COMEMOS E CALAMOS?

- Isso já não é comigo, eu só estou a explicar...



































9/23/2011

Curiosidades líbias do tempo de kaddafi:

- Petróleo, de boa qualidade e com volume superior a 45 bilhões de barris em reservas
- Banco Central Líbio não submetido ao sistema mundial Financeiro.
-  Dinar, desatrelado das flutuações do dólar e coberto por toneladas de reservas de ouro


Pelo seu lado, em 2007, a ONU constatou o seguinte:

1 - Maior Indice de Desenvolvimento Humano (IDH) da África ;


2 - Ensino gratuito até à Universidade;


3 - 10% dos alunos universitários estudam na Europa, EUA, etc... e com tudo pago;


4 - Ao casar, o casal recebe até 50.000 US$ para adquirir seus bens;


5 - Sistema médico gratuito, rivalizando com os europeus. Equipamentos de última geração, etc...;


6 - Empréstimos pelo Banco estatal sem juros;


7 - Inaugurado em 2007, maior sistema de irrigação do mundo, que vem tornando o deserto (95% da Líbia) em fazendas produtoras de alimentos.;


8- Kaddafi quase conseguiu que os países africanos formassem uma moeda única desligada do dólar.





Efeitos do ataque para libertar a Líbia: 


1 - A NATO comandada pelos EUA,  bombardeou as principais cidades Líbias. Prédios e infra estrutura de água, esgoto, gás e luz  seriamente danificados;


2 - As bombas usadas contem DU (Uranio depletado) tempo de vida 3 bilhões de ano (causa cancer e deformações genéticas);


3 - Metade das crianças líbias traumatizadas psicológicamente por causa das explosões que parecem um terremoto e racham as casas;


4 - Com o bloqueio marítimo e aéreo da NATO, principalmente as crianças sofrem com a falta de remédios e alimentos;

5 - A água já não mais é potável em boa parte do país.

6 - Cerca de 150.000 pessoas por dia, deixam o país através das fronteiras com a Tunísia e o Egito. Vão para o deserto ao relento, sem água nem comida;

7 - Mesmo que o bombardeio termine hoje, cerca de 4 milhões de pessoas precisarão de ajuda humanitária para sobreviver:

.... Agora todo o mar Mediterrâneo está sob controle da NATO.

Falta a Síria...

(A continuar...)

9/21/2011

"The Economist", Sep 17th 2011,
"(...) Yet unless politicians act fast to persuade the world that their desire to preserve the euro is greater than the markets’ ability to bet against it, the single currency faces ruin. (...) it is not just the euro that is at risk, but the future of the European Union and the health of the world economy.


(...)
 the only way to stop the downward spiral now is an act of supreme collective will by euro-zone governments to erect a barrage of financial measures to stave off the crisis and put the governance of the euro on a sounder footing.

(...)
The costs will be large. Few people, least of all this newspaper, want either vast intervention in financial markets or a big shift of national sovereignty to Europe. Nor do many welcome a bigger divide between the 17 countries of the euro zone and the EU’s remaining ten. It is just that the alternatives are far worse. That is the blunt truth that Germany’s Angela Merkel, in particular, urgently needs to explain to her people.



The failure of austerity and pretence



A rescue must do four things fast. First, it must make clear which of Europe’s governments are deemed illiquid and which are insolvent, giving unlimited backing to the solvent governments but restructuring the debt of those that can never repay it.

Second, it has to shore up Europe’s banks to ensure they can withstand a sovereign default.

Third, it needs to shift the euro zone’s macroeconomic policy from its obsession with budget-cutting towards an agenda for growth.

And finally, it must start the process of designing a new system to stop such a mess ever being created again.



(...)


So far the euro zone’s response has relied too much on two things: austerity and pretence. Sharply cutting budget deficits has been the priority—hence the tax rises and spending cuts. But this collectively huge fiscal contraction is self-defeating. By driving enfeebled economies into recession it only increases worries about both government debts and European banks (...) And mere budget-cutting does not deal with the real cause of the mess, which is a loss of credibility.



(...)

 Europe’s leaders have repeatedly denied that Greece is insolvent (when everyone knows it is), failing to draw a line between it and the likes of Spain and Italy, which are solvent but short of liquidity. The excuse is that a Greek restructuring may cause contagion. In fact denying the inevitable has undermined pledges about solvent governments.



Instead of austerity and pretence, a credible rescue should start with growth and, where it is unavoidable, a serious restructuring of debt. Europe must make an honest judgment about which side of the line countries are on. Greece, which is unambiguously insolvent, ought to have a hard but orderly write-down. The latest, inadequate plan for a second Greek bail-out, agreed at a summit in July, should be thrown away and rewritten. But all the other euro members (and on present numbers Portugal is just about in the solvent camp) should be defended with overwhelming financial firepower. All the troubled economies, solvent or insolvent, need a renewed programme of structural reform and liberalisation. Freeing up services and professions, privatising companies, cutting bureaucracy and delaying retirement will create conditions for renewed growth—and that is the best way to reduce debts.

 
(...)


Some banks may be able to raise money in the equity markets, but the most vulnerable will need government help. Core countries like Germany and the Netherlands have enough cash to look after their own banks, but peripheral governments may need euro-zone money. Ideally that would come from the European Financial Stability Facility (EFSF), whose overhaul was the most useful thing to emerge from the July summit. But it also makes sense to set up a euro-zone bank fund, together with a euro-zone bank-resolution authority.


(...)

 


None of this will work unless the Europeans create a firewall around the solvent governments. That means shoring up euro-zone sovereign debt. Spain and Italy owe €2.5 trillion. What if the markets suddenly took fright over Belgium or France? Some have argued for a system of Eurobonds in which every country’s debt is backed by all. But the political oversight to ensure that high-spending countries do not fritter away other people’s money would take years to sort out—and one thing the euro zone does not have is time. The answer is to turn to the only institution that can credibly counter a collective loss of confidence on such a scale.



The ECB must declare that it stands behind all solvent countries’ sovereign debts and that it is ready to use unlimited resources to ward off market panic. That is consistent with the ECB’s goal to ensure price and financial stability for the euro zone as a whole. So long as governments are solvent and the bank sells the bonds back to the market after the crisis, this does not amount to monetising government debt. In today’s recessionary world, the ECB could buy several trillion euros-worth of bonds without unleashing inflation.

(...)


It would be a nonsense if the ECB’s dogged defence of monetary rigour led, say, to an Italian default and a global depression.



A bad deal, or a much worse one?

(...)

 

The issue now is not whether the euro was mis-sold or whether it was a terrible idea in the first place; it is whether it is worth saving. Would it be cheaper to break it up now? And are the longer-term political costs of redesigning Europe to save the euro too great?



(...)

If Greece stormed out, and damn the law, as it might yet have to do, it would suffer a run on its banks, as depositors withdrew euros before they were forcibly converted into devalued new drachma. It would have to impose capital controls. Greek companies with international bills would risk bankruptcy, as they would suddenly be without the cash to cover them; and the pressure on other wobbly countries would increase. That is why we favour restructuring Greece, but letting it stay in the euro.



If, on the other hand, a strong country like Germany walked out of the euro, probably taking other strong countries with it, the result would be just as terrible. (...) Amid the debris of broken treaties, wild currency swings and better recriminations, Europe’s single market could collapse and the EU itself—the rock of the continent’s post-war stability—could start to crumble.



Attaching hard numbers to any of this is difficult. (...) the immediate bill for a break-up of the single currency would surely be in the trillions of euros. By contrast, a successful rescue would seem a bargain. Add together the money already spent on rescues, to what is needed to recapitalise European banks and any potential losses to the ECB, and the total will still only be in the hundreds of billions of euros. If the ECB’s intervention is bold and credible it might not even have to buy that much debt, because investors would step in. In short, the euro zone would be reckless to flirt with collapse when an affordable rescue is possible.



German taxpayers might accept that the immediate costs of our rescue plan are smaller than break-up. But what they detest is the idea that it might let feckless Italians and Portuguese off the hook. Safe in the knowledge that the ECB stands behind their bonds, they may shy away from reform and rectitude.



Two risks flow from this. The immediate (and real) one is that furious Germans will demand that Greece is thrown out (or bullied out) of the euro to frighten the others. Such a horrific event would indeed scare Portugal and Ireland, but a threat to expel Italy or Spain is empty: they are too big and too tightly tied into the EU.


(...).



The longer-term risk has to do with “more Europe”. Fans of political integration say that the only way to enforce discipline is to create a United States of Europe (see Charlemagne). Perhaps a fiscal union that would supervise the issuance of common Eurobonds? Or a new supervisory role for euro-zone governments, or, heaven forbid, the useless European Parliament? Somewhere behind this also looms the idea that the ins will now be able to boss around the outs. The ten countries, including Sweden, Poland and Britain, that kept their own currencies may face a choice: to join the euro or be excluded from a new “core Europe”, which in effect starts setting policies. And, this being Europe, there is every chance that the politicians will try to avoid discussing a lot of this with their electorates.



Explore our interactive guide to Europe's troubled economies. The Economist concedes that our rescue plan begins with a democratic deficit that needs to be fixed if steps towards closer fiscal union are to work. But there must be ways for good governments to force bad ones to keep in line that do not require the building of a huge new federal superstate. The Dutch have suggested a commissioner in Brussels with power to veto countries’ fiscal excesses, and to impose his judgments by law.


(...)

 
The outs, in particular, may still be nervous about all this. So frankly is this newspaper. But the alternative may be the collapse of not just the single currency but the single market and the whole European project. The euro has reached the point where nobody is going to get what they want—something that needs to be spelled out to the Germans more than anybody. Over the past 18 months they have grudgingly supported half-rescue after half-rescue—and the bill has gone up. In the end confidence and credibility are all. For the ECB to stand behind less prudent countries may be unwelcome to Germans; but letting the euro fall to bits is much, much worse. Spell that out clearly to your voters, Mrs Merkel.






 
 

9/01/2011

LOREAU, Dominique, A Arte da Simplicidade. Lisboa: Bizâncio, 2008 (ca. 255 pp. e 14 euros)


"Viver com pouco pode ser um ideal, mas é preciso mergulhar num certo estado de espírito para o conseguir: preferir o vazio à opulência, o silêncio à cacofonia, os elementos clássicos e duráveis a tudo o que está na moda." (p. 33)


"Não debite máximas, mas mostre os efeitos daquelas que aplicou. Não diga aos outros como devem comer mas coma como deve ser. Não se envaideça com o que faz." (209)


"É importante, na primeira parte da nossa vida, saborear todos os prazeres, possuir o que desejamos, experimentar. Podemos entãocompreender que renunciar é um prazer e que a calma não depende de outra coisa que não sejam todos os pequenos prazeres do quotidiano" (p. 241)


"Pergunte-se sempre se o que faz vale a pena, e se renunciar a isso, o que resultará daí." (p. 237)

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