8/19/2011

Para Ana: Ausências com espíritos...
(por Gonçalo Luís Barra, Julho de 2011 )




Meu Amor, se eu te tivesse ouvido hoje, que bem me saberia este sono que me impele, mas não escutei a tua brisa fresca, a tua voz de mel..., envio-te um beijo apenas, um pássaro de desejo, que pouse à tua beira esta noite e te segrede, que mais do que te querer, te sofro em mim, cada momento que não te abraço, cada momento sem fim...




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Se de manhã abrisse a janela e te visse ao meu lado, era porque o Sol tinha vindo morar comigo, se eu te pudesse acompanhar, nesse ardente instante, olhar para ti e perder o equilíbrio no estar brilhante, dir-te-ia a arder e todo eu suor, que tu na minha vida és tudo, tudo o que vivi que foi melhor, por isso se adorar-te é perder-me, desaparecerei de encontro a ti, brilhante luz, calor perene...




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Esta noite se sonhares comigo lembra-te
De me dares a mão e subirmos a avenida
De deixares o sorriso iluminar-me a vida
De me levares ao jardim à flor escondida




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Hoje fiz tremer a terra com a minha mão
Semeei uma tempestade no meu ventre
Desci mar numa onda de espuma quente
Num lampejo de céu e estertor de trovão




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A noite vem hoje, mais breve que ontem, e o estio deixa a secura das acácias verter a sua goma, e nessas cápsulas de sol, ficam pérolas douradas do que fomos, fragmentos de vida, fixados na tela onde a pintamos, o que seremos, depois do Verão, depende do que se lembrar a nossa mão, da alquimia posta na têmpera com que revelarmos os dias, sonhemos, pois, com formas fortes, e cores reais, para nos pintarmos aos dois.




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O dia apareceu menos que perfeito, um lobisomem que acordou ainda com malhas de pelo de lobo no peito, com pedaços de noite e amanhecer a pender do azul, mas tu amanheceste em mim límpida e corrente, e banhaste fresca a minha face, abri os olhos em ti e vi, no teu espelho de água, apenas o céu, e a infinita vida que te enfeita, meu amor, meu mar do Sul




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Hoje para mim o dia nem começou, vivi à luz da noite toda a manhã, não dormi..., e nem sequer já vivo estou sem te ouvir, sinto a tornar-me num boneco de cortiça, indiferente à temperatura do ar, ao bater do dia-a-dia, e detenho-me como um relógio exausto, sem o fôlego dos teus dedos que o anime, num torpor desidratado de pinha caída à beira da vida.




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Se hoje à noite viste cair uma estrela, devia ser a minha alma derrubada pelo frio celeste. No festival das ilusões cadentes, o gelo pega-se-me à boca, aos olhos, fere-me o nariz e já nem sei bem respirar, arrasto apenas o ar que tenho nos pulmões, e vou a pique, enrolado, aos trambolhões, sem a tua mão que me ampare, sem o teu olhar que no meu fique.




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Hoje não teve manhã, e não terá noite, todo foi entardecer, numa gruta ensombrada de livores e palidez, cortada de espasmos invisíveis no espelho que o meu olhar já não suporta, e a mão já morta não segura, apenas pende dela escrita a profecia, de que o amor é morte, e a morte é cura, já que a vida, sem te ter, é bem mais dura.




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Vieste pétala de rosa, colar-te com o vento à minha boca, e como te sinto perto e olorosa, pétala de vida e sangue, vem depressa que já estou exangue, flor inteira, cobrir-me o corpo num abraço, e faz-me, leve como pena, e voa, leve como pássaro.




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O teu olhar feito de contas de vidro e avelãs, passou a fina nesga entre nós, e acastanhados ficaram dois mais dois acasalados, quatro olhos abraçados, como beijos, perguntas respondidas com memórias e desejos, de vidas separadas ver meãs, as mãos os gestos, as palavras, numa esperança dois olhares, a sonhar acordados.



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Quando amanhecer e te apressares, sorri, e nem por um momento penses no trabalho, pensa nas folhas ternas salpicadas de orvalho, lembranças daqui a pouco amanhecidas, ali, nas ramagens onde juntos fomos vidas, e pegadas somos, pela areia e pelos ares.




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Esta noite é a do gato, caçarei nos sete sonhos, sete noites sem te ver, sete setas que me matam, manhãs tantas que me acordam, sete vidas sem viver, garras que me penduram, à tortura de não ter o teu pecado por dia, sete beijos feitos notas que não toco, sete luas de magia que naufragam neste dia.





8/17/2011

CASSIDER, Ernst. Ensaios Sobre o Homem. Lisboa: Guimarães Editores, 1995 (ca. 190 pp. e 3 euros)

"esforçar-se a trabalhar por causa do divertimento parece estúpido e nitidamente infantil"
Aristóteles, (cit. pág. 139)

"É o começo de toda a poesia - disse Frederich Schlegel - abolir a lei e método da razão que procede racionalmente e mergulhar-nos uma vez mais na arrebatadora confusão da fantasia, o caos original da natureza humana" (p. 32)


"Pois, o artista dissolve o duro material das coisas no cadinho da sua imaginação e o resultado deste processo é a descoberta de um novo mundo de formas poéticas, musicais ou plásticas. É certo que um grande número de obras de arte ostensivas estão muito longe de satisfazer esta exigência. Compete ao juízo estético ou ao gosto artístico distinguir entre uma obra de arte genuína e os produtos espúrios que são na verdade brinquedos ou quando muito a "resposta à exigência de entretenimento"

(...)

Alguns estetas modernos acharam necessário distinguir nitidamente entre dois tipos de beleza. Um, a beleza da «grande arte», o outro, o que é descrito como a beleza «fácil». Porém, falando com rigor,  a beleza duma obra de arte nunca é «fácil». O prazer da arte não se origina num processo de abrandamento ou relaxamento mas numa intensificação de todas as nossas energias. A diversão que encontramos num jogo é o oposto da atitude que é pré-requisito necessário para a contemplaçao estética e o juízo estético" (p. 143)

8/14/2011

 "A ÚLTIMA..."
Santana Lopes provedor da Misericórdia.
Ah! Ah!

8/12/2011

MAXWELL, Kenneth, O Marquês de Pombal. Lisboa: Ed. Presença. 2001 (ca. 246 pp e 22.66 euros)

Estes [os jesuítas - N. de kriu]  encontraram um adversário à altura na pessoa de um primeiro ministro poderoso e implacável que não tolerava dissenções, para quem a razão de Estado era a política suprema e que não fugia à luta quando era desafiado” (p.109)


“ Com efeito, Pombal tinha agora de enfrentar o problema da balança de pagamentos provocado pela quebra de produção de ouro do Brasil

(...)

No entanto estas novas condições económicas produziram um clima favorável ao crescimento da indústria manufactureira. As investigações de Borges de Macedo demonstraram que (...) 80% [ das manufactureiras – Nota de Kriu] foram autorizadas depois de 1770 [Borges de Macedo. A Situação Económica, p. 225]

(...)

Ao contrário do que sucedeu ao Conde da Ericeira no final do século XVII, que descobriu que a competitividade das suas novas manufactureiras era arraada pela facilidade com que os consumidores portugueses compravam artigos importados devido á abundância de ouro vindo do Brasil, Pombal conseguiu que as suas manufacturas fossem competitivas devido à quebra dramática da capacidade importadora de Portugal. (p.165)




8/04/2011

ANTUNES, Carlos Maria, Atravessar a própria solidão. Chamamento à Vida Espiritual. Lisboa: Paulistas Editora, 2011 (Ca. 79 pp. e 6 euros)



"A escuta, ato infinitamente mais totalizante e profundo do que um simples ouvir, situa-se ao nível do coração, é portanto um genuíno movimento de amor. O mundo em que vivemos e o nosso próprio «mundo»  interior (...) falam múltiplas línguas e evidenciam desarmonias. Importa viver esta fragilidade, ainda que assuma a forma de impotência e,  diria mesmo, há que aprofundá-la como possibilidade de desconstrução de falsos conceitos e dogmas, a partir dos quais nos habituamos a viver e nos quais, acriticamente, nos apoiamos. A escuta, em última análise, pode levar-nos a uma experiência de vazio de Deus - experiência ao mesmo tempo dolorosa e decisiva para um aprofundamento da fé onde haja lugar paa a compreensão da descrença. 
A escuta é por sua própria natureza, anti-idolátrica, recusando assim todas as formas  de dogmatismo e de fundamentalismo." (p. 40)




"Habituar-se a si mesmo estimula o contacto com o que nos é próprio - vivemos frequentemente separados de nós mesmos - habituar-se a si próprio  facilita o familiarizar-se com os próprios pensamentos, sentimentos, emoções, reações... - estamos tão pouco conscientes do que se passa dentro de nós - habituar-se a si mesmo prefere o caminho para o próprio conhecimento, a partir do qual vamos aprendendo a nomear o que vai sucedendo na nossa mente e nosso coração - que longe estamos de ver o falso como falso e o verdadeiro como verdadeiro. Esta solidão - habituar-se a si mesmo - é um magnífico lugar para nos convertermos em caçadores especialistas das idas e vindas do nosso comportamento, que tantas vezes é compulsivo, automático e   irreflexivo; é também uma oportunidade de ouro para deixar de fazer depender a nossa vida do que nos rodeia e  decidir-nos a tomar a vida nas próprias mãos, responsabilizando-nos por ela» (1) (p. 21)
(1) Carlos Gutierrez Cuartango, «Como evangelizar hoy desde la vida monástica» in Nova et Vetera ano XXXIII, nº 68  Julho - Dezenbro 2009, 357-358.



"Abertura diante do que não era esperado (...) Abertura ao abandono, como confiança. Não se erguer como protagonista do processo. Atenção a tudo o que se está a viver. Atenção ao que parece contraditório (...) o apelo é claro: tens de caminhar para dentro de ti mesmo. Poderás sentir medo, vergonha, culpa. Simplesmente caminhar, aberto e atento, ainda que na obscuridade" (p. 53)


 
"A solidão aceite leva-nos necessariamente a experimentar a nossa imensa vulnerabilidade. Somos homens e mulheres habitados por muitos medos, inseguranças, pela culpa. Recusamos tantas vezes, inconscientemente, confrontarmo-nos com todo este mundo que reflecte bem a nossa história. Recusamo-nos, ainda que muito do nosso sofrimento tenha origem precisamente aqui. Dizia Carl Gustav Jung «o pior inimigo está dentro de nós próprios»




COSTA, Beatriz, Sem Papas na Língua Memórias. Lisboa: Publicações Europa-América, 1975

(ca. 290 pp e 140.00 Esc.)


“A minha alimentação eram os restos de comida que a patroa deixava juntar para mim, dizendo com muito «espírito»: «Em vez de deitar no lixo, leve isto prá gatinha!» Vinha tudo numa lata, que trouxera de Inglaterra os melhores caramelos do munco! Uma criança loura, rosada e feliz sorria para mim durante essas refeições com restos «de ontem e de hoje»! Esse anjo gravado naquela lata, até hoje está na minha retina, como uma das coisas mais lindas que acompanharam os meus primeros anos. Quando a latinha chegava, era ver os saltos de gafanhoto, que passara o dia com um bocadinho de pão. Vinha tudo misturado. Ossos com pedacinhos de carne. Restos de peixe frito já dentado. Pão mordido, arroz misturado com restos de fruta, etc.!... Como ligava bem a carne com peixe frito! Até hoje sou louca por essa combinação. Bife com pescada frita é delicioso! Comi muita porcaria mas nunca passei fome.” (p. 15)





“Aquela parente próxima, que vivia sob o mesmo tecto ,era uma autêntica figura de magia negra. Quando eu tinha nove anos levou-me àquele velhinho do armazém de fazendas na Rua Serpa Pinto em Tomar. (...) Fui levada de aperitivo a todos os senhores que me acariciavam mas não passavam disso, porque o medo é que guarda a vinha... Eu tinha verdeiro medo dessas saídas. Em Lisboa, com doze anos, continuei a servir de isca mas por pouco tempo. A entrada para o teatro pôs fim ao «divertimento» que me marcou para sempre.” (p. 23)





“A Praça da Figueira era um mundo pitoresco no centro de Lisboa. Hoje é um largo desbotado e árido. Enquanto as grandes capitais procuram conservar o melhor, nós estamos a demolir para transformar Lisboa numa cidade pirosa (...) Pobre cidade sem árvores, sem graça, sem conforto” (p. 117)





“Salazar que nunca se dignou sair da concha para prestigiar que espectáculo fosse, tinha «ouvido dizer» que eu era uma artista popular (...) e queria falar comigo. Eu não esquecia (...) as vezes em que chorei no camarim, quando recebia ordem do «cabrão da 1ª fila» para não repetir na 2ª sessão a brincadeira que tinha improvisado na 1ª...

(...)

Vivíamos um época em que falar era perigoso, por isso se «cochichava»

(...)

Na sala de espera também aguardava «vez» o Dr. Julio Dantas que era prato forte no anedotório das mesas d’ A Brasileira, depois do «Manifesto Anti-Dantas» do Almada Negreiros.

(...)

É difícil descrever o que foram esses 45 minutos de conversa com o homem que durante quase meio século pôs este país de óculos escuros, à luz da candeia. Falou-me da peça que eu tinha feito no Avenida, O Santo António. Pediu-me que lhe recitasse alguns trechos (...)



Santo António de Lisboa

Onde há tanta coisa boa

E que tanta «Bonba Dão»

Um milagre que se veja

Vou pedir-te, ó milagreiro,

Que não estendas a bandeja

Pois não temos mais dinheiro

Não és santo!!! És usurário”

Tudo cobras, tudo apontas

Nunca largas o rosário

Só... porque é feito de contas!



Perguntou-me quem era o autor. «Silva Tavares». «Tem espírito»... «E mais teria, Sr. Presidente do Conselho, se não fora a porca da censura que nos faz a vida negra.» Fingiu náo ter ouvido e mudou as agulhas.

(...)

Nunca mais o vi, mas continuei a sentir-lhe os efeitos... (pp. 140-2)





“Quando o tubo do meu oxigénio entupir, de uma coisa podem estar certos: fui de braço cansado de tanto manguito que tenho feito” (p. 151)

“O ilustre sábio Dr.Egas Moniz gostava de mim. Eu simpatzava com ele. Disse-me um dia o célebre Prémio Nobel de Medicina «A menina em um bom crâneo!...» Quem melhor do que ele o poderia afirmar? (p. 152)





“A quatro dias de viagem já me pedia que não o deixasse só e quando o nosso navio atracou no Rio já o pedido estava feito. Eu teria sido a sua terceira mulher. Foi o maior disparate da minha vida ter recusado aquela mão gorda, que era a do maior violoncelista do mundo: Pablo Casals” (p. 157)



“Orson Wells (...) Em Sevilha, Madrid, Roma e Paris quando me vê, dá um grito « Tiro-Liro- Liro! Tiro-Liro-Liro!» Era fã do meu número.


Lá em cima vem o Tiro-Liro-Liro,

Lá em baixo vem o Tiro-Liro-Ló! (p. 162)



 
“Querem remodelar o centro da vila! [ Cascais, N. de kriu] Se eles fossem remodelar o centro de uma coisa que eu cá sei..." (p. 207)



“Che Guevara e Gagarin (...) Recordo-os cada qual no seu género. Eram dois homens jovens. Che tinha os olhos muito parecidos com os de meu pai. (...) Gagarin era como um menino alegre” (p.228)



“O prémio à corista foi instituído por mim na melhor das intenções. Foi atribuído apenas duas vezes e ficou por isso mesmo (...) A Casa da Imprensa não se interessou pelo prémio, o Parque Mayer, como se tratava de uma corista, sorria...” (pp. 260,1)



“Procurei conhecer a vida e fazer dela não o que ela merece, mas o que eu quero que ela faça por mim!” (p. 262)



“O que seria um Vasco Santana sem aquele «cabrão da censura» na 1ª fila?” (p. 263)































8/03/2011

ISAACSON,Walter, Einstein. A Sua Vida e Universo. Lisboa: oficina do Livro, 2008 (ca. 522 pp e 9 euros)



«O que admiro nele, em particular, é a facilidade com que se adapta a novos conceitos. Não se prende a principios clássicos e quando confrontado com um problema de física, dispõe-se a analisar todas as probabilidades» (citação de Poincaré, p. 157)


"Einstein acreditava que a liberdade era a essencia. «O desenvolvimento da ciência e das actividades criativas do espírito», defendeu ele, «exige uma liberdade assente na independência do pensamento em relação às restrições do preconceito autoritário e social. O cultivo dessa liberdade deveria ser a tarefa fundamental do governo, pensava, e a missão da educação" (p.449)

7/25/2011

DESTAQUE   Rui Vieira Nery
publicado em GRUPO - Solidariedade com os réus do processo crime «A Filha Rebelde.»
(face book) a 24 de Julho de 2011 15:48



Há um Fascismo espectacular, com uniformes, bandeiras, braçaderias, desfiles para-militares nas ruas, queimas de livros, ataques a mesquitas, profanações de cemitérios judeus. Esse é tão ofensivo para o cidadão comum que se auto-denuncia e de algum modo se desarma pela sua visibilidade ostensiva. Mas em Portugal o renascimento do legado ideológico do Fascismo faz-se sobretudo noutro registo: o do branquemento à posteriori da Ditadura; da banalização do crime quotidiano em que assentou; da sugestão de que a repressão policial e a tortura recaiam apenas sobre extremistas que de algum modo o mereciam; do mito renovado de que o colonialismo português não era racista; da apresentação do Estado autoritário e policial como única garantia da segurança dos cidadãos; da resistência à consagração expressa de todos os direitos, liberdades e garantias individuais que o Estado Novo ofendia; da defesa de novas modalidades de censura, seja sob pretextos jurídicos absurdos, seja pelo simples poder dos grandes grupos económicos nos media. É por isso que esta sentença é um marco tão importante na defesa da Liberdade e da Democracia, mas é também por isso que temos de contar com novos ataques e saber resistir-lhes com a mesma força que demonstrámos neste caso.(...)

7/20/2011

VUJICIC, Nick, Vida Sem Limites. Alfragide: Ed. Leya, 2011 (ca. 279 pp e 15 euros)

"Encontrei a felicidade quando percebi que, mesmo sendo tão imperfeito, sou o perfeito Nick Vujicic. [N.Vujicic nasceu sem membros inferiores e superiores - Nota de Kriu] 

"Não pares a tua vida para ficares a pensar na injustiça das feridas passadas. Em vez disso procura formas de seguir em frente" (p. 26)




"Tem coragem para perseguir os teus sonhos " (p. 52)



"O grande autor do pensamento positivo Norman Vincent Peale disse uma vez: «Torna-te um possibilitarista. Não importa quão negra a tua vida pareça ser. Apura os sentidos e vê as possibilidades. Vê-as sempre, porque elas estão sempre lá" (p.82)

"Quando criei uma empresa para tratar dos meus compromissos como orador em empresas e outras organizações chamei-lhe Attitud is Altitude (Atitude é Altitude) porque sem uma atitude positiva nunca teria sido capaz de me elevar acima das minhas incapacidades. (p. 113) 






7/17/2011

DESTAQUE


Intervenção de George Mavrikos, secretário-geral da Federação Sindical Mundial, pronunciada na reunião do Conselho Presidencial da FSM, em Genebra, a  7 de Junho de 2011.


Queridos amigos e companheiros,


Saudamos a todos os presentes em nossa reunião de hoje e agradeço-lhes pela sua participação neste evento que tem como objetivo informar sobre as iniciativas e atividades da FSM já aprovadas pelo Secretariado, para ouvir suas sugestões.


Companheiros e companheiras,


Dois ou três anos atrás, quando surgiu a nova crise do sistema, ouvimos muitos analistas tentando convencer-nos de que a culpa pela crise era dos Golden Boys, o capitalismo de casino e outros comentários bonitos e agradáveis …



Agora, esses mesmos analistas tentaram e ainda tentam nos convencer de que devemos culpar os maus trabalhadores gregos, aos maus trabalhadores portugueses, que a culpa é do povo espanhol, dos italianos, irlandeses, belgas, etc, dos grandes salários dos trabalhadores, etc.



Todas estas análises têm um único objetivo: esconder a verdade aos trabalhadores. Esconder que a crise é uma crise profunda do sistema capitalista, que multiplica as rivalidades inter-imperialistas e inter-capitalistas pelo controle de novos mercados, a redistribuição das fronteiras para controlar os países e as fontes de produção de riqueza.



Esta é a verdade. Esta é a realidade.



•Basta olhar para os conflitos entre o euro e o dólar.



•Basta olhar para o antagonismo por parte dos dirigentes do Fundo Monetário



Internacional.



•Basta olhar para o antagonismo do conflito no norte da África.



•Basta olhar para a barbárie imperialista contra o povo da Líbia.



•Basta olhar para a estratégia dos EUA e da OTAN para o chamado novo Oriente Médio.



•Basta olhar para o enorme aumento dos preços dos alimentos como milho, trigo e açúcar.



São os Golden boys (meninos de ouro) que criaram esta situação?



Nós, membros e amigos da Federação Mundial Sindical, organizamos há dois meses em Atenas o 16 º Congresso Sindical Mundial, conversamos sobre todos estes temas atuais e críticos. 828 delegados de 101 países analisaram de uma forma aberta, democrática e militante as contradições do mundo, tirando nossas conclusões e adotando nossas novas tarefas.



Com base neste debate rico sublinhamos que a crise do sistema capitalista está sendo paga pelos trabalhadores, a crise exacerbou as contradições entre os trustes, cartéis e grupos de Estados, criando guerras e estados-fantoches dos EUA e seus aliados. Também aumenta a desigualdade e a competitividade.



A crise está sendo explorada por todos os governos capitalistas para derrubar os salários, reduzir as aposentadorias e pensões, privatizar os bens públicos, generalizando o emprego de tempo parcial, para abolir a negociação coletiva e os acordos coletivos.



A propaganda do capital de que, por meio de políticas anti-populares gerará crescimento e evolução da recuperação é um mito.



• Tome como exemplo a Grécia, onde esta política tem aumentado a taxa oficial de desemprego de 7% para 18%.



• Leve o caso da Irlanda, onde o desemprego, segundo dados oficiais registrados é de 14,6% em abril de 2011.



• Considerando o caso de Portugal, onde no primeiro trimestre de 2011 o desemprego foi de 12,4%.



Mas, em geral, nos países da zona do euro, se confirma que o chamado desenvolvimento é fraco, muito frágil e temporário. A média da UE é de cerca de 0,6%, sem qualquer dinâmica. O Japão é de cerca de 2%.



Nos EUA, apesar das grandes promessas, a OCDE espera um crescimento fraco em torno de 2,6%, enquanto a dívida dos EUA aumentará para 107% do PIB, e o desemprego, 8,8%.



O que significam estes dados? Significa que o capital e os seus líderes políticos não são capazes de oferecer uma solução viável para os trabalhadores. A crise está no DNA do sistema capitalista.



Ante esta situação, os sindicatos e os trabalhadores do mundo têm o dever de resistir, de lutar, para unir todos os trabalhadores, independentemente das diferenças políticas, religiosas e de outro tipo. Todos os trabalhadores pertencem à mesma classe e podemos lutar juntos.



• Lutar para defender as conquistas dos nossos povos.



• Lutar para atender às necessidades atuais dos trabalhadores, imigrantes, sem-teto, desempregados, etc.



• Lutar para que cada família tenha alimentos e água potável.



• Lutar pela segurança social, educação, saúde pública, liberdades democrática e sindicais.



• Promover todas as demandas atuais, enquanto fazemos um chamamos aos trabalhadores a encontrar uma maneira real em um mundo sem exploração do homem pelo homem, onde os trabalhadores, camponeses pobres, os trabalhadores independentes estarão no poder.



Todos os membros e amigos da FSM com os novos dirigentes eleitos no 16 º congresso, nos deparamos com novas responsabilidades, para implementar as decisões do Congresso, coordenar os trabalhadores em todos os setores, na luta contínua contra os monopólios e multinacionais.



NOSSAS INICIATIVAS



O próximo grande passo será o Dia Internacional de Ação da FSM, em 3 de Outubro, que, de acordo com a decisão do Secretariado, será um dia de duplo significado, pois coincide com o dia de fundação da Federação Sindical Mundial, em 03 de Outubro de 1945. Os principais objetivos são:



•35 horas de trabalho semanais - sete horas por dia, cinco dias por semana, melhores salários



•Serviços de segurança social para todos



•Negociação coletiva - acordos coletivos



•Liberdades democráticas e sindicais



•Solidariedade com o povo palestino



O Dia Internacional de Ação marcará o início de novos protestos contra as privatizações e demissões. Deverá envolver a participação de todos os estratos sociais contra as políticas dos monopólios e das multinacionais.



Consideramos positivo que em muitos países de todo o mundo, os jovens e cidadãos indignados saiam e se manifestem nas ruas e praças. Nós acreditamos que devemos ajudar aqueles que participam "voluntariamente" a tomar consciência e olhar desde uma perspectiva classista as causas que criam os problemas, para ajudar as novas gerações a participarem dos sindicatos de uma maneira organizada. A luta organizada, com objetivos e conteúdos específicos, pode trazer resultados para o presente e o futuro.



Fonte: http://www.comunistas-mexicanos.org/index.php?option=com_content&view=article&id=675






7/16/2011

CRATO, Nuno, O "Eduquês" em Discurso Directo. Uma crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista. Lisboa: Gradiva, 2006  (Ca. 130 pp. e 10 euros)




"É preciso centrar as forças nos aspectos essenciais do ensino, ou seja, na formação científica dos professores, no ensino das matérias básicas, na avaliação constante e na valorização do conhecimento, da disciplina e do esforço" (p. 116)




"Não se pode passar sistematicamente alunos mal preparados, mas também não se pode retê-los sem lhes oferecer ajudas especiais e vias alternativas, profissionalizantes ou a ritmos menos exigentes." (p. 119)




"não se pode limitar o ensino àquilo de que os alunos gostam, nem se deve balizar o progresso curricular pelo sentimento positivo do aluno" (p. 120)

7/14/2011

SOARES, Mário, Portugal Tem Saída. Lisboa: Editora Objectiva, 2011 (ca. 74 pp. e 8.90 euros)


“Estou convencido que esta crise tem possibilidade de engendrar pela sua própria natureza mudanças profundas. Das duas, uma: ou os países europeus persistem nesta política economicista e neoliberal, preocupando-se apenas com as questões financeiras, e levam os países mais fracos a uma recessão que acabará por atingir toda a Europa; ou então têm de mudar de paradigma. Este é o dilema em que estamos. E precisamos de reagir corajosamente” (p. 24)

“Só com investimento, a economia crescerá, porque haverá emprego, mais dinamismo económico, quer suba, quer desça o défice”. (p. 28)

“Eu náo acredito que a Europa e Portugal possam sobreviver muito tempo se insistirem nessa agenda economicista que não vê mais nada para além dos mercados, das suspeitíssimas agências de rating e do dinheiro.” (p. 55)

“Os partidos têm de se renovar. Porque essa convivência entre política e negócios, sem princípios nem ética faz parte da ideologia neoliberal, que está esgotada e abre brechas por todo o lado. Os líderes europeus não querem ver essa realidade. Mas serão obrigados a vê-la pela circunstância da crise que, para ser vencida, vai obrigar a uma mudança de rumo...” (p. 59)




“A ciência tem de ser controlada pela Ética, como a Economia, a Política e todos os domínios do saber.” (p. 68)

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