7/20/2011

VUJICIC, Nick, Vida Sem Limites. Alfragide: Ed. Leya, 2011 (ca. 279 pp e 15 euros)

"Encontrei a felicidade quando percebi que, mesmo sendo tão imperfeito, sou o perfeito Nick Vujicic. [N.Vujicic nasceu sem membros inferiores e superiores - Nota de Kriu] 

"Não pares a tua vida para ficares a pensar na injustiça das feridas passadas. Em vez disso procura formas de seguir em frente" (p. 26)




"Tem coragem para perseguir os teus sonhos " (p. 52)



"O grande autor do pensamento positivo Norman Vincent Peale disse uma vez: «Torna-te um possibilitarista. Não importa quão negra a tua vida pareça ser. Apura os sentidos e vê as possibilidades. Vê-as sempre, porque elas estão sempre lá" (p.82)

"Quando criei uma empresa para tratar dos meus compromissos como orador em empresas e outras organizações chamei-lhe Attitud is Altitude (Atitude é Altitude) porque sem uma atitude positiva nunca teria sido capaz de me elevar acima das minhas incapacidades. (p. 113) 






7/17/2011

DESTAQUE


Intervenção de George Mavrikos, secretário-geral da Federação Sindical Mundial, pronunciada na reunião do Conselho Presidencial da FSM, em Genebra, a  7 de Junho de 2011.


Queridos amigos e companheiros,


Saudamos a todos os presentes em nossa reunião de hoje e agradeço-lhes pela sua participação neste evento que tem como objetivo informar sobre as iniciativas e atividades da FSM já aprovadas pelo Secretariado, para ouvir suas sugestões.


Companheiros e companheiras,


Dois ou três anos atrás, quando surgiu a nova crise do sistema, ouvimos muitos analistas tentando convencer-nos de que a culpa pela crise era dos Golden Boys, o capitalismo de casino e outros comentários bonitos e agradáveis …



Agora, esses mesmos analistas tentaram e ainda tentam nos convencer de que devemos culpar os maus trabalhadores gregos, aos maus trabalhadores portugueses, que a culpa é do povo espanhol, dos italianos, irlandeses, belgas, etc, dos grandes salários dos trabalhadores, etc.



Todas estas análises têm um único objetivo: esconder a verdade aos trabalhadores. Esconder que a crise é uma crise profunda do sistema capitalista, que multiplica as rivalidades inter-imperialistas e inter-capitalistas pelo controle de novos mercados, a redistribuição das fronteiras para controlar os países e as fontes de produção de riqueza.



Esta é a verdade. Esta é a realidade.



•Basta olhar para os conflitos entre o euro e o dólar.



•Basta olhar para o antagonismo por parte dos dirigentes do Fundo Monetário



Internacional.



•Basta olhar para o antagonismo do conflito no norte da África.



•Basta olhar para a barbárie imperialista contra o povo da Líbia.



•Basta olhar para a estratégia dos EUA e da OTAN para o chamado novo Oriente Médio.



•Basta olhar para o enorme aumento dos preços dos alimentos como milho, trigo e açúcar.



São os Golden boys (meninos de ouro) que criaram esta situação?



Nós, membros e amigos da Federação Mundial Sindical, organizamos há dois meses em Atenas o 16 º Congresso Sindical Mundial, conversamos sobre todos estes temas atuais e críticos. 828 delegados de 101 países analisaram de uma forma aberta, democrática e militante as contradições do mundo, tirando nossas conclusões e adotando nossas novas tarefas.



Com base neste debate rico sublinhamos que a crise do sistema capitalista está sendo paga pelos trabalhadores, a crise exacerbou as contradições entre os trustes, cartéis e grupos de Estados, criando guerras e estados-fantoches dos EUA e seus aliados. Também aumenta a desigualdade e a competitividade.



A crise está sendo explorada por todos os governos capitalistas para derrubar os salários, reduzir as aposentadorias e pensões, privatizar os bens públicos, generalizando o emprego de tempo parcial, para abolir a negociação coletiva e os acordos coletivos.



A propaganda do capital de que, por meio de políticas anti-populares gerará crescimento e evolução da recuperação é um mito.



• Tome como exemplo a Grécia, onde esta política tem aumentado a taxa oficial de desemprego de 7% para 18%.



• Leve o caso da Irlanda, onde o desemprego, segundo dados oficiais registrados é de 14,6% em abril de 2011.



• Considerando o caso de Portugal, onde no primeiro trimestre de 2011 o desemprego foi de 12,4%.



Mas, em geral, nos países da zona do euro, se confirma que o chamado desenvolvimento é fraco, muito frágil e temporário. A média da UE é de cerca de 0,6%, sem qualquer dinâmica. O Japão é de cerca de 2%.



Nos EUA, apesar das grandes promessas, a OCDE espera um crescimento fraco em torno de 2,6%, enquanto a dívida dos EUA aumentará para 107% do PIB, e o desemprego, 8,8%.



O que significam estes dados? Significa que o capital e os seus líderes políticos não são capazes de oferecer uma solução viável para os trabalhadores. A crise está no DNA do sistema capitalista.



Ante esta situação, os sindicatos e os trabalhadores do mundo têm o dever de resistir, de lutar, para unir todos os trabalhadores, independentemente das diferenças políticas, religiosas e de outro tipo. Todos os trabalhadores pertencem à mesma classe e podemos lutar juntos.



• Lutar para defender as conquistas dos nossos povos.



• Lutar para atender às necessidades atuais dos trabalhadores, imigrantes, sem-teto, desempregados, etc.



• Lutar para que cada família tenha alimentos e água potável.



• Lutar pela segurança social, educação, saúde pública, liberdades democrática e sindicais.



• Promover todas as demandas atuais, enquanto fazemos um chamamos aos trabalhadores a encontrar uma maneira real em um mundo sem exploração do homem pelo homem, onde os trabalhadores, camponeses pobres, os trabalhadores independentes estarão no poder.



Todos os membros e amigos da FSM com os novos dirigentes eleitos no 16 º congresso, nos deparamos com novas responsabilidades, para implementar as decisões do Congresso, coordenar os trabalhadores em todos os setores, na luta contínua contra os monopólios e multinacionais.



NOSSAS INICIATIVAS



O próximo grande passo será o Dia Internacional de Ação da FSM, em 3 de Outubro, que, de acordo com a decisão do Secretariado, será um dia de duplo significado, pois coincide com o dia de fundação da Federação Sindical Mundial, em 03 de Outubro de 1945. Os principais objetivos são:



•35 horas de trabalho semanais - sete horas por dia, cinco dias por semana, melhores salários



•Serviços de segurança social para todos



•Negociação coletiva - acordos coletivos



•Liberdades democráticas e sindicais



•Solidariedade com o povo palestino



O Dia Internacional de Ação marcará o início de novos protestos contra as privatizações e demissões. Deverá envolver a participação de todos os estratos sociais contra as políticas dos monopólios e das multinacionais.



Consideramos positivo que em muitos países de todo o mundo, os jovens e cidadãos indignados saiam e se manifestem nas ruas e praças. Nós acreditamos que devemos ajudar aqueles que participam "voluntariamente" a tomar consciência e olhar desde uma perspectiva classista as causas que criam os problemas, para ajudar as novas gerações a participarem dos sindicatos de uma maneira organizada. A luta organizada, com objetivos e conteúdos específicos, pode trazer resultados para o presente e o futuro.



Fonte: http://www.comunistas-mexicanos.org/index.php?option=com_content&view=article&id=675






7/16/2011

CRATO, Nuno, O "Eduquês" em Discurso Directo. Uma crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista. Lisboa: Gradiva, 2006  (Ca. 130 pp. e 10 euros)




"É preciso centrar as forças nos aspectos essenciais do ensino, ou seja, na formação científica dos professores, no ensino das matérias básicas, na avaliação constante e na valorização do conhecimento, da disciplina e do esforço" (p. 116)




"Não se pode passar sistematicamente alunos mal preparados, mas também não se pode retê-los sem lhes oferecer ajudas especiais e vias alternativas, profissionalizantes ou a ritmos menos exigentes." (p. 119)




"não se pode limitar o ensino àquilo de que os alunos gostam, nem se deve balizar o progresso curricular pelo sentimento positivo do aluno" (p. 120)

7/14/2011

SOARES, Mário, Portugal Tem Saída. Lisboa: Editora Objectiva, 2011 (ca. 74 pp. e 8.90 euros)


“Estou convencido que esta crise tem possibilidade de engendrar pela sua própria natureza mudanças profundas. Das duas, uma: ou os países europeus persistem nesta política economicista e neoliberal, preocupando-se apenas com as questões financeiras, e levam os países mais fracos a uma recessão que acabará por atingir toda a Europa; ou então têm de mudar de paradigma. Este é o dilema em que estamos. E precisamos de reagir corajosamente” (p. 24)

“Só com investimento, a economia crescerá, porque haverá emprego, mais dinamismo económico, quer suba, quer desça o défice”. (p. 28)

“Eu náo acredito que a Europa e Portugal possam sobreviver muito tempo se insistirem nessa agenda economicista que não vê mais nada para além dos mercados, das suspeitíssimas agências de rating e do dinheiro.” (p. 55)

“Os partidos têm de se renovar. Porque essa convivência entre política e negócios, sem princípios nem ética faz parte da ideologia neoliberal, que está esgotada e abre brechas por todo o lado. Os líderes europeus não querem ver essa realidade. Mas serão obrigados a vê-la pela circunstância da crise que, para ser vencida, vai obrigar a uma mudança de rumo...” (p. 59)




“A ciência tem de ser controlada pela Ética, como a Economia, a Política e todos os domínios do saber.” (p. 68)

7/02/2011

Outra vez

(por Gonçalo Luís Barra)




Vais embora outra vez este mês


É a família as férias os porquês


É praia e Julho e quase nada de ti fica




Trocos na esplanada dos cafés


Água derramada sobre os pés


Açúcar que não vou tomar na bica





6/29/2011

DESTAQUE

"APELO NACIONAL"

 
Queres que aconteça um milagre económico no nosso país?

Então deixa-te de seguir dissertações de economistas ao serviço de interesses, que não os nossos! Não te deixes mais manipular pelo marketing!

Faz aquilo que os políticos, por razões óbvias, não te podem recomendar sequer, mas que individualmente podes fazer:

Torna-te PROTECCIONISTA da nossa economia!

1. Experimenta comprar preferencialmente produtos fabricados em Portugal. Experimenta começar pelas idas ao supermercado (carnes, peixe, legumes, bebidas, conservas, preferencialmente, nacionais).

Experimenta trocar, temporariamente, a McDonalds, ou outra qualquer cadeia de fast food, pela tradicional tasca portuguesa. Experimenta trocar a Coca-cola à refeição, por uma água, um refrigerante, ou uma cerveja sem álcool, fabricada em Portugal.

2. Adia por 6 meses a 1 ano todas as compras de produtos estrangeiros, que tenhas planeado fazer, tais como automóveis, TV e outros electrodomésticos, produtos de luxo, telemóveis, roupa e calçado de marcas importadas, férias fora do país, etc., etc...


Lê com atenção e reencaminha para que sejamos muitos a ter esta atitude!


Portugal afundou, somos enxovalhados diariamente por considerações e comentários mais ou menos jocosos vindos de várias paragens, mas em particular dos países mais ricos. Confundem o povo português com a classe política incompetente e em muitos casos até corrupta que nos tem dirigido nos últimos anos e se tem governado a si própria.


Olham-nos como um fardo pesado incapaz de recuperar e de traçar um rumo de desenvolvimento.


Agora, mais do que lamentar a situação de falência a que Portugal chegou, e mais do que procurarmos fuzilar os responsáveis e são muitos, cabe-nos dar a resposta ao mundo mostrando de que fibra somos feitos para podermos recuperar a nossa auto-estima e o nosso orgulho.


Nós seremos capazes de ultrapassar esta situação difícil. Vamos certamente dar o nosso melhor para dar a volta por cima, mas há atitudes simples que podem fazer a diferença.

O desafio é durante seis meses a um ano evitar comprar produtos fabricados fora de Portugal. Fazer o esforço, em cada acto de compra, de verificar as etiquetas de origem e rejeitar comprar o que não tenha sido produzido em Portugal, sempre que existir alternativa.


Desta forma estaremos a substituir as importações que nos estão a arrastar para o fundo e apresentaremos resultados surpreendentes a nível de indicadores de crescimento económico e consequentemente de redução de desemprego. Há quem afirme que bastaria que, cada português, substituísse em somente 100 euros mensais as compras de produtos importados, por produtos fabricados no país, para que o nosso problema de falta de crescimento económico ficasse resolvido.



Representaria para a nossa indústria, só por si, um acréscimo superior a 12.000.000.000 de euros por ano, ou seja uma verba equivalente à da construção de um novo aeroporto de Lisboa e respectivas acessibilidades, a cada 3 meses!!!


Este comportamento deve ser assumido como um acto de cidadania, como um acto de mobilização colectiva, por nós, e, como resposta aos povos do mundo que nos acham uns coitadinhos incapazes.



Os nossos vizinhos Espanhóis há muitos anos que fazem isso. Quem já viajou com Espanhóis sabe que eles, começam logo por reservar e comprar as passagens, ou pacote, em agência Espanhola, depois, se viajam de avião, fazem-no na Ibéria, pernoitam em hotéis de cadeias exclusivamente Espanholas (Meliá, Riu, Sana ou outras), desde que uma delas exista, e se encontrarem uma marca espanhola dum produto que precisem, é essa mesma que compram, sem sequer comparar o preço (por exemplo em Portugal só abastecem combustíveis Repsol, ou Cepsa). Mas, até mesmo as empresas se comportam de forma semelhante! As multinacionais Espanholas a operar em Portugal, com poucas excepções, obrigam os seus funcionários que se deslocam ao estrangeiro a seguir estas preferências e contratam preferencialmente outras empresas espanholas, quer sejam de segurança, transportes, montagens industrias e duma forma geral de tudo o que precisem, que possam cá chegar com produto, ou serviço, a preço competitivo, vindo do outro lado da fronteira. São super proteccionistas da sua economia! Dão sempre a preferência a uma empresa ou produto Espanhol! Imitemo-los nós no futuro!



Passa este texto para todos os teus contactos para chegarmos a todos os portugueses.


Quando a onda pegar, vamos safar-nos.


Será um primeiro passo na direcção certa





6/17/2011

Tarde fria (para Ana)
por: Gonçalo Luís Barra









Encontraste-me rosa ferido e suplicante


Imaginei que eras perfume doce e terno


Fantasia de pétalas num beijo inebriante


Reunião mágica do Sol no oceano ameno






Um caminho de rosas luzia no mar aberto


E nós de mão dada andamos do céu perto


Descuidados do frio entardecer que vinha


Como lamina separar a tua mão da minha






Como arde a dor de não poder trocar de mãos contigo


A tarde amargou o beijo que me deste doce e amigo













6/15/2011

MELLIN, Laurel. A Inteligência das Emoções – Quebrar os ciclos do stress e redescobrir o prazer de viver. Lisboa: Matéria-Prima Edições, 2011 (ca. 226 pp e 16 euros)


“À medida que envelhecemos os velhos circuitos – onde todos as coisas novas, arrebatadas, deliciosas, cativantes são introduzidas – vão-se afunilando e tudo nos vai parecendo cada vez mais o mesmo, mesmo quando o não é. (...) O único poder de que dispomos é o de observar esses circuitos, porque quanto mais os desencadearmos mais fortes serão os seus rastos. De acordo com o princípio que faz que os circuitos ou sejam usados ou se percam, quanto menos forem desencadeados mais o seu rasto se enfraquece e mais facilmente se perdem” (pp. 50,1)



“Na resposta à vida há uma fase emocional, seguida de uma fase neocortical e por fim de uma ação corretiva que nos traz de novo a um estado psicologicamente favorável.”


“Não sou eu – são as minhas ligações” (p. 51)

6/13/2011

Petals of skin (to Ana)



Petals of rose your precious skin

Scents like a field of evergreen

Roses eternal watered with tears

Never have wilted with the years



Rose thorns crown hearts both mine and yours

Drops of sweet blood grow pairs and fours

A pool of sap was formed and grows

When it will flood nobody knows



I only know that I've missed you

Rose Eternal blessed perfume








Canto dos olhos (para Ana)



O cinema era frio e tu Europa

O filme era belo visto do canto

Dos teus olhos de mel e espanto

Do barco dos meus única doca



Encosta de esperança e desejo

Como esperava ter nas tuas mãos

De neve perfumadas com ensejo

O fogo onde tremiam dedos vãos



Os dedos que por medo não tocaram

O fim do filme nos dedos que adoraram

 


Gonçalo Luís Barra

5/29/2011

9oii

BONCOMPAIN, Antonio Baños, A Economia Não Existe. Lisboa: ed. Guerra e Paz, 2011 (ca. 196 pp. e 16.50 euros)

"A economia não existe no mundo. Os planetas não se regem por interesses. As formigas não se baseiam na euribor. As árvores não crescem de acordo com o PIB. Mais de 30 000 anos de uma cultura sem economia nos contemplam por oposição aos três últimos séculos onde imperou o reino dessa lúgubre ciência. (p. 31)


«Nem o livro nem a Igreja usufruem do papel de educadores. Esse lugar está agora ocupado pelo capitalismo. A pedagogia que formou o homem através da palavra escrita e da palavra de Deus foi substituída por outra, na qual impera a voz do mercado e do dinheiro.»

(Peter Sloterdijk, citado p. 148)


“Se as leis da economia fossem algo de universal e evidente, teriam surgido outras civilizações a desenvolverem uma cultura semelhante.” (p. 71)


“As teorias de sistemas e a teoria do caos, a de cordas, a antimatéria, o multiverso e centenas de objectos e sujeitos teóricos e empíricos repovoaram o mundo científico com uma nova gramática (...) essencialmente anti-dogmática” (p. 113)



“Não existiu em nenhum momento da história um funcionamento «normal» do capitalismo. (...) Não existe a norma e o desvio. Não existe funcionamento correcto nem erro de controlo, tal como repetem insistemente os analistas da crise (...) Tudo é desvio e norma simultaneamente. Portanto não existem receitas, soluções ou boas políticas. É o próprio exercício da economia que molda o seu desempenho.” (p. 115)







5/24/2011

Sonhei




Num cavalo marinho seguia um sonho de pequeno, e andava perdido no mar
Na água corria o destino, as lágrimas eram ar...
Não chorava nesse sonho
Não me chovia como agora, por sobre a face cansada e na flor do rosmaninho...




Gonçalo Luís Barra

Trabalhadores: classe ou fragmentos?

por: João Bernardo (*)






Lê-se e ouve-se com muita frequência que a classe trabalhadora já não existe.

(...)

Muito antes da era da informática, nos Estados Unidos da década de 1920, um profeta da tecnocracia, Howard Scott, defendera já que o crescimento inexorável da produtividade ultrapassaria muito as oportunidades de emprego e de investimento e provocaria o desemprego crescente.

(...)

O argumento de que o progresso da produtividade condena os trabalhadores à extinção foi formulado (...) quando a economia assentava naquelas máquinas industriais que a electrónica e a informática viriam a tornar obsoletas.

(...)

os progressos da tecnologia electrónica (...) provocam o desemprego nas áreas dependentes das tecnologias retardatárias, [e] abrem áreas novas, onde é exigida uma requalificação profissional permanente.

(...)



As grandes lutas sociais das décadas de 1960 e de 1970, tanto na esfera norte-americana como na esfera soviética e chinesa, mostraram que o taylorismo e o fordismo estavam esgotados enquanto sistema de controlo da força de trabalho.

(...) em 1974, com a crise desencadeada pelo aumento dos preços do petróleo. Foi a partir de então que começaram gradualmente a difundir-se novos princípios de administração das empresas e de controlo dos trabalhadores. Alguns autores denominam a situação actual «pós-fordismo», (...) não vejo razão para não designar também o modelo actual de organização com o nome da Toyota, que primeiro o aplicou de maneira sistemática e que melhor o formalizou.



(...)

Tanto os sindicatos reformistas e os partidos operários burocratizados como o sindicalismo radical e, posteriormente, as grandes vagas de contestação autonomista nas décadas de 1960 e de 1970 só são compreensíveis se não esquecermos que milhares e milhares de trabalhadores se encontravam diariamente dentro dos muros das mesmas instalações.



O toyotismo encontrou uma maneira de minorar, ou até de evitar, aquele considerável risco político. A electrónica permite que os administradores das empresas centralizem a captação das informações e a emanação das decisões independentemente de qualquer contacto físico com os trabalhadores e de qualquer relação física dos trabalhadores entre si. Os vários processos particulares de trabalho ficam integrados em grandes conjuntos mesmo que sejam prosseguidos em isolamento físico, por vezes podendo até localizar-se a milhares de quilómetros de distância uns dos outros. Assim, as economias de escala sociais aumentam sem que seja necessário aumentá-las fisicamente.



Além disso, a tecnologia electrónica conseguiu um feito inédito na história da humanidade, a fusão entre o sistema de fiscalização e o processo de trabalho.

Até à época actual, os trabalhadores tinham de ser vigiados por funcionários especializados, que não só podiam ser enganados mas que representavam uma despesa considerável para os donos das empresas. (...). No toyotismo, porém, o mero facto de fazer funcionar uma máquina electrónica ou simplesmente um computador constitui uma forma de fiscalização do trabalho. Trabalhar e ser vigiado já não se distinguem.

(...)

Uma das preocupações fundamentais do toyotismo consiste em limitar a concentração física dos trabalhadores, ou até em dispersá-los fisicamente, e ao mesmo tempo concentrar os resultados do trabalho através da tecnologia electrónica.

(...)

(...) Em primeiro lugar (...) o toyotismo divide cada linha de produção em equipas de trabalhadores, que se encarregam, dentro de certos limites, de múltiplas funções.

Deste modo, mesmo quando se encontra reunida nas mesmas instalações, a força de trabalho está repartida em segmentos.



Em segundo lugar, os capitalistas têm-se esforçado com êxito por impor horários flexíveis aos trabalhadores de cada empresa. (...) trata-se de desestruturar o velho colectivismo proletário, já que a flexibilidade de horários torna praticamente inviável a sustentação das associações de bairro ou das meras tertúlias de tasca ou de cervejaria.





Em terceiro lugar, verifica-se em muitos casos uma elevadíssima rotatividade da força de trabalho. Isto (...) impede o estabelecimento de quaisquer elos de solidariedade sólidos.

(...)

Em quarto lugar, as consequências nefastas dos horários flexíveis conjugam-se com as consequências não menos nefastas da elevada rotatividade da força de trabalho, nos sistemas de contrato a prazo e de trabalho a tempo parcial. (...) contribuindo duplamente para dificultar as relações entre as pessoas (...) e para isolar umas das outras as pessoas que contribuem para os mesmos processos de trabalho.





Em quinto lugar, a generalização da subcontratação provoca a fragmentação física das empresas.

Por um lado, sucede com frequência que as empresas dêem autonomia a departamentos e os convertam em unidades formalmente autónomas, (...), é também usual que uma empresa, em vez de comprar outra, lhe subcontrate os serviços. (...)

os trabalhadores ficam divididos entre as firmas principais e as múltiplas subcontratantes, ainda que as suas actividades se insiram numa mesma cadeia de produção.



Em sexto lugar, (...) o sistema de franchising, (...) A firma principal dá as filiais locais a explorar a pequenos patrões, impondo-lhes no entanto (...) um sistema de organização da força de trabalho e um sistema de atendimento ao cliente que têm de ser rigorosamente cumpridos. Por seu lado, os pequenos capitalistas que tomam a franchising lucram com o facto de terem diminuído as suas despesas em aquisição de tecnologia e de beneficiarem da publicidade assegurada, e do mercado captado, pela firma principal.



Em sétimo lugar, a fragmentação da força de trabalho decorrente da subcontratação e da franchising assume ainda maiores proporções na terceirização. (...) processo pelo qual uma empresa converte alguns dos seus empregados em profissionais formalmente independentes, contratando depois os seus serviços.

(...) cucu revisto ate aqui

A transformação do assalariamento em terceirização, que assumiu proporções maciças em certas áreas profissionais, tem como resultado o completo isolamento recíproco destes trabalhadores. Onde antes eles enfrentavam os patrões em conjunto com os seus colegas, passam agora a fazê-lo sozinhos.



Em oitavo lugar, (...) Não é a primeira vez que o capitalismo assimila rapidamente massas colossais de novos assalariados, mas no final do século XIX e no começo do século XX fizera-o através da concentração dos novos proletários num mesmo meio físico e social. (...). Hoje passa-se exactamente o contrário, e as pessoas recém-chegadas em massa ao mercado de trabalho capitalista, quando não são mantidas em isolamento recíproco, dispersam-se entre as firmas principais, as subcontratantes e as franchisings, sem terem oportunidade de criar uma nova cultura proletária baseada, como a anterior, em vastas redes de camaradagem e de solidariedade e no confronto global com os patrões. Como se isto não bastasse, e não confiando demasiadamente nos automatismos económicos e sociais, os capitalistas têm concentrado enormes esforços na difusão de uma subcultura de massas assente em ilusões de promoção individual. Fica assim duplamente contrariada a formação de hábitos e de comportamentos comuns entre a força de trabalho recém-ampliada.



Para coroar este processo, os ideólogos do capitalismo deram asas à imaginação e anunciaram a utopia última – o trabalho seria prosseguido no lar doce lar através de meios electrónicos, em condições de máxima dispersão, e a gestão localizar-se-ia nos escritórios dos administradores graças à informática, em condições de máxima centralização.



Com efeito, (...), predominam hoje as formas de concentração económica que dispensam a concentração da propriedade, a tal ponto que a firma principal chega a fraccionar-se ela mesma em unidades formalmente independentes para melhor exercer sobre elas o seu controlo económico.



Um dos componentes do toyotismo é o sistema do just in time, que consiste em reduzir ao mínimo os elementos (produtos ou matérias-primas) em armazém e em adequar tanto o fluxo da produção às oscilações da procura como o tipo da produção às especificações da procura. Este sistema não se limita a reduzir os custos e tem várias outras implicações muito importantes sobre o processo de exploração, mas vou aqui chamar a atenção apenas para uma delas. No just in time é a empresa principal quem dita o ritmo da produção às empresas subcontratantes e aos trabalhadores terceirizados, e pode fazê-lo facilmente porque a electrónica permite dispersar a captação das informações e simultaneamente centralizar as tomadas de decisão.

(...) Levando à proliferação de firmas pequenas e minúsculas, este sistema agrava a dispersão física e a fragmentação social dos trabalhadores. Embora as empresas principais e a multiplicidade de empresas subcontratantes e de indivíduos terceirizados estejam reunidos nos mesmos processos de trabalho e se dediquem à produção dos mesmos artigos ou dos mesmos serviços, os trabalhadores sentem-se ainda mais divididos e isolados.



Para os administradores das empresas, que detêm o controlo sobre toda a rede de captação das informações e de emanação das decisões e que controlam também os processos electrónicos de fiscalização, os trabalhadores existem enquanto corpo social unificado. (...) Pelo contrário, os próprios trabalhadores, na medida em que o processo de trabalho os isola e dispersa fisicamente, geralmente já não se consideram a si mesmos como membros de uma classe social. Isto significa, em poucas palavras, que os trabalhadores existem como classe para os capitalistas e não existem como classe para eles próprios.



(...) Assim como os mecanismos da exploração retiram aos trabalhadores o controlo sobre o processo de trabalho, e portanto a disposição dos resultados do trabalho, também os mecanismos da opressão lhes retiram o controlo sobre as modalidades de inter-relacionamento. Nesta perspectiva, defino como dominante aquela classe social que consegue ditar os princípios organizativos da outra. Não se trata apenas de uma classe dominante ter ao seu serviço instituições como o governo ou a polícia ou os tribunais. Trata-se de muito mais do que isto, pois os capitalistas estabelecem as próprias formas internas de organização dos trabalhadores, e fazem-no inclusivamente em áreas sociais que os trabalhadores julgam ser suas.



Podemos observar essa hetero-organização nas remodelações urbanísticas a que foram submetidas todas as grandes cidades. Extinguem-se os velhos bairros populares, situados nas zonas antigas, com características mais marcantes, que dão a cada cidade a sua originalidade. Trata-se de um processo denominado em inglês gentrifying, em que, por um lado, as fachadas dos prédios são preservadas, ou se necessário restabelecidas de acordo com o traçado original, mas, por outro lado, os interiores são completamente remodelados e modernizados. (...) Entretanto os trabalhadores, expulsos pelos mecanismos económicos dos seus bairros tradicionais, são lançados para os subúrbios, onde têm de recomeçar a partir do zero o estabelecimento de teias de solidariedade, e em condições especialmente difíceis porque nas zonas de periferia prevalece um tipo de urbanização concebido deliberadamente para dificultar as relações de vizinhança. (...) A hetero-organização dos trabalhadores neste quadro urbanístico é coroada pelos centros comerciais, enquanto lugares de sociabilização hegemonizados económica e culturalmente pelo capital. Antes os trabalhadores estabeleciam, nos seus próprios termos, relações directas de vizinhança e de amizade nos bairros em que habitavam, mas agora uma parte considerável dos ócios dos trabalhadores é passada nos shoppings, locais onde a sua presença é efémera, onde é impossível formar relações continuadas e onde todos os tipos de contacto são condicionados por um arranjo deliberado dos espaços tendente à dispersão e à fragmentação.



No mundo contemporâneo temos de um lado capitalistas providos de uma coesão transnacional, consolidada numa multiplicidade de organizações tanto de âmbito nacional como relacionadas internacionalmente e supranacionalmente em redes de malhas muito estreitas. Do outro lado temos trabalhadores que na sua relação com os capitalistas são dominados em conjunto, como uma classe, mas que entre eles mesmos estão divididos e não lutam como uma classe. Esta dupla situação implica que nas circunstâncias presentes a classe trabalhadora tenha uma existência meramente económica, enquanto produtora de mais-valia, ou seja, enquanto vítima da exploração, sem que tenha existência política e sociológica, enquanto sujeito de lutas e base de formas de organização antagónicas ao capitalismo.



Enquanto esta situação se mantiver o capitalismo continuará sólido, e aqueles que hoje evocam a torto e a direito uma crise do capitalismo fariam bem melhor se procurassem compreender a crise do anticapitalismo.

A dupla situação da classe trabalhadora, entre a sua existência económica para o capital e a sua inexistência política e sociológica tende a agravar-se nos próximos tempos. (...) os pós-modernos consideram a fragmentação das lutas não como uma limitação a ultrapassar mas como o objectivo estratégico a atingir. O seu ideal é uma colecção de ghettos, que têm o mercado como elo de ligação e o «politicamente correcto» como linguagem comum.



Se cada pessoa se enclausurar entre espelhos e não empregar palavras que denotem a persistência real dos problemas, como sucede com o vocabulário «politicamente correcto», e se o mercado se encarregar de ir satisfazendo as necessidades gerais, tudo correrá bem no melhor – ou no menos mau – dos mundos. Se existe exploração, fala-se de cidadania. Se as mulheres são preteridas e mais mal pagas do que os homens, instaura-se a igualdade no reino gramatical e arranja-se uma curiosa sintaxe semeada de barras, travessões e parêntesis em que substantivos, adjectivos, artigos e pronomes figuram nas variantes masculina e feminina. Se há pessoas que são vítimas de racismo por causa da cor da pele, elas passam a ser designadas pela origem geográfica dos antepassados remotos. E se continuam a vigorar discriminações de todo o tipo, então criam-se grupos, clubes, associações destinadas simplesmente a preservar os membros, isolando-os em comunidades de iguais, de maneira que tudo permanece na mesma na sociedade em geral. O mercado assegura as relações entre aquelas ilhas ideológicas e faz com que, no plano económico fundamental, elas constituam partes integrantes da sociedade capitalista.



(...) Existe uma forte ligação entre multiculturalismo e consumismo. Num mundo em que as opções de vida dos trabalhadores são estritamente limitadas e em que o quotidiano de cada um obedece a padrões similares, o multiculturalismo existe exclusivamente sob a forma de consumo de produtos – tanto objectos como serviços – denominados multiculturais.



Chega-se assim ao paradoxo da situação actual, em que o capitalismo é dominado por enormes firmas transnacionais, geridas por uma elite que adopta uma mentalidade inteiramente cosmopolita e supranacional, e os trabalhadores, além de estarem sujeitos às fragmentações suscitadas pelo sistema de administração toyotista, estão ainda divididos por nacionalismos, regionalismos e todo o tipo de especificidades étnicas, físicas e culturais exaltadas não só pela má vontade da direita mas, o que é pior, pela boa vontade de uma certa esquerda. O grande problema hoje é o de partir das lutas fragmentadas com o objectivo de contribuir para que elas ultrapassem a fragmentação. É este o maior desafio que se nos coloca, e só nesta perspectiva podemos definir uma estratégia de luta contra o capital na forma em que ele se apresenta nos nossos dias, o sistema toyotista de organização do trabalho.



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(*) João Bernardo, professor e conferencista português, actualmente radicado no Brasil.



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