12/07/2010

WILSON, E. D.. A Criação, Um Apelo para Salvar a Vida na Terra. Lisboa: Gradiva, 2007 (ca. 226 pp. e 15 euros)

"Eu sou um humanista secular. Penso que a existência é aquilo que dela fazemos enquanto indivíduos" (p.12)



"A criação - a natureza viva - está em grande apuro. Os cientistas estimam que, se a reconversão de habitats e outras actividades humanas destrutivas continuarem à taxa actual, metade das espécies podem estar extintas, ou pelo menos condenadas a uma extinção precoce, no final deste século." (p. 13) 


"O conhecimento que é acompanhado por emoções prazenteiras fica connosco" (p. 169)


" (...) a melhor forma de transmitir conhecimentos e de estimular o raciocínio é ensinar cada assunto do geral para o específico" (174)


"A matemática é apenas uma linguagem a a linguagem é apenas um hábito de raciocínio." (p. 176)


"A partir do momento em que os símbolos e as operações normais da matemática forem aprendidas e usadas repetidamente, até se tornarem uma segunda natureza, ler uma equação não é muito diferente de ler uma passagem de um livro" (p.177)

12/06/2010


KÜSTENMACHER, Werner e SEIWERT, Lothar. Como Simplificar a Sua Vida: ed. Presença, 2006 (ca. 325 pp. e 15. 50)



“ (...) as pessoas bem sucedidas optaram sempre pela acção e nunca se conformaram com o papel de vítimas” (p.81)



“Os consultores actuais insistem: quem se mantém fiel à sua primeira firma durante toda a vida, está a deitar dinheiro à rua (…) Só quem for promovido extraordinariamente cedo deve ambicionar a uma carreira na primeira firma” (p. 94)



“Tenha coragem para assumir a mudança, mesmo em idade avançada (…) o número de “firmas de seniores”, fundadas por pessoas entre 50 e 60 anos que, preferencialmente, ocupam colaboradores do seu próprio escalão etário está a aumentar progressivamente” (p. 144)



MORENO, Carlos, Como o Estado Gasta o Nosso Dinheiro. Alfragide: Grupo Leyal, 2010 (Ca. 191 pp. e 16 euros) 



"Onde existe facilitismo, deve haver exigência. Onde está vulgaridade pôr excelência. Onde está moleza pôr dureza. Onde está golpada pôr seriedade. Onde está videirismo pôr honra. Onde está ignorância pôr conhecimento. Onde está mandriice pôr trabaho. Onde está aldrabice pôr honestidade.” Hernâni Lopes (cit. Pág. 190)




"Se a principal razão de ser da existência do Tribunal de Contas é a de garantir aos contribuintes o controlo técnico da gestão financeira pública, e nomeadamente do Governo, por órgãos de soberania totalmente independentes e separados deste, porque carga de água há-de ser logo o Governo a deter a iniciativa da própria escolha e nomeação do presidente do Tribunal que o fiscaliza?" (p. 180)






”A boa gestão é conhecida pela gestão dos três “E”: economia, eficiência e eficácia. (...) As leis mostram-se com frequência mal feitas. Foi o que sucedeu com vários diplomas financeiros públicos, alguns mandados elaborar a consultores externos ao Estado (que pouco o conheciam por dentro). Os legisladores nunca pediram, como podiam e deviam fazer, parecer, aliás não vinculativo, ao orgão especializado na matéria que é o Tribunal de Contas" (p. 64)



Perder



Ganhar ou perder é o tempo duma escolha
Quando já depois do caminho caminhamos
No cabo do troço ainda acima escadeamos
Cheios de pranto ou orgulho em cada bolha




Gonçalo Luís Barra



12/04/2010

DAWKINS, Richard. A Desilução de Deus. Lisboa: Casa das Letras, 2008, 5ª ed. (Ca. 460 pp. e 20 euros)
“Robert Gillooly mostra como todos os componentes essenciais à lenda de Jesus, que incluem a estrela no Oriente, o parto virginal, a adoração dos reis, os milagres, a execução, a ressurreição e a ascensão são todos retirados de outras religiões já existentes na região do Mediterrâneo e do Próximo Oriente. (p.127)

“Agradeço aos meus pais o facto de acharem que se deve ensinar aos filhos, não tanto o que pensar mas mais como pensar” (p. 388)

“(…) mais difícil no entanto será saber o que responder a uma rapariga que quer ser excisada. Mas ao olhar para trás, quando for já adulta plenamente informada, não irá ela desejar nunca o ter feito?” (p. 390,1)

11/09/2010

DESTAQUE


A classe média está a chegar à sopa dos pobres

Por Natália Faria

Chegam à Assistência Médica Internacional (AMI), à Caritas ou às Misericórdias e pedem comida, ajuda para pagar os livros dos filhos, a mensalidade da casa, a conta da farmácia. Pedem, sobretudo, que não lhes divulguem o nome, (...)"São pessoas que [nas cantinas comunitárias] comem viradas para a parede, têm vergonha de ser vistas ali, se lhes perguntamos o nome, fogem..." (...)


Na maioria das vezes, os pedidos chegam por email. "Desde o ano passado que nos chegam pedidos de professores, advogados, engenheiros: profissões que nada fazia prever que precisariam de ajuda institucional", diz Daniela Guimarães, educadora social na Cáritas do Porto. 

(...)
 "Há dias uma funcionária pública contava-me que, perante as colegas, disse que o médico a proibira de tomar café, porque tinha vergonha de assumir que não tinha dinheiro para as acompanhar." 

(...) E depois há "os recibos verdes, que não se encaixam nas "gavetas", porque não preenchem os requisitos para nenhum tipo de apoio", nota Daniela Guimarães.

(...)

 "Há muita gente fechada em casa, a passar fome. Com vergonha de sair porque nunca na vida pensaram ter que recorrer a uma instituição. Antes de cá chegarem, já venderam o recheio da casa, acumularam dívidas e só vêm quando as coisas estão em tribunal ou quando não têm para dar de comer aos filhos", relata. E insiste numa ideia que há-de repetir várias vezes: "Pedir ajuda é um direito, as pessoas têm que perder a vergonha de o fazer." 

 (...) Em 2008, José Sócrates orgulhava-se de ter reduzido essa taxa para os 18,9 por cento. Se tivéssemos olhado para aqueles números antes das transferências sociais, percebíamos que a taxa de pobreza tinha aumentado na realidade de 41,3 por cento, em 2003, para os 41,5 em 2008. Agora, "o cenário está pior, com um peso muito maior de desempregados entre os pobres", reflecte Bruto da Costa, sem, contudo, arriscar números. Para percebermos como chegamos aqui temos que recuar alguns anos. "Por causa do crescimento económico, do desenvolvimento da administração pública e de um processo de concentração urbana muito brusco, entre outros factores, os trabalhadores começaram a acreditar que podiam pertencer à classe média e isso, aliado à facilidade de crédito, ajudou a que ficassem mais disponíveis para a compra de casas, assim como para os empréstimos para aquisição de carros, telecomunicações, equipamentos de longa duração. Tudo isso criou a ilusão de que a condição de classe média era sólida e estável. Ora, na verdade isso nunca aconteceu, porque as pessoas estavam era endividadas e o que esta crise está a provocar agora é um enorme defraudar dessa expectativa"

(...)

 No mesmo sentido vai a análise do sociólogo Boaventura Sousa Santos. "A classe média é composta por aqueles que conseguem planear a vida, a ida dos filhos para a universidade, a compra do carro, as férias. Ora, as condições que tornaram possível o seu aparecimento estão a ser destruídas", constata, para concluir que, "se as democracias valem o que vale a classe média, então é evidente que a democracia portuguesa está a cometer suicídio".


(enviado por Filipe S.)

11/02/2010

CARVALHO, Rómulo, História do Ensino em Portugal – Desde a fundação da nacionalidade até ao fim do regimen de Salazar-Caetano. Lisboa: Fund. Calouste Gulbenkian, 2008 , 4ª ed. (Ca. 960 pp e 17.50)

“Em breve tempo se encontraram os mestres do Colégio [das Artes, em Coimbra – n. de kriu] divididos em dois grupos: os «bordaleses» (…) e os «parisienses» (…) De tal modo a situação se ia agravando (…) que D. João III achou por bem ouvir os responsáveis (…) de viva voz (…) decidiu demitir o «parisiense» Diogo de Gouveia do principalato e nomear para o lugar o «bordalês» João da Costa (…) Diogo de Gouveia (…) tomou o melhor caminho para a liquidação dos «bordaleses» acusando-os à Inquisição de suspeitos de heresia” (p.256/8)

“Recapitulando toda a obra que Veiga Simão realizou como ministro da Educação, é dever colocá-lo a par das figuras de maior préstimo que tiveram nas mãos os destinos daquele departamento de Estado, ao longo de toda a nossa história” (p. 812)

“No momento em que escrevo estas linhas (Junho de 1983) (…) já quinze Governos passaram pelas cadeiras do poder, o que  dá em média nove meses por ministro. É um sintoma de crise, crise que realmente se vive em todos os sectores da vida nacional, e dia a dia se agrava sem que se vislumbre o modo de tolhê-la. Aguardemos o que o futuro nos reserva” (p.813) 

10/30/2010

DESTAQUE  




"Os tristes dias do nosso infortúnio"  por Baptista Bastos

(enviado por Teresa Palma Fernandes)

Na terça-feira, 26 de Outubro, p.p., assistimos, estupefactos, a um espectáculo deprimente.
O dr. Cavaco consumiu vinte minutos, no Centro Cultural de Belém, a esclarecer os portugueses que não havia português como ele. Os portugueses, diminuídos com a presunção e esmagados pela soberba, escutaram a criatura de olhos arregalados. Elogio em boca própria é vitupério, mas o dr. Cavaco ignora essa verdade axiomática, como, aliás, ignora um número quase infindável de coisas.

O discurso, além de tolo, era um arrazoado de banalidades, redigido num idioma de eguariço. São conhecidas as amargas dificuldades que aquele senhor demonstra em expressar-se com exactidão. Mas, desta vez, o assunto atingiu as raias da nossa indignação. Segundo ele de si próprio diz, tem sido um estadista exemplar, repleto de êxitos políticos e de realizações ímpares. E acrescentou que, moralmente, é inatacável.

O passado dele não o recomenda. Infelizmente. Foi um dos piores primeiros-ministros, depois do 25 de Abril. Recebeu, de Bruxelas, oceanos de dinheiro e esbanjou-os nas futilidades de regime que, habitualmente, são para "encher o olho" e cuja utilidade é duvidosa. Preferiu o betão ao desenvolvimento harmonioso do nosso estrato educacional; desprezou a memória colectiva como projecto ideológico, nisso associando-se ao ideário da senhora Tatcher e do senhor Regan; incentivou, desbragadamente, o culto da juventude pela juventude, característica das doutrinas fascistas; crispou a sociedade portuguesa com uma cultura de espeque e atrabiliária e, não o esqueçamos nunca, recusou a pensão de sangue à viúva de Salgueiro Maia, um dos mais abnegados heróis de Abril, atribuindo outras a agentes da PIDE, "por serviços relevantes à pátria." A lista de anomalias é medonha.

Como Presidente é um homem indeciso, cheio de fragilidades e de ressentimentos, com a ausência de grandeza exigida pela função. O caso, sinistro, das "escutas a Belém" é um dos episódios mais vis da história da II República. Sobre o caso escrevi, no Negócios, o que tinha de escrever. Mas não esqueço o manobrismo nem a desvergonha, minimizados por uma Imprensa minada por simpatizantes de jornalismos e por estipendiados inquietantes. Em qualquer país do mundo, seriamente democrático, o dr. Cavaco teria sido corrido a sete pés.

O lastro de opróbrio, de fiasco e de humilhação que tem deixado atrás de si, chega para acreditar que as forças que o sustentam, a manipulação a que os cidadãos têm sido sujeitos, é da ordem da mancha histórica. E os panegíricos que lhe tecem são ultrajantes para aqueles que o antecederam em Belém e ferem a nossa elementar decência.

É este homem de poucas qualidades que, no Centro Cultural de Belém, teve o descoco de se apresentar como símbolo de virtudes e sinónimo de impolutabilidade. É este homem, que as circunstâncias determinadas pelas torções da História alisaram um caminho sem pedras e empurraram para um destino que não merece - é este homem sem jeito de estar com as mãos, de sorriso hediondo e de embaraços múltiplos, que quer, pela segunda vez, ser Presidente da nossa República. Triste República, nas mãos de gente que a não ama, que a não desenvolve, que a não resguarda e a não protege!

Estamos a assistir ao fim de muitas esperanças, de muitos sonhos acalentados, e à traição imposta a gerações de homens e de mulheres. É gente deste jaez e estilo que corrói os alicerces intelectuais, políticos e morais de uma democracia que, cada vez mais, existe, apenas, na superfície. O estado a que chegámos é, substancialmente, da responsabilidade deste cavalheiro e de outros como ele.

Como é possível que, estando o País de pantanas, o homem que se apresenta como candidato ao mais alto emprego do Estado, não tenha, nem agora nem antes, actuado com o poder de que dispõe? Como é possível? Há outros problemas que se põem: foi o dr. Cavaco que escreveu o discurso? Se foi, a sua conhecida mediocridade pode ser atenuante. Se não foi, há alguém, em Belém, que o quer tramar. 

Um amigo meu, fundador de PSD, antigo companheiro de Sá Carneiro e leitor omnívoro de literatura de todos os géneros e projecções, que me dizia: "Como é que você quer que isto se endireite se o dr. Cavaco e a maioria dos políticos no activo diz 'competividade' em vez de 'competitividade' e julga que o Padre António Vieira é um pároco de qualquer igreja?"

Pessoalmente, não quero nada. Mas desejava, ardentemente desejava, ter um Presidente da República que, pelo menos, soubesse quantos cantos tem "Os Lusíadas."

10/25/2010

DESTAQUE  (publicado em "Público"  de 23/10/10)


DECLARAÇÃO


As medidas que o Estado português se prepara para tomar não servem para nada. Passaremos anos a trabalhar para pagar a dívida, é só. Acresce que a dívida é o menor dos nossos problemas. Portugal, a Grécia, a Irlanda são apenas o elo mais fraco da cadeia, aquele que parte mais depressa. É a Europa inteira que vai entrar em crise.

O capitalismo global localiza parte da sua produção no antigo Terceiro Mundo e este exporta para Europa mercadorias e serviços, criados lá pelos capitalistas de lá ou pelos capitalistas de cá, que são muito mais baratos do que os europeus, porque a mão-de-obra longínqua não custa nada. À medida que países como a China refinarem os seus recursos produtivos, menos viável será este modelo e ainda menos competitiva a Europa. Os capitalistas e os seus lacaios de luxo (os governos) sabem isso muito bem. O seu objectivo principal não é salvar a Europa, mas os seus investimentos e o seu alvo principal são os trabalhadores europeus com os quais querem despender o mínimo possível para poderem ganhar mais na batalha global. É por isso que o “modelo social europeu” está ameaçado, não essencialmente por causa das pirâmides etárias e outras desculpas de mau pagador. Posto isto, tenho a seguinte declaração a fazer:

Sou professor há mais de 30 anos, 15 dos quais na universidade.

Sou dos melhores da minha profissão e um investigador de topo na minha área. Emigraria amanhã, se não fosse velho de mais, ou reformar-me-ia imediatamente, se o Estado não me tivesse já defraudado desse direito duas vezes, rompendo contratos que tinha comigo, bem como com todos os funcionários públicos.

Não tenho muito mais rendimentos para além do meu salário. Depois de contas rigorosamente feitas, percebi que vou ficar desprovido de 25% do meu rendimento mensal e vou provavelmente perder o único luxo que tenho, a casa que construí e onde pensei viver o resto da minha vida.
Nunca fiz férias se não na Europa próxima ou na Índia (quando trabalhava lá), e sempre por
pouco tempo. Há muito que não tenho outros luxos. Por exemplo: há muito que deixei de comprar livros.

Deste modo, declaro:

1) o Estado deixou de poder contar comigo para trabalhar para além dos mínimos indispensáveis. Estou doravante em greve de zelo e em greve a todos os trabalhos extraordinários;

2) estou disponível para ajudar a construir e para integrar as redes e programas de auxílio mútuo que possam surgir no meu concelho;

3) enquanto parte de movimentos organizados colectivamente, estou pronto para deixar de pagar as dívidas à banca, fazer não um, mas vários dias de greve (desde que acompanhados pela ocupação das instalações de trabalho), ajudar a bloquear estradas, pontes, linhas de caminho-de-ferro, refinarias, cercar os edifícios representativos do Estado e as residências pessoais dos governantes, e resistir pacificamente (mas resistir) à violência do Estado.

Gostaria de ver dezenas de milhares de compatriotas meus a fazer declarações semelhantes






Sobre Paulo Varela Gomes:
Licenciado em história pela Universidade Clássica de Lisboa (1978), mestre em história da arte pela Universidade Nova de Lisboa (1988), doutorado em história da arquitectura pela Universidade de Coimbra (1999). Docente do DARQ desde 1991, professor convidado do Dep. Autónomo de Arquitectura da Universidade do Minho desde 2001, docente convidado de outras universidades portuguesas e estrangeiras. A principal área de investigação e publicação tem sido a história da arquitectura e da cultura arquitectónica portuguesa dos séculos XVII e XVIII.

10/19/2010

DESTAQUE 
"O partido zombie"
por Isabel Câncio
("Diário de Notícias", 15/10/2010)



Numa reportagem sobre quem constrói a Festa do Avante! fui amiúde confrontada pelos objectos da minha demanda jornalística. Diziam estes não entender porque estava eu a fazer tantas entrevistas se quando chegasse ao jornal os meus "chefes" iriam "cortar tudo". Porque, afiançavam-me, tudo o que diz respeito ao PCP é "censurado". Houve mesmo quem tivesse a simpatia de me explicar porquê: os patrões não querem que o povo saiba o que diz "o partido". É que a palavra "do partido" liberta e portanto é preciso calá-la, sob pena de o povo quebrar as grilhetas, etc.

Lá tentei fazer ver àquelas pessoas que o meu patrão tem bastante mais que fazer que cortar os meus textos e que é um bocadito desrespeitador do trabalhador jornalista - para além de um niquinho ideologicamente contraditório - decretá-lo, sem apelo, capacho. Mas dei-lhes razão quanto à cobertura noticiosa do PCP e a minha opinião sobre o motivo: a generalidade dos jornalistas (excepto, claro, os "do partido") não levam o PCP a sério. Acham que não conta; dão a tudo o que dali sai o desconto que resulta de uma curiosa mescla de desprezo (pelo que vêem como um anacronismo ideológico) e respeito (pela memória sacra da resistência a Salazar). E isso - coisa que me eximi de acrescentar na altura - é o melhor que pode suceder ao PCP.


Trata-se, afinal, de um partido que não se inibe de venerar publicamente um autor de crimes contra a humanidade que ombreia com Hitler - sim, o "genial pai dos povos" Estaline; cujos dirigentes consideram a monstruosa monarquia da Coreia do Norte "opção do povo", quiçá uma democracia; que defende a greve geral por cá a propósito do corte de salários no sector público e o despedimento de um milhão de funcionários públicos na ditatorial e oligárquica Cuba; que protesta, em comunicado oficial, contra a atribuição do Nobel a Liu Xiaobo, condenado a 11 anos de prisão por delito de opinião na China do capitalismo selvagem de partido único, da depredação ambiental e do recorde mundial das execuções capitais.




Os Estados democráticos apertam a mão aos líderes chineses e fazem negócios com eles, é certo - mas só por acharem não ter remédio. Já o PCP defende o regime chinês (como o norte-coreano) por fé - a fé de que uma bandeira vermelha, "comunismo", "revolução" e "república popular" na Constituição mais horas de paradas militares e ódio aos EUA são sinónimo de bem, e o resto (sendo o resto as pessoas e os seus direitos) que se lixe. Tão obscena duplicidade e tão sinistro desprezo pelos valores democráticos e pelos direitos humanos só não causam repugnância e terror generalizados porque para a maioria o PCP não existe. É uma caricatura, uma espécie de zombie da história que em vez do asco que as suas posições justificam concita simpatia, piedade e até protecção. A começar pela que os media lhe concedem, ao dá-lo como morto.
Vivendo o sonho podes viver com realidade.
Kriu

10/16/2010

SCHILLER, David, Le Petit Livre da la Sagesse Zen, Ed. Robert Laffont, 1998 (ca. 11 euros)







Un moine demanda à Chao-choui: “Je viens d’ entrer au monastère: je t’ en prie, donne-moi um conseil.”


- As-tu mangé ton gruau de riz? – demanda Chao-choui.


- Oui, je l’ ai mangé, répondit le moine.


- Alors, va laver ton bol.






“Le Zen est le dernier mot de la philosophie, écrivit Suzuki [ Daisetz Teitaro Suzuki, viveu entre 1870 e 1966, e iniciou gerações de Ocidentais no budismo Zen – N. de Kriu] le fait psychique ultime, que survient lorsque la conscience religieuse est developpée à l’ extrême (…) chez lez bouddhistes, les chrétiens, les philosophes.”


(p. 263)

“Si un homme veut


être sur de son


chemin, qu’il ferme


les yeux et marche


dans l’ obscurité.

(Saint Jean de la Croix)

10/13/2010

DESTAQUE (enviado por Ivan Barbosa)


Os universitários portugueses estão cada vez mais diferentes dos europeus. A maioria vive em casa dos pais, não trabalha durante o curso e vai de carro para a universidade. Nada disto os estimula a serem empreendedores ou a amadurecerem para a realidade profissional mais dura que terão de enfrentar.



Nos últimos 20 anos o sistema universitário português convergiu com o dos restantes países europeus em muitos aspectos. Hoje os alunos entram para universidades com uma elevada proporção de docentes doutorados no estrangeiro, que em muitos casos ensinam as mesmas matérias que leccionaram em Inglaterra ou nos Estados Unidos da América. A Internet dá-lhes acesso aos mesmos conteúdos que os seus colegas europeus, uma realidade distante da vivida no passado em que dependiam de bibliotecas mal apetrechadas. E o programa Erasmus trouxe também excelentes oportunidades.



O outro lado da moeda surge quando se olha para estatísticas onde se lê que Portugal é o segundo país da União Europeia com maior percentagem de estudantes universitários a viver em casa dos pais e a estudar na mesma cidade onde cresceram, sendo simultaneamente um dos três países da UE onde menor percentagem dos universitários trabalha durante o curso. Na Suécia, um dos países mais ricos da Europa, cerca de 60% dos alunos trabalham durante o curso. Em Portugal são menos de 15%.



Nestes aspectos a experiência vivida nas universidades portuguesas é muito diferente da europeia, e tornou-se ainda mais diferente nos últimos 10 anos. A expansão das vagas permitiu aos estudantes um maior leque de hipóteses. A maioria dos alunos escolheu ficar na universidade ou politécnico mais próximo de casa. O resultado foi a criação de universidades mais regionais, onde a maioria dos alunos têm mais de 80% de colegas da mesma região. A isto acresce que, em média, apenas têm 0,7% de colegas oriundos de outros países comunitários.



A decisão de ficar em casa dos pais em muitos casos é determinada por factores económicos. No entanto, o parque automóvel de metade dos estudantes e sua expansão nos últimos anos demonstra bem que em muitos outros casos não o é. Os estudantes portugueses são os únicos europeus para quem o carro é o meio de transporte mais usado para chegar à universidade.



Porque é que isto é importante? Quais são as implicações destas diferenças?



Para a maioria dos jovens europeus a experiência universitária passa por conquistar um espaço de autonomia individual, com mais liberdade mas também maior responsabilidade. Os estudantes ingleses ou holandeses aprendem a cuidar de si e a serem independentes. Têm de trabalhar para poder fazer viagens ou comprar uma guitarra. Têm de gerir a sua própria vida e o seu orçamento. Quando saem do curso muitos têm experiência de trabalhar e de valorizar o dinheiro ganho com esforço.



A maioria dos seus colegas portugueses tem o carro que os pais lhes oferecem, se oferecerem, e faz as férias que os pais lhes pagam. O que conseguem ter ou fazer não depende em nada da sua iniciativa ou do seu esforço. Esta é uma lição de "desempreendorismo" que vão aprender durante três, quatro ou cinco anos de universidade.



Por outro lado, acabam o curso já com o vício de ter carro e o hábito de viver numa casa com as condições que os seus pais apenas conquistaram aos 50 anos. Depois entram num mercado de trabalho onde dificilmente conseguirão um rendimento que permita tais "luxos". Situação que, aliada ao facto de maioritariamente estudarem na cidade onde cresceram, limita fortemente a sua mobilidade geográfica. Já a maioria dos estudantes europeus sai de casa aos 17 anos, mudando de cidade. E depois, muitas vezes, aos 21 começa a trabalhar numa cidade diferente. Esta mobilidade permite um melhor encontro entre as qualificações dos licenciados e o que o mercado procura, ajudando a diminuir o desemprego e a aumentar a produtividade.



Em Portugal acaba por se criar um ambiente que faz com que a experiência universitária para muitos alunos seja um prolongar dos anos de liceu. Mantêm os mesmos amigos, continuam em casa da família, gastam muitas horas a ver televisão e não criam novos hábitos culturais. Este facto é, aliás, muito comentado pelos alunos que regressam do programa Erasmus. A participação neste programa europeu é, sem dúvida, um dos aspectos mais positivos dos últimos anos. A percentagem de alunos portugueses a estudar noutros países europeus aumentou entre 1998 e 2005 e manteve-se ligeiramente acima da média europeia. Ainda assim só entre 5 a 10% dos alunos beneficiam desta experiência.



O exemplo do programa Erasmus ou dos programas de mobilidade internacional para recém-licenciados servem para mostrar que há oportunidades muito interessantes. E existem tanto no estrangeiro como em Portugal. Quem ensina vê muitos alunos a aproveitá-las ou mesmo a criá-las, envolvendo-se com Organizações Não Governamentais, participando em grupos de teatro, orquestras, tunas, coros e muitas outras actividades em que vão aprender tanto ou mais que nas cadeiras do curso. Vê que os alunos que saem do seu conforto e têm iniciativa aprendem muito com esta experiência. Mas vê também que ainda são uma minoria.



São os alunos que têm de decidir se querem aproveitar estas oportunidades. Mas cabe aos pais e aos professores incentivá-los a quererem ser diferentes, a estarem abertos a novas experiências e a interessarem-se por aprender. Infelizmente na próxima semana começa a praxe nas universidades, que se prolonga por vários meses, seguindo um modelo do tipo militar, em que os alunos ficam em sentido, marcham e recebem ordens e insultos como se estivessem na recruta. Modelo que serve bem os propósitos da formação de soldados, onde a uniformização e o sacrifício do indivíduo face ao grupo são objectivos importantes, mas que dificilmente se percebe na universidade, onde a criatividade, inteligência e imaginação deviam liderar.

10/12/2010

Destaque  (enviado por Rui Cerveira)


Os ingleses pagam à semana e claro, administrativamente é uma seca! Mas ... diz-se que há sempre uma razão para as coisas! Ora bem, cá está um exemplo aritmético simples que não exige altos conhecimentos de Matemática mas talvez necessite de conhecimentos médios de desmontagem de retórica enganosa. Que é esta que constrói mitos paternalistas e abençoados que a malta mais pobre, estupidamente atenta e obrigada, come sem pensar!


Fala-se que o governo pode vir a não pagar aos funcionários públicos o 13º mês. Se o fizerem, é uma roubalheira sobre outra roubalheira. Perguntarão porquê.


Respondo: Porque o 13º mês não existe.


O 13º mês é uma das mais escandalosas de todas as mentiras do sistema capitalista, e é justamente aquela que os trabalhadores mais acreditam. Eis aqui uma modesta demonstração aritmética de como foi fácil enganar os trabalhadores.


Suponhamos que você ganha € 700,00 por mês. Multiplicando-se esse salário por 12 meses, você recebe um total de € 8.400,00 por um ano de doze meses.


€ 700 X 12 = € 8.400,00 Em Dezembro, o generoso patrão cristão manda então pagar-lhe o conhecido 13º mês.


€ 8.400,00 (Salário anual) + € 700,00 (13º mês) = € 9.100 (Salário anual mais o 13º mês) O trabalhador vai para casa todo feliz com o patrão.



Agora veja bem o que acontece quando o trabalhador se predispõe a fazer umas simples contas que aprendeu no 1º Ciclo:



Se o trabalhador recebe € 700,00 mês e o mês tem quatro semanas, significa que ganha por semana € 175,00.



€ 700,00 (Salário mensal) / 4 (semanas do mês) = € 175,00 (Salário semanal)



O ano tem 52 semanas. Se multiplicarmos € 175,00 (Salário semanal) por 52 (número de semanas anuais) o resultado será € 9.100,00.



€ 175,00 (Salário semanal) X 52 (número de semanas anuais) = € 9.100.00



O resultado acima é o mesmo valor do Salário anual mais o 13º mês. Surpresa, surpresa ? Onde está portanto o 13º Mês?



A explicação é simples, embora os nossos conhecidos líderes nunca se tenham dado conta desse facto simples.



A resposta é que o patrão lhe rouba uma parte do salário durante todo o ano, pela simples razão de que há meses com 30 dias, outros com 31 e também meses com quatro ou cinco semanas (ainda assim, apesar de cinco semanas o patrão só paga quatro semanas) o salário é o mesmo tenha o mês 30 ou 31 dias, quatro ou cinco semanas.



No final do ano o generoso patrão presenteia o trabalhador com um 13º mês, cujo dinheiro saiu do próprio bolso do trabalhador.



Se o governo retirar o 13º mês aos trabalhadores da função pública, o roubo é duplo.



Daí que, como palavra final para os trabalhadores inteligentes. Não existe nenhum 13º mês. O patrão apenas devolve o que sorrateiramente lhe surrupiou do salário anual.



Conclusão: Os Trabalhadores recebem o que já trabalharam e não um adicional.

10/09/2010

DESTAQUE   Petição pelo pluralismo de opinião no debate político-económico



por Miguel Cardina (texto enviado por Teresa Palma Fernandes)
 
As medidas de austeridade recentemente anunciadas pelo governo vieram mostrar, uma vez mais, a persistência de um fenómeno que corrói as bases de um sistema democrático. Nas horas e dias que se seguiram à conferência de imprensa de José Sócrates e de Teixeira dos Santos, os órgãos de comunicação social, nomeadamente as televisões, empenharam-se mais em tornar as referidas medidas inevitáveis do que em promover efectivos espaços de debate em torno das grandes opções político-económicas.


De facto, os diferentes painéis de comentadores televisivos convidados para analisar o chamado PEC III foram sistematicamente constituídos a partir de um leque apertado e tendencialmente redundante de opiniões, que oscilou entre os que concordam e os que concordam, mas querem mais sangue; ou entre os que acham que o PEC III vem tarde e os que defendem ter surgido no timing certo. Para lá destas balizas estreitas do debate, parece continuar a não haver lugar para quem conteste, critique ou problematize o quadro conceptual que está em jogo e as intenções de fundo, ou o sentido e racionalidade dos caminhos que Portugal e a Europa têm vindo a seguir, em matéria de governação económica.


Por ignorância, preguiça, hábito, desconsideração deliberada ou manifesto servilismo, os canais televisivos têm sistematicamente tratado a análise da crise económica como se o intenso debate quanto aos fundamentos doutrinários e às opções políticas que estão em jogo pura e simplesmente não existisse. Com a particular agravante de a crise financeira, iniciada em 2008, ter permitido uma consciencialização crescente em relação às diferentes perspectivas, no seio do próprio pensamento económico, no que concerne às responsabilidades da disciplina na génese e eclosão da crise.


Com efeito, diversos sectores político-sociais e reputados economistas têm contestado a lógica das medidas adoptadas, alertando para o resultado nefasto de receitas semelhantes aplicadas em outros países e denunciado a injusta repartição dos sacrifícios feita por politicas que privilegiam os interesses dos mercados financeiros liberalizados. Mas a sua voz permanece, em grande medida, ausente dos meios de comunicação de massas.


Não se trata de criticar o monolitismo das opiniões convocadas para o debate, partindo do ponto de vista de quem nelas não se revê. Uma exclusão daqueles que têm tido o privilégio quase exclusivo de acesso aos meios de comunicação seria igualmente preocupante. O problema de fundo reside em ignorar, nos dias que correm, o pluralismo de interpretações e perspectivas sobre a crise, sobre os seus impactos e sobre as opções de superação.


Somos cidadãos e cidadãs preocupados com este silenciamento e monolitismo. E por isso exigimos aos órgãos de comunicação social – em particular às televisões, e sobretudo àquela a quem compete prestar “serviço público” – que respeitem o pluralismo no debate político-económico de modo a que se possa construir uma opinião pública mais activa e informada. Menos do que isso é ficar aquém da democracia e do esclarecimento.



Será dado conhecimento da presente petição, e dos respectivos subscritores, às direcções de informação dos canais televisivos portugueses e restantes meios de comunicação social; a responsáveis por programas de televisão que abordam questões político-económicas; aos grupos parlamentares com representação na Assembleia da República e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social.



(informações e contactos: pluralismonodebate@gmail.com)

10/08/2010

DESTAQUE:  10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO MEDIÁTICA (Nota: gentilmente enviadas e atribuidas a Chomski mas cuja autoria Kriu não verificou. Em todo o caso fazem grande sentido...)



1- A ESTRATÉGIA DA DISTRACÇÃO.


O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção


que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes


e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicos, mediante


a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distracções e de


informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente


indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos


conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da


psicologia, da neuro-biologia e da cibernética. "Manter a atenção do


público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada


por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado,


ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os


outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras


tranquilas')".










2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.


Este método também é chamado "problema-reacção-solução". Cria-se um


problema, uma "situação" prevista para causar certa reacção no


público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja


fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se


intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a


fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas


em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económico para


fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais


e o desmantelamento dos serviços públicos.










3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.


Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la


graduadamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira


que condições sócio-económicas radicalmente novas (neoliberalismo)


foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo,


privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa,


salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que


haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só


vez.










4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.


Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de


apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação


pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar


um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o


esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a


massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá


melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto


dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e de


aceitá-la com resignação quando chegue o momento.










5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.


A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso,


argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas


vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de


baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar


enganar ao espectador, mais se tende a adoptar um tom infantilizante.


Por quê?"Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de


12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá,


com certa probabilidade, a uma resposta ou reacção também desprovida


de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de


idade (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")".










6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.


Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um


curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos


indivíduos. Além do mais, a utilização do registo emocional permite


abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar


ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir


comportamentos...










7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.


Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e


os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade


da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e


medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira


entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e


permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver


'Armas silenciosas para guerras tranquilas')".










8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.


Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar


e inculto...










9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTO-CULPABILIDADE.


Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua


própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de


suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se


contra o sistema económico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se,


o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a


inibição da sua acção. E, sem acção, não há revolução!










10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.


No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência


têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e


aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à


biologia, à neuro-biologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem


desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma


física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor


o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa


que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um


grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.
 
 
 
(enviado por Filipe S.)

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