4/16/2008

FOTOGRAFIA 1

BAURES, Gabriel, A Fotografia - História - Estilos - Tendências -Aplicações, Lisboa, Ed. 70, 2006.
In rubrica "A fotografia de moda na actualidade":
"Embora algumas redacções tentem ainda por todo o mundo favorecer uma fotografia de arte criativa, é necessário reconhecer que as coisas mudaram porque as leis do mercado agora são diferentes. Actualmente (...) o pormenor do vestuário está muitas vezes em primeiro plano nas preocupações do fotógrafo, e a sua margem de intervenção pessoal é muito reduzida. (...) A moda confunde-se com o modo de vida. Mais do que verdadeiras representações de vestuário, o que se propõe são ambientes. Em determinadas sectores da sociedade actual, não é tanto o vestuário que faz a moda mas sim o look, quer dizer, a aparência ou então a imagem. (...) Sem dúvida porque o pronto-a-vestir e a sua indústria deram origem a um mercado demasiado importante para se entregar a sua promoção redactorial a "artistas". A independência das revistas face a este mercado é hoje muito difícil de manter, o que explica igualmente o facto de as páginas redactoriais terem, por vezes, tendencia a confundir-se com as páginas publicitárias e não passarem de réplicas destas, de forma mais ou menos habilidosa." (Pág. 71).

TEATRO 5 "A Perca", de m/ autoria, no auditório de Alfornelos 18 e 19/04 às 22 H.


TEATRO 6 Eu, no "Pedro e o Lobo", Teatro Extremo até 27/04


4/14/2008

Fazer publicidade é agitar un pau dentro de um balde de comida para porcos.
George Orwell

CAPITALISMO 5

AL GORE, O Ataque à Razão, Lisboa, ed. Esfera do Caos, 2007
“O fenómenos que Galbraith identificou no mercado comercial é agora a realidade dominante. (…) O valor intrínseco ou validade das proposições políticas avançadas pelos candidatos a cargos políticos é hoje em grande medida irrelevante em comparação com as campanhas publicitárias baseadas na imagem que eles utilizam para melhorar a percepção dos eleitores. E o custo elevado destes anúncios aumentou drasticamente a importância do dinheiro na política americana – e a influência daqueles que contribuem com fundos.” (Pág. 18)

(...) “É impossível existir uma sociedade civil bem informada sem que esta esteja bem interligada. Embora a educação continue a ser importante, o factor decisivo, actualmente, é a interligação. Uma sociedade civil bem interligada é construída por homens e mulheres que discutem e debatem ideias e questões entre si, e que verificam constantemente a validade da informação e das impressões que recebem uns dos outros – bem como do governo. (Pág. 298)

4/13/2008

ARTE 1



TÀPIES, Antoni, A Prática da Arte, Lisboa, Cotovia, 2002
“O artista é um homem de laboratório. Não é um gabinete de propaganda ao qual se encomende a difusão de arbitrariedades” (Pág. 31).

“O artista de hoje não tem de se dirigir a nenhum grupo humano em particular. O seu esforço deve concentrar-se na obra: conseguir uma obra total, profunda e eficaz.” (Pág. 40)

“Nunca acreditei que a arte tenha valores intrínsecos. Em si não me parece nada. O importante é o seu papel de moda, de trampolim que nos ajuda a atingir o conhecimento. Por isso, parece-me rídículo tudo o que tende “a enriquecê-la” com acumulações seja de que for: cores, composição, trabalho… A obra é um simples suporte (…) artifício para fixar a atenção, para estabilizar ou excitar a mente; e o seu valor tem de ser medido unicamente pelos resultados.” (Pág. 54)

“Em momentos como o nosso, em que predominam por toda a estética as mentalidades dirigistas – frequentemente policiais – em que já é difícil falar de sabedoria, de espiritualidade, de sensibilidade delicada ou da arte de viver sem provocar risadas ou perseguições: a tal ponto chegou a tergiversação dos valores!, o artista verdadeiro tem forçosamente de parecer um marginal, um solitário, um estranho à parte (…) Em momentos politicamente desfavoráveis, os artistas poetas eruditos dos Sung ou dos Ming também nos ensinaram a arte de se afastarem das coisas oficiais e de não colaborarem com o que consideravam inaceitável. Nas suas cabanas solitárias, conservavam a independência longe dos funcionários ao serviço dos antigos ou novos mitos desumanos e, com as suas obras de choque, contrárias a toda a convenção e falso valor, com as suas formas desenvoltas e sem respeito pelas regras ou liturgias, armados apenas com a sua máxima exigência de submissão à natureza das coisas (…) conseguiram transformar e abanar a consciência adormecida dos seus contemporâneos. (…) Virarmos as costas e negarmos muitas coisas de hoje, resistirmos a aceitá-las, por mais prestigiadas e sagradas as auréolas com que nos são apresentadas, é um dever vital. O nosso destino está em jogo: fazer perdurar a ignorância e os falsos mitos, e portanto a opressão, ou procurar o conhecimento e a felicidade. Vale a pena dedicarmos a esta alternativa toda a nossa vida, vale a pena a aventura e o risco de passarmos por sonhadores, e até por loucos – divina loucura! – como foi o caso de alguns artistas chineses, como Mi, o Louco, ou Pa-ta Xan-Jen, que fingiu ser mudo durante quase toda a vida (…) Na realidade tenho a certeza de que esta é a única tradição que devemos aceitar de olhos fechados: a que está na linha da luta perpétua contra a ignorância, luta que foi sempre travada pela sabedoria de todos os tempos”. (Págs. 79,80)

“Mas brincar não significa fazer as coisas “só porque sim”. E como todas as brincadeiras de crianças, os artistas também não fazem as coisas “só porque sim”. A brincar… a brincar em pequenos, aprendemos a ser grandes. A brincar… A brincar fazemos crescer o nosso espírito e ampliamos o campo da nossa visão, do nosso crescimento” (Pág. 94)

Do capítulo “Arte e Funcionários”
“Felizmente o artista dirige os olhos para outro mundo, para outra sociedade e para outras formas mais limpas, não contaminadas nem doutrinadas, com vontade de intervir. Ali onde a sua obra, longe de ser usada como um enfeite na moda. Ou uma purga de “maus pensamentos”, ou um mero instrumento propagandístico de “colheita de louros” possa contribuir realmente para o seu desenvolvimento harmónico, possa servir, juntamente com o trabalho de todos os que lutam nas outras disciplinas humanistas, a mais autêntica libertação e aperfeiçoamento.
Com o passar do tempo fui vendo, mais agora do que nunca, que em todas as épocas – tirando muito raras excepções – o autentico artista, o poeta, o grande pensador tem sempre fatalmente de fugir para o mais longe possível do mundo dos funcionários, quer na China dos Ming, quer na corte de Filipe II, ou na Checoslováquia actual, para mostrar a toda a gente que existe um terreno onde estes jogos, estas intrigas de altas chancelarias se esvaem perante a brancura imaculada da arte que lhe serve de inspiração.” (Págs. 105,6)

“O certo é que sempre haverá quem, de maneira mais inesperada, num recanto de sua casa, servindo-se sabe-se lá de que materiais – dos quais, naturalmente, e para já, os escritores profissionais dirão que não são arte – ou combinando sabe-se lá que espécie de textos – dos quais dirão que não é poesia – ou sons – que para alguns não serão música – poderá chegar a comover mais tarde uma geração. E certas formas que parecem de grande inocência semântica (…) acabam por converter-se, sem que ninguém o tenha conseguido provar, no verdadeiro estilo de uma época. Foi sempre perigosa a tentação, por parte dos que se dedicam à estética, de profetizar demais. As vezes são professores muito cultos que se servem de um aparelho bibliográfico impressionante e que, naturalmente, fazem o papel de inapeláveis diante do grande público. Mas a experiência ensina precisamente o contrário. Geralmente enganam-se. Pretendem encerrar o fenómeno artístico nas malhas das suas análises trabalhadas e demoradas; porém, quando julgam que o conseguiram, já não encontram nada, porque a vida seguiu por outros caminhos, são vítimas da análise. Parecem dar razão àquele personagem de Thomas Mann que dizia: “A análise é boa como instrumento do progresso e da civilização, boa na medida em que destrói convicções estúpidas, dissipa perconceitos e mina a autoridade. Por outras palavras: na medida em que humaniza e prepara os oprimidos para a liberdade. Mas é má, muito má, na medida que coloca obstáculos à acção, prejudica as raízes da vida e é impotente para lhe dar forma. A análise pode ser uma coisa muito pouco desejável, tão pouco desejável como a morte de que na realidade se alimenta.
Esquecem-se precisamente, que o poeta, o artista, o músico e o pensador independente se alimentam sempre, entre muitas coisas, de um estranho fervor rebelde perante qualquer tentativa que pretenda reduzi-los ou classificá-los num qualquer esquema. É uma espécie de necessidade, que parece inerente a todo o artista – está seguramente aqui a matéria primordial do acto criativo – de ludibriar os que esperam que determinada coisa aconteça num determinado momento. É a exclamação de Liszt ao ouvir Chopin: “Surpreendente; nesta passagem tinha de estar inevitavelmente um fá e este homem sai-nos com um si bumol”. (Págs. 129,130)

4/12/2008

ECOLOGIA 1

WEISMAN, Allan, O Mundo Sem Nós, Ed. Estrela Polar, 2002, 2ª ed.
«Se os seres humanos desaparecessem» diz o ornitólogo Steve Hilty, «pelo menos um terço das aves da Terra poderiam nem dar-se conta disso».
(...) "Seríamos literalmente chorados por criaturas que não conseguem viver sem nós porque evoluíram a viver em nós: (...) o piolho do cabelo e do corpo."

4/09/2008

PERFORMANCE 1

GOLGBERG, Rosellee, A Arte da Performance, Lisboa, Ouro Negro, 2007
"A performance passa a ser reconhecida como meio de expressão artístico independente na década de 1970. Nessa época, uma arte que não se destinasse a ser comprada ou vendida estava no seu apogeu e a performance, frequentemente uma demonstração, ou execução, dessas ideias, tornou-se assim a forma de arte mais visível deste período. Surgiram espaços dedicados às artes da performance nos maiores centros artísticos internacionais, os museus patrocinavam festivais, as escolas de arte introduziam a performance nos seus cursos e fundavam-se revistas especializadas."
(...)
"Afinal os artistas não se serviam de performance para pura e simplesmente atrair publicidade sobre si próprios, mas com o objectivo de pôr em prática diversas ideias formais e conceptuais na base da criação arística."
(...)
"Devido à sua postura radical, a performance tornou-se um catalisador na história da arte do século XX; cada vez que determinada escola - quer se tratasse do cubismo, do minimalismo ou da arte conceptual - parecia ter chegado a um impasse, os artistas recorriam à performance para demolirem categorias e apontar para novas direcções. Além do mais, no âmbito da história da vanguarda - refiro-me aqui aos artistas que, sucessivamente, lideraram o processo de rutpura com a tradição - a performance situou-se, ao longo do século XX, no primeiro plano dessas actividades: uma vanguarda de vanguarda.
(...)
Os manifestos de performnce, desde os futuristas até aos nossos dias, representam a expressão de dissidentes que têm procurado outros meios de avaliar a experiência artística no quotidiano. A performance serve para comunicar directamente com um grande público, bem como para escandalizar os espectadores, obrigando-os a reavaliar os seus conceitos de arte e a sua relação com a cultura. O interesse recíproco do público por tal meio de expressão artística, sobretudo na década de 1980, provém de uma aparente vontade de ter acesso ao mundo da arte, de se tornar espectador dos seus rituais e da sua comunidade diferenciada, de se deixar surpreender pelas criações inusitadas, sempre transgressoras, destes artistas. A obra pode ter a forma de espectáculo a solo, ou em grupo, com iluminação, música ou elementos visuais criados pelo próprio performer ou em colaboração com outros artistas e ser apresentada em lugares como uma galeria de arte, um museu, um "espaço alternativo", um teatro, um bar, um café ou uma esquina. Ao contrário do que acontece na tradição teatral, o performer é o artista, quase nunca uma personagem, como acontece com os actores, e o conteúdo raramente segue um enredo ou uma narrativa nos moldes tradicionais. A performance pode também consistir numa série de gestos íntimos ou numa manifestação teatral com elementos visuais em grande escala e durar apenas alguns minutos ou várias horas; pode ser apresentada uma única vez ou repetidas vezes e seguir, ou não, um guião, tanto pode ser feita de improvisaçao espontânea como dar lugar a meses de ensaios. (in Prefácio)
"É a própria presença do artista performativo em tempo real, a "suspensão do tempo" pelos performers ao vivo, que confere a este novo meio de expressão uma posição central.
(...)
A expressão "arte de performance" tornou-se um signo abrangente que designa todo o tipo de apresentações ao vivo - desde intalações interactivas em museus a desfiles de moda altamente criativos ou a apresentações de DJs em clubes nocturnos - obrigando o público e os críticos a deslindarem as respectivas estratégias conceptuais, verificando se estas se enquadram melhor nos estudos de performance ou numa análise mais convencional de cultura popular."
(...)
"No passado a história da arte de performance assemelhava-se a uma sucessão de vagas: ia e vinha (...) Desde a década de 1970, porém esta sua história tem sido mais constante; en vez de de desistirem da performance, após um breve período de envolvimento activo (...) inúmeros artistas (...) têm trabalhado exclusivamente com a performance. (Págs. 281,2)

4/08/2008

HUISMAN, Denis, A Estética, Lisboa, ed. 70, 2008.
“A sociologia do século XX considera a arte com muito mais benevolência. Mas é justamente porque ela não encara a arte como um jogo gratuito, como aquela actividade indigna e estéril que o século XIX via nela frequentemente. Etienne Sourian no seu Avenir de l’ Esthétique notou a semelhança impressionante de arte e da industria, opondo no entanto o “trabalho operário” ao “trabalho de arte” apesar de ambos estarem unidos, tanto na arte como na indústria: quando o operário se contenta com “seguir a máquina” sem gosto, sem apreciação dos resultados, fazendo uma execução rigorosamente profissional, trata-se de um trabalho operário. Mas também o é o gesto “puramente habitual” do pintor que “pela centésima vez “refaz «o lago de Santa Cucufa, no mês de Maio, às dez horas da manhã» porque o empresário lho pede”; mais “operário” ainda do que o “trabalho de arte” do desenhador industrial que tem de fazer uma “obra inovadora”, ou do que o engenheiro dando as suas instruções para a carroçaria de luxo de um “Hispano-Suiza”. Assim, a arte e a indústria devem estar colocadas uma ao lado da outra, na divisão do trabalho social: não diferem pelo “processo, nomeadamente, manual ou mecânico”. Mas a arte é criadora e a indústria é produtora. A arte é, portanto, como que a quintessência da industria, é uma espécie de industria transcendente, isto é, a industria por excelência. Ars, no sentido de trabalhos muito sólidos. A arte dos jardins, a arte do oleiro, a arte do ferreiro, são actividades simultaneamente estéticas e utilitárias. Não se pode aliás destruir a arte sem destruir ao mesmo tempo todas as grandes actividades humanas: pois a arte é substancial a todas as divisões do trabalho social. Não é possível isolá-la. Mas é preciso tentar reconhecê-la onde quer que esteja, fazê-la sair dos seus inúmeros esconderijos. É preciso analisá-la onde se esconde. Como não é possível tentar estudá-la através das suas inúmeras especificações, há que surpreendê-la nas atitudes dos que a vivem, que a sofrem e que a sentem. Renunciando a uma metafísica do Belo, há que tentar uma Psicologia da Arte." (Págs. 80/1)
(…)
“O Belo não tem existência física” dizia Benedetto Croce. O mesmo é dizer que o objecto não conta: só importa o sujeito. Se não se pode conhecer a arte por métodos objectivos, onde se poderá encontrar a sensibilidade estética? Principalmente na psicologia do produtor, do consumidor, do operário e do utente, mas também no estudo dos seus traços de união, o intermediário, o intérprete (seja virtuoso ou negociante de quadros). Noutros termos, trata-se essencialmente de estudar a criação, a contemplação e execução da obra de arte. (Págs. 83)

“O carácter estético de um objecto não é uma qualidade desse objecto mas uma actividade do nosso eu, uma atitude que assumimos em face do objecto” (Victor Basch, citado pág. 83)

“Não sei quem teria dito, nem onde, que a literatura e as artes influenciam os costumes. Quem quer que fosse, é indubitavelmente um grande idiota, é como se alguém dissesse: as ervilhas fazem crescer a Primavera. (Theophile Gautier, citado pág. 114)

4/07/2008

FASCISMO 2


PAXTON, Robert D., The Anatomy of Fascism, London, Penguin Books, 2005
“Can Fascism still exist? Clarly Stage One mouvements can still be found in all major democracies. More crucially, can they reach Stage Two again by becoming rooted and influencial? We need not look for exact replicas, in which fascists veterans dust off their swastikas. Collectors of Nazi paraphrenalia and hard-core neo-Nazi sects are capable of provoking destructive violence and polarization. As long as they remain excluded from the alliances with the establishment necessary to join the political mainstream or share power, however, they remain more a law and order problem than a political threat. Much more likely to exert an influence are extreme right mouvements that have learned to moderate their language, abandon classical fascist symbolism, and appear “normal”.
It is by understanding how past fascisms worked, and not by checking the color of shirts, or seaking echoes of the rethoric of the national-syndicalist dissidents of the opening of the twentieth century, that we may be able to recognize it. The well-known warning signals – extreme nationalist propaganda and hate crimes – are important but insufficient. Knowing what we do about the fascist cycle, we can find more ominous warning signals in situation of political deadloock in the face of crisis, threatened conservatives looking for their allies, ready to give up due process and the rule of law, seeking mass support by nationalist and racialist demagoguery. Fascist are close to power when conservatives begin to borrow their techniques, appeal to their “mobilizing passions” and try to co-opt the fascist following.Armed by historical knowledge, we may be able to distinguish todday’s ugly but isolated imitations, with their shaved haeds and swastiks tatoos, from authentic functional equivalents in the form of a mature fascist-conservative alliance. Forewarned, we may be able to detect the real thing when it comes along.

4/01/2008


Relaciona-te e serás.
Kriu

POLÍTICA 1

WOLFSON, Adam, in AAVV Direita e Esquerda, Divisões Ideológicas do Sec. XXI, Lisboa, Univ. Católica, 2007.
“Se não tivéssemos perdido de vista os fins próprios da educação, se não começássemos a considerá-la como uma forma de expandir os campos da memória e da velocidade de processamento do pensamento, nunca aceitaríamos a engenharia genética como uma ferramenta legítima de educação”
“Nós não estamos a submeter as máquinas à nossa vontade, estamos a lançar-nos para os seus braços” (sem notação de páginas).

GESTÃO 4

António Câmara
(Prémio Pessoa 2006, pela inovação, extractos de entrevista publicada in: aeiou.expressoemprego.pt ; ooh. 20 m.; 2008/04/01 )
Como é que surgiu a Y-Dreams?
Esta empresa resulta de dez anos de investigação em multimédia, realidade virtual e computação móvel no seio da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Ao fim desses dez anos muitas das pessoas do grupo foram convidadas para irem para empresas em Silicon Valley e para universidades americanas. Eu fui como professor visitante para o American Research Institute of Technology durante 98/99. Nesse ano cheguei à conclusão que em muitas áreas, daquelas que eu citei, tínhamos vantagens comparativas e na altura eu pensei desenvolver um laboratório de investigação que rivalizasse com a Medialab. Quando cheguei a Portugal verifiquei que a melhor alternativa era criar uma empresa no seio da universidade. Isto foi em Junho de 2000. Nós iniciámos as operações nessa altura e dois anos depois estamos, de facto, muito satisfeitos com a opção tomada.
O que é que esta empresa traz de novo ao mercado das novas tecnologias?
Nós temos três áreas totalmente novas a nível mundial. A primeira é que nós percebemos que através do telemóvel as pessoas podem ter uma relação com o espaço exterior muito mais próxima e isso significa que os tradicionais sistemas de informação geográfica, que são baseados em mapas da cidade, podem ser substituídos por mapas muito mais refinados, e assim criámos um novo conceito a que chamámos microgeografia em que, por exemplo, um livro numa prateleira de uma biblioteca pode ser georreferenciado. Estamos a estabelecer relações a nível mundial com operadores de supermercados, com as pessoas que estão a criar os novos códigos de barras que vão ser baseados em rádio para trazer toda essa nova abordagem para os utilizadores de telemóvel, de forma que uma pessoa quando está num centro comercial sabe onde é que deixou o carro, sabe onde é que está a loja que pretende e dentro da loja sabe onde está o produto que pretende. Isso vai demorar algum tempo a posicionar-se no mercado mas vai ser uma revolução.A segunda área que nós desenvolvemos, mesmo antes dos telemóveis terem imagem, primeiro com o WAP, mas sobretudo com o Multimedia Messaging Service, foi a de criar ferramentas para processamento de imagem já há dois anos que permitem, por exemplo, visualizar os golos de futebol em telemóveis, ver as imagens do trânsito, ver imagens relacionadas com câmaras de segurança. Novamente criámos uma série de ligações a nível internacional que nos permitem ver o futuro com alguma esperança.Finalmente, nós percebemos que o telemóvel é a primeira ferramenta de interface para algo a que todos nós pertencemos, que são as comunidades. Cada pessoa tem o seu clube, tem um partido, tem uma igreja, tem um grupo de amigos, etc. Portanto está inserido num conjunto de comunidades e nós achamos que o telemóvel vai ser a principal interface da pessoa dessas comunidades. Tem os números à mão, tem os menus à mão, tem tudo o que precisa e o que nós fizemos foi começar a criar esse conceito, de telemóveis para as comunidades. E os telemóveis abrem-se e têm um conjunto de menus que representam as diferentes comunidades a que a pessoa pertence. São estes três conceitos: microgeografia, imagens em telemóveis e telemóveis para as comunidades que são as nossas principais vantagens comparativas desta empresa
Qual é o seu papel?
Eu sou essencialmente o director geral e o meu papel passa por ser o rosto da empresa. Tenho tido um papel preponderante a definir a visão da empresa e fundamentalmente a recrutar pessoas melhores do que eu.
Mas a ideia também partiu de si, não foi?
A ideia partiu de mim mas a melhor coisa que eu tenho feito é recrutar pessoas melhores do que eu.
Video com palavras de António Câmara:

POEMA 2

Eu acendo a beleza das planícies
Faço brilhar as águas,
Queimo-me ao sol, à lua e à luz das estrelas...
Adoro tudo na terra.
Sou a brisa que alimenta todas as coisas verdes...
Sou a chuva que vem do orvalho e que leva as ervas
A rirem com a alegria da vida

Alegremo-nos nós também.

(Abadessa Hildegard, séc. XII)
Se todos nós fizéssemos as coisas que temos capacidade para fazer,
ficaríamos verdadeiramente impressionados connosco mesmo.
Thomas Edison

TEATRO 7




Bonifácio do Paraíso


Texto, encenação e interpretação:
Carlos G Melo

Adereços:
Carlos G Melo e Gabriela Fonseca

Dias: 18, 19 e 25, 26
Abril de 2008 às 22h

Sala Estúdio
Fábrica Braço de Prata

Poço do Bispo
Autocarros: 28 e 755

Reservas: 961472408






3/31/2008

Uma vida programa-se mas não se retoca.
Kriu

Se as pessoas se habituam a fazer aquilo que lhes apetece já não conseguem fazer o que querem
J. P. Abreu

POEMA 3

Gosto de me deitar
sem sono
para ficar
a lembrar-me
das coisas boas
deitada
dentro da cama
às escuras
de olhos fechados
abraçada a mim

(Adília Lopes, in Caras Baratas, Relógio d' Água)

Arquivo do blogue