3/14/2008

TESTEMUNHOS 3

CHOMSKY, Noam, Poder e Terror, Lisboa, Ed. Inquérito, 2003 (compilação de entrevistas)
- Pergunta que muitas vezes passa pela cabeça das pessoas é a relação que há entre o seu trabalho na Linguística e o seu trabalho na Política.
- Não existe qualquer relação directa. (…) Acontece que a linguagem é dos poucos domínios em que pode estudar-se faculdades humanas nucleares, de forma muito intensa e obter resultados para além da compreensão superficial. Isto é extremamente difícil de conseguir na maioria das áreas mas esta é uma daquelas em que podemos consegui-lo.” (pág. 44)

“Simplifico todas as coisas por dizer que “os Estados Unidos actuam por todo o lado como um império do mal”? Sim, isso certamente simplificaria demais as coisas. E é por isso que saliento que os Estados Unidos se comportam como qualquer outra potencia. Acontece que os Estados Unidos são mais poderosos e por isso, como é de esperar, mais violentos. Mas é sempre assim. Quando os britânicos governavam o mundo, faziam a mesma coisa.
Falemos dos curdos. Que fazia a Grã-Bretanha relativamente aos curdos? Vejamos uma pequena história (…) Depois da guerra, conforme resulta de documentos internos secretos, os britânicos estavam a estudar como é que iam continuar a governar a Ásia, agora que já não tinham a força militar necessária para ocupá-la. A ideia que surgiu foi a de se voltarem para o poder aéreo (…) usar o poder aéreo para atacar civis. Calcularam que seria uma boa maneira de reduzir os custos acarretados pelo esmagamento dos bárbaros. Winston Churchill que era então Secretário de Estado das Colónias não julgava que fosse suficiente. Recebeu um ofício do gabinete da Força Aérea Britânica no Cairo pedindo-lhe autorização, e agora vou citar, para usar gás venenoso “contra árabes recalcitrantes” (…). Bem, esse documento circulou por todo o Império Britânico. O Gabinete da Índia resistiu. Disseram de lá: Se se usar gás venenoso contra curdos e afegãos isso vai causar-nos problemas na Índia. (…) Haverá protestos, as populações ficarão furiosas, etc. (…) Churchill ficou indignado com a reacção. E disse:
“Não percebo estes melindres acerca da utilização de gás… Sou absolutamente a favor do uso de gás venenoso contra tribos selvagens… Não é necessário usar apenas os gases mais mortíferos; podem ser usados gases que provoquem grandes incómodos e espalhem o terror e que, no entanto, não deixem efeitos permanentes sérios na maior parte dos atingidos… Em circunstância alguma podemos concordar com a não utilização de quaisquer armas disponíveis para conseguir um mais rápido fim das desordens que preponderam na fronteira. Salvará vidas britânicas. Usemos todos os meios que a ciência nos permite”.
Aí tem, portanto, a maneira como se lida com curdos e afegãos quando se é britânico. Que aconteceu depois? Bem, não sabemos com precisão. E a razão porque não sabemos exactamente é que há dez anos o governo britânico instituiu aquilo a que chamou uma Política de Governo Aberto, a fim de tornar mais transparentes as operações governamentais, a fim de caminhar em direcção da democracia (…). E a primeira acção da Política de Governo Aberto foi retirar dos arquivos públicos oficiais – e presumivelmente destruir – todos os documentos que tivessem a ver com o gás venenoso e do poder aéreo contra os árabes recalcitrantes, isto é, os curdos e os afegãos. Assim, podemos ficar felizes porque nunca saberemos exactamente qual foi o resultado deste pequeno exercício de Churchill.” (págs. 133/136)

3/11/2008

CRITICA 2 She will not live, performance de Hugo Calhim com Joana Von

Uma mulher no fundo de um espaço cénico olha-nos: eis o início de She will not live.
Movimentos, experiências com objectos – poucos – e, no final, é-nos enviado um berlinde virtual que nos dá a vez ou a acção. E digo “finalmente” porque durante a performance somos agarrados pela acção de Joana Von e é esta a qualidade de She will not live: absorve-nos e o que, de início, nos chama a atenção – uma mulher nua e estática olhando-nos do fundo do seu espaço - deixa de ter importância, porque a dita imagem se anula entre as actividades/acções que ela mesma leva a cabo: estar nua, ou pouco vestida, resumir-se-à então a um facto entre os demais.
Esta reificação de um corpo desnudo significa que a performer transmuta a sua nudez ao longo do espectáculo tornando-a parte do seu trabalho, utensílio, apenas. Como se o espectador assistisse ao suicídio de alguém, cuja morte entretanto esquecesse, apesar do suicida continuar na sua frente. Joana continua mais ou menos despida mas…
Porém que faz a intérprete de She will… para se subtrair à nossa devassa, com que nos entretém? Joga, coloca o seu corpo em confronto com objectos quotidianos – molas de pendurar roupa, uma garrafa – e é tudo tão despojado que, no fim do espectáculo, se fica com a impressão de ter assistido a nada. Na verdade testemunhou-se uma transubstanciação, tanto mais difícil quanto se trata, não só de um corpo no seu estado de esplendor físico, como ainda feminino, e logo, desde há milénios prisioneiro de um olhar, o masculino. Mas a transubstanciação dá-se. E, naturalmente em ritual, em absoluto silêncio, entrecortado apenas pelo som do seu próprio fabrico.
She will… trata de um corpo que, de objecto se ergue, através do jogo cénico, a sujeito, libertando-se do seu carrasco, no caso o voyeurismo.
Só o trabalho, entendido como acção sobre si mesmo/no mundo, conduz à autonomia, no caso concreto a da condição feminina, eis a “história” de She will not live, performance que se poderia também chamar “Requiem por um certo “She”.

CRÍTICA 3 Miguel Borges em "A Velha"

Uma personagem muitas personagens – o texto não obriga o intérprete a essa versatilidade – e uma velha que é muitas coisas.
Miguel Borges numa multiplicidade de papéis sem nunca deixar a sobriedade de uma actuação inteligente, cerebral e nada condescendente com histrionismos fáceis.
O dom da palavra, da concisão, do gesto preciso, da elisão dos movimentos inúteis – ou “entretantos” – expressa nas passagens bruscas entre posições, atitudes, máscaras. A condizer com o despojamento do espaço, a sua austeridade ou fisicalidade, isto é, a imposição de um espaço, paredes, canos ou condutas, como símbolo possível de uma comunicação que começa e não acaba, salvo quando a luz fecha, abrindo no entretanto sobre uma velha, um maquinista, uma mulher, algures vista numa padaria – e que por não ter nome – como a velha? – fica vulto – o amigo com que se bebe - e embebe – em vodka, a vizinha, um colectivo, em suma, que circula, mais o manco que pedincha e o gozo dos putos de rua: uma multidão num espaço fechado – como o corpo que finalmente nem existe mas se vê na mala – vermelha – a única cor garrida em cena - uma acusação que ameaça – a de um social alheio a qualquer razão subjectiva e que procurará no protagonista um assassino – mais uma reza escatológica – como deveriam ser todas as conversas com a divindade – num canto da cena, entrevendo um corpo que durante toda a representação se oculta, quer sob palavras-imagens, quer num fato que aperta, e de que mal se liberta – salvo quando evacua - que evoca K., de “O Processo” na versão Wells.
Uma interpretação magistral de um actor em pleno amadurecimento e que, se conseguir não se tornar pivot de um qualquer programa de entertainment ou chalaça, poderá ir onde quiser.

ENTRANHA 9 Cara Estética dos Trezentos...

Se, como se diz, o Teatro reflecte mais do que qualquer outra arte a sociedade, nela se há-de então repercurtir a cara estética das lojas de trezentos.
Explico os motivos assim como os exemplos:
Com a democratização novos grupos sociais tiveram acesso ao ensino e ao consumo. Todavia, descendendo de meios com baixos recursos económicos, nunca tiveram durante a sua infância e mesmo formação – a escola democratica ja foi suficentes vezes associada com uma “caserna” para tornar a referi-lo – acesso a qualquer lugar de luxo ou de maior qualidade. (A escola poderá compensar isto por sucessivas visitas a museus mas todos sabemos hoje que a Escola portuguesa pós 25 de Abril falhou o seu objectivo).
Assim, todas as gerações, duas até á data, criadas na jovem democracia portuguesa tiveram como referencia de serviço publico um restaurante macdonnald’s e por loja de consumo a dos trezentos mais próxima.
Como resultado a estética que impera no teatro hoje é igualmente a das caras lojas de trezentos. Não só porque os criadores que nelas expôem receberam a sua influencia como também porque o publico está disposto a receber tal estética. Além de que todos sabemos quanto o prazer de agradar arrasta para o conformismo o mais bem intencionado.
Assim, tivemos em Lisboa, por vias diferentes mas, por cooincidencia?, ambas as produções em teatros geridos por entidades públicas – o Trindade e o Nacional – duas peças, cuja cenografia é devedora do que aqui chamo “a cara estetica dos trezentos”: Terramoto e Medeia.
Em Terramoto tal estética foi visível na pelintrice bem vestida dos figurinos, na cenografia feita de caixotes, nos fumos mais que vistos e coloridos de vermelho – o vermelho é a primeira cor que vem ao imaginário pequeno-burguês para qualquer coisa de “mais especial”.
Em Medeia nos chão que se ilumina (cujo contributo dramatúrgico é nulo mas contribui para a tal estética do bonitinho) no brilho sintético do sangue, nas canções do coro, cuja música evocava o musical ligeiro (a tragédia grega tinha a emmeleia mas segundo consta o seu estilo era contido e nobre) na utilização, enfim de todo o género de efeitos paradigmáticos das bugigangas que acendem e apagam que alguns emigrantes vendem hoje pelas ruas.
Cara estética de trezentos!

3/09/2008

FÍSICA 1

REEVES, Hubert, Últimas Notícias do Cosmos, Lisboa, Gradiva, 1995
“Mas, repetimo-lo uma vez mais, a imagem de uma matéria inicialmente confinada a um volume minúsculo e propagando-se no espaço vazio envolvente deve ser rejeitada. Se queremos conservar a imagem da explosão, é preciso modificá-la. Imaginemos antes um espaço contínuo em que cada ponto está em explosão. O universo e homogéneoo e não tem centro.” (pág. 69)

“Quanto mais quente estão os corpos mais energiam irradiam. (…) Sendo mais denso e mais quente, o universo do passado deveria ser por isso mais luminoso (…) Que aconteceu a essa brilhante realização que reinava outrora no espaço? É a pergunta que faz então George Gamow. (…) Rumor atenuado do esplendor original só resta hoje nos céus uma fraca radiação, invisível a nossos olhos. (…) Trata-se de uma radiação emitida por um corpo quente a uma temperatura homogénea. Este corpo isotérmico está disperso à escala do cosmos; a radiação provém uniformemente de todas as direcções” (págs. 111/116)

“Esta isotermia trazia uma notícia boa e uma notícia menos boa. (…) A notícia boa situa-se ao nível de um problema espinhoso: a origem das galáxias. A textura do universo contemporâneo é extremamente granular. A densidade média das galáxias é, pelo menos, um milhão de vezes mais elevada do que a do espaço que a separa. Como explicar a passagem do espaço homogéneo antigo para a não homogeneidade contemporânea? Qual é o mecanismo da germinação das galáxias na miscelânea inicial? Como se acumularam estes “coágulos” na matéria primitiva? Em que momento começaram as massas embrionárias a separar-se? Como evoluíram até ao esplendor das espirais contemporâneas? A física propõe uma resposta: o efeito da gravidade sobre a miscelânea inicial. Um coágulo primordial exerce à sua volta uma força de atracção. Obedecendo a este apelo, a matéria vizinha aproxima-se e junta-se-lhe, aumentando a sua massa e a gravidade. O fenómeno amplia-se por si mesmo. É o efeito “bola de neve”. As galáxias teriam nascido assim.
Notemos desde já que, se a miscelânea é perfeitamente homogénea, nada se desagrega. Como o burro de Buridan, cada partícula atraída de igual modo por todas as que a rodeiam, permanece imóvel. Todavia, se por qualquer razão, a matéria de um dado volume vê a sua densidade tornar-se ligeiramente superior ao meio envolvente, então tudo se modifica e regressa ao ponto de partida… No início são necessários germes de galáxias.
A presença destas estruturas embrionárias deveria manifestar-se muito cedo na evolução do cosmos. A radiação fóssil deveria deixar traços. Daí o embaraço causado pela sua extraordinária isotropia. É a notícia menos boa trazida pelas observações de radiação fóssil.
Visando resolver este problema, foi em 1988 lançado um satélite americano a que foi dado o nome de COBE (Cosmic Background Explorer). Os primeiros resultados, publicados em 1990, confirmam com uma precisão espantosa, a sua natureza térmica.
Em Março de 1992 a equipa científica do COBE anuncia a descoberta tão esperada da granularidade da radiação fóssil. São detectadas também variações de temperatura na proporção de uma parte por cem mil, os germes das grandes estruturas estão mesmo lá.” (págs. 118/122).

“Admitamos que a temperatura do universo tenha atingido num passado longínquo um valor superior a 10 mil milhões de graus. (…) Tais temperaturas têm um efeito desastroso nos núcleos. A agitação térmica é tal que a força nuclear não consegue manter-lhes a coesão. Decompõem-se em protões e neutrões. Nesta época o mundo é constituído por uma sopa homogénea de nucleões, entre os quais pululam electrões, neutrinos e outras partículas elementares. Mas nada de núcleos atómicos. (págs. 153/4)


WEINBERG, Steven, Os três primeiros minutos, Lisboa, Gradiva, 1987
Sobre a matéria escura e a sua possível importância na formação dos germes de galáxias S.W. coloca a hipótese de que a dita matéria poderia acelerar a germinação de galáxias, devido ao facto de não perturbar a isotermia dos céu. Verificou-se, com efeito, que a matéria escura funcionaria como bolsas discretas sobredensas que poderiam servir de núcleos de condensação para as futuras estruturas.
Acerca da impossibilidade de isolar quarks livres diz S.W:
“Se a perca de interacção entre dois quarks diminui à medida que se aproximam, deve também aumentar à medida que se afastam. A energia necessária para afastar um quark dos outros num hadrão vulgar aumenta portanto com a distancia e acaba eventualmente por se tornar suficientemente grande para criar novos pares quark-antiquark a partir do vácuo. No fim acabaremos não com vários quarks livres mas com vários hadrões vulgares. É exactamente como tentar isolar uma extremidade de uma corda. Se se puxar com muita força, a corda parte-se mas o resultado final são duas cordas, cada uma com duas extremidades! Os quarks estavam suficientemente próximos no universo primitivo para não sentirem a interacção e se comportarem como partículas livres. Todavia, todos os quarks livres nesta época, à medida que o universo arrefecia e se expandia, devem ter sido aniquilados por algum anti-quark, ou então terem encontrado um lugar de repouso, um protão ou um neutrão. (p. 159)




3/07/2008

FÍSICA 2

DEES, Martin, O Meu Habitat Cósmico, Lisboa, Gradiva, 2002
“Se a matéria estivesse informalmente distribuída ao longo de um espaço infinito (…) uma parte acabaria por se agrupar numa certa massa e a outra parte noutra, de forma a produzir um número infinito de grandes massas, espalhadas a grandes distâncias umas das outras através do espaço infinito. Assim poderiam ser formado o Sol e as estrelas”
Newton, citado a pág. 87.

“A física elementar diz-nos que nenhum “dispositivo calorífico” pode funcionar e nenhuma complexidade surgir se tudo estiver em equilíbrio térmico: tem de haver regiões mais quentes que outras (…) As entidades estudadas pelos astrónomos – como as estrelas e as galáxias – mostram tendência para a diferenciação e a complexidade, da mesma forma que um animal ou uma planta” (pág. 88,9)

TEATRO 12 Olhando a m/ maquilhagem no papel de Avô/Lobo em "Pedro e o Lobo" enc. de Fernando Jorge, Teatro Extremo, Almada, 2008/03/15


ALTERNATIVA 2

In; http://www.ecoblogue.net/index.php?, 20.20 horas de 2008/03 /05
"Mas vão surgindo focos de resistência, um pouco por todo o mundo dito desenvolvido. O “downshifting”, ou “simplicidade voluntária”, consiste num movimento nascido nos Estados Unidos da América, formado por pessoas que aceitam viver com menos. Fartos de jornadas de trabalho que pouco tempo deixam para o lazer e a vida familiar, muitos “yuppies” acabam por se demitir do emprego que os escraviza para aceitar um emprego com uma menor carga horária. O passo que se segue é o “downsizing”, isto é, a redução do consumo. Viver com menos implica para estes trabalhadores mudar para uma casa mais pequena, trocando uma McMansão por um apartamento, trocar de carro e cortar nas despesas supérfluas (jóias, produtos de cosmética, consolas, “home cinemas”, etc.).
Os adeptos da simplicidade voluntária têm de enfrentar os constrangimentos que decorrem de viverem numa sociedade consumista e orientada para o trabalho. Uma pessoa que rejeita o materialismo de forma tão radical será facilmente rotulada como louca ou como membro de uma seita religiosa. É ainda comum estes trabalhadores serem acusados de tentar disfarçar o seu falhanço no mundo do trabalho. Nada que preocupe quem vive a vida com um sorriso na cara, é claro.
Muitos movimentos em todo o mundo foram ainda mais longe, pondo em causa todo o consumo. Os “freegans” (palavra que resulta de juntar “free” - gratuito – e “vegan”) adoptam um estilo de vida baseado na minimização do consumo. Fartos de um sistema económico que é agressivo para com as pessoas, os animais e o meio ambiente, os “freegans” chegam ao ponto de revirar caixotes do lixo, cultivar hortas urbanas e ocupar casas para reduzir ao mínimo as despesas e assim trabalhar o mínimo possível. Associado a este movimento surgiu ainda o “Freecycle” como plataforma para a troca directa de produtos utilizando a Internet ou lojas onde as pessoas podem levar o que quiserem sem pagar no fim.
Para quem ainda não está preparado para viver uma vida de sem-abrigo, existe ainda a opção de criar um núcleo de “compacters” (compactadores), pessoas que se comprometem a comprar apenas os produtos de primeira necessidade, recorrendo a mercados de usados ou de troca directa sempre que possível. O movimento The Compact defende o apoio ao comércio de proximidade, a redução do desperdício e a simplificação das vidas, contando já com dezenas de comunidades nos EUA.
Mais insólita ainda é a “Church of Stop Shopping”, do Reverendo Billy. Regularmente, Bill Tallen e o seu grupo de “acólitos” invadem espaços comerciais cantando músicas religiosas que apelam ao não-consumo. Recriando o ambiente das igrejas evangélicas pentecostistas, este grupo formado por um actor profissional e voluntários apela aos valores cristãos para por em causa de forma sarcástica o consumismo presente na sociedade americana.

A tartaruga ultrapassa a lebre
Outra fonte de resistência à sociedade do consumo é o movimento “slow”, que leva à prática o velho ditado “depressa e bem não há quem”, defendendo uma redução de intensidade no ritmo das nossas vidas como forma de contrariar a lógica alienante do super-stresse. O ponto de partida foi o movimento “slow food”, criado em Roma em 1986 na sequência de protestos contra a abertura de um McDonald's. Em 1999, a cidade de Greve, na Toscana (norte da Itália), tornou-se a primeira "città slow" (cidade lenta), tendo como modelo as comunas italianas do século XII. A moda pegou e hoje há dezenas de cidades na Europa, (inclusive cidades portuguesas) que aderiram a este clube restrito, tendo que respeitar as seguintes regras: não podem circular carros nos centros, não são admitidos super ou hiper-mercados nem restaurantes “fast food”, os alimentos são produzidos localmente, a energia consumida é de origem renovável e a cidade não pode ter mais de 50 mil habitantes.
Na mesma linha de pensamento, a Sociedade para a Desaceleração do Tempo, fundada na Alemanha há 15 anos, promove a reflexão sobre a relação da humanidade com o tempo. Esta sociedade, que reúne milhares de pessoas todos os anos para discutir formas de desacelerar, cunhou até o termo “eigenzeit” (tempo próprio) para traduzir a ideia de que todo o ser vivo tem o seu próprio ritmo. Como forma de exprimir esta ideia, a Sociedade para a Desaceleração do Tempo vende aos seus associados relógios que apenas têm o ponteiro das horas.
Mais divertidos ainda são os japoneses do Clube da Preguiça. Os membros deste clube adoptaram a preguiça como mascote e, tal como a preguiça tem apenas três dedos, também eles têm três princípios: amor, paz e vida. Recentemente, opuseram-se à participação do Japão na guerra do Iraque com o lema “Make slow love, not fast war” (Façam amor lento, não guerra rápida).
No Reino Unido nasceu a Slower Speeds Iniciative, uma iniciativa conjunta de associações cujo fim é defender a redução da velocidade de circulação nas cidades. Forçando os automóveis a circular a velocidades reduzidas não só reduzimos o ruído e melhoramos a segurança rodoviária como melhoramos as condições para o transporte por meios não poluentes, como a bicicleta. Dois designers franceses levaram mesmo à prática este conceito de forma ousada, criando um modelo para um carro lento que pudesse circular no centro de Paris a 15 km/h.

Reclamando o tempo
Não é por acaso que a maior parte dos movimentos anti-consumismo ou pelo direito à preguiça surgem nos EUA. No país onde o capitalismo atinge o seu auge, até o direito a férias está em risco. Segundo a Take Back Your Time, uma associação que luta pelo direito a férias, o tempo de férias médio é mais baixo nos EUA que em qualquer outro país industrializado. Como não existe uma lei que estipule o direito a férias, o abuso é generalizado, pelo que esta associação procura apoios junto da indústria do turismo para pressionar os governantes.
A defesa de vidas mais simples e ritmos de vida mais ajustados às necessidades humanas deveria fazer parte das reivindicações de todo o movimento sindical. Esta não é apenas uma luta secundária protagonizada por adolescentes desiludidos com a vida, é uma prioridade para todos os trabalhadores que vêem o seu tempo a ser usurpado pela máquina capitalista. Defender jornadas de trabalho mais reduzidas, férias maiores e a simplificação da vida é combater a ideologia produtivista que está na base da destruição do planeta.
Quando perguntaram a um líder da AFL-CIO o que queriam os trabalhadores ele respondeu “mais”.
Hoje está na hora de mudar a palavra de ordem para “menos”.


É disto que eu gosto em Lord Young. Vocês apresentam-me problemas. Ele apresenta-me soluções.
Margareth Thatcher
Não sou suficientemente novo para saber tudo
J.M.Barbie

3/02/2008

TESTEMUNHOS 3

Mitos:
Camarão, Africa:
O céu estava tão perto da terra que os homens o comiam e tinham de andar curvados. Mas um dia uma jovem resolveu pilar o milho e perguntou ao deus do céu: não te poderias chegar um pouco para lá? De facto quando ela levantava o pilão batia com ele no céu!
O céu fez-lhe a vontade mas a partir daí o deus nunca mais visitou a terra

India (hindu)
Um ovo de ouro que surgiu no vazio e deu origem aos criadores.

Indios da América do Sul, Colombia
No começo era o mar. Não havia nem sol nem animais... nada.

Caldeia, Babilónia 2500 AC
A água suporte comum do céu e da terra.
Uma montanha vazia flutua sobre o oceano.
O vazio é o país dos mortos, sob a abóboda celeste circulam os astros, o sol no seu carro chega pela parte oriental e desaparece pelo poente, retomando a sua posição diurna através de uma caverna.

Egipto, 2000 AC
O céu é sustentado por 4 pilares elevados, as estrelas suspensas a cabos iluminam a noite, o deus Ra circula com o Sol numa barca.

China, 1700 AC
O mundo é um carro no qual a terra, quadrada, constitui a caixa. O céu a tampa.
Quatro muros rodeiam a terra. Alem deles vivem seres fantásticos e deuses. No cimo habita o Senhor no nono andar. A face interior, plana, repousa sobre oito pilares.

FÍSICA 3

BARROW, Jonh D., 2005, Impossibilidade – Limites da Ciência a Ciência dos Limites, Lisboa, ed. Bizâncio.
“Nos últimos anos foi identificado uma forma importante de composição complexa (…) Exibe um tipo de comportamento que se tornou conhecido como sistema criticamente auto-organizado (Self organizing criticality – SOC). (…) É um estado complexo organizado (…) criado por um encadeamento de eventos (…) que, considerados individualmente, são caoticamente imprevisíveis. (págs. 197,8) (Exemplo que Barrow apresenta: a pirâmide de areia que, quando se lhe junta mais grãos, provoca avalanches de outros grãos, mantendo sensivelmente o mesmo declive).

“A nossa experiência com sistemas complexos diz-nos que eles mostram uma tendência para se organizarem em estados críticos muito sensíveis, que permitem que pequenos ajustamentos produzam efeitos compensadores em todo o sistema. Consequentemente são imprevisíveis no pormenor. Se se tratar de grãos de areia ou de pensamentos que estão a auto-organizar-se o movimento seguinte é sempre uma surpresa” (pág. 342)

A propósito da questão de saber se o nosso universo se expande ou contrai:
“Um universo crítico possui um equilíbrio exacto entre a energia de expansão e o impulso gravitacional da matéria no seu interior. Nos universos “abertos” a energia da expansão ultrapassa o impulso gravitacional, enquanto nos universos “fechados” a gravidade prevalece.” (pág. 237)
O difícil é aquilo que pode ser feito imediatamente, o impossível é o que leva um pouco mais de tempo"
George Santayana

3/01/2008

POEMA 6

(...)
Como um sonho é esta tarde que tomba
e o nevoeiro que nos ramos se espessa
Com o frio perene das sombras.
E eu não sei se caminho por este cemitério
que é real no alto deste monte
com caminhos de candeeiros já acesos
ou se caminho pelos trânsitos quotidianos
da gente de lá fora
ou pelo cemitério indiscutivelmente real
do meu coração.
Se por acasao também eu sou somente
a máscara inventada da vida
por onde falam os mortos.
Não sei. Do que tenho agora apenas
alguma certeza é que sou um homem
que veio até aqui
para pôr flores no seu próprio túmulo
e que dá um passo e diz: Já está!
(extracto de "Um Mundo Apócrifo" de Diego Doncel, in Em Nenhum Paraíso, Lisboa, Averno, 2007)
Não sou cruel nem romântico, apenas não tenho ilusões a propósito de mim mesmo.
Gottried Benn

2/28/2008

FÍSICA 4

REEVES, Hubert, Ciência dos Átomos e das Galáxias, Lisboa, Gradiva, 2008
“No imenso calor do Big-Bang, as reacções de criação e aniquilação de pares, parecidas com as que criamos em laboratório, eram omnipresentes e inumeráveis. Consequentemente nos primeiros tempos do universo, as populações de partículas de matéria e de anti-matéria deviam ser estritamente iguais. Contudo, ao longo do arrefecimento, durante os primeiros micro-segundos do cosmos, produziram-se fenómenos chamados de “transição de fase”. (…) Estas transições de fase deram origem a um pouco mais de matéria. (…) Então a matéria, arrefecida pela expansão, deixou de estar suficientemente quente (já não tinha suficiente energia) para engendrar novas criações de pares. (…) Pelo contrário, as aniquilações de pares, que não exigem energia, mas ao contrário libertam bastante, continuavam a produzir-se. Assim, em seguida, cada partícula de anti-matéria pôde encontrar um parceiro de matéria e aniquilar-se com ele. A anti-matéria desaparece do universo neste período. (…) Mas, e reside aqui o ponto crucial, o minúsculo excesso de matéria produzido anteriormente não pôde encontrar parceiro para se aniquilar (…) E foi deste pequeno excesso que o nosso universo se formou. (Págs 148,9)

“Um quark é uma partícula que não suporta a solidão. Deve estar sempe rodeada de outros quarks. Quanto mais se tenta afastá-lo dos seus vizinhos, mais aumenta a força que os atrai, é impossível isolá-los” (pág. 157)

“A presença de um buraco negro colossal no centro de uma glaxia parece ser um fenómeno universal. As duas estruturas terão aparecido simultaneamente, sem que saibamos precisamente como isso se passou. Supomos que uma parte da matéria da galáxia em formação não se põe em órbita circular, mas recai ao centro, formando assim o buraco negro. Este colapso provoca a emissão de potente radiação energética (o quasar) descrito precedentemente. Mas quando a galáxia completa a sua formação, o fluxo de matéria que se dirige para o buraco negro diminui progressivamente (…) Se não houver outros acontecimentos a estimulá-lo ocasionalmente, apagar-se-à” (págs. 91,2)

“Simplificando eis o que diz a teoria da relatividade geral: a massa dos objectos modifica a geometria do espaço em volta deles. Esta deformação manifesta-se sob a forma de uma curvatura local do espaço. Esta curvatura influencia os movimentos dos corpos neste espaço. Um exemplo: a curvatura do espaço provocada pela massa da Terra constrange a Lua (e todas os satélites artificiais) a girarem em volta do nosso planeta em vez de escaparem em direcção aos espaços” longínquos. Esta curvatura é a corrente que os retém presos. Na realidade, pode-se exprimir a situação da seguinte amneira: a Lua desloca-se sobre carris imateriais, curvados pelo campo de gravidade terrestre, que a trazem sem fim sobre a mesma órbita. (…) A analise da radiação de fundo mostrou que, à escala do universo observável, o espaço cósmico não tem curvatura. (Pág. 127)

Einstein: Não me diga que a Lua não existe quando não estou a olhar para ela!
Bohr: Como quer que saiba? (citado pág. 134)

2/27/2008

TEATRO 13 Teatro de "baba e ranho", a partir de duas peças: Amador e Stabat Matter, exibidas pelos Artistas Unidos, de Lisboa


As peças Stabat Matter e o Amador configuram aquilo a que chamo teatro de "baba e ranho". Explico:
1. As personagens deste género dramático apresentam-se num estado de desespero.
2. Este desespero surge numa forma circular, isto é, nunca é explicada uma razão social/económica/política para esse facto psicológico, pelo que o desespero se alimenta, por fim, de si mesmo.
3. As razões do desespero - quando surgem - são sempre do foro psicológico, devidas à psique do Outro, em regra um "Ele/a(s)" ausente.
4. O Espectador(a) serve de confessor, tornando-se no ouvinte privilegiado do "caso" da personagem (o dispositivo espaço italiano acentua a função voyeurista do público).
6. Este teatro, devedor do big brother, espelha uma sociedade que tudo traduz por razões psicológicas: a casa do brother é um universo de psiques auto-suficientes, para as quais a dimensão económico/social e política se reduz a um "Ele" distante: fornece, filma, vigia, premeia e castiga os habitantes da Casa e nunca se explica/justifica.
Em Amador o protagonista – crítico de teatro - barafusta contra um determinada dramaturgia que apelida de “morta”, fazendo entretanto a apologia do teatro “vivo”, lá onde sucede a vida e a morte. Ao mesmo tempo, no seu próprio lar, ocorrem actos de vida e de morte de que o protagonista se alheia. O cruzamento de ambas as realidades resulta num elogio da cena a que o Espectador(a) assiste, cheia de gritos, exaltações, baba e ranho, em suma. E é aqui que a peça se fecha, ao desligar a personagem do social/político que a produz, fazendo-a agir num circuito fechado: o desespero aumenta o desespero, as lágrimas chamam as lágrimas e o Espectador(a) assiste, do princípio ao fim, a desabafos e confissões. É verdade que a personagem acusa uma certa estética como causa da sua irritação. Mas nada explica a existência dessa mesma estética e a sua filiação é simplesmente atribuída a um "eles".
Em Stabat Matter uma mulher reclama contra uma ausência. E que diz? Lamenta-se e enfurece-se contra alguém que falta ao encontro. São cinquenta minutos de verborreia contra o Outro e esta revolta é-o contra um "Ele", cuja ausência é linguísticamente dupla, pois o pronome pessoal da terceira pessoa, “Ele”, denota já, como se sabe, uma ausência. No final a mulher irá embora, depois de confessar o seu "caso", castigando com a sua partida a dupla ausência, a do tal "Ele" que também nunca chegou.
Esta atribuição da culpa a um "Ele(s)" consubstancia o conhecido processo da vitimação: “Eles” - o mundo, a sociedade, os mandantes, o Outro, enfim, são os culpados do mal da personagem que se apresenta como lugar de sofrimento, cuja expressão se esgota em si mesma.
E resta então chorar baba e ranho, lamentar/confessar a sua impotência no “ombro” do Espectador, expressando um mal nunca fundamentado económico/social ou politicamente. (Em Stabat Matter a certa altura chega a dar a impressão que o “mal” está na sexualidade do tal “ele”!)
A projecção da figura do "inimigo" num “Ele” identifica-se com os que citam o governo como o universo de um mítico “Eles”.
Numa tal visão, a sociedade divide-se em duas castas sem ligação, embora as “vítimas” elejam periodicamente os respectivos “carrascos”: de um lado “Eles”, os “maus”, na outra um "Eu” choroso e vitimado. A união de vários "Eus" para constituir um "Eles" alternativo não surge nunca como hipótese possível.
Trata-de, pois, de duas peças – Amador e Stabat Mater - filhas directa da sociedade big-brother ou do “jornalismo popular” onde, à semelhança da célebre casa, tudo se dimensiona no psicológico, esvaziado do seu contexto económico/político.
O teatro de “baba e ranho” agrada tanto mais quanto satisfaz o universo pequeno-burguês – a sociedade ocidental tornou-se, para o bem e para mal, pequeno-burguesa – preso, por antecedentes ainda recentes no tempo, ao campesinato, ao seu atávico conservadorismo e intervenção social sempre historicamente epidérmica e sem grandes perspectivas.
E todavia a Terra muda…
CGM

2/26/2008

FUTUROLOGIA 2

BROCKMAN, Jonh, coord, Grandes Ideias Impossíveis de Provar, Lisboa, ed. Tinta da China, 2008.
Danniel C. Dennett:
“Acredito, mas não posso ainda prová-lo que a aquisição de uma linguagem humana (oral ou gestual) é uma pre-condição necessária para a consciência – no sentido de existir um sujeito, um “eu”, um “algo que seja como ser aquilo”. Daqui decorreria que os animais não humanos e as crianças pré-linguísticas (…) não são realmente conscientes, neste sentido profundo: não existe ainda um sujeito organizado que seja o usufruidor ou o sofredor, alguém que seja o proprietário de experiências, por comparação com um mero locus cerebral de efeitos” (pág. 156)
Robert R. Provine:
"Em vez de nos perguntarmos se outros animais são conscientes, ou se têm uma consciência diferente da nossa, mais ou menos elevada, não deveríamos antes perguntarmo-nos se o nosso comportamento não estará sob um controlo semelhante ao deles?" (pág. 180)
Alex Pentland:
"Pode ser útil começar a pensar nos seres humanos como detentores de uma mente tribal, colectiva, para além das suas mentes pessoais" (pág. 190)
Irene Pepperberg:
"O trabalho nos neurónios-espelho, isto é, neurónios que disparam ambos quando um deles exerce uma determinada acção e quando um observa o outro a executá-la - ao longo da ultima década forneceu provas intrigantes (embora não sólidas) que fundamentam as origens gestuais da fala" (pág. 191)
Brian Godwin:
"Acredito que a natureza e a cultura podem ser entendidas como um processo unificado" (pág. 204)

1/13/2008

POLÍTICA 1

WOLFSON, Adam, in AAVV Direita e Esquerda, Divisões Ideológicas do Sec. XXI, Lisboa, Univ. Católica, 2007.
“Se não tivéssemos perdido de vista os fins próprios da educação, se não começássemos a considerá-la como uma forma de expandir os campos da memória e da velocidade de processamento do pensamento, nunca aceitaríamos a engenharia genética como uma ferramenta legítima de educação”
“Nós não estamos a submeter as máquinas à nossa vontade, estamos a lançar-nos para os seus braços”

BIOLOGIA 3


RIDLEY, Matt,
Genoma, Autobiografia de uma Espécie em 23 Capítulos, Lisboa, Gradiva, 2001.
"A mente conduz o corpo (pág. 166)
”A serotonina encontra-se ricamente presente nos macacos dominantes e muito mais diluída nos cérebros dos subordinados. Causa ou efeito: parece razoável que o comportamento dominante resulte do produto químico, e não vice-versa. Acontece que é o contrário: os níveis de serotonina respondem à percepção pelo macaco da sua posição na hierarquia, e não vice-versa.” (p.180)
“O corpo humano contém, aproximadamente, 1000 biliões (milhões de milhões) de células, a maioria das quais têm menos de um décimo de um milímetro de diâmetro. Dentro de cada célula existe uma massa negra chamada NUCLEO. Dentro do núcleo estão dois conjuntos de genoma humano (com excepção dos óvulos e dos espermatozóides que têm uma cópia cada um, e dos glóbulos vermelhos que não têm nenhum). Um conjunto do genoma vem da mãe e o outro do pai. Em princípio cada conjunto inclui uns 60 000 – 80 000 GENES nos mesmos 23 cromossomas. Na prática existem diferenças pequenas e subtis entre as versões paternas e maternas de cada gene, diferenças que explicam, por exemplo, os olhos azuis ou castanhos. Quando nos reproduzimos, transmitimos um conjunto completo, mas apenas depois de termos trocado pedaços de cromossomas paterno e materno num processo conhecido como RECOMBINAÇÂO.
Imaginemos um livro chamado CROMOSSOMA.
Cada capítulo contém vários milhares de histórias, chamadas GENES.
Cada história é feita de parágrafos, chamados EXÕES, que são interrompidos por anúncios chamados INTRÕES.
Cada parágrafo é feito de palavras, chamadas CODÕES.
Cada palavra é escrita com letras, chamadas BASES.”
(págs. 13/14)

Arquivo do blogue