6/14/2010

Texto publicado no site da Escola Fernão Mendes Pinto de Almada (adaptação)





“Mauern”, “Falo…” e “Rei Ubu”  no teatro Extremo

No dia 17 de Junho pelas 21.30 H será possível ver no Teatro Extremo, Rua Serpa Pinto, em Almada (Velha) o produto do meu trabalho artístico, assessorado dramaturgicamente pela Profª Lurdes Cruz, levado a cabo no ano lectivo de 2009/2010 na Escola.  

A sessão começará com “Mauern” (...) depois do qual estreará “Falo… Falas… Falamos? Exercício teatral sobre a linguagem e as suas silábicas questões” e, finalmente, “Rei Ubu”, de Alfred Jarry (extractos). 

 “Falo… Falas…” marcará a estreia do Grupo de Teatro Multicultural, cuja actividade se iniciou em Janeiro de 2010.

(...) eis algumas pistas de leitura, justificadas aqui pelo contexto pedagógico em que foram criadas:

1. “Mauern”: comecei a investigar o material que serviria de fundamento a “Mauern” em Junho de 2009. Mas decisiva foi a minha estadia em Agosto último, em Berlim, através de uma bolsa de estudo do Goethe Institut de Portugal, que me permitiu a descoberta da lápide que assinala, na Zimmerstrasse, o local onde agonizou Peter Fechter.
“Mauern” não é a primeira obra dedicada a Peter Fechter: logo após o seu assassínio diversos artistas lhe dedicaram obras e, na semana seguinte à da sua morte, realizou-se um concerto evocador do jovem de 18 anos que, ferido junto ao muro de Berlin quando tentava passá-lo, gritou por socorro cinquenta e um minutos, antes que as autoridades permitissem (tarde demais) socorrê-lo. Mauern é, pois, uma obra sobre a impiedade humana e, neste sentido, toda a violência que a peça possa expressar nunca excederá aquela – bem real – que lhe deu origem. 

Na construção dramaturgica de “Mauern”, além de escritos meus e do prólogo de autoria de Lurdes Cruz, utilizo textos de Goethe (alheio ao “consome e deita fora” ou exacerbação da “originalidade”, gosto de citar adereços/personagens das minhas obras anteriores: em “Mauern” reaparece o cão-Mefistófeles  do “Fausto”), assim como um extracto do “Despertar da Primavera”, de Wedkind, e ainda citações de Schiller e Lutero. Estes ingredientes constroem, sobre a tragédia de uma morte – a de Pet – o percurso de uma mãe -  Grete – em busca da sua criança desaparecida.  
No final o Coro dirá a Grete, que chora caída no chão: “Grete, steh auf!” (“Grete, levanta-te!”) enquanto avança direcção ao “muro”: um tal epílogo diz-me a mim, seu arquitecto, que ainda acredito na vitória do esforço humano.


2. “Falo… Falas… Falamos? Exercício teatral sobre a linguagem e as suas silábicas questões” corresponde a uma proposta para que tratasse a multiculturalidade presente na Escola, onde existe um número elevado de diferentes nacionalidades
A peça começa num tempo em que o humano mal se expressa - mas logo inventa a roda - e procura, através de breves quadros, transmitir os diversos usos da linguagem: o dar nomes às coisas, a aprendizagem da frase, no caso um poema de Camões, a sua utilização em diversos registos, a linguagem como ferramenta argumentativa (luta por um objecto) anestésica (quadro da canção de embalar) a fala-manipulatória – “Tu ficas com o papá!” -  a linguagem, enfim, do discurso político. Por último, as palavras amorosas, ou o encontro da “alma gémea”, o qual tudo apazigua, com a peça a voltar ao principio, embora noutro patamar evolutivo, dando entrada aos bebés que aprendem a falar e a fazer a roda. 
“Falo…Falas… “ procura explicar as diferenças culturais partindo da própria linguagem.  

3. “Rei Ubu” de Alfred Jarry (extractos)
A escolha dos extractos obedeceu à razão da sua encenação: trata-se do texto que o “Festival Studantesco Lingue in Scena” de Turim colocou como obrigatórios aos grupos participantes.
Talvez o caminho mais fácil para encenar “Ubu” seja o do grotesco, tirando partido da expressão desbragada das personagens.  
Não foi a opção.
Achando que “Ubu”, na sociedade de raiz democrática ocidental, é todo aquele que sonha elevar-se materialmente acima dos demais – quantos semanalmente vêem o euromilhões como uma solução de vida? – a encenação faz do personagem “Ubu” um cidadão comum: daí que o Poder surja cenicamente sustentado pelo sofrimento daqueles sobre os quais ele se eleva.
Mas o sonho embala o humano e, no final, o casal “Ubu” iguala qualquer par romântico que idealiza a sua estrada.
Homo hominis lupus?

Propositadamente falei até aqui das opções dramatúrgicas das três peças mas  não da forma que as embrulha ou… embala.
(...)
Quais são, pois, as minhas preferências estéticas, sob que roupagens gosto de vestir as obras que faço?
O meu trabalho cénico fundamenta-se no labor do actor (concordo com Grotowski quando diz que o teatro é apenas o que se passa entre um actor e um espectador) e, em cena, tudo o mais me parece circunstancial, ou de evitar. “Teatro nu”, portanto, para não lhe chamar “Pobre” como dizia o referido Grotowski. Não me lembro de colocar um disco a servir de banda sonora numa das minhas peças (é fácil reunir créditos à custa de excepcionais gravações) e, mesmo o nu, chamariz fácil de tanta obra, foi em “Mauern” que senti pela primeira vez a sua inapelável necessidade: como apresentar doutra forma a força energética (Baal?) que ri de todas as fardas, senão vestindo o personagem que a encarna apenas com a única veste de que, de facto, não nos podemos ver livres: o próprio corpo humano? (Por razões pedagógicas (?) este nu, todavia, não foi apresentado no contexto da Escola.)
Teatro essencial?
Teatro de facto nu?
(...) O espectador mais atento encontrará decerto outras pistas e, porventura, até contraditórias com as que sugiro. Pessoalmente gosto da contradição: a ela devemos a vida.
(...)
Nota: "Mauern" e "Rei Ubu" estrearam no "Festival Studentesco Lingue in Scena de Torino 2010".
"Mauern" é a versão original (em alemão) de "Muros", apresentado na Quinzena da Juventude de Almada em Março último.


Carlos Gouveia Melo
(Encenador/dramaturgo assistente na Escola Secundária Fernão Mendes Pinto)

6/12/2010

CAPITALISMO 24



COLLIER, Paul. Os Milhões da Pobreza – Porque os países mais carenciados estão a ficar cada vez mais pobres – Qual a verdadeira chave para o seu crescimento. Lisboa: Casa das Artes, 2010  (ca. 260 pp. e 15 euros)


“A esquerda tem de ultrapassar a autoflagelação e as idealizações (…) os países dos últimos mil milhões não existem para serem cobaias de experiências socialistas; têm de ser ajudados a continuarem no caminho da construção de economias de mercado. (…) Presentemente, o apelo da esquerda é feito pelo livro de Jeffrey Sachs, O Fim da Pobreza (…) penso que ele exagerou na importância da ajuda externa (…) a direita (…) tem de reconhecer que a actividade privada dos mercados globais pode, por vezes, gerar nos países mais pobres problemas que necessitam de soluções de âmbito público” (p.241)

“O processo político dos países dos últimos mil milhões não se caracteriza pela serenidade e tranquilidade do processo político das democracias ricas, mas sim por uma perigosa disputa entre dois extremos de moralidade.
(…) o nosso apoio à mudança pode ser decisivo. (…) mas necessitamos não apenas de uma abordagem mais inteligente à questão da ajuda externa mas também de acções complementares que recorrem a (…) políticas de comércio externo, estratégias de segurança, alterações nas nossas leis e novas cartas internacionais” (p.242)

6/10/2010

BIOGENÉTICA 1


HARRISON, Keith,  O Nosso Corpo – O Peixe que Evoluiu. Lisboa: ed. Presença, 2009 (Ca. 187 pp. e 13 euros)

"Por que motivo temos costelas por cima do peito e por cima do estômago, não? Por que razão os nossos cotovelos e joelhos dobram em sentido opostos (...) Este livro propõe-se responder a estas e outras questões” 
(prefácio)

“Ter todos os órgãos sensoriais concentrados na cauda não tem grande valor evolutivo. Um animal precisa de saber que está prestes a rastejar para dentro da boca  de um predador, não que acaba de entrar nela” (p.14)

“A terra tem cerca de 4 550 000 000 (quatro biliões e quinhentos e cinquenta  milhões) de anos. Se comprimíssemos todo este tempo no espaço de um ano e determinássemos que a Terra teve o seu início a 1 de Janeiro e que hoje é o dia 31 de Dezembro, os primeiros seres microscópicos teriam surgido por volta do dia 1 de Março mas os peixes – os primeiros invertebrados – só teriam aparecido no dia 21 de Novembro (…) Os anfíbios teriam aparecido a 2 de Dezembro, seguidos pelos répteis a 8. Os mamíferos no dia 13 e os dinossauros um pouco depois da hora do lanche do dia 26. Os humanos só teriam chegado na noite de 31, há poucas horas” (p.15)

“Se uma planta tivesse as características do Homo Sapiens, seria vista como uma erva daninha (…) Nós somos as maiores ervas daninhas da Terra.  
Talvez isto se deva ao facto de não termos evoluído como uma espécie global. Só recentemente adquirimos esta noção da espécie e, mesmo assim, ainda não temos uma visão inteiramente global do mundo. Para muitos de nós. «o mundo» está para lá da linha do horizonte. (…) Concentramo-nos no ambiente que nos rodeia e em contribuir para os objectivos da nossa cultura local e não nas necessidades da cultura internacional. (…) Somos por natureza uma espécie provinciana; mentalmente ainda vivemos em aldeias e a nossa inteligência é normalmente utilizada para acumular conhecimentos, não para avaliar o que eles nos podem dizer” (p. 150)

“Já foi até sugerido que devíamos parar de falar de inteligência, visto que é  praticamente impossível encontrar definições, mas agora já é demasiado tarde para isso” (p.151)

5/29/2010

SOCIOLOGIA 5


RAMO, Joshua Cooper, A Era do Imprevisível. Lisboa: Oficina do Livro, 2010 (Ca. 270 pp. e 16 euros)

“acreditar que o triunfo da democracia e do capitalismo é inevitável deveria afastar de imediato de um cargo sério em politica externa.
(…) numa era em que muitas das forças mais dinâmicas da sociedade vêem de fora dos círculos das elites, de tipos estranhos que outrora teriam sido considerados «falhados», uma tal abordagem é um erro de proporções catastróficas” (p. 44)

“nós podemos agir. Não nos limitemos a ser passivos. Podemos escolher o que fazer e não fazer. Não temos de aceitar o que nos estão a dizer, sem o pormos em questão. Não deixamos, nem podemos deixar, que as mesmas pessoas que nos colocaram neste desastroso desalinhamento em relação ao nosso mundo, nos arrastem ainda mais para o perigo. Mas mudar as coisas exige que, de facto, ajamos. A linha entre as nossas vidas e o mundo é mais permeável do que nunca. (…) Neste momento estamos na história” (p. 253)

5/28/2010

CAPITALISMO 23

BECERRA, Santiago Niño, O Crash de 2010. Lisboa: ed. Planeta, 2009 (Ca. 205 pp. e 17.50 euros)

“Os sessenta e oito anos do período 1748-1815 devem ter sido atraentes, fascinantes, mas por sua vez também terríveis, violentos e instáveis. Esses anos englobam uma crise de final de sistema e embora na crise de 2010 o sistema capitalista não vá terminar, irão verificar-se mudanças profundas como consequência dela. De resto, os tempos que estamos a viver assemelham-se, no que respeita a significação sistémica, aos anos do sec. XVIII em que se definiu a estrutura que se desenvolveu no novo sistema, no capitalismo” (p. 168)

“ (…) prevalecerá a ideia da reutilização, o conceito de barato, de outlet, de feiras, de útil, em conclusão, tanto  porque as quantidades de recursos vão ser escassos quanto porque os rendimentos individuais médios vão sofrer um importante retrocesso, ao mesmo tempo que a capacidade de endividamento pessoal praticamente desaparecerá.
(…) A criação de novos elementos vai ser cada vez mais difícil e por isso será preciso tirar partido de tudo o que existe; essa será a ideia fundamental desse período, a ideia que pode ser resumida numa frase «o necessário é o importante».”  (pp. 120,1)

5/12/2010

“Não posso dar-vos uma formula à prova de fogo para o sucesso, mas posso dar-vos uma para o fracasso: tentem agradar sempre a toda a gente”
Herbert B. Swope (vencedor prémio Pulitzer)

5/10/2010

POEMA 19 Fonte II, por Herberto Hélder




No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor

                                                                    Herberto Hélder

5/07/2010

CLANDESTINIDADE 1 - NOTÍCIAS



- Em Março último a minha peça “Muros” (com prólogo de Lurdes Cruz) estreou-se na "Quinzena da Juventude de Almada", levada a cena pelo Grupo de Teatro da Escola Secundária Fernão Mendes Pinto. Este grupo, desde 2009 sob minha direcção artística, recebeu, ainda em 2009, o prémio Almada Terra de Mérito, em sinal de reconhecimento pelo trabalho artístico desenvolvido dentro e fora do concelho.

- Muros em versão alemã (Mauern) apresentou-se no Festival “Lingue in Scena”, em Turim – Itália - no dia 2 de Mai de 2010.

- O meu extracto da peça Rei Ubu, de Alfred Jarry, estreou-se no mesmo festival no dia 3 de Maio.

- Mauern apresenta-se pela segunda vez em Turim no Student Performing Festival em 8 de Maio de 2010.

O público é unânime em concordar que Mauern é uma peça muito violenta.
O facto não deve admirar: Mauern tem por leit-motiv a morte de  Peter Fechter, a quem a peça é também dedicada.
Para quem não se lembre, Peter Fechter foi uma das vítimas do muro de Berlin. Atingido a tiro ao tentar atravessar o muro, Peter Fechter gritou por socorro durante 51 minutos, sem que ninguém o socorresse.
Fechter esvaiu-se em sangue à vista de todos.
Tinha 18 anos.










4/30/2010

HISTÓRIAS DE FILMES por Nair Lúcia de Britto

FOI APENAS UM SONHO
(Revolutionary Road) de  Sam Mendes – 2008 – EUA/Inglaterra)

“Revolutionary Road”  é o nome do lugar onde um jovem e bonito casal vai morar com seus dois filhos. Ela se chama April (Kate Winslet) e ele, Frank (Leonardo DiCaprio).

A casa onde residem é um chalé simples, mas amplo e confortável. Ao redor, muitas árvores que tornam o local pitoresco e agradável...
Ambos mantém uma boa convivência com os vizinhos e têm uma vida, de certa forma, tranquila; se não fosse a insatisfação pessoal que os perturba por motivos distintos.

April é uma atriz que, não suportando seu fracasso no teatro, desiste da carreira para se dedicar  às tarefas do lar e aos cuidados com os filhos. Mas a frustração como atriz torna-a uma pessoa intolerante e mal-humorada. Frank, por sua vez, detesta o seu trabalho burocrático na mesma empresa onde seu pai trabalhou toda sua vida. Ele sonhava algo diferente no campo profissional, mas não sabia realmente o quê.


A insatisfação pessoal que ambos experimentam começa a interferir no relacionamento amoroso do casal que não consegue mais conversar, sem transformar qualquer diálogo numa briga, sempre improdutiva.
Aborrecido com o clima pesado no lar, no dia do seu aniversário Frank resolve sair com uma colega de trabalho, com quem desabafa sua angústia. A traição, porém, lhe causa um imenso remorso, quando ele chega em casa e April, carinhosamente, o recebe com uma festa...
A supresa preparada para o marido surgiu ao rever as fotos do início do casamento, quando eram felizes.
Ansiosa por recuperar a felicidade perdida, April propõe ao marido deixar tudo para trás e recomeçar uma vida nova em Paris.


(...)


a idéia de mudar-se para Paris faz o rosto de Frank iluminar de alegria. April fica contagiada pelo entusiasmo dele; e se apressa em tomar as providências devidas.
Mas o projeto fica seriamente comprometido com a súbita promoção de Frank no emprego e a perspectiva de um terceiro filho...


Pensando de forma sensata, Frank quer desistir da viagem e explica seus motivos; ansiando para que April o compreenda. Só que, para ela, o sonho de morar em Paris transformara-se numa obcessão, que a conduz à uma trágica loucura.

Viúvo, solitário e infeliz, Frank acaba por se dedicar exclusivamente ao trabalho e aos seus dois filhos...
                                                   


A reflexão que se faz desse filme é que é preciso discernir sobre a diferença que existe entre o sonho e a obstinação. Como disse o escritor Fernando Sabino: “Cada um tem o direito de ser o dono do seu sonho.” Mas sem jamais prejudicar alguém.
Nenhum casamento é um mar de rosas. A escolha certa do parceiro é o que é mais importante. Depois, ter a sabedoria de superar as dificuldades e aproveitar os bons momentos.

4/26/2010

POEMA 18 Sophia de Mello Breyner Andresen


Não se perdeu nenhuma coisa em mim


Não se perdeu nenhuma coisa em mim.
Continuam as noites e os poentes
Que escorreram na casa e no jardim,
Continuam as vozes diferentes
Que intactas no meu ser estão suspensas.
Trago o terror e trago a claridade,
E através de todas as presenças
Caminho para a única unidade.
 

in "Poesia I"

4/25/2010

DESTAQUE 15 HAUTS FONCTIONNAIRES Les retraites en or de l'Europe

Lire l'intégralité du rapport : "Les retraites de nababs des hauts fonctionnaires européens"



 D'accord, rien de comparable avec les retraites en or des pdg, mais les 129 - très - hauts fonctionnaires de l'Union européenne (commissaires, juges, greffiers...) n'ont vraiment pas à se plaindre. Aucun régime de retraite de la fonction publique dans les 27 États membres n'est aussi favorable. Et pour cause, un commissaire européen, un juge, un avocat général de la Cour de justice... n'acquittent aucune cotisation, contrairement au fonctionnaire européen lambda qui, lui, verse 10,90 % de son traitement de base. 

Mais pour ce tarif zéro, les hauts fonctionnaires de l'Union bénéficient de prestations luxueuses détaillées dans un rapport que s'apprête à publier Sauvegarde Retraites, association connue pour son obstination à traquer les abus. Ainsi, quand ils abandonnent leurs fonctions, les maîtres de l'Union peuvent toucher jusqu'à 70 % d'un dernier traitement très confortable. Les émoluments de ces "superfonctionnaires" s'élèvent, en moyenne, à 21.260 euros mensuels. Au bas de l'échelle, le greffier du Tribunal de la fonction publique touche 16.327 euros. En haut, le président de la Cour des comptes perçoit 23.405 euros et celui de la Cour de justice 26.651 euros, et cela, sans indemnités et autres suppléments familiaux (par exemple, plus de 2.000 euros par mois pour 3 enfants à charge !). 

Pour obtenir les 70 % de leur dernier salaire pour leurs retraites, les hauts fonctionnaires de l'Union n'ont pas besoin de trimer 40,5 ans, comme dans le privé, en France. Il suffit de "tenir" 16 ans. La vérité oblige à dire qu'il est assez rare de parvenir à ce seuil fatidique compte tenu de la durée des mandats, mais même un court passage reste avantageux. Ainsi, Jacques Barrot, vice-président de la commission chargée des transports, au terme de seulement 5 ans de mandat, aura droit, en octobre, à une pension de 4.728,20 euros. 

Les partants peuvent espérer toucher entre 300.000 et 500.000 euros 

La vérité oblige à dire là aussi que ces retraites sont cumulables avec celles obtenues dans les pays d'origine. Et qu'en cas de départ avant l'âge - 65 ans -, les 129 privilégiés de l'Union touchent de confortables parachutes. Sous forme d'une "indemnité de déménagement", sachant que tous les coûts (transports, assurances...) sont, en plus, pris en charge par l'Union. S'ajoute une "indemnité de transition" servie mensuellement pendant 3 ans en proportion du salaire de base et de la durée du mandat effectué (40 % pour moins de 2 ans, jusqu'à 65 % au-delà de 15 ans). Une restriction toutefois : une fois le mandat achevé, si le haut fonctionnaire européen exerce une nouvelle activité, sa rémunération ne doit pas dépasser, y compris l'indemnité de transition, ce qu'il percevait à Bruxelles ou à Luxembourg. 

Au total, en cumulant les deux indemnités, les partants peuvent espérer toucher entre 300.000 et 500.000 euros, ce qui n'altère en rien les prestations de retraite à venir. Pas mal pour des responsables mieux que bien payés (le président de la Commission européenne José Manuel Barroso, avec 29.504 euros, touche plus que le président des États-Unis) et qui, le plus souvent, réintègrent leur administration d'origine, reviennent à la politique ou pantouflent dans le privé. Conclusion de Sauvegarde Retraites : "C'est un comble, l'administration européenne, garante de l'orthodoxie budgétaire et si prompte à jouer les gendarmes vis-à-vis des États membres qui ne respectent pas les principes de bonne gestion et de rigueur économique, mène, pour elle-même, aux frais des contribuables, une politique laxiste totalement coupée des réalités."


Publié le 19/05/2009 à 19:20 - Modifié le 19/05/2009 à 19:34 Le Point.fr

4/21/2010


Hobsbawm, Eric, A Era dos Extremos - História Breve do Século Vinte, 1914-1991. Lisboa: ed. Preença (Ca. 600 pp. e 32 euros)


“Morrer pela Pátria, pela Ideia! […] Não, isso é fugir à verdade. Mesmo no front, matar é o importante. […] Morrer não é nada, não existe. Ninguém pode imaginar a sua própria morte. Matar é o importante. É essa a fronteira a ser cruzada. Sim, esse é o acto concreto de vontade. Porque ai fazemos a nossa vontade de viver na de outro homem”
Carta de um jovem voluntário da República Social Fascista de 1943-45, in Pavone (1991, p. 413)


“Não sabemos para onde vamos. Só sabemos que a história os trouxe até este ponto e – se os leitores partilham da tese deste livro – porquê. Contudo, uma coisa é clara. Se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro milénio nessa base, vamos fracassar. E o preço do fracasso, ou seja, a alternativa para uma mudança na sociedade, são as trevas” (p. 567)

CITAÇÃO 2

“Não posso dar-vos uma formula à prova de fogo para o sucesso, mas posso dar-vos uma para o fracasso: tentem agradar sempre a toda a gente”

Herbert B. Swope (vencedor prémio Pulitzer)

4/19/2010

PORTUGAL 11

GODINHO, Vitorino Magalhães, Os Problemas de Portugal, Mudar de Rumo. Lisboa: ed. Colibri (Ca. 127 pp. e 7.50 euros)


“Escreveu Jacques Attali que não devemos perder tempo a atacar os jogadores, mas sim a mudar as regras do jogo. O que chamamos corrupção não passa, salvo casos precisos, de regular funcionamento da economia na sua estrutura actual,” (p.78)

“Porque é que existe [a criminalidade juvenil] e se espalha cada vez mais, e ganha categorias de idade que são já infantis? Incontestavelmente está em causa a sociedade, desconjuntada, sem um leque de valores, tendo como eixo a irresponsabilidade, a precariedade da família, o laxismo da escola, o receio de reprimir e de impor normas e, por último, não em grau inferior, o formidável mercado que a juventude e mesmo a infância veio a constituir para um hiper-capitalismo a braços com a contracção de procura. (…) Dada a situação a que se chegou, o problema não se resolve com lares de acolhimento e reeducação - sem renunciar à repressão – a qual tem de abranger idades inferiores à que dantes considerávamos (admita-se 12 anos, no mínino 14). (pp. 78,9)


“A Europa não se faz, não deveria estar a fazer-se, por agregação inconsiderada de novos estados. Ou se constrói como civilização de mentalidade científica, da prevalência do interesse público e da democracia plena ou não será a Europa. (…) O inglês é uma língua importante, sem dúvida, mas não pode eliminar o francês, culturalmente insubstituível, ou as outras línguas nacionais. Os parolos cá da terra é que julgam que se tornarão cultos se fizerem reuniões em inglês, e até darem as aulas nesse idioma."

4/16/2010

Enquanto andando pela rua um dia um "membro do Parlamento" é tragicamente atropelado por um caminhão e morre.



A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada.

'Welcome to heaven ", diz São Pedro ... "Antes que você entre, parece que há um problema. Raramente vemos um alto funcionário em torno destas peças, você vê, por isso não está certo o que fazer com você. "

"Não tem problema, só me deixar entrar", diz o homem.

"Bem, eu gostaria, mas tenho ordens superiores. O que vamos fazer é você passar um dia no Inferno e um no céu. Então você pode escolher onde quer passar a eternidade. "

"Realmente, eu fiz a minha mente. Eu quero estar no céu ", diz o MP.

"Sinto muito, mas temos as nossas regras. '

E com isso, São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno. A porta se abre e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe. A distância é um clube e de pé na frente dele estão todos os seus amigos e outros políticos que haviam trabalhado com ele.

Todos muito felizes em traje social. Correm para cumprimentá-lo, apertar sua mão, e relembrar os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo.

Jogam uma partida amistosa de golfe e depois comem lagosta e caviar.

Também está presente é o diabo, que é realmente um cara muito amigável e simpático, que tem o tempo todo dançando e contando piadas. Eles estão tendo um tempo tão bom que, antes que ele perceba, já é hora de ir.

Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe ....

O elevador sobe, sobe, sobe ea porta abre no céu, onde São Pedro está esperando por ele.

"Agora é hora de visitar o céu."

Assim, passa 24 horas com o MP ingressar em um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando. Eles têm um bom tempo e, antes que ele perceba, as 24 horas se passaram e São Pedro retorna.

"Bem, então, você passou um dia no Inferno e outro no céu. Agora escolha a sua casa eterna. '

A MP pensa um minuto e responde: "Bem, eu nunca teria dito isso antes, eu quero dizer o céu é muito bom, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno. '

Então São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.

Agora, as portas do elevador se abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo.

Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos de lixo cai de cima.

O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro. "Eu não entendo", gagueja o MP. 'Ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe e clubhouse, e comemos lagosta e caviar, champagne bebeu, e dançaram e se divertiram muito .. Agora há apenas um terreno baldio cheio de lixo e meus amigos arrasados.

O que aconteceu? '

O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz: "Ontem estávamos em campanha ... ...

Hoje você votou....

4/15/2010

TESTEMUNHOS 19



David Barsamian entrevista Edward W. Said. Lisboa: Campo das Letras, 2004 (Ca. 198 pp. e 15.75 euros)

“Tenho sido incapaz – escreve Edward W. Said “de viver uma vida descomprometida ou suspensa: nunca hesitei em declarar a minha filiação numa causa extremamente impopular” (p.9)

“Peso que a definição de terror e terrorismo deve tornar-se mais precisa, a fim de nos tornar capazes, uma vez que gozamos de um poder tão grande enquanto nação, de distinguir entre, por exemplo, aquilo que os palestinianos fazem para lutar contra uma ocupação militar israelita, que continua a fazer-se sentir desde há quase trinta e cinco anos, e o terrorismo de tipo daquele que teve por desfecho o ataque contra o wordl trade center. De resto há também terrorismo de Estado” (p. 104)

"O terrorismo transformou-se numa espécie de cortina que foi montada desde o fim da Guerra Fria pelos arquitectos das políticas de Washington, bem como por um grupo inteiro de pessoas como Samuel Huntington e Steve Emerson (...)É uma ilusão concebida para manter a população amedrontada, insegura e para justificar tudo o que os Estados Unidos querem fazer a nível global” (p. 86)

"(…) o Islão é caracterizado como uma religião violenta. E é óbvio que os acontecimentos dos últimos anos reforçaram esta ideia. Tentar esclarecer as coisas é um gesto condenável. Esta maneira de ver é-nos hoje imposta por ex-esquerdistas como Christopher Hitchen, Michael Ignatieff e Michael Walzer que se associaram a uma (…) extraordinária campanha destinada a mostrar que o terrorismo é inerente ao Islão, que se enraíza na sua natureza essencial” (p. 132)

4/14/2010

Para Jaime Salazar Sampaio (5 de Maio de 1925 / 13 de Abril de 2010)

DESTAQUE 19 - Extracto de carta do meu ex-colega de liceu João Martinho

Caro Carlos Melo:




Conforme nossa conversa (…) abaixo envio texto do projecto do Villaret que espero, possa merecer a tua divulgaçao.
Um Abraço
João Martinho


Caro Amigo

Como já deve saber estamos a desenvolver no Villaret um projecto que
se chama "Ler o Mundo em Português".
Como projecto independente ele só poderá sobreviver se contar com a
cumplicidade de todos aqueles que sentem a importância estratégica do
projecto cultural e artístico centrado no universo da língua
portuguesa e capaz de fazer pontes entre os diferentes criadores que,
por todo o mundo, pensam o mundo em português.
A cumplicidade que lhe pedimos é que nos ajude a mobilizar os 10.000
espectadores que necessitamos para que o projecto seja autosuficiente.
(…) E é tão fácil mobilizar 5 dos seus amigos para vir
ao teatro, e para vir ver um musical com a qualidade que nós esperamos que
tenha "O Que Faz Falta"
Obrigado.

"O Que Faz Falta", o primeiro espectáculo do projecto que nós propomos
desenvolver no Teatro Villaret, é um musical com canções de Zeca
Afonso e Chico Buarque, a partir da Fuenteovejuna de Lope de Veja.  

"O Que Faz Falta" [quer] (…)  provocar uma reflexão em português sobre as múltiplas formas de se sair da crise e inventar um outro futuro, (…) o teatro




só tem sentido se falar e questionar o seu tempo.

“O que faz falta” conta a história da revolta do povo de Fuenteovejuna
contra um comendador déspota e violador. Esta é a essência da história
que Lope de Vega escreveu (…) no início do séc. XVII.
Integramos nesta história as músicas de Zeca Afonso e Chico Buarque
(…) Tal como em 1600 o povo de Fuenteovejuna se revoltou contra o
comendador, tal como nos anos 60 e 70 Zeca Afonso e Chico Buarque
lutaram contra a ditadura, queremos que hoje cada um de nós tenha
consciência do que faz falta para inventar um outro tempo.

(Até 16 de Maio, de quarta-feira a sábado, às 21h30 e domingos às 17 horas)

Preço: 15€.




Contactos:




Teatro Villaret
Bilheteira: 21 353 85 86 / 962199978





4/13/2010

TESTEMUNHOS 18

CLEMENTS, Alan, Aung San Suu Kyi, A Voz da Esperança. Colares: Pedra da Lua, 2009 (Ca. 310 pp. e 21 euros)

“Nunca me vi uma pessoa particularmente corajosa. (…) [vejo-me] como alguém perseverante. Não renuncio. Quando digo «não renuncio» não estou a falar de não renunciar a trabalhar pela democracia. A isso é evidente que não renuncio, tal como não renuncio a tornar-me uma pessoa melhor”  (p. 68)

“Talvez [o ditador] não tenha nada a ver com a própria execução e talvez nem pense nela no dia seguinte. Porém, o facto de ter mandado executar outro homem significa que a sua sensibilidade endureceu muito. (…) Sempre que fizer qualquer coisa a alguém também o faz a si próprio. “ (p. 86)

“(…) não há nada com que valha a pena emocionar-se excessivamente.” (p. 126)

“Algumas [pessoas] quando se sentem magoadas [com a verdade] analisam a fonte da dor e aprendem a lidar com ela racional e inteligentemente, enquanto outros se tornam violentos e atacam aqueles que as rodeiam, sem se preocuparem em saber se foi dor causada por eles próprios ou pelos outros.” (p. 191)

“Terá de aprender a viver e lidar com a luz, a ver em vez de não ver.” (p.197) 

POEMA 17 NATÁLIA CORREIA

O Livro dos Amantes, 2

“Harmonioso vulto que em mim se dilui.
Tu és o poema
e és a origem donde ele flui.
Intuito de ter. Intuito de amor
não compreendido.
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido”

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