6/01/2009

DESTAQUE 11 - ENTREVISTA A JOSÉ GIL, "PÚBLICO" de 20.05.09 (extractos)


PÚBLICO - No seu último livro apresenta o “homem avaliado” como sendo a “figura social do século XXI”. Trata-se de facto de uma alteração radical? Ser-se avaliado não é propriamente uma novidade destes tempos.

José Gil - Estamos a falar de uma situação generalizada na sociedade dita da modernização. Não é só em Portugal, é em toda a Europa. Não há duvida que não pode haver aprendizagem sem haver avaliação e que toda a aprendizagem, a mais arcaica que se conheça, a aprendizagem do discípulo que tinha um mestre na Renascença, na pintura, ou na Índia com um yogui que ensinava um discípulo. Em todas essas práticas há avaliação. Quer dizer a avaliação é inerente, necessária, à própria aprendizagem.

O que é que, se é que, se transformou nesta tal sociedade da modernização? O que é que se fez, modificou na ordem de relação entre aprendizagem e avaliação para que se possa falar agora de um homem avaliado para o século XXI? Tenho a impressão que há vários factores. Primeiro há um factor que acho fundamental. É que a avaliação arcaica era uma avaliação não quantitativa. Era uma avaliação mais qualitativa ou intensiva. Depois a avaliação tende a tornar-se funcional e se possível, quando possível, quantificada, desenvolvendo parâmetros.

E incluindo nesses parâmetros o próprio terreno de aprendizagem que não é quantificado. Há sempre na aprendizagem aquilo que se chamava antigamente na filosofia, e hoje também, a intuição. A intuição é fundamental porque se aprende à sua maneira. Não é um dado formal, universal, que se possa definir da mesma maneira para todos.

P - Não se pode comparar, quantificar?

JG - Não. O que se põe agora nos parâmetros e critérios de avaliação, que se multiplicaram, é uma espécie de factores analisados, decompostos, daquilo que era o terreno da intuição. Por exemplo, mede-se a criatividade. Ora a criatividade o que é? O que é a produção do novo? Como é que se inventa? Quais são os processos de invenção?

Como sabemos, na ciência, a invenção está muitas vezes fora da escolaridade, do ensino, das regras. São as pessoas um bocado desviantes que fazem as maiores descobertas e depois tornam-se Nóbeis, etc. Isto tudo é abolido pelo controlo da avaliação. Quer dizer vai-se abolir a singularidade, a capacidade de inovação, porque se integra este terreno da intuição numa aferição da performance, do desempenho, que é quantificável.

P - O que é que propicia essa mudança? É a globalização? O modo de produção?

JG - Acho que é absolutamente o modo de produção. O economicismo não é só português, é por toda a Europa. O que significa que os critérios de avaliação que vão transformar essa intuição, essas capacidades, esse acaso que há em nós, e que pode provocar cruzamentos que, de repente, fazem nascer qualquer coisa, vão ser formatados, vão ser avaliados. E como não se pode avaliar isso, as pessoas que vão ser submetidas a essa avaliação vão ser homogeneizadas, o que conduz à morte da singularidade. E isto é muito importante.

O que aconteceu foi, portanto, uma inversão a ordem de subordinação aprendizagem/conteúdos, por um lado, e, por outro lado, a avaliação .Quer dizer que a avaliação multiplicou os seus parâmetros e absorveu o terreno da aprendizagem, de tal maneira que passou a ser o critério que vai definir a aquisição de conhecimentos, os resultados da aprendizagem, etc. Antigamente era o contrário. A avaliação, por um lado, já estava integrada e subordinada à formação do indivíduo e à aquisição de conhecimentos e integrada num, terreno em que se mexia também toda uma série de factores de que nós não podemos ter, felizmente, o controlo. Que são os factores da criação.

P - As utopias políticas do século passado anunciaram um “homem novo”. A avaliação, como a descreve, aponta para um homem com uma postura de subordinação. Qual é o objectivo que está subjacente?

JG - A formação de uma subjectividade adequada às exigências da economia da globalização, da economia que vem aí, cujo eixo principal é o capitalismo, de que nós talvez ainda nem conhecemos as formas. Mas isso parece-me evidente. E o que é mais paradoxal é que nunca se falou tanto em criatividade, em inovação como agora, quando se estão a impor os meios de um controlo para que a inovação, criatividade, desapareçam.

P - Institui-se a avaliação como meio de controlo, como relação de poder?

JG - É uma questão de controlo e uma questão de poder. Isto não vai fazer desaparecer a inovação, não vai fazer desaparecer as grandes descobertas científicas. O que vai fazer é criar um hiato, uma separação cada vez maior. Vai haver uma elite hipercientífica, filosófica não sabe, hiperespecializada, e essa sim poderá inovar.

Para os outros estamos a multiplicar os parâmetros de avaliação, absorvendo essa margem de indeterminação num espaço de controlo cada vez maior. E com isso estamos a acabar precisamente com a experimentação interior, o erro possível, a liberdade interior que é possível e necessária à criação.

Há uma multiplicação extraordinária da extensão da avaliação. Hoje todos somos avaliados. Em tudo. Avalia-se as performances sexuais, as performances desportivas, psíquicas

P- Parentais

JG - Parentais, cognitivas. E tudo para um fim que é predeterminado, a produtividade. Estamos a querer cobrir toda a margem da actividade pelo conhecimento É por isso que se diz que é uma sociedade de conhecimento. Quer dizer não estamos, estamos a fazer como se devesse reduzir ao máximo, e imediatamente e rapidamente, o campo da ignorância. Ora o conhecimento vem da ignorância. É preciso que haja não conhecimento, que haja ignorância, que haja qualquer coisa que não está imediatamente lá. E isto porquê? Porque o conhecimento é relativo. Ora a julgar que estamos a esgotar todo o campo da actividade de criação, quando não é isso, é qualquer coisa que nós não sabemos o que é, e que talvez seja necessários que não saibamos para que haja criação.


P- Pode-se dizer que o modelo de avaliação aprovado para os professores do ensino básico e secundário constitui uma exponencialização do fenómeno que descreveu?

JG – Absolutamente, porque, para empregar a sua palavra, houve uma exponencialização dos parâmetros. É incrível o número de parâmetros, das grelhas de avaliação, das propostas. Sem se saber como é possível. Em Portugal passou-se uma coisa muito má. Tudo aquilo, a avaliação que o Ministério propõe, com que não estou de acordo, pressupõe uma relação entre professor e aluno que foi destruída.

Quando se vai aferir numa grelha de avaliação a relação afectiva entre professor e aluno, porque somos muito espertos e sabe-se que a afectividade

tem uma importância enorme na cognição, na aprendizagem cognitiva. Mas a relação afectiva foi destruída.

P - Não estava já a sê-lo antes?

JG - Tem vindo a ser destruída, mas actualmente a sua destruição foi precipitada pró esta reforma. E pelo tratamento a que os professores foram submetidos. É preciso que o professor tenha uma autoridade espontânea. E idealmente não tenha que a exercer. A relação antiga do mestre e discípulo na Renascença, por exemplo, é essa. Não é uma relação de poder.

P - É uma relação de reconhecimento?

JG - Em que o discípulo vai aprendendo para chegar ao ponto em que ele vai estar no máximo das suas possibilidades. Não é uma comparação entre mestre e discípulo. Ele já não precisa do mestre e é o mestre a dizer-lhe: ‘Vai-te embora’. Isso já não existe agora, mas é um modelo de que nós precisamos, de certa maneira.

Nas crianças, na escola primária, a relação afectiva com a professora é fundamental para as aprendizagens Se se corta esse laço aquilo dá imediatamente impossibilidades. É um obstáculo.

Posso dizer, toda a gente pode dizer, que um dos efeitos da politica do Ministério da Educação foi virar todos contra todos. Virou-se os alunos contra os professores. Como é que é possível dar uma aula nas condições que me contam os meus alunos, que são hoje professores?

P- É uma característica que também já vem de trás, que não é apenas responsabilidade deste Ministério. É também da comunidade, das famílias?

JG – Sim, mas o que se fez foi precipitar uma tendência que deveria ter sido estancada. Denegriu-se ainda mais, com aspectos que nós conhecemos, que são denunciados, e que são verdadeiramente insuportáveis. Não é só a arrogância de que se fala, é o desprezo. Depois ser desprezado pelos alunos. O desprezo leva ao desprezo que os alunos podem ter e podem exprimir. Quem és tu? diz o aluno para o professor. Como é que quer que haja grelhas de aferição da aprendizagem ou que haja aprendizagem que funcione neste esquema?

P- Parece ser a vertente esquecida, quando é fundamental da escola, a aprendizagem

JG- A aferição, a avaliação, tem de dedorrer dos conteúdos e não o contrário. E isto foi feito com multiplicação amadorística, nada profissional, era quase para cobrir uma falta de pensamento sobre o que ensino, sobre o que é ensinar, sobre o que a formação. Não estou falar em velhas ideias humanista de formação. Sei que é preciso outras coisas novas. Mas disso tem que se falar. O que é que se ensina, como se ensina? Como desenvolver uma curiosidade que preexiste na criança? Hoje ninguém mostra curiosidade. Não há curiosidade. Porquê? Depois aparecem as arrogâncias da ignorância, que é o pior que há.

P– No seu entender, qual é o objectivo deste modelo de avaliação?

JG - Em Portugal havia uma espada de Damocles sobre o Ministério, todos os Ministérios, que é o dinheiro. Por outro lado, há um problema real de que os sindicatos não falam.

A nossa escola não estava boa. Muitos professores, ou pelo menos uma parte deles, não têm qualificações. Com a avaliação, alegadamente, matavam-se dois coelhos: reduziam-se as despesas, reduzindo o pessoal, e punha-se fora os que não eram bons.

Mas o que é que aconteceu?. Muitos dos que eram bons é que saíram. sairam. Porquê? Não aguentam. E o que é que eles não aguentam? Não aguentam não poder ensinar, não aguentam não poder ter uma relação em que precisamente se construa um grupo em que o professor age, em aprende ensinando, em que os alunos querem.

Tem que haver avaliação. Não pode é haver a inversão da subordinação da avaliação porque agora se estuda para se ser avaliado. Veja as Novas Oportunidades, para que é que serve?

P- Para fornecer um diploma?

JG- É o chico-espertismo que entrou na escola. Vamos não trabalhar para obter um diploma.

P- No seu livro alega que há como que um objectivo maior. Conjugando as políticas e omodo como o Ministério reagiu à contestação dos professores, está-se perante uma estratégia de domesticação?

JG- Isso parece-me evidente. É um projecto maior, que talvez não seja muito consciente na cabeça dos nossos dirigentes e, em particular, na do primeiro-ministro José Sócrates.

A ideia intuitiva, ele ainda tem intuições, é a de que o autoritarismo é um método económico. Resolvem-se mil coisas. Há essa ideia: funciona ser autoritário. Uma vez vendo que funciona, vamos estender. Os portugueses querem um certo autoritarismo, nós tomos, que estamos desnorteados, perdidos. O autoritarismo é um meio de governo. Não é traço qualquer. E como não há quase resposta a este autoritarismo, ele rebate-se, plasma-se, na realidade.

P- Mas existe contestação. Por exemplo, precisamente por parte dos professores ao longo de todo este ano.

JG - E qual foi a resposta do Governo? Foi uma resposta autoritária extraordinária que foi dizer: você não existe. Faz-se como se 120 mil manifestantes não existissem e isso vai paralisar, vai desmoralizar. A primeira fase é a perplexidade, depois vem o desânimo, depois vem a depressão. Certamente que muitos que pediram a reforma antecipada estavam na manifestação.

P - Ficámos com uma escola pior?

JG- Arriscamo-nos a isso. A escola já não era boa. A escola precisa de reformas, é necessário pensar uma avaliação, mas para pensar uma avaliação temos primeiro que pensar em conteúdos. A primeira das coisas a fazer é revalorizar os professores, agora. A relação geral dos alunos relativamente ao saber é de rejeição. A ideia do professor como alguém que abre as portas para o mundo acabou ou está em vias de acabar. Isto tem de ser restaurado.

Depois tem que se parar com a avaliação multiplicada a todo o instante. Estamos sempre a comparar-nos. O mal desta avaliação é que ela compara e a competitividade, a rivalidade, que existem numa escola, que são necessárias para a aprendizagem, torna-se inveja.

P - A avaliação entre pares, defendida neste modelo, pode acentuar ainda mais esse risco?

JG- Por mais voltas que dê, não vejo como isso possa ser feito no clima actual. É muito mais propícia que toda uma série de rivalidades não saudáveis comecem a aparecer, para que novamente a esperteza arranje canais para que a avaliação seja deturpada, mascarada. Para mim. é envenenar ainda mais. A avaliação tem de ser feito por um terceiro. Alguém de fora, mas da mesma disciplina. Não pode haver professores de Educação Física a avaliar um professor de Português.

P- O chico-espertismo de que fala é uma característica dos portugueses, que encontrou agora um campo mais propício?

JG - Foi o Marcelo Rebelo de Sousa que disse que Sócrates era um meio chico-esperto. Quando há uma característica pessoal de um chefe e este tem a possibilidade de a tornar real, transformando mecanismos psíquicos em comportamentos, isso provoca patologias colectivas. Mas patologias não só das pessoas, como patologias do funcionamento dos serviços. E o que parece estar a constituir-se é um chico-espertismo, uma palavra horrível.

P – O que é espera do próximo ano lectivo?

JG – Nada. Eu estou desolado. Estou desolado com o que está a acontecer, porque esperava muito da educação.

P- Nesta legislatura?

JG- Sim, no princípio. Mas foi muito rápido ver que a coisa não ia bem. É uma oportunidade perdida. Quando ouço os economistas dizerem que Portugal pode ficar entalado, há qualquer coisa no meu ser português que vibra mesmo. Porque podíamos ser outros. Temos terrenos de afectividade em escolas que já não existem noutros lados. Considero muito grave a quebra do laço entre alunos e professores. É tudo mal feito. Há que inflectir, revalorizar os professores.

5/31/2009

A CULPA É DA GALEGA (Notícia do "Expresso" de 30.05.09)



Lisboa, 30 Mai (Lusa) - O Grupo de Teatro do Instituto Superior Técnico (GTIST) é o vencedor do Prémio FATAL 2009, hoje atribuído na festa de encerramento da 10.ª edição do Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa.

"Agora o Monstro" foi o espectáculo encenado por Gustavo Vicente, a partir de Enki Bilal, que valeu ao GTIST o principal galardão do certame, no valor de 1.500 euros, patrocinado pela REN (Rede Eléctrica Nacional).

O júri do FATAL, presidido pelo actor Ruy de Carvalho e pelo reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa, justificou a decisão "pela inteligente e inusitada escolha de um texto de Bilal como ponto de partida para a construção de um espectáculo e pelo risco da proposta, que lembra um valor fundamental para a construção e reconstrução da identidade enquanto indivíduos e enquanto colectivo - a memória".

Das 20 peças apresentadas este ano no FATAL, que decorreu entre 05 e 29 de Maio em diversos espaços da capital, o júri decidiu distinguir com o Prémio FATAL Cidade de Lisboa 2009 o grupo CITAC, da Universidade de Coimbra, com a criação colectiva "Reality Show", encenada por Vvoitek Ziemilski.

Também no valor de 1.500 euros, o prémio, patrocinado pela Câmara Municipal de Lisboa, foi atribuído ao CITAC "pela originalidade e sentido de oportunidade inovadoramente provocatório, enquanto sujeitos e objectos de uma realidade 'atraente' e 'devoradora' estimulada pelas 'sociedades do espectáculo'.

O Prémio FATAL do Público, patrocinado pelo Instituto Português da Juventude (IPJ) e destinado a premiar o espectáculo mais votado pelos espectadores, foi atribuído ao TUITI - Teatro da Universidade Internacional para a Terceira Idade, com o espectáculo "A Culpa é da Galega!", da autoria e com encenação de Carlos Melo.

O júri decidiu ainda atribuir quatro menções honrosas: ao GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Universidade de Coimbra), ao GTN (Grupo de Teatro da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa), ao NNT (Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa) e ao TUITI.



5/26/2009

EDUCAÇÃO 3


AIKENHEAD, Glen S. Educação Científica Para Todos, Mangualde, Ed. Pedagogo, 2009 (Ca. 185 pp. e 16 euros)

A ciência escolar tem outras funções sociais que caracterizam a sua composição cultural, funções estas que são familiares aos educadores em ciências sob a forma de objectivos educacionais. Fersham [Fersham, P. J. (1992). "Science and techonology". In P. W. Jackson (Ed.), Handbook of research on curriculum:789-929. New York: Macmillan.] sumariza de forma pragmática estes objectivos em termos de grupos sociais com interesses específicos que competem pelo poder e privilégio sobre os currículos de ciências. Por exemplo, a ciência escolar (normalmente a física) pode ser usada para excluir do sistema estudantes que pertençam a grupos marginalizados, fornecendo um elevado poder e estatuto social aos estudantes privilegiados que conseguem ultrapassar o “pipeline” da ciência e alcançar profissões relacionadas com a ciência. (…) aqueles que conseguem ser bem sucedidos usando a retórica da comunidade cientifica (p.99)

“agindo como mediador cultural, um professor de ciências tornará o cruzamento das fronteiras culturais explícitas para os estudantes (…) um mediador cultural deve informar os estudantes sobre qual a cultura a que se refere em cada momento (...) porque os professores podem inconscientement (implicitamente) alternar de uma cultura para outra (…) algumas estratégias específicas para atingir este objectivo são descritas noutro lugar” (P.153)

Bibliografia: CAPETE, G.A. (1999) . Igniting the Sarkle: An Indigenous Science Education Model.Skyland, NC. Kivali Press.

JEGEDE, O.kj & Aikenhead, G.S. (1999). Transcending cultural borders: implications for science teaching. Research in Science and Tecnology Education.

5/19/2009

EXPOSIÇÃO 2 - Pintura de Teresa Cabral, Fábrica Braço de Prata

Pintura que desperta

O olhar. Ou perdido algures no cosmos ou confrontando-nos e em todo o caso olhando.

As figuras olham e por isso interrogam. Daí a perplexidade que se instala ao ver as pinturas de Teresa Cabral.

Os tons escuros ajudariam a uma hipotética calma do olhar se esse mesmo olhar não interrogasse a azul calmaria. E em todo o caso assaz turva.

Na mesma sala onde se exibe a pintura (óleos) um vídeo mostra também crianças e adultos num workshop. Se a instalação pareceria à primeira vista inoportuna num tal contexto, num segundo tempo complementa-a: as figuras de Teresa Cabral olham como crianças. Num outro pólo lembra Paula Rego. Boa companhia.

Duas telas figuram animais – uma ovelha e dois répteis. Mas ainda aqui é do olhar que se trata: do ver Outro e por Outro.

A pintura de T.C torna-nos mais lúcidos.

E desperta.

A CULPA É DA GALEGA!

DEPOIS DE PASSADO DIA 12 TER MOSTRADO O MEU "FAUSTO" (EXTRACTOS) NO "EUROPEAN STUDENT FESTIVAL", EM TURIM, INTERPRETADO POR ADOLESCENTES DA ESCOLA FERNÃO MENDES PINTO, REGRESSO A LISBOA PARA ESTREAR  "A CULPA É DA GALEGA!" NO FESTIVAL DO FATAL, COM O GRUPO DA UITI (UNIVERSIDADE INTERNACIONAL DA TERCEIRA IDADE). 
POSSA EU, COM ESTA NOVA PEÇA,  REPETIR O ÊXITO QUE O "FAUSTO"  TEVE EM TURIM, E POSSA V. , DESTA FEITA, SER SEU ESPECTADOR/TESTEMUNHA. 
COMUNA, DIA 21, ÀS 21.30 HORAS. 
MAIS  INFORMAÇÕES: 21 722 17 70.
OBRIGADO.
CARLOS MELO

5/04/2009

DESTAQUE 10 MORREU AUGUSTO BOAL por Amílcar Martins, Ph.D. Ciências de Educação, Univ Aberta, Lisboa (Foto: Lurdes Cruz)


(...)
Acabo de ter conhecimento da morte, esta madrugada, de Augusto Boal aos 78 anos. Ele foi o criador do Teatro do Oprimido, dramaturgo, encenador, director de actores, teórico, crítico de teatro, metodólogo e pedagogo da Expressão Dramática e do Teatro. Augusto Boal foi, e é, reconhecido como uma das personalidades mais relevantes no panorama da Expressão Dramática e do Teatro Contemporâneo Mundial. 

O seu amplo legado de exemplo de cidadão humanista e democrático, empenhando a sua intervenção artística e teatral em causas de transformação e de mudança social, sobretudo pelos dispositivos metodológicos que ergueu no seu Teatro do Oprimido, perdurará para sempre como um tesouro imenso a frequentar através das suas múltiplas obras. 

Experimento neste momento um profundo sentimento de gratidão por Boal me ter influenciado de forma tão fecunda nas práticas teatrais e de expressão dramática que com ele apreendi. Experimento, também, e mais uma vez, um sentimento de orgulho por, em 1975/1976, ter sido eu o porta-voz da Comissão Directiva no convite a Boal para ser professor de Práticas Teatrais e Interpretação na Escola Superior de Teatro do Conservatório Nacional de Lisboa. Naturalmente, Boal deixou marcas profundas não só junto dos seus estudantes de Teatro da EST, mas também junto de todos aqueles que, em Portugal, se interessaram pelas múltiplas facetas da sua obra.

Este é um momento de singela, mas sentida homenagem a Augusto Boal. Proponho, por isso, que nos juntemos à homenagem de muitos brasileiros a Boal, através do visionamento do documentário disponível na Globo Vídeos:

http://video.globo.com/Videos/Player/0,,GIM1020590-7759-MORRE+AOS+ANOS+O+DIRETOR+E+DRAMATURGO+AUGUSTO+BOAL,00.html
(foto de L. Cruz)

DESTAQUE 9


URGENTE:
VOTAÇAO NO PARLAMENTO EUROPEU NO DIA 5 DE MAIO DE 2009
Não deixe que o parlamento europeu lhe feche a internet... não haverá volta atrás!
Aja agora!
O acesso à internet não é condicional
Todos os que têm um site, blog bem como todos aqueles que usam o Google ou o Skype, todos aqueles que gostam de expressar as suas opiniões livremente, investigarem do modo que entendem seja para questões pessoais, profissionais ou académicas, todos os que fazem compras online, fazem amigos online, ouvem música ou vêm videos...
 
Milhões de europeus dependem da internet quer seja directa ou indirectamente no seu estilo de vida. Tirá-la, limitá-la, restringi-la ou condicioná-la, terá um impacto directo naquilo que fazemos. E se um pequeno negócio depender da internet para sobreviver, torná-la inacessível num período de crise como o que vivemos não pode ser bom.
 
Pois a internet que conhecemos está em vias de extinção através das novas regras que a União Europeia quer propôr no final de Abril. Segundo estas leis, os provedores de serviço, ou seja as empresas que nos fornecem a internet, PT, Zon, Clix entre muitas outras, vão poder legalmente limitar o número de websites que visitamos, além de nos poderem limitar o uso ou subscrição de quaisquer serviços que queiramos de algum site.
 
As pessoas passarão a ter uma espécie pacotes de internet parecidos com os da actual televisão. Será publicitada com muitos "novos serviços" mas estes serão exclusivamente controlados pelo fornecedor de internet, e com opções de acesso a sites altamente restringidas.
 
Isto significa que a internet sera empacotada e a sua capacidade de aceder e colocar conteúdo será severamente restringida. Criará pacotes de acessibilidade na internet, que não se adequam ao uso actual que damos à internet hoje.
 
A razão é simples...
 
Hoje a internet permite trocas entre pessoas que não são controladas ou promovidas pelo intermediário (o estado ou uma grande empresa), e esta situação melhora de facto a vida das pessoas mas força as grandes corporações a perderem poder, controle e lucros. E é por isso que estas empresas forçam os políticos "amigos" a agirem perante esta situação.
A desculpa é a pirataria de filmes e música, mas as verdadeiras vítimas seremos todos nós, a democracia e a independência cultural e informativa do cidadão.
 
Recentemente, vieram com a ideia que a pirataria de vídeos e música promove o terrorismo (http://diario.iol.pt/tecnologia/mapinet-internet-pirataria-terrorismo-crime-tvi24/1058509-4069.html ) para que seja impensável ao cidadão comum não estar de acordo com as novas regras...
 
Pense no modo como usa a internet! Que significaria caso a sua liberdade de escolha lhe fosse retirada?
 
Hoje em dia, a internet é sobre a vida e liberdade. É sobre fazer compras online, reservar bilhetes de cinema, férias, aprendermos coisas novas, procurar emprego, acedermos ao nosso banco e fazermos comércio.
Mas é também sobre coisas divertidas como namorar, conversar, convidar amigos, ouvir música, ver humor, ou mesmo ter uma segunda vida.
Ela ajuda-nos a expressarmo-nos, inovarmos, colaborarmos, partilharmos, ajuda-nos a ter novas ideias e a prosperar... tudo sem a ajuda de intermediários.
 
Mas com estas novas regras, os fornecedores de internet escolherão onde faremos tudo isso, se é que nos deixarão fazer.
 
Caso os sites que visitamos, ou que nós criámos não estejam incluídos nesses pacotes oferecidos por estas empresas, ninguém os poderá encontrar.
 
Se somos donos de um site ou de um blog e não formos ricos ou tivermos amigos poderosos, teremos de fechar.
 
Só os grandes prevalecerão, com a desculpa de que os pequenos não geram tráfego suficiente para justificar serem incluídos no pacote.
 
Continuaremos a ter a Amazon, a Fnac ou o site das finanças, mas poucos mais.
 
Os telefonemas gratuitos pela internet decerto que acabarão ( como já se passa nalguns países da Europa) e os pequenos negócios e grupos de discussão desaparecerão, sobretudo aqueles que mais interessam, os que podem e querem partilhar a sua sabedoria gratuitamente com o mundo.
 
Se nada fizermos perderemos quase de certeza a nossa liberdade e uso livre da internet.
 
A proposta no Parlamento Europeu arrisca o nosso futuro porque está prestes a tornar-se lei, uma lei quase impossível de reverter.
 
Muitas pessoas, incluíndo deputados do Parlamento Europeu que a vão votar positivamente, não fazem a menor ideia do que isto pode querer dizer, nem se apercebem das implicações brutais que estas regras terão na economia, sociedade e liberdade. Estas medidas vêm embrulhadas numa coisa chamada "Pacote das Telecom´s" disfarçando estas leis de algo que apenas é relativo à indústria das telecomunicações.
 
Mas na verdade, tudo não passa de regras sobre o uso futuro da internet. A liberdade está a ser riscada do mapa.
 
Nestas leis propostas, estão incluídas regras que obrigam as Telecoms a informaram os cidadãos das condições em que o acesso à internet é fornecido. Parece ser uma coisa boa, em nome da transparência, mas não passa de uma diversão para poderem afirmar que podem limitar o nosso acesso à liberdade na internet, apenas terão é que informar-nos disso.
 
O futuro da internet está em jogo e precisamos de agir já para o salvar.
Diga ao Parlamento Europeu que não quer que estas alterações sejam votadas.
Lembre-os que as eleições europeias são em Junho e que a internet ainda nos dá alguma liberdade para que possamos observar e julgar os seus actos no Parlamento.
Saiba que não está sozinho(a) nesta luta... Enquanto lê isto, centenas e centenas de outras organizações estão a trabalhar para que esta mensagem chegue a quem de direito. Milhares de pessoas estão também a contactar os seus deputados neste sentido. Ajude-se a si mesmo, colabore e faça o que pode por esta causa...
 
A internet é tão sua como deles...
 
Divulgue esta mensagem o mais que possa...
 
Pode também escrever aos seus deputados...
 
 
 
 
 



 
 
 
 

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