SILVA, Vaz Salvador, Catedral. Primebooks, s.d.
[V.S.S, português de Lisboa, ao saber-se com um cancro múltiplo abriu um blog onde foi conversando sobre a sua experiência que, em príncipio, seria terminal… N. de Kriu]
“Foi nos seis meses que tinha pela frente que derrotei a doença, não cedendo às adversidades que representavam os inúmeros efeitos secundários ds tratamentos nem à radical alteração da minha vida diária. Estive praticamente cego, tornei-me diabético agudo devido às doses brutais de corticóides que tinha de tomar para o cérebro, estive à beira do coma, dias houve em que outras pessoas tiveram que me caarregar em ombros e amparar porque eu não tinha força para me levantar. Fui impedido de conduzir carro e moto, perdendo assim a autonomia a que estava habituado. Apesar de tudo isto, não fiquei voluntariamente na cama um único dia.
Venci a doença com todos os tratamentos sempre referidos e com centenas de Amgios a darem-me força todos os dias sem excepção, como está bem espelhado neste livro. Fiquei verdadeiramente impressionado com a enorme bondade e dedicação das pessoas com quem me relacionei estes meses passados, e essa realidade alterou completamente a percepção anterior que eu tinha da vida.
Ajudar desinteressadamente quem precisa de ajuda, levando junto de pessoas dedicação, atenção, força, fé e esperança é uma forma sublime de realização pessoal e de sermos úteis ao longo da vida, fazendo de nós parte do todo para contribuir para o avanço do mundo no sentido certo” (p.238)
10/13/2008
TESTEMUNHO 12
10/12/2008
TESTEMUNHOS 11
VASSEUR, Nadine, Eu não lhe disse que estava a escrever este livro, Filhos de Sobreviventes do Holocausto Testemunham, Colares, ed. Pedra da Lua, 2008 (158 pp. ca.15 euros)
“Há alguns anos o meu pai disse-nos que era lá [no campo de concentração nazi de Auschwitz - N. de Kriu] que ele queria acabar.(…) Ao exprimir esse desejo o que ele revela é obviamente que Auschwitz foi central na sua vida. (…)
Tive sempre o sentimento de que o meu pai morreu uma primeira vez. Que era um ressuscitado. Que ele queira acabar lá, é coerente. Por muito sedento de futuro que tenha sido, o que ele finalmente nos lega é que não é possível arrancar-se ao passado, à sua história.” (Marc Pepelman, p.36)
“O que é que no seu comportamento lhe parece herdado da história do pai? Uma certa forma de dureza, sem dúvida. (…) O meu pai e a minha mãe encontraram-se em 1945, à saída daquela experiência e o casal construiu-se na recusa do afectivo, ou antes, em mantê-lo a certa distância. Algo do afectivo se tornara impossível. Três dias depois do enterro da minha mãe, há um ano, o meu pai confidenciou-me que eles só tinham conseguido dizer “amo-te” duas semanas antes, no seu leito de agonia. Em cinquenta anos de casamento, era a primeira vez que eles diziam “amo-te”. Quase nunca se beijaram.” (p.57)
“Porque aceitei testemunhar neste livro? (…) Porque é importante que se saiba que esta história não terminou e que é necessário estar atento ao que se preparara para o futuro. (…) Porque infelizmente a Humanidade terá sempre outros meios de matar. Porque é importante guardar a memória do que se passou. Não para os judeus. Para a Humanidade”. (Yves Khan, p.61)
“Entrei na única câmara de gás que foi conservada e tentei imaginar o que minha avó sentira antes de lá morrer. Leva tempo a morrer numa câmara de gás, demora pelo menos dez minutos.” (Dany Choukrow, p.105)
10/11/2008
CAPITALISMO 20
FINKELSTEIN, Normam, A Indústria do Holocausto, Reflexões sobre a Exploração do Sofrimento dos Judeus, Lisboa, 2001, 1ªedição (169 pp. ca. 12 euros)
“ O que me levou a escrever este livro foi o estudo pioneiro de Peter Novick, “The Holocaust in American Life” (…) Na análise de Norvick, a categoria central é a “memória”. Actualmente na berra na torre de marfim dos académicos a “memória” é sem dúvida o conceito mais pobre que nos últimos tempos apareceu (…) Antigamente os intelectuais dissidentes utilizavam categorias sólidas como “poder” e “interesses” por um lado e, por outro, “ideologia”. Hoje só restam termos frouxos e despolitizados como “problemas” e “memórias”. No entanto, dadas as provas invocadas por Norvick, a memória do Holocausto é uma construção ideológica ligada a interesses precisos. (…) Originalmente o meu interesse pelo holocausto nazi era pessoal. Os meus pais foram sobreviventes do Gueto de Varsóvia e dos campos de concentração nazis.” (pp.12 a 14)
“Desde a sua fundação em 1948 até à guerra de Julho de 1967, Israel não foi um elemento central no planeamento estratégico americano.” (p.27)
“Todos os que escrevem sobre o Holocausto afirmam que é único mas poucos ou nenhum explicam porquê” (p.53)
“Se o Holocausto não tem precedentes na história, coloca-se acima dela e portanto não é possível a história compreendê-lo.” (p.55)
“Os nazis exterminaram meio milhão de ciganos o que proporcionalmente equivale a pouco mais ou menos o genocídio dos judeus” (p.88,9)
“Novick salienta a cumplicidade dos Estados Unidos em desastres humanos que, embora diferentes do extermínio nazi, têm a mesma dimensão. Depois de uma coligação dirigida pelos Estados Unidos ter desvastado o Iraque em 1991 para castigar “Saddam-Hitler” os Estados Unidos impuseram sanções criminosas através das Nações Unidas (…) É provável que tenham morrido um milhão de crianças como no holocausto nazi. Interrogada na televisão nacional sobre essa hecatombe terrível, a secretária de Estado Madeleine Albright respondeu que “o preço justifica-se” (p. 166)
“O desafio actual é restaurar o holocausto nazi como um tema racional de investigação. Só nessa altura poderemos de facto aprender com ele” (p. 169)
10/04/2008
PORTUGAL 4

AAVV, Optimismo e Pessimismo Acerca do Futuro de Portugal, Lisboa, Ed. Colibri/Fundação Mário Soares, 2008 (154 pp. e ca. 8.5 euros)
Fernando Catroga:
“Seja na metáfora vintista da “pátria moribunda”, seja na concepção espiritualista e orgânico-historicista de Herculano, seja no organicismo centífico-metafísico de Antero de Quental e de Oliveira Martins, seja no organicismo historista e psicofisiológico (com a pretensão de ser cientifico) de Teófilo Braga e de republicanos positivistas, seja ainda naquele outro, nacionalista, essencialista e místico, de Pascoaes e da Renasceça Portuguesa ou, no plano politicamente oposto, de António Sardinha e seus companheiros do Integralismo Lusitano, detecta-se a omnipresença de um pano de fundo comum: a previsão (ao contrário) de que no passado existiu um momento de apogeu o qual, contudo, por culpas próprias e, sobretudo alheias, (Inquisição, Absolutismo, Napoleão, Inglaterra, etc.) virou em decadência a páginas tantas do livro da história (p.11)
(…) “diversos estudos têm detectado o peso dos vocábulos como “revolução”, “fundação”, “regeneração” no período vintista, utilizados num contexto de esperança. É sabido que, após o seu patente incumprimento, ao período que se pensou ser de consolidação de nova ordem se chamou “regeneração”, esse nome português do capitalismo (Oliveira Martins) No entanto, contra esta levantar-se-ão os jovens intelectuais dos anos 1860-1870, talvez o primeiro núcleo que tudo fará para se autoconsagrar como “geração” (veja-se o In Memoriam dedicado a Antero de Quental” (p.29)
António Pedro Pita:
"Um duplo circuito de optimismos e de pessimismos. Entre tradição e e novidade, o povo sofre o presente numa tensão não resolvida pois, por força das circunstancias imediatas, ora parece ser dominado pela força nostálgica da tradição (é o pessimismo), ora parece ser dominado pela força deslumbrada de novidades (é o optimismo) numa oscilação de expectativas e de frustrações elementares e superficiais. Entre tradição e novidade, as elites inscrevem (quer dizer, dissolvem) o presente, ora numa história como decadência, ora numa história como progresso, que supõem dominar. Mas por razões inerentes à sua própria história, oscilam entre expectativas e frustrações não socializadas, processos que se repetem sem consequências, inovações que permanecem factos sociais desenraizados.
O problema consiste em unificar esse duplo conceito: uma tarefa histórica por que espera o presente, rebelde à dissolução no passado ou num futuro. (p. 108,9)
José Gil:
"A Europa entrou numa enorme depressão. (…) durante mais de um século, gerações e gerações que se sucederam eram levadas por um movimento geral em que havia utopia, havia esperança, em que havia futuro e em que o futuro trabalhava intensamente o presente. A situação de Portugal como é que ela se pode perspectivar hoje através disto que aconteceu na Europa? Vive-se também um efeito do que aconteceu durante 48 anos, isto é, herda-se, há um consciente que se herda por gerações. Quer dizer que um jovem que nem sabe por exemplo, quem é Salazar, quem foi Salazar, e diz “Eu sou livre” não é nada livre. Ele tem ali marcado no corpo, no seu inconsciente uma série de estigmas que herdou necessariamente porque nós ainda não os varremos do nosso corpo e do nosso espírito” (p. 152)
9/29/2008
TESTEMUNHO 13
KURNAZ, Murat, O Meu Inferno em Guantánamo – O testemunho de um prisioneiro, Porto, Ed. Âmbar, 2008 (284 pp. e ca. 20 euros)
“Quando regressei à gaiola não acreditei nos meus olhos: havia um novo prisioneiro [Abdul - N. de Kriu] (…) teria dezanove ou vinte anos (…) já não tinha pernas. As feridas eram muito recentes. Sentei-me na gaiola e quase não conseguia olhar para lá. (…) os cotos estavam cheios de pus. (…) Foi levado para interrogatório. (…) Ergueram-no e arrastaram-no pelo corredor, os seus cotos balançavam no ar e Abdul dava gritos horríveis “ (pp. 106/08)
“Abdul não era o único a quem tinham amputado uma parte do corpo. Assisti a isso muitas vezes em Guantánamo. Sei de um prisioneiro que se queixava de dores de dentes (…) não apenas lhe arrancaram o dente doente mas também oito dentes sãos (…) Muitos [prisioneiros] tinham pernas, braços ou pés partidos porque eram frequentemente espancados com bordões. Os ossos partidos também ficavam sem tratamento. (…) Vi um homem ser levado para o interrogatório. Quando regressou tinha o braço pendente, imóvel, apenas mantido preso ao corpo pela pele e pela carne. Nunca vi ninguém com gesso. Isso sara por si, diziam os guardas. (p.109)
“Uma vez consegui descobrir uma coisa dentro daquela gaiola (…) consigo ver o corredor através de uma fenda estreita. Teria sido melhor não ter feito isso. Porque quando os guardas chegaram com a comida e eu os estou a ver através da fenda, vejo como eles cospem na comida, antes de abrirem a portinhola e estenderem os pratos! Eles cospem em todos os pratos (…) Até àquele momento eu tinha-me alegrado quando vinha a comida. (p. 163)
9/28/2008
ZEN 2
Un moine demanda à Chao-choui: “Je viens d’ entrer au monastère: je t’ en prie, donne-moi um conseil.”
- As-tu mangé ton gruau de riz? – demanda Chao-choui.
- Oui, je l’ ai mangé, répondit le moine.
- Alors, va laver ton bol.
“Le Zen est le dernier mot de la philosophie, écrivit Suzuki [Daisetz Teitaro Suzuki, viveu entre 1870 e 1966, e iniciou gerações de Ocidentais no budismo Zen – N. de Kriu] le fait psychique ultime, que survient lorsque la conscience religieuse est developpée à l’ extrême (…) chez lez bouddhistes, les chrétiens, les philosophes”
(p. 263)
“Si un homme veut
être sur de son
chemin, qu’il ferme
les yeux et marche
dans l’ obscurité.
Saint Jean de la Croix
9/26/2008
TESTEMUNHOS 11
VALDES, Roberto L. Blanco, La aflicción de los patriotas, Alianza Editorial, 2008 (Ca.260 pp. e ca. 17,50)
“Solo acaba llegando el que coñoce adónde va. (…) Según los no nacionalistas la autonomia há constituído el cemento que nos há unido en libertad; según los nacionalistas, há sido y debe seguir siendo hacia la definitiva secessión de sus Comunidades respectivas” (p.59)
“Pêro casi nada de eso [cientos de miles de parados, cientos de miles de inmigrantes, que huyen de la violência y de la miséria, miles de ancianos en la más absoluta soledad, miles de enfermos en las listas de espera, miles de mujeres sometidas a situaciones personales o professionales vejatorias, milles de estudantes que fracassan – N. de Kriu] existe pue en este país, desde hace muchos años, la llamada cuéstion vascã ocupa les energias que, en condiciones normales, merecerían ocupar los problemas referidos” (p.32)
"Los etarras no son, desde luego los vascos generosos, los vascos laboriosos que, desde posiciones políticas distintas y legitimas (nacionalistas y no nacionalistas) luchan por mejorar la situación de su país. Los etarras no forman parte de eso imenso mayoria del admirable pueblo vasco que ha trabajado, generación tras generación, por hacer de su país, y hacer de España, un lugar donde se puedo vivir en paz y libertad. Pero sí son vascos los etarras. Son unos vascos que han llegado al convencimiento pleno y absoluto de que su lucha exige asesinar, secuestrar e extorsionar." (p. 169)
9/25/2008
TESTEMUNHOS 10
CHOMSKY, Noam, Assalto ao Médio Oriente, Lisboa, Ed. Antígona, 2003. (Ca. 192 pp. e ca. 7,5 euros)
“O 11 de Setembro teve efeito por todo o mundo, o mesmo efeito em toda a parte, perfeitamente previsível. O efeito foi o de os elementos brutais e repressivos espalhados por todo o mundo verem nos acontecimentos uma oportunidade única. Podem dar largas aos seus planos sem se sujeitarem a impedimentos, enquanto a população está assustada, obediente, silenciada, por um apelo unilateral ao patriotismo, que equivale a dizer-lhes que se cale enquanto eu aplico os meus planos de maneira ainda mais agressiva e mais implacável do que dantes” (p.147)
“uma forma de minar completamente a democracia é entregar tudo ao poder privado. O poder privado não presta contas a ninguém. Excepto através de uma ordem do Congresso, não se pode saber o que está a acontecer dentro de uma das tiranias privadas, como a General Electric ou a Enron (…) São tiranias e estão em grande parte ao abrigo de qualquer prestação de contas. Portanto, se os do poder puderem transferir a arena pública para as suas mãos, poderão fazer eleições formais sem qualquer preocupação.” (p.112)
[o jornal egípcio semi-oficial al-Abram referia-se - N. de Kriu] “ao eixo do mal composto pelos Estados Unidos, a Turquia e Israel. É um eixo real (aplausos). Quanto mais não seja existe uma aliança estreita, e não é secreta, é aberta, é sólida. É constituída pelos três: os Estados Unidos, obviamente senhores do mundo, Israel e a Turquia, as duas maiores potências militares na região, ambas mais ou menos bases militares dos Estados Unidos. (…) Era o que a administração Nixon chamava os “polícias locais de mão dura”. (p.154)
9/22/2008
POEMA 11 Francisco Vaz, in: Sulscrito nº 2 Verão 2008 - Revista de literatura - p. 19
el rancio sdor a macho que desprendía su tio
y el húmedo hisopo que guardaba en su entrepierna
con el que bautizou su culo imberbe de once añitos
y ahora ya ves lo que es la vida
su tío yace moribundo en el hospicio
y a él le gustaria pero no irá visitarlo
seguro que lo imagina niño aún o acaso hombre
y no desea crearle problemas de conciencia
a quien descubrió la verdad que otros tapaban
cuánta vida perra desde entonces
cuánta cama e cuánto frio
cuánto hombre e cuánta oscuridad de esquina
cuánto semen degustado e cuánta herida abierta
al asco y al azogue
cuánto azote desmedido y cuánta soledad
nunca soportó el perfume de los señoritos perversos
que adoran la polla des chapero como un trofeo oculto
y públicamente sin embargo la desprecian
fue tanta humillación repulsiva la que tuvo que tragar
y tragó a cambio del dinero necesario
para ser quiem siempre quiso ser y le negó la biologia
hoy Francisco está orgullosa de ser Paca la travesti
y se muere de amor por un currante que ni la mira
a veces se le acerca como una gatita indefensa
y cierra los ojos y aspira el aroma agridulce
que desprende su ropa de trabajo
y piensa que si él quisiera estaria dispuesta
a dárselo todo
a comprarle un trono y tenerlo como un rey
a ofrecerle los mejores años de su vida
y a amarlo hasta la muerte.
9/21/2008
CAPITALISMO 19
“This book wouldn’t exist if it wasn’t for the tireless, unsung efforts of people everywhere working for no reward except the sweet knowlodge traht they are in the right place, at the right time in history, doing the right thing. This book is for them.”
“All I was trying to do was defend our local bit of land. I’ ve never thought of myself as political before but this has shown me that all life is politics – if you step out of line”
(p. 31)
“Carnival and rebellion have identical goal: to invert the social order with joyous abandon and to celebrate our indestrutible lust of life. Carnival breaks down the barriers of capital, and releases the creativity of each individual. It throws beauty back into the streets, streets in wich people begin to really live again. During Carnival, as in rebellion, we wear masks to free our inhibition, we wear masks to transform ourselves, we wear masks to show that we are your daughter, your teacher, your bus driver, your boss. Being faceless protects and unites us while they try to divide and persecute. By being faceless we show that who are is not important as what we want, and we want everything for everyone.
So we will remain faceless because we refuse the spectacles of celebrity, we will remain faceless because the world is upside down, we will remain faceless because we are everywhere. By covering our faces we show that our words, dreams, and inagination are more important than our biographies. By covering our face we recover the power of our voices and our deeds. By wearing masks we become visible once again” Alice Walker (p. 346)
“Utopia is on the horizon: when I walk two steps, it takes to steps back... I walk ten steps, and it is ten steps further away. What is utopia for? It is for this, for walking.”
Eduardo Galeano
TESTEMUNHOS 9
SOLJENITSYNE, Alexandre, O Declínio da Coragem, Discursos de Harvard, Junho 1978, Lisboa, Ed. Rolim, s.d. (ca. 51 pp. e ca. 9 euros)
“É talvez o declínio da coragem o que mais chama a atenção dum estrangeiro no Ocidente de hoje. A coragem cívica não só desertou globalmente do mundo ocidental mas também de cada um dos países que a compõem (…) e, bem entendido, da Organização das Nações Unidas. Este declínio de coragem é particularmente sensível na camada dirigente e na camada intelectual dominante e daí vem a impressão de que foi de toda a sociedade que a coragem desertou. (…) Os funcionários públicos e intelectuais patenteiam este declínio, esta fraqueza e esta irresolução, tanto nos seus actos como nos seus discursos e, mais ainda, nas suas considerações teóricas que fornecem com toda a complacência, para provarem que esta maneira de agir, que alicerça a política dum Estado na cobardia e no servilismo, é pragmática, racional e justificada, seja qual for o plano intelectual, ou mesmo moral, em que nos coloquemos. Este declínio da coragem que, aqui e ali parece ir até à perda de todo e qualquer vestígio de virilidade, encontramo-lo (…) nos casos em que esses mesmos funcionários sofrem súbitos acessos de valentia e intransigência para com governos sem força de países fracos, que ninguém apoia, ou para correntes condenadas por todos e que, manifestamente, não têm qualquer possibilidade de poder ripostar, ao passo que sentem a língua secar-se-lhe e as mãos paralisarem-se-lhe diante de governos mais poderosos e das forças ameaçadoras (…) da Internacional do terror.
Será preciso lembrar que o declínio da coragem foi sempre considerado como um sinal percursor do fim? (pp. 15 a 17)
“Se me perguntarem se eu quero propôr ao meu país como modelo o Ocidente, tal como hoje se apresenta, devo responder com franqueza: não, não posso recomendar a vossa sociedade como ideal para a transformação da nossa (…) Uma sociedade não pode permanecer no fundo do abismo sem leis, como é o nosso caso, mas será irrisório manter-se à superfície lisa dum juridismo sem alma, como sucede convosco. Uma alma humana acabrunhada por muitas dezenas de anos de violência aspira a algo de mais elevado, mais quente e mais puro do que o que pode propôr-lhe a existência de massa no Ocidente, anunciada, como se fosse um cartão de visita, por uma pressão enjoativa de publicidade, pelo embrutecimento da televisão e por uma música insuportável. (…) O modo de vida ocidental tem cada vez menos probabilidades de vir a ser o modo de vida dominante” (pp. 33,4).
“Pusemos demasiadas esperanças nas transformações políticas-sociais e notamos que nos tiraram o que tínhamos de mais precioso: a nossa vida interior. A Leste, é a feira do Partido,(…) a Oeste a feira do Comércio” (p. 49)
“(…) esta viragem [da História – n. de Kriu] exigirá de nós uma nova altitude de vistas (…) em que a nossa natureza física terá deixado de estar entregue à maldição, como na Idade Média, mas na qual a nossa natureza espiritual terá também deixado de estar calcada aos pés como era na Idade Média” (p. 51)
9/11/2008
9/10/2008
ALTERNATIVA 10
(…) o pesticida não desaparece assim tão facilmente das sementes: no caso do nosso milho, os insectos predadores de uma borboleta, cuja lagarta devora os pés de milho, também ingerem o veneno. Os pesticidas acumulam-se e concentram-se na cadeia alimentar. O homem é o grande animal no fim dela.
(…) No Brasil verificou-se um aumento de alergias à soja com o aumento de soja transgénica.
Estamos convencidos de que se levássemos em conta os custos de avaliação (o que seria indispensável) dos efeitos transgénicos na cadeia alimentar e no meio ambiente – custos muito altos pois essa avaliação pode levar cinco a dez anos – constataríamos que esses produtos não são rentáveis.
2. Ser solidário com outros camponeses de outras regiões
3. Respeitar a natureza.
4. Valorizar os recursos abundantes e economizar os recursos parcos.
5. Buscar a transparência no acto da compra, da produção, da transformação e venda de produtos agrícolas.
6. Assegurar a boa qualidade gustativa e sanitária dos produtos.
7. Visar ao máximo de autonomia no funcionamento das unidades agrícolas.
8. Buscar parcerias com outros actores do mundo rural.
9. Manter a diversidade das populações animais e das variedades vegetais.
10. Raciocinar sempre a longo prazo e de maneira geral.
9/09/2008

PAULEMA
"Paulema" só se encontra à venda na Livraria Rodrigues, Rua do Ouro, 188 em Lisboa.
(Neste blog extractos)
DEPOIS DO LANÇAMENTO NO BRASIL (TERESINA) LANÇAMENTO EM PORTUGAL (LISBOA) NO MUSEU DA RESISTÊNCIA, EST. DE BENFICA, 419, ÀS 19 HORAS DE 3 DE OUTUBRO.
PAULEMA QUE DÁ TITULO AO LIVRO - UMA TRILOGIA - CONTA O AMOR DE DOIS ADOLESCENTES. MAS SERÁ ISSO?
ANABELA TEIXEIRA E RUI QUINTAS LERÃO PARTES
"Estou convicta que há muito tempo, talvez anos, não tenha lido algo tão forte, intenso, denso (...) Acho que é sobre o Amor"
Graça Costa
"Devora-se, identificamo-nos, sente-se. É forte, muito forte. É bom, sim, é bom"
Gabriela Fonseca
9/06/2008
POLÍTICA 4

“A França e o mundo mudaram bastante desde os famosos “Acontecimentos de Maio”: o gaulismo e o comunismo já não dominam o pensamento e a cena política, o muro de Berlim e as torres gémeas de Manhattan caíram, a guerra fria acabou (…) substituída pelas guerras quentes do pós-comunismo, por todo o lado se sente a ameaça de um terrorismo nihilista, a sida desabou sobre o planeta, a Europa democrática foi parcialmente reunificada, dois genocídios vieram, no Cambodja e no Ruanda, sobrecarregar ainda mais as contas de uma incorrigível humanidade, o euro substituiu o franco, a esquerda assumiu o poder para depois o perder, os antigos revolucionários aburguesaram-se, a interrupção voluntária da gravidez, a pílula abortiva e o pacto civil de solidariedade já são aquisições consensuais, o século XX morreu, um novo milénio começa. Qual a actualidade de 68 em 2007?” (p.11)
“A ruptura contemporânea não se contenta com dessacralizar a ordem estabelecida: dessacraliza-se em permanência” (p.198)
“A ruptura histórica é gigantesca. Com Maio de 68, Lisboa de 1974 e Kiev em 2004, a revolução entra na era godeliana de “incompletude”, e da inconsciência. Deixa de se viver como sistema fechado e deixa de devorar, tal como Saturno, os próprios filhos. Abandona toda e qualquer ideia de luta final ou de solução com o mesmo nome, “deixa de ser para existir” e, assim fazendo, rompe com quatro séculos de busca proteiforme de Absoluto.
Reencontra uma nova energia” (p.201)
“O instante sagrado em que o indivíduo deixa de ser ele próprio para se transformar em Estado, para se inscrever numa tradição, em códigos, em costumes que o ultrapassam (…) Curiosa alienação do povo que se transforma em servido do Estado.
Tendo compreendido a natureza do poder e apercebendo-se de que eram demasiado frágeis para o enfrentar, os militantes de 68 fugiram da política institucional como da peste. Deixaram o Estado marinar no seu arcaísmo e a França mergulhar na esquizofrenia. A “limpeza do pó” feita por Maio deve por fim atingir esse grande totem veneziano [alusão ao retrato do doge Loredan pintado por Bellini – N. de Kriu] implantado no coração da Republica” (p. 233)
9/05/2008
ALTERNATIVA 9 RESERVA NATURAL DA SERRA DE CAPIVARA - BRASIL
Entrevista in .: O Eco :. - Entrevista - Muito além da pesquisa - com Niède
Enviar
Muito além da pesquisa - com Niède Guidon e Anne-Marie
Sérgio Abranches, Marcos Sá Corrêa, Manoel Francisco Brito, Lorenzo Aldé e Carolina Elia
06.03.2005
9/02/2008
FACTA 11 - LANÇAMENTO DE "PAULEMA" NO BRASIL
Teresina
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Arte e Cultura
23/08/2008 - 14:52 - Leilane Nunes Festluso
Escritor português faz crossbooking de livro inédito em Teresina
O escritor português Carlos Gouveia e Melo vem à Teresina junto com o Grupo de Teatro Extremo participar do Festival de Teatro Lusófono e traz na bagagem um presente aos piauienses. Sua mais recente obra, Paulema, será passada de mão em mão. O crossbooking será organizado pelo escritor, em parceria com o Portal AZ. Paulema, segundo o próprio autor, trata da vida de dois adolescentes, o Paulo e a Ema, que fogem ao Fascismo. O livro é de leitura fácil, mais apta aos iniciados na literatura, que “lê-se ou devora-se sem qualquer dificuldade”. O lançamento oficial só acontecerá dia 03 de outubro, no Museu da Resistência, em Lisboa. “O crossbookning será o primeiro ritual do livro junto ao público”, confessa Carlos. Gouveia e Melo mora em Lisboa e está concluindo doutorado em Estudos Artísticos na especialidade de Estudos Teatrais na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Publicou, em 1998, A Escada; e A Santa Mãezinha, em 2003. É premiado em diversas áreas como pintura, encenação (duas vezes), escrita para teatro, performance e literatura (prêmio Revelação em Ficção da Associação Portuguesa de Escritores/Instituto Português de Livro e das Bibliotecas). O Festival de Teatro Lusófono acontece de 24 a 30 deste mês. A abertura acontece às 19h, com a exposição fotográfica “Luz, câmera, encenação”, na galeria do Clube dos Diários. Às 21h tem o espetáculo “Cabaré da RRRRRaça”, com o Bando de Teatro Olodum, de Salvador (BA).
Portal AZ - Informação de verdade - O portal de Notícias do Piauí
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