4/14/2010
DESTAQUE 19 - Extracto de carta do meu ex-colega de liceu João Martinho
Caro Carlos Melo:
Conforme nossa conversa (…) abaixo envio texto do projecto do Villaret que espero, possa merecer a tua divulgaçao.
Um Abraço
João Martinho
Caro Amigo
Como já deve saber estamos a desenvolver no Villaret um projecto que
se chama "Ler o Mundo em Português".
Como projecto independente ele só poderá sobreviver se contar com a
cumplicidade de todos aqueles que sentem a importância estratégica do
projecto cultural e artístico centrado no universo da língua
portuguesa e capaz de fazer pontes entre os diferentes criadores que,
por todo o mundo, pensam o mundo em português.
A cumplicidade que lhe pedimos é que nos ajude a mobilizar os 10.000
espectadores que necessitamos para que o projecto seja autosuficiente.
(…) E é tão fácil mobilizar 5 dos seus amigos para vir
ao teatro, e para vir ver um musical com a qualidade que nós esperamos que
tenha "O Que Faz Falta"
Obrigado.
"O Que Faz Falta", o primeiro espectáculo do projecto que nós propomos
desenvolver no Teatro Villaret, é um musical com canções de Zeca
Afonso e Chico Buarque, a partir da Fuenteovejuna de Lope de Veja.
"O Que Faz Falta" [quer] (…) provocar uma reflexão em português sobre as múltiplas formas de se sair da crise e inventar um outro futuro, (…) o teatro
só tem sentido se falar e questionar o seu tempo.
“O que faz falta” conta a história da revolta do povo de Fuenteovejuna
contra um comendador déspota e violador. Esta é a essência da história
que Lope de Vega escreveu (…) no início do séc. XVII.
Integramos nesta história as músicas de Zeca Afonso e Chico Buarque
(…) Tal como em 1600 o povo de Fuenteovejuna se revoltou contra o
comendador, tal como nos anos 60 e 70 Zeca Afonso e Chico Buarque
lutaram contra a ditadura, queremos que hoje cada um de nós tenha
consciência do que faz falta para inventar um outro tempo.
(Até 16 de Maio, de quarta-feira a sábado, às 21h30 e domingos às 17 horas)
Preço: 15€.
Contactos:
Teatro Villaret
Bilheteira: 21 353 85 86 / 962199978
4/13/2010
TESTEMUNHOS 18
CLEMENTS, Alan, Aung San Suu Kyi, A Voz da Esperança. Colares: Pedra da Lua, 2009 (Ca. 310 pp. e 21 euros)
“Nunca me vi uma pessoa particularmente corajosa. (…) [vejo-me] como alguém perseverante. Não renuncio. Quando digo «não renuncio» não estou a falar de não renunciar a trabalhar pela democracia. A isso é evidente que não renuncio, tal como não renuncio a tornar-me uma pessoa melhor” (p. 68)
“Talvez [o ditador] não tenha nada a ver com a própria execução e talvez nem pense nela no dia seguinte. Porém, o facto de ter mandado executar outro homem significa que a sua sensibilidade endureceu muito. (…) Sempre que fizer qualquer coisa a alguém também o faz a si próprio. “ (p. 86)
“(…) não há nada com que valha a pena emocionar-se excessivamente.” (p. 126)
“Algumas [pessoas] quando se sentem magoadas [com a verdade] analisam a fonte da dor e aprendem a lidar com ela racional e inteligentemente, enquanto outros se tornam violentos e atacam aqueles que as rodeiam, sem se preocuparem em saber se foi dor causada por eles próprios ou pelos outros.” (p. 191)
“Terá de aprender a viver e lidar com a luz, a ver em vez de não ver.” (p.197)
POEMA 17 NATÁLIA CORREIA
O Livro dos Amantes, 2
“Harmonioso vulto que em mim se dilui.
Tu és o poema
e és a origem donde ele flui.
Intuito de ter. Intuito de amor
não compreendido.
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido”
Tu és o poema
e és a origem donde ele flui.
Intuito de ter. Intuito de amor
não compreendido.
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido”
4/07/2010
GESTAO 18
GODIN, Seth, Tribos – Precisamos de um líder. Alfragide: ed. Lua de Papel (Ca. 140 pp. e 12 euros)
“Se não se sentirem desconfortáveis no vosso trabalho como líderes, é quase certo que não estão a alcançar o vosso potencial máximo como líderes” (p. 54)
“A primeira coisa que têm de saber é que as pessoas hoje em dia têm muito mais poder (…) A segunda coisas (…) é que a única coisa que vos impede de serem mais uma daquelas pessoas que fazem a mudança é isto: falta de fé. Fé em como são capazes. Fé em como vale a pena. Fé em como os fracassos não vos vão derrubar” (p. 68)
“Se ninguém se importa, então não temos tribo. Se não nos importamos (…) é impossível liderarmos” (p.115)
4/06/2010
CITAÇÃO 1
Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.
José Saramago – Cadernos de Lanzarote - Diário III – p. 148
4/05/2010
PORTUGAL 10
VALADAS, Jorge, A Memória e o Fogo. Lisboa: Ed. Livraria Letra Livre, 2010 (ca. 157 pp. e 12 euros)
“O sucesso da «modernidade» nas sociedades pobres do Sul da Europa, reside justamente na capacidade de fazer coexistir duas formas de miséria (…) a miséria alienada do consumidor moderno com a dos que se mantêm privados desse estatuto. Registando-se todavia uma constante neste processo: continua a aumentar a diferença entre ricos e pobres – entre a nova classe média e os desfavorecidos” (p. 58)
“ (…) a corrente anarquista e sindicalista revolucionária maioritária no início do século XX, portadora de um projecto utópico de igualdade social. No decurso dos três primeiros quartéis do século XX as classes dirigentes portuguesas empenharam-se em esmagar essa corrente crítica, altiva, voluntária e subversiva (…) procurando reduzir novamente a imagem do povo explorado ao estereótipo do Zé Povinho. Mas quando esses valores já tinham sido considerados definitivamente extintos, eles voltaram a emergir logo que a canga autoritária foi arrancada pela revolução dos cravos. Coube então ao PCP, que ao longo da repressão salazarista havia capitalizado a energia subversiva popular, a tarefa de abafar tudo o que pudesse remeter para a ideia de auto-emancipação. (…) No seu tempo Antero havia já entrevisto o lado efémero da revolta nos territórios peninsulares «[A] monarquia acostumando-o à inércia que espera tudo de cima, obliterou o sentimento instintivo da liberdade, quebrou a energia das vontades, adormeceu a iniciativa; quando mais tarde lhe deram a liberdade não a compreendeu, (…) nem soube usar. As revoluções podem chamar por ele, sacudi-lo com força; continua dormindo sempre o seu sono secular!”
4/01/2010
GESTÃO 17
WOODWARD, Jeanette, Encontrar Emprego Depois dos 50. Lisboa: Actual Editora, 2010 (ca. 230 pp.e 19.00 euros)
“Não se lance numa enumeração de experiências passadas e assegure-se de que responde directamente às perguntas feitas. (…) Se aborrecer o entrevistador, certamente não será recordado como sendo o melhor candidato” (p.146)
“Se a sua história profissional não condiz com o emprego ao qual se está a candidatar, incluir [no Cv] uma secção intitulada “Competências Profissionais” junto do topo da primeira página… Como não tem que indicar os empregos específicos onde adquiriu essas competências, pode procurar em toda a sua carreira know-how de que se tenha esquecido.” (p.143)
"Não se esqueça de tem pontos fortes que só podem ser conquistados com anos de experiência. Não se subestime." (p. 145)
"Não se esqueça de tem pontos fortes que só podem ser conquistados com anos de experiência. Não se subestime." (p. 145)
3/31/2010
HISTÓRIA 9
“(…) La démarche d’ Orlando Figes différe de celle de ses prédécesseurs (…) [Orlando Figes] place le ressentiment au coeur des événements de 1917 et après. Il rend compte de la violence des paysans et des soldats, puis des Blancs, violence qui constitue le moteur des événements (…) «Après avoir assisté au spectacle admirable de la révolution, écrivait Rozanov-Varvarin dans Russkoe Slovo, les gens cultivés voulurent prendre aux vestiaires leurs beaux pardessus fourrés et réintégrer leurs demeures. Mais les palisses avaient disparu et les maisons étaient en flammes»
(Préface de Marc Ferro, pp. 19, 20)
“Orlando Figes fait penser à Titien parce que, sans se soucier des reconstructions théoriques (…) il aborde les problèmes de la societé par la multiplicité des études de cas qu’ elle présente, tout en étant parfaitement informé du bilain des travaux de l’ histoire sociale ou de celles de la science politique”
(Idem, p. 21)
3/12/2010
Gonçalo Luís Barra
Cigarra
De trás para a frente na quente e escura gaiolinha
Não grilo mas voraz pela alface fresca e verdinha
Não pelo sumo que tem também mas pelos folhos
Presa avara e húmida como o brilho desses olhos
3/10/2010
ARTE CLANDESTINA
MANIFESTO
arte clandestina
Por entre a euforia das obras contentes de si mesmas, a mais das vezes em bicos de pés ou aos ombros de satisfeitos autores, quero o meu fazer clandestino.
Não gosto de dar a saber e tenho asco a que me sigam.
Gosto de ser onde ninguém me saiba, o meu prazer é todo de forros e bainhas.
Não, não quero dar nas vistas - mais do que já dou – mais do que ser este que me dança e perde.
Para quê acrescentar notícias à desdita?
Por isso, oh público – ou amigos a quem nunca conto o que fabrico – um e outros por favor não amuem: o meu prazer são espaços de vazio, vagares de silêncio, tempo gotejando de relógios parados nas paredes.
Como ouvir na barafunda?
Sim, arte (à falta doutra palavra?) clandestina – eis o meu apelo.
Onde?
Quando?
Submersa.
3/08/2010
POLITICA 10
NOHLEN,Dieter, Os sistemas eleitorais: o contexto faz a diferença. Lisboa: Livros Horizonte (Ca. 158 pp. e 15 euros)
“Considero como sistemas eleitorais clássicos os sistemas de maioria relativa e absoluta assim como o sistema de representação proporcional pura, isto é, sistemas eleitorais, cujos efeitos Maurice Duverger formulou os seus enunciados deterministas que são ainda hoje uma referência quase obrigatória para qualquer trabalho científico sobre sistemas eleitorais (1). (Pág. 122)
(1) Sucintamente, as famosas «leis sociológicas» de Duverger (Die Politischen Parteien (edição castelhana, 2001, Los Partidos Políticos), Tubingen, Mohr) – que enunciam que o sistema de maioria relativa conduz a um sistema bipartidário com dois grandes partidos que se alternam no exercício do poder) enquanto o sistema de representação proporcional conduz a um sistema multipartidário (…) (Nota in pág. 145)
2/20/2010
DESTAQUE 12 Secção de Tauromaquia no futuro Conselho Nacional de Cultura NÃO!!
Subject: Secção de Tauromaquia no futuro Conselho Nacional de Cultura NÃO!! - Crueldade para com os animais não é cultura!!
Exm.º Senhor Primeiro MinistroExm.º Senhor Ministro da Presidência do Conselho de MinistrosExm.ª Senhora Ministra da Cultura
Com Conhecimento a:Exm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do PSExm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do PSDExm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PPExm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do BEExm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do PCPExm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do PEV
Excelências,
Tendo tomado conhecimento que o Ministério da Cultura pretende criar uma secção de tauromaquia no futuro Conselho Nacional de Cultura, venho por este meio apelar a que tal seja evitado.Não considero a Tourada cultura e sendo eu, assim como a maioria dos portugueses, contra este tipo de espectáculo a todos os níveis deplorável e que em nada dignificam o nosso País não quero que os meus impostos o financiem de qualquer forma, directa ou indirectamente.
A Declaração Universal dos Direitos do Animal, aprovada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e ONU, reconhece a necessidade de respeitar o bem estar e natureza dos animais não humanos. Portugal subscreveu-a.
Por isso vamos chamar as coisas pelos seus nomes: Negócios de crueldade que humilham e matam pela dor qualquer ser vivo, nunca serão arte nem cultura.
Assim, apelo a que V/Exas. interceda no sentido de que não seja criada nenhuma secção de Tauromaquia no referido Conselho Nacional de Cultura, nem que esta actividade possa de alguma forma vir a ser financiada ou promovida à custa de dinheiros públicos.
Nenhuma sociedade pode ser considerada civica e culturalmente evoluida quando permite a prática da barbárie sobre seres vivis sejam de que espécie forem !
Na expectativa da melhor atenção ao acima exposto , apresento a V. Exas. os meus melhores cumprimentos,
Associação Gatos Livres
EDUCAÇÂO 4
MELO, M. Benedia Portugal, Os Professores do Ensino Secundário e os Rankings Escolares – Reflexos da reflexividade mediatizada. Vila Nova de Gaia: ed. Fundação Manuel Leão, 2009 (ca. 460 pp. e 20 euros)
“os [sociólogos] e as crianças pequenas possuem uma importante qualidade em comum. Podemos dizer que o [sociólogo] permanece toda a sua vida tão capz de se surpreender como uma criança pequena”
(Jostein Gaarder in O Mundo de Sofia, 1995)
“Estados fracos são precisamente o que a Nova Ordem Mundial precisa para se sustentar e se reproduzir pois estes podem facilmente ser reduzidos ao (útil) papel de distritos policiais locais que garantem o nível médio de ordem necessário para a realização de negócios, mas não precisam de ser temidos como freios efectivos à liberdade das empresas globais” (Bauman, 1999. Globalização: As Consequências Humanas: Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, p. 76) (p.33)
“No entender dos seus autores, a utilização de “pedagogia” e a sua defesa por parte da filosofia educativa proposta pelo Ministério da Educação não contribui para a inculcação, nos alunos, “de uma cultura de exigência, esforço e trabalho para a transmissão de um saber rigoroso e científico”: (…) As pedagogias reinantes têm feito acreditar que os docentes serão bons, se trouxerem muitas e diversificados materiais para a sala de aula (…) e se evitarem expor matérias para não maçar os alunos com o saber fundamental”
“(…) caso não se enfrente a questão pelo lado ideológico da “pedagogice”, jamais sairemos deste buraco” (Gabriel Mithá Ribeiro, (…) autor do livro “A Pedagogia da Avestruz”. Lisboa: Gradiva, textos de opinião, Público, 12/10/03 (p.236)
2/18/2010
A minha terra 1 - S. Vicente, por NAIR LÚCIA DE BRITTO
ENCENAÇÃO DA FUNDAÇÃO DA VILA DE SÃO VICENTE
Para quem não conhece São Vicente, vale lembrar que ela é um pequeno ponto no mapa do Estado de São Paulo (Brasil). E uma das cidades que compõe a Baixada Santista, no litoral Sul.
A principal cidade da Baixada é Santos; cuja importância se deve à boa qualidade de vida, aos seus famosos jardins e ao Porto. A chegada dos navios de passageiros, ou de carga, é sempre uma atração irresistível.
O aniversário da cidade, 22 de janeiro, é comemorado durante toda uma semana, com a apresentação da encenação da fundação da Vila de São Vicente: um espetáculo teatral realizado ao ar livre.
O palco é a praia e, ali, se rememora a fundação da Vila em 1532 pelo navegante português, Martim Afonso de Souza, que chegou ao Brasil para esse fim, a mando do rei de Portugal: Don João VI.
Em 2010 a cidade comemorou 478 anos de fundação e o enfoque foi a primeira eleição e a sede da primeira Câmara das Três Américas, realizadas em São Vicente; enaltecendo a participação da mulher nessa conquista.
“É uma aula de história ao ar livre”, disse o atual prefeito, Tércio Garcia.
Neste ano, o palco abrangeu um espaço de 20 metros2, cercado por 35 camarotes para acomodar dez mil pessoas. Foram utilizadas três mil peças de roupas, para caracterizar os personagens; e trezentas peças de material cenográfico.
O evento, que se tornou um patrimônio cultural e de referência nacional, teve início em 1982, quando o saudoso Antonio Fernando dos Reis, de ilustre família portuguesa, era o prefeito da cidade.
Elenco da “Encenação” de 2010:
Henri Castelli: Martim Afonso de Sousa
Juliana Knust: Ana Pimentel (esposa dele)
Júlio Rocha: João Ramalho
Nuno Leal Maia: Pedro Álvares Cabral
Marissol Dias: Índia Bartira
Rogéria: representando a Europa
Cissa Guimarães: representando a América
NAIR LÚCIA DE BRITTO
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