11/22/2009

CRONICA 1 -"Charlie" por Nair Lucia De Britto



CHARLIE



Charlie é uma graça!

Somos bons amigos, porque nos identificamos muito... sabe!

Quer dizer, ele é calmo; eu também.

Não gosta de fazer nada com pressa, nem eu! Pressa pra quê?

Pra ficar com a pressão alta? Eu, heim!

Roma não se construiu num só dia. O que não der para fazer hoje, fica para amanhã. Fazer o quê?


Charlie me entende melhor do que qualquer pessoa. Quando me sinto triste, ou só... lá vem ele: pé, antepé... me fazer um chamego.

Às vezes, fica horas... a meu lado, calado, sem perceber o tempo passar.

Ah! Charlie! Deu muito encanto à minha vida, sabia? -- eu lhe digo.


Ele me sorri com seus olhos, infinitamente verdes...

Cheios de amor para dar!

E, quando ele me olha, parece ler no fundo da minha alma.

Parece que ele sabe como me sinto e do que eu gosto.

Por exemplo, ele sabe que eu não perco a novela das oito.

Assim que eu ligo a televisão e me sento no sofá da sala,

pula no meu colo, e deita a cabeça esperando pelo cafuné...


É um malandro esse Charlie!


Imagine que, outro dia, ele saiu de casa, sem me avisar.

-- Charlie!... Charliiiiiiie... -- Eu chamei. Você ouviu? Nem ele!

Fui dormir, preocupada.

E assim que amanheceu o dia, eu acordei me lembrando dele.

-- Onde será que ele se meteu? -- pensei.

Percorri a casa toda, nem sinal!

Instintivamente, fui até o jardim.

Sabia que ele gostava de ficar ali, distraído, observando a dança

alegre das borboletas pousando de flor em flor... Ele bem que tentava tocá-las, mas as borboletas eram tão ágeis como belas...


E, no jardim, agora, só vi as margaridas brancas, ainda molhadas

pelo orvalho da manhã. No ar, um cheirinho gostoso de mato!

Nisso, eu vi o Charlie, saindo do prédio, ao lado. Não estava só. Vinha ao lado da minha vizinha... todo sim senhor!

-- Posso saber o que significa isso? -- Botei a mãos na cintura,

zangada.

-- Sabe o que é... -- minha vizinha, sem graça, explicou:

-- O seu Charlie é tão simpático, que eu o convidei para me visitar. Conversamos, jantamos... aí, ele ficou com um sono danado e acabou dormindo. Bem... mas agora ele já está aí. É todo seu!

-- Que isto não se repita!

Charlie me olhava encabulado, sem saber o que responder.

-- Onde foi parar o seu medo de altura? -- E olhei na direção do 15. andar do prédio, de onde ele viera.

Mas, depois, a zanga passou.

Ele é um gato! Atencioso, gentil...

Eu não consigo ficar brava com o Charlie!

Só de vez em quando...

É quando eu preparo a comida dele... ele dá uma cheirada, deixa tudo no prato; e vai pra a rua, todo charmoso, de preto e branco... Pra verificar o que é que tem de interessante nos sacos de lixo!!!!


Chariliiiiiiiiie! -- Furiosa, eu chamo.


É um malandro esse Charlie!.... mas eu o amo!

NAIR LUCIA DE BRITTO

11/21/2009

DESTAQUE 10 Akrit Jaswal

Akrit Jaswal – O mais Jovem Cirurgião do Mundo

Akrit nasceu em 23/04/1993 (tem hoje 15 anos de idade), numa família pobre Rajput da cidade de HIMACHAL PRADESH, na índia. Desde a sua infância, Akrit demonstrou habilidades incomuns: começou à falar no 10° mês de idade; aos 2 anos de idade começou à escrever e a ler, apenas olhando as páginas dos livros; começou à ler ávidamente tudo o que chegava as suas mãos;

Aos 5 anos começou a ler livros de poesia e peças de Shakespeare;depois desenvolveu uma paixão precoce por livros de Medicina, Anatomia e Cirurgia.

Os professores da sua Aldeia descobriram que Akrit possuía a formidável capacidade da MEMÓRIA FOTOGRÁFICA, jamais esquecia nada e possuía uma voracidade fantástica em aprender cada vez mais.

Aos 6 anos,fazia discursos altamente complexos sobre temas de Medicina, Biologia e Cirurgia, e debatia com médicos adultos qualquer tipo de tema ligado à Ciência Médica.

ELE MEMORIZOU DE CABEÇA DEZENAS DE TRATADOS MÉDICOS DE MEDICINA, ANATOMIA, FISIOLOGIA E CIRURGIA, que são difíceis de ler até mesmo para os Especialistas veteranos destas áreas !

Akrit solicitou e obteve uma autorização especial para acompanhar e assistir às Cirurgias feitas no Hospital de HIMACHAL Aos 7 anos de idade, tornou-se o cirurgião mais jovem do mundo, quando a família de uma menina da sua aldeia solicitou a sua ajuda para realizar uma cirurgia.

A Menina havia sofrido um acidente e queimado os dedos, que acabaram colando uns nos outros; Akrit apiedou-se da menina e realizou uma Cirurgia extremamente bem-sucedida, que foi filmada e surpreendeu os médicos de todo o Mundo.

Tornou-se uma celebridade em toda a índia, e os cientistas começaram a realizar testes em Akrit para desvendar os segredos da sua inteligência… e ele espantou a todos ao obter o grau 146 de QI no seu primeiro teste !! Foi convidado pelo Governo Hindu para estudar na PUNJAB UNIVERSITY aos 11 anos de idade, em 2004.

(...)

Hoje, ele é estudante da UNIVERSIDADE DE HARVARD nos EUA onde está no 2º ano de um curso de Bacharelado em Zoologia e Botânica; ao mesmo tempo continua com seus estudos autodidáticos sobre Medicina e outras areas da Saúde.

O Sonho de AKRIT é encontrar a Cura definitiva para o Câncer e a AIDS, pois ele declara em suas palestras que já possui milhares de idéias extremamente criativas para a renovação completa da Medicina atual e para o Tratamento do Câncer.

Akrit surpreendeu o mundo todo ao dizer no programa televisivo da apresentadora OPRAH que, com sua SUPERINTELIGÊNCIA, ele leu todos os tratados atuais de Oncologia e descobriu as falhas e limitações da atual pesquisa do Câncer; afirmou que ele possui a solução do Problema e que pode criar NOVOS REMÉDIOS e NOVAS TECNOLOGIAS de tratamento oncológico, mas que para isso precisa antes formar-se oficialmente como Médico e criar um CENTRO FILANTRÓPICO DE ESTUDOS, para tratar gratuitamente os milhares de doentes da Índia. Com estas afirmações, tornou-se instantaneamente uma CELEBRIDADE nos EUA, conseguindo grandes doações e apoios para as suas pesquisas.

(Extracto do artigo de Simone Simões, in http://www.google.pt/imgresimgurl=http://4.bp.blogspot.com/_bmLxWybAePg/SZ2gsB98muI/AAAAAAAAAZo/pFHyD5lm6qg/s320/AKRIT-3-OPER, às 6.28 horas de 21-11-09)

REFERÊNCIAS:

http://en.wikipedia.org/wiki/Akrit_Jaswal

11/11/2009

PSICOLOGIA 6


ROGERS, Carl, Tornar-se Pessoa. Lisboa: Padrões Culturais Editora, 2009 (ca. 470 pp. e 14 euros)

“Observando os pacientes cuja experiência de vida tanto me ensinou, descobri que esses indivíduos se tornavam cada vez mais capazes de confiar nas suas reacções «organísmicas» totais perante uma nova situação porque foram progressivamente descobrindo que, se estivessem abertos à sua experiência, se fizessem o que sentiam que seria bom fazer, essas reacções revelar-se-iam como um guia competente e digno de confiança do comportamento que realmente satisfaz” (p. 224)

“aquilo que há de único e de mais pessoal em cada um de nós é o mesmo sentimento que, se fosse partilhado ou expresso, falará mais profundamente as outros. Isto permitiu-me compreender os artistas e os poetas como pessoas que ousam exprimir o que há de único neles” (p. 50)

Samuel Tenenbaum:

“Rogers acredita que se uma pessoa é aceite, plenamente aceite e nesta aceitação não há nenhum julgamento, apenas compaixão e solidariedade, o indivíduo está apto a abraçar-se a si mesmo e encarar seu eu verdadeiro”

DESTAQUE 9 Comemoração da queda do Muro de Berlin


http://www.youtube.com/watch?v=9xh4ouc8Lac

http://www.youtube.com/watch?v=NDiaBGtpTRo

11/09/2009

Histórias de Filmes 3 por Nair Lúcia De Britto


O PAGADOR DE PROMESSAS

(Brasil – 1962)


O Pagador de Promessas” foi a obra que consagrou Anselmo Duarte como diretor. Foi indicado para o Oscar, em 1963, como Melhor Filme Estrangeiro. E também foi o primeiro filme a receber o Palma de Ouro, no Festival de Cannes, na França.


Dias Gomes sempre demonstrou atenção para com as causas sociais em seus textos, e foi quem escreveu o roteiro. Ele conta a história de José (Leonardo Villar), um homem simples, dono de um terreno no sertão do Nordeste, onde morava com sua mulher, Rosa (Glória Meneses).


Zé do Burro”, era o apelido dele, devido a grande estima pelo seu burro que “tinha alma de gente”.


Durante uma forte tempestade, o galho de uma árvore atinge a cabeça do animal, deixando-0 doente. Zé, desesperado, procura a ajuda de Pedro Zeferino, rezador famoso na região, pelas várias curas realizadas. Junto ao rezador, Zé faz uma promessa à Iansã (Santa Bárbara). Se a santa salvasse o seu burro, ele doaria suas terras aos pobres e carregaria uma cruz, tão pesada como a de Jesus, desde sua terra-natal até a Igreja de Santa Bárbara, em Salvador, para oferecer ao padre.


Curado o burro, lá vai o Zé tratar de cumprir sua promessa. E assim começa o filme, com o Zé carregando sua cruz, ao lado da fiel companheira. Depois de muito sacrifício, ele chega à Igreja e conta sua história ao padre.


Mas o padre se recusa terminantemente a aceitar a cruz, proibindo-o de introduzi-la na Igreja, devido as “circunstâncias pagãs”.


Zé se justifica: “Seu vigário, me desculpe, mas eu tentei de tudo. Preto Zeferino é rezador afamado na minha zona!” E lhe conta como ele curou vários animais com “duas rezas e três rabiscos no chão”.

Mas o padre retruca: “Você fez muito mal meu filho. Essas orações são do demo!”

Como pode ser?! - Zé não se conforma. - “Se a oração fala de Deus!”


A confusão se forma quando os seguidores do Candomblé se aproveitam da situação para protestar contra o preconceito religioso da Igreja Católica.

Os jornais de Salvador também resolvem reclamar pela reforma agrária. Enfim, a simples promessa de um homem humilde transforma-se num tremendo tumulto.


A Polícia chega, e durante o confronto entre os policiais e os manifestantes, o inocente Zé acaba por perder a vida. Revoltados com o triste episódio, os manifestantes entram à força na Igreja e introduzem a cruz.


Sobre a obra que escreveu, Dias Gomes comentou: “O Pagador de Promessas é a história de um homem que não quis conceder e foi destruído. Seu tema central é, assim, o mito da liberdade capitalista. Baseado no princípio de liberdade de escolha, a sociedade burguesa não oferece ao indivíduo os meios necessários ao exercício dessa liberdade; tornando-a, portanto, ilusória”.

O Candomblé é a religião dos negros africanos que foi introduzida no Brasil, com a chegada deles a este país, para serem explorados como escravos; fixando-se principalmente na Bahia e em Pernambuco.


O Candomblé tradicional das regiões africanas, porém, é diferente dos chamados Candomblés de caboclos, que sofreu a influência das culturas indígena e mestiça, partir do século XIX.


O Candomblé tradicional era o recurso utilizado pelos escravos para se manterem fiéis às suas tradições e à cultura de seu país de origem. Na sua religião eles buscavam forças para suportar todo o sofrimento que lhes era imposto pelos brancos.


Dias Gomes quis destacar nesse filme o problema da intolerância para com o diferente. “A intolerância, o sectarismo, o dogmatismo fazem com que vejamos como inimigos aqueles que estão do nosso lado”.


O objetivo de todas as religiões é aperfeiçoar o homem como ser humano a fim de que seja digno de chegar até Deus. “Toda religião que não torna o homem melhor, não atinge o seu objetivo.”


Prêmios:

Indicado para o Oscar, como Melhor Filme Estrangeiro – EUA- 1962

Palma de Ouro (Festival de Cannes – França – 1962

Prêmio Especial do Juri (Festival de Cartagena – Colômbia – 1962)

Golden Gate, na categoria de Melhor Filme e Melhor Trilha Sonora (Festival Internacional de São Francisco – EUA – 1962)


ANSELMO DUARTE


Nasceu em Salto, interior paulista, no dia 21 de abril de 1920. Na sua terra natal, ele trabalhava no “Cine Pavilhão”, onde molhava a tela na qual o filme seria projetado. Um dia, leu o anúncio de Orson Welles, buscando pessoas para participarem do filme “It's All True”, que estava sendo rodado no Brasil, em 1942. Seguiu então para o Rio de Janeiro e iniciou como ator.

Em 1949 já era considerado o galã da Atlântida, onde atuou em inúmeros filmes. Ganhou o prêmio de melhor ator por sua atuação em “Um Pinguinho de Gente”, da revista “A Cena Muda”, do Rio.


Interpretou o personagem Trindade, na televisão, na novela “Feijão Maravilha” (1979). Sua estréia como diretor foi no filme “Absolutamente Certo” (1957).

Após ganhar o Palma de Ouro, Anselmo Duarte e sua equipe foram recebidos com um desfile público, em carro aberto, assim que ele desembarcou no Brasil.

Todos seus filmes recordam uma época ingênua e adorável que deixou saudades. Assim, como agora, deixa muita saudade o rapaz bonito e gentil de tantos filmes românticos que fez suspirar os corações das mulheres do nosso Brasil.


Ele nos deixou em São Paulo, no dia 7 de novembro de 2009.


Ao Anselmo Duarte, a minha homenagem!...



Fonte de pesquisa: Enciclopédia Universal Ilustrada Melhoramentos, Folha Online, Wikipédia e Dicionário Enciclopédico TUDO, da Editora Nova Cultural.

11/07/2009

DESTAQUE 8 "El misterio portugués" por Gabriel Magalhães


”QUEM ESTÁ DENTRO DA ONDA, NÃO VÊ A ONDA…”

Portugal transmite una suave impresión de caos, parecida a la que uno siente en una tienda de antigüedades | El país vive en la esquizofrenia de ser una pequeña nación que ha llevado a cabo grandes cosas



Más allá de la batalla política, indagamos en la actualidad sociocutural portuguesa y presentamos un acercamiento a este país que, a menudo, desde España, a pesar de la proximidad –o precisamente a causa de ella–, es víctima de invisibilidad




A los españoles se les olvida Portugal. Claro que saben qué es y dónde está, pero se les olvida. A los portugueses a veces también se les olvida España, pero no tanto. Cuando se construye una nacionalidad, hay que desconocer un poco los demás países, sobre todo los más cercanos. Pessoa lo dijo muy bien: "Todas las naciones son misterios. Cada una es el mundo entero a solas". Los pocos textos que los diarios españoles dedicarán a las elecciones legislativas portuguesas del 27 de septiembre no cambiarán esta situación. Los nombres de los políticos lusitanos sonarán rarísimos a los pocos lectores que no se salten la noticia. Y todo volverá al olvido de siempre.



No obstante, cada vez más españoles se enamoran de Portugal y se adentran en el misterio portugués. Lo primero que comprenden es que se trata de un país apasionado por las distancias. Cuando se está en Portugal no se está en Portugal, sino más bien en el prólogo de algo que se continúa en América, en África, en Asia y en el más lejano Oriente. El destino del país vecino es el viaje: se trata de una cultura que se busca a sí misma en el más allá. La consecuencia es que Portugal se descentra, se transfiere para su periferia. Y después pasa que uno se encuentra en Lisboa con una ciudad que es un hueco de nostalgias.
>
> Este culto de la distancia se refleja también en pequeños detalles de la vida cotidiana. Al portugués no le gusta, por lo general, convivir en la calle. Lo hace en la lejanía de las casas particulares. El primer contacto entre las personas adultas casi nunca empieza por el tú, sino por el usted. Hay amigos de muchos años y de férreas solidaridades que jamás se han tuteado. Siempre la distancia, aunque sea la distancia social de un tratamiento. Y en las cafeterías las mesas individuales se imponen a la barra multitudinaria.




Quizás por todo esto al portugués, cuando llega a España, le parece que las personas están hablando a voces y que las cosas se han acercado peligrosamente a su cuerpo. Para los lusitanos, que son seres soñadores y muy virtuales, visitar España es como darse un buen masaje de realidades. Entretenido con esta dimensión erótica de la hispanidad, el portugués suele olvidar el laberinto de culturas y nacionalidades que constituye una de las riquezas y uno de los problemas de España.



Piensan muchos españoles que Portugal es un país de pobres y se equivocan redondamente. Portugal es un país de ricos pobres, lo que es muy distinto. La nación vecina tiene, para quien la conoce bien, ese encanto polvoriento de las familias aristocráticas venidas a menos. Aunque su exterior pueda ser menesteroso, la mentalidad portuguesa es la de un rico. Pocos países habrán despilfarrado tanto. Pocos países se han relacionado con su economía, a lo largo de los siglos, de un modo tan perdulario. El rey Juan V, monarca de la primera mitad del siglo XVIII, envió al papa Clemente XI una embajada memorable, cuyos carruajes increíblemente lujosos se pueden visitar aún hoy en día en el Museu Nacional dos Coches. Al monasterio de Mafra, obra millonaria que fue uno de los símbolos de su reinado, le puso dos carillones porque uno le pareció barato.




Quizás el origen de todo esto sea la época espléndida de la expansión marítima y del imperio, los siglos XV y XVI, en que Portugal, entrando en contacto con otros mundos del mundo, se perfiló como una novela de ensueño, inventando el realismo mágico antes de que fuera inventado. Lisboa se transformó en una ciudad muy rica: una "orgía de mercaderes", en palabras del historiador Oliveira Martins. En El burlador de Sevilla,se cuenta que existían comerciantes lisboetas que medían el dinero en fanegas, como se medía el trigo, porque no había tiempo ni paciencia para contar monedas. En los pisos bajos del Palacio Real se situaba la Casa de la India, que controlaba el comercio imperial. Y en el estuario del Tajo podían verse más de 500 naves ancladas, venidas del mundo entero. Lisboa era en aquella época lo que Nueva York está dejando de ser para que Shangai empiece a serlo.




Al español le cuesta entender que el indigente portugués tenga una mentalidad tan aristocrática, pero así es, más por timidez que por orgullo. Resulta curioso comprobar que los lusitanos han sustituido los títulos nobiliarios por títulos académicos. A los licenciados se les trata socialmente de doctor y a los doctorados de profesor doctor,y en estas palabras hay como un eco de antiguos tratamientos de señor conde o señor marqués.




Por lo demás, el portugués es muy barroco. Le gustan los detalles, no las estructuras. Aprecia, en todo, el talento decorativo. En un restaurante, el filete de ternera se sirve con patatas, arroz y verduras: el filete es pequeño, pero notable su séquito gastronómico. En España, los filetes de ternera son grandes y vienen con patatas fritas. Amante de las distancias y de los ensueños, perdulario y barroco, el lusitano es además muy individualista, lo que conlleva una cierta desorganización. Portugal transmite una suave impresión de caos, parecida a la que uno siente en una tienda de antigüedades. En España reina una mentalidad más geométrica, más germánica, quizás recuerdo del esplendor alemán de los Austrias.





La historia no basta para explicar esta manera de ser tan encantadora cuanto, a veces, exasperante. Portugal nació en el siglo XII, fruto de la ambición de una familia francesa (el primer rey portugués, Alfonso Henríquez, es hijo de un aristócrata borgoñés), que se apoyó en la nobleza que existía entre los ríos Duero y Miño. En el remolino político de la reconquista nació este pequeño Estado, que en un principio intentó crecer hacia el norte, hacia territorio gallego, formando la unión lógica del noroeste peninsular. Pero la historia no es lógica, aunque pueda ser comprensible: fracasando en su aventura gallega, la expansión del nuevo reino se hará hacia el sur. Galicia y Portugal, que básicamente son lo mismo en lo que respecta a sus raíces, se separaron para siempre, y la especificidad portuguesa se desarrolló a partir de la fusión de su raíz galaica con las culturas árabes y semíticas meridionales.





En 1385, con la victoria de Aljubarrota sobre los ejércitos castellanos, Portugal se aleja de la unión peninsular y, pocos años después, con la conquista de Ceuta, en 1415, se lanza a su aventura marítima. En menos de cien años, este país construye el primer imperio de dimensión mundial, con posesiones en América, África, Asia y Extremo Oriente. En realidad, es el primer imperio global, muy frágil por supuesto, pero el imperio español y el francés, el glorioso imperio británico y el actual imperio virtual norteamericano son una continuación de este primer boceto portugués. A partir de aquí, Portugal vive en la esquizofrenia de ser una pequeña nación que ha llevado a cabo grandes cosas: el portugués actual es un enano cuyos abuelos resulta que eran unos colosos.





Desde el siglo XVIII hasta la actualidad, la cultura portuguesa, consciente de su decadencia, ha vivido marcada por la obsesión mimética de lograr parecerse a los grandes países occidentales: la misma obsesión que existió en España, pero en el caso español esta manía imitadora se equilibraba con el amor hacia la pandereta y hacia todo lo castizo. En Portugal, casi no existe este orgullo nacional. El portugués ama demasiado lo extranjero. Las películas en otros idiomas siempre se han subtitulado. Por el contrario, España no es país de subtítulos, sino de doblajes.






Cuáles son los retos actuales de la portugalidad? El lector ya se ha dado cuenta de que, en realidad, Portugal es un país inviable. Siempre lo ha sido. No posee una individualidad geográfica; sus raíces más profundas las comparte con Galicia; su propio idioma es una evolución, una mundialización del gallego. La independencia portuguesa hay que crearla todos los días. Por eso, ser portugués cansa muchísimo. Se puede ser alemán, británico o francés tranquilamente, pero sólo se puede ser portugués en la intranquilidad. Sin personalidad geográfica específica, los portugueses tuvieron que labrarse un territorio propio en la mar. Es con prodigios de este tipo que la portugalidad se ha ido construyendo. Cuando una pequeña nación se decide por un destino separado, rápidamente descubre que tiene que reinventar su independencia en cada nuevo día de su historia.





La identidad portuguesa se fragua en este estado espiritual de vivir en la perpetua invención de su individualidad. Esto lo explicó muy bien Fernando Pessoa en Mensagem:el portugués es un militante de la imposibilidad. De su imposibilidad. Ser portugués constituye, en el fondo, una forma de heroísmo. En un occidente laico y hedonista, la sociedad portuguesa tiene alguna dificultad en aceptar el extraño sacrificio que conlleva la identidad lusitana. Y aquí se abre una paradoja: uno de los problemas del Portugal del último siglo ha sido su exceso de felicidad. La última invasión extranjera ocurrió en 1807; la última guerra civil se concluyó en 1834. Después de esto, las grandes catástrofes han ocurrido a lo lejos, como si fueran sueños. A lo largo del siglo XX, Portugal fue un país lunar. Y la nación se ha dormido.






El Portugal actual no sabe por dónde tirar. No sabe cómo despertar. Pero este problema, que parecía ser específicamente portugués, se ha visto que, al final, es de todo el mundo occidental. Quizás a causa de la fragilidad de su economía, Portugal sintió primero los síntomas de una crisis que es de todos. Efectivamente, la Península Ibérica constituye un lugar profético. Profética fue nuestra relación con el mundo árabe, a partir del 711: un anuncio de la tensión que marca, aún en la actualidad, las relaciones entre las naciones occidentales y el islam. Profética fue también nuestra expansión colonial: un bosquejo de la actual globalización. Profética fue en fin la guerra civil de España. Quizás esta capacidad de profecía ocurra porque llegan aquí primero las pateras de la historia. En el callejón sin salida que es el presente de Occidente, Portugal se siente, por decirlo de alguna manera, en su ambiente. El futuro que no tenemos hoy los occidentales es el futuro que Portugal siempre ha tenido. Y puede que la capacidad de inventar y de inventarse de los lusitanos sea una de las llaves del porvenir.

Gabriel Magalhães:
Profesor y escritor portugués (Luanda, Angola, 1965). Residió muchos años en España. Sobre temas ibéricos ha publicado las obras "Estar Entre" (2007) y "Garrett e Rivas: o Romantismo em Espanha e Portugal" (2009). Su novela "Não Tenhas Medo do Escuro" (2009) obtuvo el premio Revelación de la Asociación Portuguesa de Escritores. En la actualidad trabaja en la Universidad de Beira Interior (Portugal), donde ha desarrollado el proyecto de investigación Relipes (Relaciones lingüísticas y literarias entre Portugal y España desde el siglo XIX hasta la actualidad.

(in: Blogue "Futuro Comprometido" http://futureatrisk.blogspot.com/)



11/03/2009

HISTÓRIA 8

NIKODIMOV-GAILLE, Maria, Maquievel. Lisboa: Ed. 70, 2008 (Ca. 220 pp. e 15 euros)

“Em 1503 Maquievel (…) Tomou plena consciência de que a política de um governo não pode ser avaliada à luz dos seus fracassos ou êxitos internos (…) As suas viagens (…) levaram-no a compreender a interdependência dos acontecimentos políticos” (p.82)


“Em finais do séc. XIX, graças às primeiras biografias eruditas de Maquievel, instala-se outra relação com Maquievel e com os seus escritos, que submete a interpretação política ao critério do conhecimento histórico, cultural, linguístico e filológico. Este trabalho de erudição e a constituição de um saber positivo sobre Maquievel prosseguem ainda hoje, são eles que possibilitam uma linha de reflexão particularmente viva hoje em dia, que se interroga acerca da actualidade de Maquievel relativamente às nossas próprias questões políticas” (p.169)
Logo que dizemos que vamos contentarmo-nos com o segundo lugar, é isso que nos acontece na vida.
John F. Kennedy
Ler, depois de uma certa idade, desvia demasiado a mente das suas actividades criativas. Qualquer homem que leia demasiado e use pouco o seu próprio cérebro, sucumbe a hábitos indolentes de pensamento.
Albert Einstein

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