
RIPLEY, Amanda, Impensável - Quem Sobrevive aos Desastres e Porquê, Alfragide, Estrela Polar, 2009 (Ca. 278 pp. e 17 euros)
“Quando as pessoas acreditam que a sobrevivência é negociável conseguem ser incrivelmente criativas” (p. 247)

RIPLEY, Amanda, Impensável - Quem Sobrevive aos Desastres e Porquê, Alfragide, Estrela Polar, 2009 (Ca. 278 pp. e 17 euros)
“Quando as pessoas acreditam que a sobrevivência é negociável conseguem ser incrivelmente criativas” (p. 247)
"TINHA QUE SER VOCÊ"
(Last Chance Harvey – 2008 – EUA/INGLATERRA)
É uma delícia rara assistir a este filme que fala muito de sentimentos e que tão delicadamente toca o coração das pessoas; principalmente as mais maduras que, no decorrer de sua existência, já lidaram com seus acertos e com seus erros e, agora, esperam dar o rumo certo às suas vidas.
É uma bonita história de amor entre duas pessoas vividas; cada uma delas com seus dramas íntimos, que vão tocando o barco de suas vidas; mesmo magoadas e desesperançadas.
Ele é compositor de jingles, mas na verdade adoraria ser um pianista de jazz; divorciado e está prestes a perder seu emprego por causa da idade... Viaja num fim-de-semana para Londres, para assistir ao casamento de sua filha... Assim que chega ao aeroporto, não dá a menor atenção à Kate, uma pesquisadora que trabalha com estatísticas (mas, que na verdade, gostaria de ser escritora). Passa por ela apressado e a ignora quando esta o aborda para responder a um questionário.
Ao rever a filha, Harvey fica mortificado em saber que ela escolheu o padastro para levá-la ao altar. Sem nada reclamar, ele resolve voltar para Nova York logo após a cerimônia, desistindo de ir à festa, sem perceber que essa atitude também magoa a filha...
Paralelamente, Kate está aborrecida com a mãe perseguindo-lhe os passos e sempre lhe cobrando um casamento que não aconteceu na juventude e que, agora, aos quarenta e poucos anos, parece ainda mais improvável. Ela tenta se harmonizar com a situação, sair com amigos... distrair-se, mas sente-se completamente deslocada junto a eles; por isso se refugia no trabalho e nas aulas de literatura.
De repente os dois estão dentro de um bar, tristes e introspectivos... até que se percebem e instintivamente se aproximam e acabam desabafando suas mágoas... Ela fica sensibilizada ao ouvir a história dele e resolve ajudá-lo a se reaproximar da filha...
É assim que começa essa linda história que não é somente mais uma romântica história de amor; mas principalmente uma mensagem de esperança e uma bela lição de solidariedade...
Dustin Hoffman (que tornou-se famoso em “A Primeira Noite de um Homem”) e Emma Thompson foram indicados ao Globo de Ouro pela belíssima atuação como os personagens principais desse filme.
NAIR LÚCIA DE BRITTO

PUNSET, Eduardo, A Alma Está no Cérebro, Lisboa, Dom Quixote, 2008 (Ca. 384 pp. e 18.50 euros)
“Chamamos evolução ao conjunto de mudanças que se produzem como consequência da selecção natural; e a selecção natural não é outra coisa senão a selecção daqueles genes que proporcionam um comportamento mais adequado ao meio em que se vive. Logo, a chave está na interacção genes-meio, daí estar também no centro de um debate importante.” (p. 101)

“Há cada vez mais famílias monoparentais ou ainda dois pais do mesmo sexo. Existem mais famílias, cujos pais têm raças e passados culturais diferentes. Tudo isto significa que a família já não se manifesta como uma unidade coerente, homogénea, estereotipada que procura uma refeição consistente, previsível e banal” (p.201)
- Os seus documentos, por favor. O senhor circulava a 130 km/h e a velocidade máxima nesta estrada é 100.
- Não, senhor guarda, eu ia a 100, de certeza.
A sogra, no banco de trás, corrige:
- Ah, João André, que é isso? Tu ias a 130 ou até mais!
O sujeito olha para a sogra com o rosto enrubescido.
- E o seu farol direito não funciona, diz o guarda.
- O farol? Nem sabia disso. Deve ter pifado aqui na estrada.
A sogra insiste:
- Ah, João André, que mentira! Há semanas que andas a dizer que precisas consertar o farol!
O sujeito fulo, faz sinal à sogra para ficar calada.
- O senhor está sem o cinto de segurança, diz o guarda
- Mas, senhor guarda, eu estava com ele. Só o tirei para lhe mostrar os documentos!
- Ah, João André, deixa-te disso! Tu nunca usas o cinto!
O sujeito não se contém e grita para a sogra:
- CALA A BOCA, PORRA!
O guarda inclina-se e pergunta à senhora:
- Ele costuma gritar assim com a senhora?
- Não, senhor guarda; só quando bebe..

GUERRESCHI, Cesare, As Novas Dependências - Internet, Trabalho, Sexo, Telemóvel e Shopping Compulsivo, São Paulo, Ed. Paulinas, 2009
“Ser dependente e depender dos outros é mau. Existe porém um paradoxo: a nossa socieade fundamenta-se na não dependência, no entanto, a dependência (…) é de tal modo incentivada que se torna no ar que se respira sem se dar conta” (in prefácio)
“Segundo o psicólogo Martin Helldorfer, a obsessão pelo trabalho torna-se uma armadilha porque transforma qualquer actividade em trabalho, até o lazer e o descanso.
«A work-fixation não é permanecer fechado num escritório muitas horas. Nem é, tão pouco, evitar envolver-se em actividae de lazer. A work-fixation tem antes a ver com um estilo de vida, um modo de enfrentar a vida e tudo aquilo em que nos envolvemos. (...) O sinal de uma work-fixation é estar sempre e em toda a parte de olhar fixo na meta» (p. 90)
“a dependência é a condição mais primitiva do ser humano, a força que não está sujeita à autodeterminação e que reduz o homem a escravo” (p. 228)

| Lição do Ratinho. |
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Espera
Saudade é um tempo que fica à espera do tempo
É a humidade da areia que fica na baixa das marés
É a vontade presa na véspera eterna do momento
É não ter fonte que traia uma sede triste de alegria
A saudade é uma lágrima que cola a alma ao vento
E não seca com sede de viver nem sol do meio-dia

AMORIM, António, A Espécie das Origens, Genomas, linhagens e recombinações, Lisboa, Gradiva, 209 ( ca. 128 pp., em formato A5, e ca. 10 euros).
“(…) esta nossa desesperada necessidade de consonância (entre o que pensamos e o que pensam os outros; entre o que pensamos e o que os resultados experimentais parecem indicar) não pode fazer-nos esquecer que não sabemos (…) se a nossa procura de “factos” nas nossas percepções corresponde, de facto, à sua existência no mundo real ou se resultam apenas da nossa arquitectura de pensar” (p.106)

CEITIL, Mário e Outros, Os Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes para Principiantes, Lisboa, ed.Sílabo,2009 (ca. 114 pp. e 11.80)
BARLOEWEN, Constantin (org.) O Livro dos Saberes, Conversas com Grandes Espíritos do Nosso Tempo, Lisboa, ed. Edições 70, 2009 (Ca. 508 pp. e 24 euros) “recuso-me submeter-me ao terrorismo da cientificidade” (Regis Débray, p. 84)
“A Unesco calculou que se pode financiar com onze mil milhões de dólares as necessidaeds fundamentais do Terceiro Mundo no domínio daeducação. Onze mil milhões de dólares é a quantia que os E. Unidos gastam todos os anos em produtos de beleza.” (Carlos Fuentes, p. 89)
“(…) o desejo de as mulheres permanecerem mães da humanidade (...) é talvez uma das maneiras mais sólidas para resistir à robotização (Júlia Kristeva, p. 212)
nunca foi o corpo
Nada correu como o previsto.
Quando cheguei, não sabia de ti.
Procurei-te até à exaustão nos lugares e nas pessoas do costume.
Ninguém sabia o teu nome e eu não estava seguro do nome que sabia.
Agora, procuro-te em corpos tão cansados como o meu.
No fim, quando a respiração abranda, descubro que nada encontrei.
Em ti não era o corpo.
Nunca foi o corpo.
Pela minha cama passaram corpos mais empenhados.
Pela minha cama passaram corpos mais absolutos.
Não deixaram quaisquer vestígios.
Apenas uma vaga noção de comparações.
Tentaste. Tu tentaste. O corpo nunca foi o teu forte.
Fora do teu corpo, estão os teus olhos. E as tuas mãos.
As tuas mãos estiveram sempre perto. Ainda as sinto.
Cada vez me lembro menos dos olhos.
O que eu não consigo esquecer é como eles sempre me viram tão feliz.
Destes e doutros dias, tenho-os todos numa mão.
Mas deixo cair alguns. Apanho-os um a um.
Encontro-te nalguns dos mais luminosos que estão no chão.
É nesses dias que encho o coração.

Os fundamentos da democracia devem ser protegidos, tanto na Suécia como na UE.