11/22/2008

ANTROPOLOGIA 1 (Foto: Margarida Diogo in "A Perca" de C.G.Melo)



ADOVASIO,J.M. e outros, O Sexo Invisível, Pub. Europa-América, 2008
(288 pp. e ca. 23.90)

“Quem inventou a linguagem?
(…)Morton descobriu que basicamente todas as vocalizações breves dos mamíferos e todos os gritos de aves seguem o mesmo padrão, o que também inclui os homens.
Falamos com os bebés em registo alto mas falamos em tom baixo e áspero quando fazemos ameaças.
Portanto na comunicação vocal das aves e mamíferos, a forma corresponde à função. (…) A correspondência entre forma e função é um dos fundamentos da biologia mesmo até ao nível das moléculas” (p. 95)

“Ora tem sido na capacidade dos primatas não humanos, particularmete chimpazés e alguns babuínos, para mentir e trapacear que os cientistas conseguem captar aspectos que parecem estar na base do desenvolvimento da linguagem [Ex: produzir o som na ausência do que primeiro o justificou – N. de Kriu](p.99)

“Mas os membros de um grupo de chimpazés podem passar tanto tempo como metade de um dia, ou mesmo mais, a cuidarem uns dos outros. A vida altamente socializada não é apenas o seu modo de se adaptarem ao mundo, ela própria se torna parte do grande sistema a que têm de se adaptar. (…) «As sociedades primata seleccionam assim as capacidades comportamentais dos indivíduos que as constituem. Os indivíduos socialmente competentes no seu interior terão “vantagens” em relação aos menos competentes» [Alison Jolly, especialista em primatologia Nota de Kriu] Chegamos assim à importante noção de que a inteligência dos primatas, incluindo humanos, aumentou ao longo do tempo como um meio de enfrentar os desafios da convivência. (…) A sociedade e as suas pressões podem pois ser vistas como o motor que desencadeou a origemd a fala” (p.99)


“No paleolítico final, há cerca de 30000 anos (…) o número de adultos com idade para serem avós quadruplicou de súbito. (…) a espectacular alteração demográfica desta época pode ter constituído uma versão primitiva da recente revolução informática, com as recordações dos velhos a servirem de repositórios vivos de informações úteis” (p.143)

11/20/2008

EUROPA 6

Bruckner, Pascal, O Complexo de Culpa no Ocidente, Pub. Europa-América, 2008 (208 pp. e ca. 17.90 euros)

“Um autêntico comércio espiritual está em curso: designam-se clérigos que zelam pela sua manutenção (…) É a esta escalpelização auto-infligida que dou o nome de dever de penitência. (…) é uma máquina de guerra com várias funções: censura, tranquiliza, distingue.
Em primeiro lugar proíbe ao bloco ocidental, eternamente culpado, julgar ou combater outros regimes, estados ou religiões. Os crimes do passado intimam-nos a ficar calados (…) Definem-se assim dois ocidentes: o bom,o da velha Europa que se curva e se cala, e o mau, o dos Estados Unidos que intervém e se intromete” (pp.12,3)

“E tal como Pascal pedia à razão para “acolher o seu inimigo”, uma democracia deve, sob pena de enfraquecer, englobar o seu contrário sem se deixar destruir por ele, explorar em seu proveito os valores hostis ao seu desenvolvimento – o furor, a intransigência, o fanatismo – avançar por entre perigos que podem matá-la mas também fortalecê-la. (…) A América tem a capacidade assombrosa de conviver com uma boa dose de anarquismo estrutural, de extremismo e caos que nos mataria na Europa” (p.75)

O verdadeiro crime da velha Europa não é apenas o que ela fez noutros tempos: mas sim o que ela não faz hoje: a sua inacção nas Balcãs durante os anos 90, o seu espectadorismo escandaloso no Ruanda, o seu silêncio na Chechénia, a sua insensibilidade perante o Darfur, o Sudão Ocidental e, de uma forma geral a sua complacência, o seu ajoelhar-se, ou o seu «criadismo» para retomar um termo de Aimé Césaire, face às potencias actuais” (p.95)

“Elas [as democracias – N. de Kriu] são responsáveis pela perpetuação da própria democracia. (…) A Europa, se quiser ter a mais ínfima influencia deverá edificar a par com o seu grande vizinho [os E.U.A.- N. de Kriu] um novo bloco (…) A todos os partidários do grande cisma, que reclamam o divórcio e vêem no oceano Atlântico um lago metafísico que separa duas filosofias irredutíveis, impõe-se responder que essa rivalidade deve ser convertida numa emulação entre blocos (…) é necessário temperar o arrebatamento americano com a ponderação europeia e a razão europeia com o dinamismo americano” (pp. 202,3)

"Perguntai a um sapo o que é a beleza, o verdadeiro belo, o to kalón. Responder-vos-á que consiste na sua mulher, com os seus belos olhos redondos que se projectam para fora da pequena cabeça, o pescoço grosso achatado, o ventre verde e as costas castanhas"

Voltaire, in "Dictionnaire Philosophique"

11/19/2008

SOCIOLOGIA 2

ELIAS Norbet, Introdução à Sociologia, Lisboa, ed. 70, 2005 (Ca. 200 pp. e 15 euros)

“Da interpenetração de inúmeros interesses e intenções individuais – sejam elas competitivas ou opostas e hostis – algo vai decorrendo que, ao revelar-se, se verifica não ter sido planeado nem reequerido por nenhum individuo. No entanto apareceu devido ás intenções e actos de muitos indivíduos. E isto, na verdade, representa todo o segredo da interepenetração social – da sua obrigatoriedade e regularideade, da sua estrutura, da sua natureza processual e do seu desenvolvimento; isto é o segredo da sociogénese e da dinâmica sociais “ [Uber den Prozess des Zivilization (1969) II, p. 221) (p.12)

“Embora não planeado e não imediatamente controlável, o processo global de desenvolvimento de uma sociedade não é de modo algum incompreensível. Por detrás dele não há quaisquer forças “misteriosas”. É uma questão de consequências decorrentes de interpenetração de acções de inúmeras pessoas, cujas propriedades estruturais já foram ilustradas por meio de modelos de jogo. À medida que se entrecruzam as jogadas de milhares de jogadores interdependentes, nenhum jogador isolado ou grupo de jogadores, actuando sozinhos, poderão determinar o decurso do jogo, por muito poderosos que sejam.
(…) Lidamos com estados de equilíbrio entre duas tendências opostas para a auto-regulação dessas configurações: a tendencia para se manter como antes e a tendencia para a mudança” (p.161)

“Ao estudar a humanidade é possível fazer incidir um feixe de luz primeiro sobre as configurações formadas por muitas pessoas separadas.

(…) A cristalização que hoje fazemos destes conceitos poderia levar-nos a acreditar que o “individuo” e a “sociedade” denotam dois objectos que existem independentemente enquanto na verdade se referem a dois níveis diferentes mas inseparáveis do mundo humano”

(..) Muitas vezes os cientistas abusam do direito que têm de pôr a circular novos conceitos que exprimem novas ideias. Ora isto pode bloquear certos canais de comunicação tanto dentro da disciplina em questão como entre esta e outras disciplinas. No entanto (…) há uma razão para introduzirmos aqui o conceito de “configuração” (…) O conceito de configuração serve de simples instrumentos conceptual que tem em vista afrouxar o constrangimento social de falarmos e pensarmos como se o “indivíduo” e a “sociedade” fossem antagónicos e diferentes.

(…) Se quatro pessoas se sentarem à volta de uma mesa a jogarem, formam uma configuração. As suas acções são interdependentes. Neste caso ainda é possível curvarmo-nos perante a tradição e falamos do jogo como se este tivesse uma existencia própria. É possível dizer: “O jogo hoje à noite está muito lento!” Porém, apesar de todas as expressões que tendem a objectivá-lo, neste caso o decurso tomado pelo jogo será obviamente o resultado de acções de um grupo de indivíduos interdependentes.

(…) Mas este decurso não tem substância. não tem ser, não tem uma existência independente dos jogadores, como poderia ser sugerido pelo termo “jogo” (…) Por configuração entendemos o padrão mutável criado pelo conjunto dos jogadores” (p.141,2)

11/18/2008

TESTEMUNHOS 13

Ziegler, Jean, Os Novos Senhores e os seus Opositores , Lisboa, Terramar, 2006. (Ca. 289 pp. e 17 euros)

“Bourdieu precisa: «Tudo quanto se descreve sob o nome simultaneamente descritivo e normativo de “mundialização” é a consequência, não de uma fatalidade económica, mas de uma política consciente e deliberada que levou (…) um conjunto de países economicamente avançados a abdicar do poder de controlar as forças económicas” (p.51)

“Habermas também se interroga como é que se pode conceber uma legitimação democrática das decisões fora da organização estatal? (…) É a organização das Nações Unidas a única a ser capaz de recolher e fazer renascer a herança normativa e moral dos estados nacionais deliquescentes. “ (p.211)

“Onde está a esperança? Na nova sociedade civil planetária. (…) A sociedade civil desempenhou um papel determinante na ruptura com o mundo feudal. O triunfo rápido do Estado Republicano afastou-a do palco da história, atirando-a em seguida para o esquecimento. Ela vive hoje um renascimento espectacular.
A sociedade civil é o lugar onde nascem novos movimentos sociais, onde se afirmam funções e estruturas inéditas, onde se inventam relações novas entre os homens e nações, onde se pensam o mundo e a sociedade fora dos cânones cristalizados da doxa dominante ou da sua negação habitual” (p.213)

11/17/2008

TESTEMUNHOS 12

PHILLIPS; Melanie, Londonistão Como na Grã-Bretanha se Vive um Clima de Terror, Lisboa, Atheleia ed., 2008.

“A Grã-Bretanha tornou-se uma sociedade decadente, enfraquecida por tendências alarmantes para um suicídio social e cultural. Virando-se contra si mesma (…) minou progressivamente os valores, leis e tradições que a tornaram uma nação, criando um espaço que foi explorado por sua vez pelo islamismo radical.
(…) Este livro é uma tentativa para (…) mostrar como a pressão mortífera de uma ideologia agressiva sobre uma sociedade que perdeu o rumo levou à emergência do Londonistão. (…) Não pretende concluir se o Islão é intrinsecamente uma religião de conquista violenta ou se foi apenas sequestrado por uma ideologia revisionista” (p.19)

“Uma Igreja que já não consegue distinguir a verdade de uma mentira já não acredita que a sua própria mensagem seja verdadeira” (p.204)


“À medida que [a Igreja Anglicana – n. de Kriu}] renunciava à sua própria cultura, abraçava outras, ao mesmo tempo que nunca cessava de se humilhar pelo antigo pecado de acreditar em si própria. Quando a sociedade secular denunciou os crimes do imperialismo político e cultural britânico, também a Igreja Anglicana se rebaixou pelo seu próprio crime de imperialismo religioso (…) Não foi reconhecido o facto de o cristianismo ter levado a civilização a essas zonas remotas do mundo (…) Pois a suposição implícita era que os valores cristãos são superados pela convicção de que a cultura de toda a gente tem valor igual (…) Isto conduz directamente, claro, à opinião (…) de que a poligamia, excisão feminina ou apedrejamento de adúlteras devem ser considerados como tendo mérito igual ao conceito de dignidade humana essencial para o cristianismo (p.206)


“Infelizmente, para além de alguns exemplos corajosos, muito poucos líderes religiosos muçulmanos condenam, de forma clara e incondicional, a iniquidade dos bombistas suicidas que matam pessoas inocentes. Precisamos de ouvir condenar sem rodeios, teologias, que afirmam que os bombistas suicidas são “mártires” e recebem a recompensa dos mártires. Precisamos de ouvir muçulmanos a exprimir a sua indignação e a condenar esse mal”
(Lord Carey, cit. p.208)

“Na longa história do martírio cristão ou judaico não houve uma única pessoa que tivesse matado outro para ser mártir” (p.209)

“Em face de uma sociedade que perdeu a sua bússola moral e desceu ao nihilismo da relatividade moral, a Igreja [Anglicana – n. de Kriu] seguiu-lhe debilmente os passos. A sua opinião dominante como observou um bispo é de que”não existe uma verdade única e temos todos de respeitar as verdades dos outros”




11/16/2008

CAPITALISMO 22


ZAKARIA, Fareed, O Mundo Pós-Americano, ed. Gradiva, 2008 (251 pp. e ca. 14 euros)

“Estamos a perder o interesse nas coisas básicas – a matemática, a industria transformadora, o trabalho árduo, a poupança – e a tornarmo-nos uma sociedade pós-industrial especializada no consumo e no ócio. «Em 2006 haverá nos Estados Unidos mais pessoas a acabar cursos de Desporto que de Engenharia Electrónica» diz Jeffrey Immelt, administrador da General Electric.” (p. 17)

“A magnitude geral da guerra global diminuiu cerca de 60% [desde meados da década de 1980] tendo caído em 2004 para o seu nível mais baixo desde a década de 1950 (…) a extensão de guerra no interior dos estados ou entre eles diminuiu para metade na primeira primeira década após o fim da Guerra Fria” (in estudo de 2005 levado a cabo por Ted Robert Gun cit. pág. 17)

“hoje em dia, estamos provavelmente a viver o período mais pacífico de toda a existência da nossa espécie” [Steven Pinker, in a Brief Histoy of Violence, conferência de 2007, citado pág. 17]


“Daqui a várias gerações, quando os historiadores escreverem sobre os tempos actuais, vão fazer notar que nas primeiras décadas do séc. XXI os Estados Unidos tiveram êxito na sua grande missão histórica – globalizarem o mundo. Mas durante esse percurso (…) esqueceram-se de se globalizarem a si próprios “ (p.53)

“Na primeira fase da globalização toda a gente queria ver a CNN. Na segunda fase os países estão a produzir as suas próprias versões de CNN” (p.85)

“O sistema político americano perdeu a capacidade de fazer compromissos de grande escala e de aceitar algumas dificuldades hoje em troca de maiores ganhos mais tarde. (…) Os sistemas parlamentares europeus funcionam bem com partidos muito diferentes (…) Pelo contrário, o sistema americano é de partilha de poder, de funções sobrepostas, de pesos e contrapesos. O progresso exige coligações amplas entre os dois partidos, assim como políticos que mudem de lado (…) Os que advogam posições sensatas e legislação de compromisso dão por si a ser marginalizados pela liderança do partido, a perder fundos (…) e a ser constantemente atacados, na televisão e na rádio, pelo seu “lado”. (pp.200,1)




SAÚDE 2 (extracto de informações cedidas pela Profª Juliana Carvalho, Canadá)


China milk poisoning incidents make everyone afraid to look at the daily news report.
Everyday, the reports are changing. No one can clearly tell us what to eat and what not to eat.
1. What really is poisoned milk?
It is milk powder mixed with 'MELAMINE'What is Melamine used for?
It is an industrial chemical used in the production of melawares.
It is also used in home decoration. ' US resistant board'We all MUST understand that Melamine is used in INDUSTRIAL PRODUCTION
it CANNOT be eaten.
2.Why is Melamine added to milk powder?
The most important nutrient in milk is protein.
And, Melamine has this same protein that contains 'NITROGEN'Adding Melamine into milk reduces the actual milk content required,
and therefore it is cheaper than all milk. So it lowers the capital required
in the production of milk products. Therefore it earns the business man more profit!
It doesn't have any smell, so cannot be detected.
3. When was it discovered that it had been added to milk products.
In 2007, US cats and dogs died suddenly, they found that pet food from China contained Melamine.Early in 2008, in China , an abnormal increase in infant cases of kidney stones was reported.
In August 2008, China Sanlu Milk Powder tested for Melamine Sept. 2008, the New Zealand government asked China to investigate this problem Sept. 21, 2008, they found that many food products in Taiwan tested for Melamine
4.What happens when Melamine ingested and digested?
Melamine remains inside the kidneys. It forms into stones blocking the tubes.
Pain will be imminent and the person cannot urinate.
5.What foods are to be avoided?
Foods from China that contain dairy products should be avoided. The whole world is very afraid of "Made In China" 'black-hearted' goods.

6. Do you know how to differentiate which products are made in
the USA , or in the Philippines , in Taiwan , or in China ?

Here's How:
The first 3 digits of the barcode identify the country code
wherein the product was made. For Example: ALL barcodes that start with 690, 691, 692, etc., . ..
up to and including 695 are all MADE IN CHINA .. Barcodes starting with 471 are printed on products Made in Taiwan .. You have a right to know. But the government and related departments never inform or educate the public.
Therefore we must educate ourselves,
be vigilant, and RESCUE ourselves.Today, Chinese businessmen know that consumers will not select products 'Made in China '. So, they make every effort not to show or state the country
of origin on their products. However, you can now refer to the barcode.
DO remember if the first 3 digits are one of those between 690 and 695 inclusive then it is a product Made in China .
OTHER BARCODES:
00 ~ 13 USA & CANADA
30 ~ 37 FRANCE
40 ~ 44 GERMANY
49 ~ JAPAN
50 ~ UK
57 ~ Denmark
64 ~ Finland
76 ~ Switzerland and Liechtenstein
628 ~ Saudi-Arabia
629 ~ United Arab Emirates
740 ~ 745 - Central America
All 480 Codes are Made in the Philippines.

11/12/2008

ÉTICA 2

SAVATER, Fernando, A Vida Eterna, Um convite a reflectir sem medo sobre a Religião, a Razão, a A Vida Eterna, Lisboa, Dom Quixote, 2008. (299 pp. e ca. 16 euros)

“Em numerosas ocasiões (ao contrário do que afirma Habermas) exigir-se-à ao crente, com todo o direito, que separe as razões seculares das religiosas e, mais ainda, que submeta as primeiras às segundas. Assim o defende José António Marina no seu livro Por Que Sou Cristão que tem como significativo subtítulo «Teoria da Dupla Verdade»: «Pelo que sei as evidências religiosas – como as estéticas – não podem ser universalizadas. Baseiam-se em experiências privadas que podem ser assimiladas e repetidas por outras pessoas, mas sem que possamos encontrar critérios objectivos para justificar a sua verdade. (…) Afirmar o carácter privado da experiência religiosa não significa expulsar a religião da vida pública, mas apenas reconhecer que quando entram em conflito com verdades universais devem regressar ao seu âmbito privado.» Também o controverso teórico muçulmano Taric Ramedan estabelece que quando a leitura literal do Corão entra em conflito com a legislação de sociedades democráticas modernas, são os valores instituídos nestas últimas que devem prevalecer (entrevista publicada na revista britânica Prospect, Julho de 2006)” (p. 169)

“Diga Maomé o que disser, os maridos não têm em Espanha o direito de sovarem as suas mulheres, nem os eclesiásticos podem incitar a sua clientela a cometer semelhante delito, da mesma maneira que – diga a Bíblia o que disser – a pena de morte está excluída do nosso ordenamento jurídico e reivindicá-la para castigar a homosexualidade seria uma aberração que não deveria ficar impune. (…) PoR muito piedoso e repleto de motivações sagradas que esteja um delinquente, continua a ser delinquente e como tal deve ser tratado pelos tribunais. (…) A tolerância pluralista é incompatível com as concessões à teocracia, seja de que culto for. A religião é um direito de cada um, mas não um dever para ninguém… nem muito menos converte em aceitável e louvável o que transgride a legalidade.”

11/11/2008

AAVV, Mai 68 – Préface de Daniel Cohn-Bendit, Paris, ed. Denoel, 2008 (384 pp. sobretudo fotos e ca. 29 euros)

“...68, ce fut cette revolte à la charnière de l’ ancien et du nouveau, des mythes, des revolutions antécédantes et des mouvements de libérations concomitants, mais aussi de formidables revendications d’ emancipation individuelle et collective, d’ un désir d’ autonomie et de liberté qui sonnait le glas de tous les totalitarismes imaginables et inimaginables, de gauche et de droite, d’ en haut ou d’ en bas, religieux ou laic, mâle ou pervers.


(...) Pourtant, c’ est vrai, nous sommes coupables de vous avoir fait peur, d’ avoir rêvé une imagination au pouvoir et d’ avoir revendiqué un monde plus juste et plus solidaire. Nous sommes coupables de vouloir poser une colle à laquelle vous n’avez jamais su répondre jusqu’à haujourd’hui “Il est interdit d’ interdire”. Une dialectique qui demeure complétement extraterrestre pour vous et que remet marxisme et hegélinisme sur leurs épaules tout en les dépassant dans une langage résolument freudienne. (...)
L’ irruption du désir et de l’ ironie dans l’ éspace politique a peut-être été le fait le plus révolutionnaire de cette époque”
(D. Cohn-Bendit in Préface)



Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo.
Ele fugia com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia.
Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:
- Posso fazer três perguntas?
- Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer, podes perguntar.
- Pertenço à tua cadeia alimentar ?
- Não.
- Fiz-te alguma coisa de mal ?
- Não.
- Então porque é que me queres comer?
- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!!

11/08/2008



SEN, Amartya, O Desenvolvimento como Liberdade, Lisboa, Gradiva, 2003
(Ca. 383 pp. e 19 euros)

“O sucesso de uma sociedade deve ser avaliado (…) primeiramente pelas liberdades concretas de que gozam os membros dessa sociedade (…) Uma maior liberdade reforça a capacidade das pessoas para se ajudarem a si mesmas e, também, para influenciarem o mundo e tais capacidades são fulcrais para o processo de desenvolvimento” (p.34)

“A abordagem adoptada centra-se num suporte factual que a diferencia de uma análise mais tradicional da ética prática e da política económica, como por exemplo, a fixação “economista” no primado do rendimento e da riqueza (mais do que nas características da vida humana e das liberdades concretas) o enfoque”utilitarista” na satisfação mental (mais do que no descontentamento criativo e na insatisfação construtiva) a preocupação “libertária” com os procedimentos em vista da liberdade” que desleixam deliberadamente as consequências que decorrem de tais procedimentos) ” (p. 35)

“A mudança de perspectiva é importante para nos facultar um olhar diferente (…) sobre a pobreza. (…) o desemprego não se resume a uma falta de rendimentos, que pode ser compensada pelo Estado (…) Entre os seus múltiplos efeitos o desemprego contribui para a “exclusão social” (…) conduz a perdas de auto-estima, de auto-confiança e de saúde física e psicológica” (p.36)

“os homens de Bangladesh têm mais hipóteses de viver para lá dos quarenta anos do que os homens afro-americanos de Harlém, na próspera cidade de Nova Yorque” (p.39)

“O reforço de liberdade humana é simultaneamente o fim principal e o meio primordial do desenvolvimento” (p.66)

11/03/2008

CAPITALISMO 21

21. WOLF, Martin, Por que funciona a Globalização - Em Defesa de Uma Economia Global de Mercado, Lisboa, Dom Quixote, 2008

“O tema principal deste livro é o choque intelectual entre o capitalismo liberal e os seus opositores” (…) O livro começa (…) com a definição de globalização económica. Prossegue (…) com argumentos a favor de uma economia de mercado liberal e com a análise das suas contribuições de longo prazo para a prosperidade, a democracia e a liberdade individual. Debruça-se sobre a relação mutuamente apoiante e interdependente entre o Mercado e o Estado democrático. Por fim examina o que acontece quando o mercado cruza fronteiras.
Na terceira parte o livro aborda a longa história da globalização” (p. 38)

“Os críticos têm razão quando dizem que as instituições designadas para gerir a economia global não funcionam tão bem quanto deviam, particularmente na área das finanças. (…)
O grande desafio é o de conciliar um mundo dividido entre Estados com capacidades enormemente desiguais, com a exploração das oportunidades de convergência, proporcionadas pela integração económica internacional.” (p. 39)

“a economia de mercado é a única conjuntura capaz de gerar aumentos sustentados de prosperidade, proporcionando os alicerces de democracias liberais estáveis e dando aos seres humanos a oportunidade de procurarem aquilo que desejam na vida.
(…) os Estados nacionais continuam a ser o local de debate e de legitimidade políticos. As instituições supranacionais adquirem a sua legitimidade e autoridade a partir dos Estados que as constituem” (p.409)

11/02/2008

FASCISMO 4

OTERO, Paulo, Os Últimos Meses de Salazar, Coimbra, ed. Almedina, 2008 (ca. 250 pp. e 20 euros)

“Primeiro no Hospital dos Capuchos (…) e depois no Hospital de São José (…) Salazar é agora um quase vulgar velhinho, acompanhado de médicos, circula em cadeira de rodas pelos corredores dos hospitais, sem ser reconhecido pelos doentes e pelo pessoal hospitalar de turno, limitando-se a murmurar ”é inacreditável, parece inacreditável.” Conta-se mesmo que, no Hospital de São José, uma enfermeira de serviço que ajudou Salazar a fazer exames se terá virado para o Prof. Eduardo Coelho e, não reconhecendo o doente, perguntou: “quem é este velhinho’” (p.49)

“O tempo passa e Salazar não é prevenido que será operado de imediato. (…) O Dr. Vasconcelos Marques toma então a resolução de ir falar com o doente; a sós, depois de ter pedido para que as enfermeiras se retirassem do quarto (…) Refere ainda Vasconcelos Marques, num relato dessa mesma conversa com Salazar que, tendo-lhe perguntado se pretendia que lhe chamassem um confessor, o doente o terá interrompido com uma interrogação seca: “Isto é um hospital ou uma igreja?” (p. 56)

11/01/2008

GESTÃO 13

BRANCO, Rui Fazenda, O Movimento de Qualidade em Portugal”, Porto, Grupo Editorial Vida Económica, 2008 (Ca. 475 pp e 33 euros)

“O papel de gestor de qualidade (…) é o de um consultor que regulamenta e controla toda a actividade no âmbito do Sistema de Gestão pela Qualidade – é como que o “Provedor” de Qualidade no interior da organização.
Para além de toda a actividade de controlo dos procedimentos de trabalho internos, apoio e controlo de implementação, manutenção e melhoria do SGQ, acompanhamento do SGQ mediante auditorias, informação ao Conselho de Gerência sobre o desempenho do SGQ, incluindo necessidades de recursos com vista à sua melhoria, o Gestor de Qualidade tem como função a promoção de uma pedagogia da Qualidade junto dos departamentos da empresa e formação necessária em Qualidade.
É aquela função que está acima de todas as outras actividades/funções com o principal objectivo de ajudar as mesmas, dedicando o tempo e a atenção necessários para “pensar” todas as outras actividades, por forma a melhorar continuamente as mesmas.” (p.297)



10/26/2008

ANARQUISMO 2

PRÉPOSIET, Jean, História do Anarquismo, Lisboa, Ed. 70, 2007 (550 pp. e ca. 29.9 euros)

“Esta obra não pretende ser uma história completa do anarquismo. Trata-se simplesmente de (…) evocar algumas das individualidades particularmente representativas do movimento libertário e as suas diferentes correntes. (…) o anarquismo é essencialmente – não tenhamos medo das palavras – um estado de espírito, uma maneira de estar no mundo, antes de se tornar uma atitude política classificável e definível. Talvez seja essa a sua fraqueza, mas creio que é também, e sobretudo, aquilo que lhe assegura a perenidade. O anarquismo não fica fora de moda. É inultrapassável. De qualquer modo o leitor não tem necessidade de um manual de instruções” (da Introdução)

10/22/2008

GESTÃO 12

Kiyosaki, Robert, Pai Rico, Pai Pobre, Lisboa, Dinalivro, 2ª 2ª ed. 2008 (Ca. 188 pp. e 23 Euros)

“A maioria das pessoas tem um preço. E tem um preço por causa de duas emoções humanas, o medo e a ambição. Primeiramente, o medo de não ter dinheiro leva-as a trabalhar arduamente, e quando recebem o vencimento, a ambição ou o desejo leva as a pensar nas coisas maravilhosas que podem comprar. Então define-se o padrão (…) Acordar, ir para o trabalho, pagar contas, acordar, ir para o trabalho, pagar contas… (…) Oferece-lhes mais dinheiro e elas continuarão o ciclo, a aumentar também as despesas. É a isso que chamo “Corrida de Ratos”. (pp. 47,8)

“Muitos novatos nas finanças não conhecem a relação entre a Demonstração de Rendimentos e o Balanço. O entendimento desta relação é vital” (p. 65)

“Concentre-se em reduzir passivos e despesas. Isso aumentará o dinheiro disponível para continuar a aumentar a coluna dos activos” (p. 81)

Recomendação de investimentos de R.K.: negócios que não impliquem a presença do investidor (tornam-se empregos), acções, títulos, fundos de investimento, imóveis, promissórias e royalties.

10/13/2008

TESTEMUNHO 12

SILVA, Vaz Salvador, Catedral. Primebooks, s.d.
[V.S.S, português de Lisboa, ao saber-se com um cancro múltiplo abriu um blog onde foi conversando sobre a sua experiência que, em príncipio, seria terminal… N. de Kriu]

“Foi nos seis meses que tinha pela frente que derrotei a doença, não cedendo às adversidades que representavam os inúmeros efeitos secundários ds tratamentos nem à radical alteração da minha vida diária. Estive praticamente cego, tornei-me diabético agudo devido às doses brutais de corticóides que tinha de tomar para o cérebro, estive à beira do coma, dias houve em que outras pessoas tiveram que me caarregar em ombros e amparar porque eu não tinha força para me levantar. Fui impedido de conduzir carro e moto, perdendo assim a autonomia a que estava habituado. Apesar de tudo isto, não fiquei voluntariamente na cama um único dia.
Venci a doença com todos os tratamentos sempre referidos e com centenas de Amgios a darem-me força todos os dias sem excepção, como está bem espelhado neste livro. Fiquei verdadeiramente impressionado com a enorme bondade e dedicação das pessoas com quem me relacionei estes meses passados, e essa realidade alterou completamente a percepção anterior que eu tinha da vida.
Ajudar desinteressadamente quem precisa de ajuda, levando junto de pessoas dedicação, atenção, força, fé e esperança é uma forma sublime de realização pessoal e de sermos úteis ao longo da vida, fazendo de nós parte do todo para contribuir para o avanço do mundo no sentido certo” (p.238)





10/12/2008

TESTEMUNHOS 11

VASSEUR, Nadine, Eu não lhe disse que estava a escrever este livro, Filhos de Sobreviventes do Holocausto Testemunham, Colares, ed. Pedra da Lua, 2008 (158 pp. ca.15 euros)

“Há alguns anos o meu pai disse-nos que era lá [no campo de concentração nazi de Auschwitz - N. de Kriu] que ele queria acabar.(…) Ao exprimir esse desejo o que ele revela é obviamente que Auschwitz foi central na sua vida. (…)
Tive sempre o sentimento de que o meu pai morreu uma primeira vez. Que era um ressuscitado. Que ele queira acabar lá, é coerente. Por muito sedento de futuro que tenha sido, o que ele finalmente nos lega é que não é possível arrancar-se ao passado, à sua história.” (Marc Pepelman, p.36)

“O que é que no seu comportamento lhe parece herdado da história do pai? Uma certa forma de dureza, sem dúvida. (…) O meu pai e a minha mãe encontraram-se em 1945, à saída daquela experiência e o casal construiu-se na recusa do afectivo, ou antes, em mantê-lo a certa distância. Algo do afectivo se tornara impossível. Três dias depois do enterro da minha mãe, há um ano, o meu pai confidenciou-me que eles só tinham conseguido dizer “amo-te” duas semanas antes, no seu leito de agonia. Em cinquenta anos de casamento, era a primeira vez que eles diziam “amo-te”. Quase nunca se beijaram.” (p.57)

“Porque aceitei testemunhar neste livro? (…) Porque é importante que se saiba que esta história não terminou e que é necessário estar atento ao que se preparara para o futuro. (…) Porque infelizmente a Humanidade terá sempre outros meios de matar. Porque é importante guardar a memória do que se passou. Não para os judeus. Para a Humanidade”. (Yves Khan, p.61)

“Entrei na única câmara de gás que foi conservada e tentei imaginar o que minha avó sentira antes de lá morrer. Leva tempo a morrer numa câmara de gás, demora pelo menos dez minutos.” (Dany Choukrow, p.105)




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