11/11/2008
Ele fugia com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia.
Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:
- Posso fazer três perguntas?
- Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer, podes perguntar.
- Pertenço à tua cadeia alimentar ?
- Não.
- Fiz-te alguma coisa de mal ?
- Não.
- Então porque é que me queres comer?
- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!!
11/09/2008
11/08/2008

SEN, Amartya, O Desenvolvimento como Liberdade, Lisboa, Gradiva, 2003
(Ca. 383 pp. e 19 euros)
“O sucesso de uma sociedade deve ser avaliado (…) primeiramente pelas liberdades concretas de que gozam os membros dessa sociedade (…) Uma maior liberdade reforça a capacidade das pessoas para se ajudarem a si mesmas e, também, para influenciarem o mundo e tais capacidades são fulcrais para o processo de desenvolvimento” (p.34)
“A abordagem adoptada centra-se num suporte factual que a diferencia de uma análise mais tradicional da ética prática e da política económica, como por exemplo, a fixação “economista” no primado do rendimento e da riqueza (mais do que nas características da vida humana e das liberdades concretas) o enfoque”utilitarista” na satisfação mental (mais do que no descontentamento criativo e na insatisfação construtiva) a preocupação “libertária” com os procedimentos em vista da liberdade” que desleixam deliberadamente as consequências que decorrem de tais procedimentos) ” (p. 35)
“A mudança de perspectiva é importante para nos facultar um olhar diferente (…) sobre a pobreza. (…) o desemprego não se resume a uma falta de rendimentos, que pode ser compensada pelo Estado (…) Entre os seus múltiplos efeitos o desemprego contribui para a “exclusão social” (…) conduz a perdas de auto-estima, de auto-confiança e de saúde física e psicológica” (p.36)
“os homens de Bangladesh têm mais hipóteses de viver para lá dos quarenta anos do que os homens afro-americanos de Harlém, na próspera cidade de Nova Yorque” (p.39)
“O reforço de liberdade humana é simultaneamente o fim principal e o meio primordial do desenvolvimento” (p.66)
11/03/2008
CAPITALISMO 21
“O tema principal deste livro é o choque intelectual entre o capitalismo liberal e os seus opositores” (…) O livro começa (…) com a definição de globalização económica. Prossegue (…) com argumentos a favor de uma economia de mercado liberal e com a análise das suas contribuições de longo prazo para a prosperidade, a democracia e a liberdade individual. Debruça-se sobre a relação mutuamente apoiante e interdependente entre o Mercado e o Estado democrático. Por fim examina o que acontece quando o mercado cruza fronteiras.
Na terceira parte o livro aborda a longa história da globalização” (p. 38)
“Os críticos têm razão quando dizem que as instituições designadas para gerir a economia global não funcionam tão bem quanto deviam, particularmente na área das finanças. (…)
O grande desafio é o de conciliar um mundo dividido entre Estados com capacidades enormemente desiguais, com a exploração das oportunidades de convergência, proporcionadas pela integração económica internacional.” (p. 39)
“a economia de mercado é a única conjuntura capaz de gerar aumentos sustentados de prosperidade, proporcionando os alicerces de democracias liberais estáveis e dando aos seres humanos a oportunidade de procurarem aquilo que desejam na vida.
(…) os Estados nacionais continuam a ser o local de debate e de legitimidade políticos. As instituições supranacionais adquirem a sua legitimidade e autoridade a partir dos Estados que as constituem” (p.409)
11/02/2008
FASCISMO 4
“Primeiro no Hospital dos Capuchos (…) e depois no Hospital de São José (…) Salazar é agora um quase vulgar velhinho, acompanhado de médicos, circula em cadeira de rodas pelos corredores dos hospitais, sem ser reconhecido pelos doentes e pelo pessoal hospitalar de turno, limitando-se a murmurar ”é inacreditável, parece inacreditável.” Conta-se mesmo que, no Hospital de São José, uma enfermeira de serviço que ajudou Salazar a fazer exames se terá virado para o Prof. Eduardo Coelho e, não reconhecendo o doente, perguntou: “quem é este velhinho’” (p.49)
“O tempo passa e Salazar não é prevenido que será operado de imediato. (…) O Dr. Vasconcelos Marques toma então a resolução de ir falar com o doente; a sós, depois de ter pedido para que as enfermeiras se retirassem do quarto (…) Refere ainda Vasconcelos Marques, num relato dessa mesma conversa com Salazar que, tendo-lhe perguntado se pretendia que lhe chamassem um confessor, o doente o terá interrompido com uma interrogação seca: “Isto é um hospital ou uma igreja?” (p. 56)
11/01/2008
GESTÃO 13
“O papel de gestor de qualidade (…) é o de um consultor que regulamenta e controla toda a actividade no âmbito do Sistema de Gestão pela Qualidade – é como que o “Provedor” de Qualidade no interior da organização.
Para além de toda a actividade de controlo dos procedimentos de trabalho internos, apoio e controlo de implementação, manutenção e melhoria do SGQ, acompanhamento do SGQ mediante auditorias, informação ao Conselho de Gerência sobre o desempenho do SGQ, incluindo necessidades de recursos com vista à sua melhoria, o Gestor de Qualidade tem como função a promoção de uma pedagogia da Qualidade junto dos departamentos da empresa e formação necessária em Qualidade.
É aquela função que está acima de todas as outras actividades/funções com o principal objectivo de ajudar as mesmas, dedicando o tempo e a atenção necessários para “pensar” todas as outras actividades, por forma a melhorar continuamente as mesmas.” (p.297)
10/26/2008
ANARQUISMO 2
PRÉPOSIET, Jean, História do Anarquismo, Lisboa, Ed. 70, 2007 (550 pp. e ca. 29.9 euros)
“Esta obra não pretende ser uma história completa do anarquismo. Trata-se simplesmente de (…) evocar algumas das individualidades particularmente representativas do movimento libertário e as suas diferentes correntes. (…) o anarquismo é essencialmente – não tenhamos medo das palavras – um estado de espírito, uma maneira de estar no mundo, antes de se tornar uma atitude política classificável e definível. Talvez seja essa a sua fraqueza, mas creio que é também, e sobretudo, aquilo que lhe assegura a perenidade. O anarquismo não fica fora de moda. É inultrapassável. De qualquer modo o leitor não tem necessidade de um manual de instruções” (da Introdução)
10/22/2008
GESTÃO 12
Kiyosaki, Robert, Pai Rico, Pai Pobre, Lisboa, Dinalivro, 2ª 2ª ed. 2008 (Ca. 188 pp. e 23 Euros)
“A maioria das pessoas tem um preço. E tem um preço por causa de duas emoções humanas, o medo e a ambição. Primeiramente, o medo de não ter dinheiro leva-as a trabalhar arduamente, e quando recebem o vencimento, a ambição ou o desejo leva as a pensar nas coisas maravilhosas que podem comprar. Então define-se o padrão (…) Acordar, ir para o trabalho, pagar contas, acordar, ir para o trabalho, pagar contas… (…) Oferece-lhes mais dinheiro e elas continuarão o ciclo, a aumentar também as despesas. É a isso que chamo “Corrida de Ratos”. (pp. 47,8)
“Muitos novatos nas finanças não conhecem a relação entre a Demonstração de Rendimentos e o Balanço. O entendimento desta relação é vital” (p. 65)
“Concentre-se em reduzir passivos e despesas. Isso aumentará o dinheiro disponível para continuar a aumentar a coluna dos activos” (p. 81)
Recomendação de investimentos de R.K.: negócios que não impliquem a presença do investidor (tornam-se empregos), acções, títulos, fundos de investimento, imóveis, promissórias e royalties.
10/13/2008
TESTEMUNHO 12
SILVA, Vaz Salvador, Catedral. Primebooks, s.d.
[V.S.S, português de Lisboa, ao saber-se com um cancro múltiplo abriu um blog onde foi conversando sobre a sua experiência que, em príncipio, seria terminal… N. de Kriu]
“Foi nos seis meses que tinha pela frente que derrotei a doença, não cedendo às adversidades que representavam os inúmeros efeitos secundários ds tratamentos nem à radical alteração da minha vida diária. Estive praticamente cego, tornei-me diabético agudo devido às doses brutais de corticóides que tinha de tomar para o cérebro, estive à beira do coma, dias houve em que outras pessoas tiveram que me caarregar em ombros e amparar porque eu não tinha força para me levantar. Fui impedido de conduzir carro e moto, perdendo assim a autonomia a que estava habituado. Apesar de tudo isto, não fiquei voluntariamente na cama um único dia.
Venci a doença com todos os tratamentos sempre referidos e com centenas de Amgios a darem-me força todos os dias sem excepção, como está bem espelhado neste livro. Fiquei verdadeiramente impressionado com a enorme bondade e dedicação das pessoas com quem me relacionei estes meses passados, e essa realidade alterou completamente a percepção anterior que eu tinha da vida.
Ajudar desinteressadamente quem precisa de ajuda, levando junto de pessoas dedicação, atenção, força, fé e esperança é uma forma sublime de realização pessoal e de sermos úteis ao longo da vida, fazendo de nós parte do todo para contribuir para o avanço do mundo no sentido certo” (p.238)
10/12/2008
TESTEMUNHOS 11
VASSEUR, Nadine, Eu não lhe disse que estava a escrever este livro, Filhos de Sobreviventes do Holocausto Testemunham, Colares, ed. Pedra da Lua, 2008 (158 pp. ca.15 euros)
“Há alguns anos o meu pai disse-nos que era lá [no campo de concentração nazi de Auschwitz - N. de Kriu] que ele queria acabar.(…) Ao exprimir esse desejo o que ele revela é obviamente que Auschwitz foi central na sua vida. (…)
Tive sempre o sentimento de que o meu pai morreu uma primeira vez. Que era um ressuscitado. Que ele queira acabar lá, é coerente. Por muito sedento de futuro que tenha sido, o que ele finalmente nos lega é que não é possível arrancar-se ao passado, à sua história.” (Marc Pepelman, p.36)
“O que é que no seu comportamento lhe parece herdado da história do pai? Uma certa forma de dureza, sem dúvida. (…) O meu pai e a minha mãe encontraram-se em 1945, à saída daquela experiência e o casal construiu-se na recusa do afectivo, ou antes, em mantê-lo a certa distância. Algo do afectivo se tornara impossível. Três dias depois do enterro da minha mãe, há um ano, o meu pai confidenciou-me que eles só tinham conseguido dizer “amo-te” duas semanas antes, no seu leito de agonia. Em cinquenta anos de casamento, era a primeira vez que eles diziam “amo-te”. Quase nunca se beijaram.” (p.57)
“Porque aceitei testemunhar neste livro? (…) Porque é importante que se saiba que esta história não terminou e que é necessário estar atento ao que se preparara para o futuro. (…) Porque infelizmente a Humanidade terá sempre outros meios de matar. Porque é importante guardar a memória do que se passou. Não para os judeus. Para a Humanidade”. (Yves Khan, p.61)
“Entrei na única câmara de gás que foi conservada e tentei imaginar o que minha avó sentira antes de lá morrer. Leva tempo a morrer numa câmara de gás, demora pelo menos dez minutos.” (Dany Choukrow, p.105)
10/11/2008
CAPITALISMO 20
FINKELSTEIN, Normam, A Indústria do Holocausto, Reflexões sobre a Exploração do Sofrimento dos Judeus, Lisboa, 2001, 1ªedição (169 pp. ca. 12 euros)
“ O que me levou a escrever este livro foi o estudo pioneiro de Peter Novick, “The Holocaust in American Life” (…) Na análise de Norvick, a categoria central é a “memória”. Actualmente na berra na torre de marfim dos académicos a “memória” é sem dúvida o conceito mais pobre que nos últimos tempos apareceu (…) Antigamente os intelectuais dissidentes utilizavam categorias sólidas como “poder” e “interesses” por um lado e, por outro, “ideologia”. Hoje só restam termos frouxos e despolitizados como “problemas” e “memórias”. No entanto, dadas as provas invocadas por Norvick, a memória do Holocausto é uma construção ideológica ligada a interesses precisos. (…) Originalmente o meu interesse pelo holocausto nazi era pessoal. Os meus pais foram sobreviventes do Gueto de Varsóvia e dos campos de concentração nazis.” (pp.12 a 14)
“Desde a sua fundação em 1948 até à guerra de Julho de 1967, Israel não foi um elemento central no planeamento estratégico americano.” (p.27)
“Todos os que escrevem sobre o Holocausto afirmam que é único mas poucos ou nenhum explicam porquê” (p.53)
“Se o Holocausto não tem precedentes na história, coloca-se acima dela e portanto não é possível a história compreendê-lo.” (p.55)
“Os nazis exterminaram meio milhão de ciganos o que proporcionalmente equivale a pouco mais ou menos o genocídio dos judeus” (p.88,9)
“Novick salienta a cumplicidade dos Estados Unidos em desastres humanos que, embora diferentes do extermínio nazi, têm a mesma dimensão. Depois de uma coligação dirigida pelos Estados Unidos ter desvastado o Iraque em 1991 para castigar “Saddam-Hitler” os Estados Unidos impuseram sanções criminosas através das Nações Unidas (…) É provável que tenham morrido um milhão de crianças como no holocausto nazi. Interrogada na televisão nacional sobre essa hecatombe terrível, a secretária de Estado Madeleine Albright respondeu que “o preço justifica-se” (p. 166)
“O desafio actual é restaurar o holocausto nazi como um tema racional de investigação. Só nessa altura poderemos de facto aprender com ele” (p. 169)
10/04/2008
PORTUGAL 4

AAVV, Optimismo e Pessimismo Acerca do Futuro de Portugal, Lisboa, Ed. Colibri/Fundação Mário Soares, 2008 (154 pp. e ca. 8.5 euros)
Fernando Catroga:
“Seja na metáfora vintista da “pátria moribunda”, seja na concepção espiritualista e orgânico-historicista de Herculano, seja no organicismo centífico-metafísico de Antero de Quental e de Oliveira Martins, seja no organicismo historista e psicofisiológico (com a pretensão de ser cientifico) de Teófilo Braga e de republicanos positivistas, seja ainda naquele outro, nacionalista, essencialista e místico, de Pascoaes e da Renasceça Portuguesa ou, no plano politicamente oposto, de António Sardinha e seus companheiros do Integralismo Lusitano, detecta-se a omnipresença de um pano de fundo comum: a previsão (ao contrário) de que no passado existiu um momento de apogeu o qual, contudo, por culpas próprias e, sobretudo alheias, (Inquisição, Absolutismo, Napoleão, Inglaterra, etc.) virou em decadência a páginas tantas do livro da história (p.11)
(…) “diversos estudos têm detectado o peso dos vocábulos como “revolução”, “fundação”, “regeneração” no período vintista, utilizados num contexto de esperança. É sabido que, após o seu patente incumprimento, ao período que se pensou ser de consolidação de nova ordem se chamou “regeneração”, esse nome português do capitalismo (Oliveira Martins) No entanto, contra esta levantar-se-ão os jovens intelectuais dos anos 1860-1870, talvez o primeiro núcleo que tudo fará para se autoconsagrar como “geração” (veja-se o In Memoriam dedicado a Antero de Quental” (p.29)
António Pedro Pita:
"Um duplo circuito de optimismos e de pessimismos. Entre tradição e e novidade, o povo sofre o presente numa tensão não resolvida pois, por força das circunstancias imediatas, ora parece ser dominado pela força nostálgica da tradição (é o pessimismo), ora parece ser dominado pela força deslumbrada de novidades (é o optimismo) numa oscilação de expectativas e de frustrações elementares e superficiais. Entre tradição e novidade, as elites inscrevem (quer dizer, dissolvem) o presente, ora numa história como decadência, ora numa história como progresso, que supõem dominar. Mas por razões inerentes à sua própria história, oscilam entre expectativas e frustrações não socializadas, processos que se repetem sem consequências, inovações que permanecem factos sociais desenraizados.
O problema consiste em unificar esse duplo conceito: uma tarefa histórica por que espera o presente, rebelde à dissolução no passado ou num futuro. (p. 108,9)
José Gil:
"A Europa entrou numa enorme depressão. (…) durante mais de um século, gerações e gerações que se sucederam eram levadas por um movimento geral em que havia utopia, havia esperança, em que havia futuro e em que o futuro trabalhava intensamente o presente. A situação de Portugal como é que ela se pode perspectivar hoje através disto que aconteceu na Europa? Vive-se também um efeito do que aconteceu durante 48 anos, isto é, herda-se, há um consciente que se herda por gerações. Quer dizer que um jovem que nem sabe por exemplo, quem é Salazar, quem foi Salazar, e diz “Eu sou livre” não é nada livre. Ele tem ali marcado no corpo, no seu inconsciente uma série de estigmas que herdou necessariamente porque nós ainda não os varremos do nosso corpo e do nosso espírito” (p. 152)
9/29/2008
TESTEMUNHO 13
KURNAZ, Murat, O Meu Inferno em Guantánamo – O testemunho de um prisioneiro, Porto, Ed. Âmbar, 2008 (284 pp. e ca. 20 euros)
“Quando regressei à gaiola não acreditei nos meus olhos: havia um novo prisioneiro [Abdul - N. de Kriu] (…) teria dezanove ou vinte anos (…) já não tinha pernas. As feridas eram muito recentes. Sentei-me na gaiola e quase não conseguia olhar para lá. (…) os cotos estavam cheios de pus. (…) Foi levado para interrogatório. (…) Ergueram-no e arrastaram-no pelo corredor, os seus cotos balançavam no ar e Abdul dava gritos horríveis “ (pp. 106/08)
“Abdul não era o único a quem tinham amputado uma parte do corpo. Assisti a isso muitas vezes em Guantánamo. Sei de um prisioneiro que se queixava de dores de dentes (…) não apenas lhe arrancaram o dente doente mas também oito dentes sãos (…) Muitos [prisioneiros] tinham pernas, braços ou pés partidos porque eram frequentemente espancados com bordões. Os ossos partidos também ficavam sem tratamento. (…) Vi um homem ser levado para o interrogatório. Quando regressou tinha o braço pendente, imóvel, apenas mantido preso ao corpo pela pele e pela carne. Nunca vi ninguém com gesso. Isso sara por si, diziam os guardas. (p.109)
“Uma vez consegui descobrir uma coisa dentro daquela gaiola (…) consigo ver o corredor através de uma fenda estreita. Teria sido melhor não ter feito isso. Porque quando os guardas chegaram com a comida e eu os estou a ver através da fenda, vejo como eles cospem na comida, antes de abrirem a portinhola e estenderem os pratos! Eles cospem em todos os pratos (…) Até àquele momento eu tinha-me alegrado quando vinha a comida. (p. 163)
9/28/2008
ZEN 2
Un moine demanda à Chao-choui: “Je viens d’ entrer au monastère: je t’ en prie, donne-moi um conseil.”
- As-tu mangé ton gruau de riz? – demanda Chao-choui.
- Oui, je l’ ai mangé, répondit le moine.
- Alors, va laver ton bol.
“Le Zen est le dernier mot de la philosophie, écrivit Suzuki [Daisetz Teitaro Suzuki, viveu entre 1870 e 1966, e iniciou gerações de Ocidentais no budismo Zen – N. de Kriu] le fait psychique ultime, que survient lorsque la conscience religieuse est developpée à l’ extrême (…) chez lez bouddhistes, les chrétiens, les philosophes”
(p. 263)
“Si un homme veut
être sur de son
chemin, qu’il ferme
les yeux et marche
dans l’ obscurité.
Saint Jean de la Croix
9/26/2008
TESTEMUNHOS 11
VALDES, Roberto L. Blanco, La aflicción de los patriotas, Alianza Editorial, 2008 (Ca.260 pp. e ca. 17,50)
“Solo acaba llegando el que coñoce adónde va. (…) Según los no nacionalistas la autonomia há constituído el cemento que nos há unido en libertad; según los nacionalistas, há sido y debe seguir siendo hacia la definitiva secessión de sus Comunidades respectivas” (p.59)
“Pêro casi nada de eso [cientos de miles de parados, cientos de miles de inmigrantes, que huyen de la violência y de la miséria, miles de ancianos en la más absoluta soledad, miles de enfermos en las listas de espera, miles de mujeres sometidas a situaciones personales o professionales vejatorias, milles de estudantes que fracassan – N. de Kriu] existe pue en este país, desde hace muchos años, la llamada cuéstion vascã ocupa les energias que, en condiciones normales, merecerían ocupar los problemas referidos” (p.32)
"Los etarras no son, desde luego los vascos generosos, los vascos laboriosos que, desde posiciones políticas distintas y legitimas (nacionalistas y no nacionalistas) luchan por mejorar la situación de su país. Los etarras no forman parte de eso imenso mayoria del admirable pueblo vasco que ha trabajado, generación tras generación, por hacer de su país, y hacer de España, un lugar donde se puedo vivir en paz y libertad. Pero sí son vascos los etarras. Son unos vascos que han llegado al convencimiento pleno y absoluto de que su lucha exige asesinar, secuestrar e extorsionar." (p. 169)
9/25/2008
TESTEMUNHOS 10
CHOMSKY, Noam, Assalto ao Médio Oriente, Lisboa, Ed. Antígona, 2003. (Ca. 192 pp. e ca. 7,5 euros)
“O 11 de Setembro teve efeito por todo o mundo, o mesmo efeito em toda a parte, perfeitamente previsível. O efeito foi o de os elementos brutais e repressivos espalhados por todo o mundo verem nos acontecimentos uma oportunidade única. Podem dar largas aos seus planos sem se sujeitarem a impedimentos, enquanto a população está assustada, obediente, silenciada, por um apelo unilateral ao patriotismo, que equivale a dizer-lhes que se cale enquanto eu aplico os meus planos de maneira ainda mais agressiva e mais implacável do que dantes” (p.147)
“uma forma de minar completamente a democracia é entregar tudo ao poder privado. O poder privado não presta contas a ninguém. Excepto através de uma ordem do Congresso, não se pode saber o que está a acontecer dentro de uma das tiranias privadas, como a General Electric ou a Enron (…) São tiranias e estão em grande parte ao abrigo de qualquer prestação de contas. Portanto, se os do poder puderem transferir a arena pública para as suas mãos, poderão fazer eleições formais sem qualquer preocupação.” (p.112)
[o jornal egípcio semi-oficial al-Abram referia-se - N. de Kriu] “ao eixo do mal composto pelos Estados Unidos, a Turquia e Israel. É um eixo real (aplausos). Quanto mais não seja existe uma aliança estreita, e não é secreta, é aberta, é sólida. É constituída pelos três: os Estados Unidos, obviamente senhores do mundo, Israel e a Turquia, as duas maiores potências militares na região, ambas mais ou menos bases militares dos Estados Unidos. (…) Era o que a administração Nixon chamava os “polícias locais de mão dura”. (p.154)
9/22/2008
POEMA 11 Francisco Vaz, in: Sulscrito nº 2 Verão 2008 - Revista de literatura - p. 19
el rancio sdor a macho que desprendía su tio
y el húmedo hisopo que guardaba en su entrepierna
con el que bautizou su culo imberbe de once añitos
y ahora ya ves lo que es la vida
su tío yace moribundo en el hospicio
y a él le gustaria pero no irá visitarlo
seguro que lo imagina niño aún o acaso hombre
y no desea crearle problemas de conciencia
a quien descubrió la verdad que otros tapaban
cuánta vida perra desde entonces
cuánta cama e cuánto frio
cuánto hombre e cuánta oscuridad de esquina
cuánto semen degustado e cuánta herida abierta
al asco y al azogue
cuánto azote desmedido y cuánta soledad
nunca soportó el perfume de los señoritos perversos
que adoran la polla des chapero como un trofeo oculto
y públicamente sin embargo la desprecian
fue tanta humillación repulsiva la que tuvo que tragar
y tragó a cambio del dinero necesario
para ser quiem siempre quiso ser y le negó la biologia
hoy Francisco está orgullosa de ser Paca la travesti
y se muere de amor por un currante que ni la mira
a veces se le acerca como una gatita indefensa
y cierra los ojos y aspira el aroma agridulce
que desprende su ropa de trabajo
y piensa que si él quisiera estaria dispuesta
a dárselo todo
a comprarle un trono y tenerlo como un rey
a ofrecerle los mejores años de su vida
y a amarlo hasta la muerte.
9/21/2008
CAPITALISMO 19
“This book wouldn’t exist if it wasn’t for the tireless, unsung efforts of people everywhere working for no reward except the sweet knowlodge traht they are in the right place, at the right time in history, doing the right thing. This book is for them.”
“All I was trying to do was defend our local bit of land. I’ ve never thought of myself as political before but this has shown me that all life is politics – if you step out of line”
(p. 31)
“Carnival and rebellion have identical goal: to invert the social order with joyous abandon and to celebrate our indestrutible lust of life. Carnival breaks down the barriers of capital, and releases the creativity of each individual. It throws beauty back into the streets, streets in wich people begin to really live again. During Carnival, as in rebellion, we wear masks to free our inhibition, we wear masks to transform ourselves, we wear masks to show that we are your daughter, your teacher, your bus driver, your boss. Being faceless protects and unites us while they try to divide and persecute. By being faceless we show that who are is not important as what we want, and we want everything for everyone.
So we will remain faceless because we refuse the spectacles of celebrity, we will remain faceless because the world is upside down, we will remain faceless because we are everywhere. By covering our faces we show that our words, dreams, and inagination are more important than our biographies. By covering our face we recover the power of our voices and our deeds. By wearing masks we become visible once again” Alice Walker (p. 346)
“Utopia is on the horizon: when I walk two steps, it takes to steps back... I walk ten steps, and it is ten steps further away. What is utopia for? It is for this, for walking.”
Eduardo Galeano
TESTEMUNHOS 9
SOLJENITSYNE, Alexandre, O Declínio da Coragem, Discursos de Harvard, Junho 1978, Lisboa, Ed. Rolim, s.d. (ca. 51 pp. e ca. 9 euros)
“É talvez o declínio da coragem o que mais chama a atenção dum estrangeiro no Ocidente de hoje. A coragem cívica não só desertou globalmente do mundo ocidental mas também de cada um dos países que a compõem (…) e, bem entendido, da Organização das Nações Unidas. Este declínio de coragem é particularmente sensível na camada dirigente e na camada intelectual dominante e daí vem a impressão de que foi de toda a sociedade que a coragem desertou. (…) Os funcionários públicos e intelectuais patenteiam este declínio, esta fraqueza e esta irresolução, tanto nos seus actos como nos seus discursos e, mais ainda, nas suas considerações teóricas que fornecem com toda a complacência, para provarem que esta maneira de agir, que alicerça a política dum Estado na cobardia e no servilismo, é pragmática, racional e justificada, seja qual for o plano intelectual, ou mesmo moral, em que nos coloquemos. Este declínio da coragem que, aqui e ali parece ir até à perda de todo e qualquer vestígio de virilidade, encontramo-lo (…) nos casos em que esses mesmos funcionários sofrem súbitos acessos de valentia e intransigência para com governos sem força de países fracos, que ninguém apoia, ou para correntes condenadas por todos e que, manifestamente, não têm qualquer possibilidade de poder ripostar, ao passo que sentem a língua secar-se-lhe e as mãos paralisarem-se-lhe diante de governos mais poderosos e das forças ameaçadoras (…) da Internacional do terror.
Será preciso lembrar que o declínio da coragem foi sempre considerado como um sinal percursor do fim? (pp. 15 a 17)
“Se me perguntarem se eu quero propôr ao meu país como modelo o Ocidente, tal como hoje se apresenta, devo responder com franqueza: não, não posso recomendar a vossa sociedade como ideal para a transformação da nossa (…) Uma sociedade não pode permanecer no fundo do abismo sem leis, como é o nosso caso, mas será irrisório manter-se à superfície lisa dum juridismo sem alma, como sucede convosco. Uma alma humana acabrunhada por muitas dezenas de anos de violência aspira a algo de mais elevado, mais quente e mais puro do que o que pode propôr-lhe a existência de massa no Ocidente, anunciada, como se fosse um cartão de visita, por uma pressão enjoativa de publicidade, pelo embrutecimento da televisão e por uma música insuportável. (…) O modo de vida ocidental tem cada vez menos probabilidades de vir a ser o modo de vida dominante” (pp. 33,4).
“Pusemos demasiadas esperanças nas transformações políticas-sociais e notamos que nos tiraram o que tínhamos de mais precioso: a nossa vida interior. A Leste, é a feira do Partido,(…) a Oeste a feira do Comércio” (p. 49)
“(…) esta viragem [da História – n. de Kriu] exigirá de nós uma nova altitude de vistas (…) em que a nossa natureza física terá deixado de estar entregue à maldição, como na Idade Média, mas na qual a nossa natureza espiritual terá também deixado de estar calcada aos pés como era na Idade Média” (p. 51)
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