7/17/2008

GESTÃO 11

DRUCKER, Peter F. com a contribuição de... " As Cinco Questões Mais Importantes Que Deve Colocar à Sua Organização, Lisboa, Ed. Smartbook, 2008
Do capítulo "Liderança Transformacional":
"Estude o meio"
"Bana a hierarquia"
"Reveja a missão"
"Desafie o Evangelho"
"Disperse a liderança por toda a organização"
"Lidere pela frente, não empurre pela rectaguarda"
"Analise o desempenho"
(pp.87,91)

" Faça as cinco questões essenciais: qual é a nossa missão? Quem é o nosso cliente? O que valoriza o nosso cliente? Quais são os nossos resultados? Qual é o nosso plano? A auto-avaliação conduz às acções e não tem qualquer significado sem esta última".
(...) "Planear não é um acontecimento. É um processo contínuo de fortalecimento daquilo que resulta e abandono do que não resulta, (...) de estabelecimento de objectivos, de inspecção relativamente ao desempenho e resultados por via de um feedback sistemático e da implementação contínua de ajustes aos processo e alteração de condições" (pp. 2 a 5)

"A missão deve dizer porque fazemos o que fazemos e não os meios que usamos para o fazer" (p.14)

"Nunca subordine a missão à necessidade de ganhar dinheiro" (p.16)

"As organizações do sector social têm dois tipos de clientes, o cliente primário que é aquela pessoa cuja vida é mudada pelo seu trabalho. A eficácia requer concentração e isso significa uma resposta à pergunta "Quem é o nosso cliente primário?" Aqueles que se dispersam em muitas direcções sofrem porque dispendem as suas energias e prejudicam o seu desempenho. Existem ainda os clientes apoiantes que são voluntários, membros, parceiros, fundadores, fontes de referencia, empregados e outros que devem ser satisfeitos. Todos eles são pessoas às quais não se pode dizer não, pessoas que têm o poder de escolher ou rejeitar aquilo que têm para oferecer. Pode satisfazê-los providenciando uma oportunidade para um serviço, com significado, dirigindo as contrbuições para resultados em que ambos acreditam (...)
Um cliente primário nunca é o único cliente e satisfazer um cliente sem satisfazer os restantes só demonstra um mau desempenho. Isto faz com que seja muito tentador dizer que existe mais do que um cliente primário mas as organizações eficazes resistem a essa tentação e mantêm a concentração no cliente primário" (pp.27,8)

7/16/2008

CAPITALISMO 18

STIGLITZ, Joseph E., Os Loucos Anos 90 – A Década Mais Próspera do Mundo, Lisboa, Terramar, 2005 (ca.397 pp. e 22.50 euros)
Retirado da Introdução escrita pelo ex-Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio:
“A primeira [ideia] que me parece ser a tese central do livro respeita ao facto de a larga expansão económica americana dos anos 90 já conter algumas sementes da sua própria destruição. Como advogado que sou, sei bem que frequentemente alguns argumentos contêm em si mesmo o começo da sua própria destruição. Talvez por isso tenha compreendido melhor a tese do Prof. Stiglitz segundo a qual a administração Clinton – talvez por ter desregulamentado bastante e contado de mais com a concorrência económica e por ter tido uma deferência excessiva para com o sector financeiro (para ter a sua confiança) tivesse deixado, como dizem os economistas, encher uma bolha especulativa que acabaria por rebentar, com significativas consequências económicas, sociais e levar à recessão da conomia americana de 2001. “Se a economia tivesse sido bem gerida, a recessão que se seguiu talvrz tivesse sido curta e superficial” (p.79).
Em segundo lugar destaco a ideia de que o mercado deixado a si próprio produz de mais algumas coisas indesejáveis, como por exemplo poluição e outras externalidades negativas e, de menos, certas coisas desejáveis, como por exemplo educação e outras externalidades positivas; por outro lado, porque os mercados e os agentes económicos precisam de alguma regulação económica para actuarem de forma adequada e eficiente. Para o Prof. Stiglitz a excessiva desregulação da economia americana na década de 90 esteve na origem ou potenciou muitos abusos, desde a manipulação de mercados à realização de truques contabilísticos, e ajudou a criar um ambiente em que bastantes empresas e os seus executivos de topo prosseguiram egoisticamente os seus interesses à custa dos accionistas, dos empregados e da economia em geral. Não se pense no entanto que o Prof. Stiglitz considera que toda a desregulação é má em si mesma.(…) Ele reconhece que alguns factores, nomeadamente a evolução tecnológica tenham tornado obsoletas grande parte da regulamentação existente em alguns sectores da actividade, mas tal não implicava a (quase) total desregulação em todos esses sectores.
De facto, dadas as insuficiências da “mão invisível” a regulação económica de actividades e mercados na forma e na dose adequada é, e continuará a ser, sem dúvida, uma importante função dos governos, como definidores de regras e árbitros do jogo do mercado.
A terceira ideia geral retida respeita à globalização, assunto que o Prof. Stiglitz já tinha discutido largamente no seu livro anterior “Globalização – A Grande Desilusão” [vd citações neste blog] e que trata agora na perspectiva mais americana do que na do mundo” (pp. 8,9)

ALTERNATIVA 6

YUNUS, Muhammad, Vers um Nouveau Capitalisme, Paris, Ed. Lattes, 2008
[um social-business] "c’ est une entreprise crée pour répondre à des objectifs sociaux. (...) Um social-business est une societé qui ne distribue pas de dividendes. Elle vend ses produits à des prix qui lui permettent de s’ autofinancier. Les proprietaires peuvent recuperer la somme qu’ ils ont investi dans l’ entreprise après certain laps de temps, mais nulle part de profit ne leur sera versée sou forme de dividendes. Au lieu de cela, les profits realisés para l’ entreprise restent en son sein afin de financier son expansion, de creer de nouveaux produits ou services et de faire davantage de bien dans le monde." (pp.18,19)

"L’ entreprenariat social est aujoud’hui um mouvement reconnu. Outre Ashoka, il existe plusieurs fondations dediées à la promotion de l’ entreprenariat social, comme la Fondation Skoll (...) et la Fondation Schwab, fondéé par klaus Schab (le fondateur du Forum Mondial de Davos) . Elles ont entrepis d’ identifier, soutenir et d’ encourager les entrepreneurs sociaux à travers le monde. (...) L’ entreprenariat social est même devenu une discipline académique : depuis qu’ un premier cours a été proposé à Harvard en 1995 par J. Gregory Dees (...) il est entré dans les cursus d’ une trentaine d’ écoles de commerce americaines."(p. 67,8)

"Une fois que le social-business sera reconnu comme une structure economique fiable, les institutions, les politiques publiques, les conditions de régulation du monde, les normes et les régles l’ aideront à devenir um nouvement important" (p. 72).

7/14/2008

criticadearquitectura.blogspot.com/2004/07/ho...

ARQUITECTURA 1

YAMAMOTO,Célia, Feng Shui, A Arquitectura Sagrada do Oriente, ed. Pergaminho, 1988. (197 pp., ca. 12.50)
“Na concepção oriental o corpo, a mente e o espírito não são considerados separados mas compõem um todo, o qual está em conexão com o ambiente que o cerca sem limitações de espaço ou de tempo. Assim, actos passados podem influenciar a vida presente, de modo a interferir com o nosso estado de saúde, prosperidade e vitalidade. Deste modo o Feng Shui pode também ser usado para melhorar os lugares que já estão a ser habitados ou naqueles em que os seus antigos ocupantes possam ter infiltrado as suas energias negativas por desordens emocionais ou destrutivas”.

7/13/2008

FILOSOFIA 3

GRAY, John, Sobre Humanos e Outros Animais, Porto, Ed. Asa, 2007. 192 pp. Ca. 13 euros.
“A moderna fé na verdade é uma relíquia de uma crença antiga. Sócrates fundou o pensamento europeu com base na fé que a liberdade nos torna livres. Nunca duvidou de que o conhecimento e o bem-estar coincidissem. (…) O legado de Sócrates consistiu na associação da busca da verdade a um ideal místico de bem. Contudo, nem Sócrates nem qualquer pensador antigo imaginaram que a verdade pudesse tornar a humanidade livre. Tinham por assente que a liberdade seria sempre privilégio apenas de uns quantos; não havia esperança para a espécie.
(…) O humanismo moderno é a crença segundo a qual, através da ciência o homem pode conhecer a verdade e assim ser livre. Mas se a teoria da selecção natural de Darwin for verdadeira, isso torna-se impossível. A mente humana está ao serviço do êxito evolutivo e não da verdade. (…) A verdade não goza de qualquer superioridade evolutiva em relação ao erro. (…) Como Trivers assinala, a evolução favoreceu os erros úteis: “A ideia convencional de que a selecção natural favorece os sistemas nervosos que produzem imagens cada vez mais precisas do mundo não pode deixar de ser vista como uma concepção extremamente ingénua da evolução da mente” (pp. 35 a 37)

” É uma estranha fantasia supormos que a ciência pode introduzir na razão num mundo irracional, quando tudo o que pode fazer é imprimir uma nova variante na loucura normal”. (p.38)

“Como Monod escreve: “As sociedades liberais do Ocidente continuam a prestar homenagem verbal – e a apresentar como base moral – a uma mistura deprimente de religiosidade judaico-cristã, de progressismo cientista, de crença nos direitos “naturais” do homem e de pragmatismo utilitário.” O homem deve pôr de lado estes erros e aceitar que a sua própria existência é inteiramente acidental.” (…) Deve despertar do seu sono milenar e descobrir a sua solidão absoluta, o seu isolamento fundamental. Deve compreender que, como um cigano, vive na fronteira de um mundo estranho, um mundo que é surdo para a sua música e indiferente às suas esperanças, bem com aos seus sofrimentos e aos seus crimes”.
Monod tem razão ao dizer que é difícil aceitarmos que os seres humanos não são diferentes dos outros animais. Ele próprio não o aceita. (…) Para Monod a humanidade é uma espécie que goza de um privilégio único. (…) Como os cristãos Monod crê que a humanidade se descobre num mundo estranho, insistindo no facto desta ter de escolher entre o bem e o mal. “O reino superior ou a treva inferior: cabe ao homem decidir.” Segundo esta fantasia, no futuro a humanidade será diferente não só de qualquer outra espécie animal, mas também de tudo o que já tenha sido. Os cristãos que resistiam à teoria de Darwin receavam que esta reduzisse a humanidade à insignificância. Não precisavam de se ter preocupado. O darwinismo seria utilizado para recolocar a humanidade no seu pedestal.” (p.40)

“O humanismo é uma religião secular construída a partir de fragmentos decadentes do mito cristão. Pelo contrário, a hipótese Gaia – a teoria segundo a qual a terra é um sistema auto-regulado, cujo comportamento se assemelha, sob certos aspectos, ao de qualquer outro organismo – encarna o mais rigoroso naturalismo científico (…). No fundo o conflito entre a teoria de Gaia e a actual ortodoxia não é uma controvérsia científica. É uma colisão de mitos – um de formação cristã, outro derivado de uma crença muito mais antiga.
A teoria de Gaia restabelece o vínculo entre os seres humanos e a restante natureza, presente também na religião primordial da humanidade: o animismo. Nas fés monoteístas, Deus é a garantia última do sentido da vida humana. Para Gaia a vida humana não tem mais sentido do que a da amiba.” (pp.41,2)

“Tal como é correntemente praticada a filosofia é a tentativa de descobrir boas razões para crenças convencionais. Na época de Kant, o credo das pessoas era cristão; hoje é humanista. (…) Arrancar as máscaras das nossas feições animais é uma tarefa que ainda mal começou.” (p.44)

“A ideia de progresso não é mais do que o anseio da humanidade transcrito num registo tecnofuturista. Não é ai, nem nas eternidades metamorfoseadas dos místicos que encontraremos a saúde mental.
(…) Das cinzas do Estado soviético emergiu uma economia hipermoderna – um anarcocapitalismo de alicerces mafiosos que se expande para Ocidente. A globalização do crime organizado russo verifica-se numa época em que as indústrias ilegais – droga, pornografia, prostituição, ciberfraude e actividades similares – são os verdadeiros sectores dinâmicos da maior parte das economias avançadas. O anarcocapitalismo russo dá abundantes sinais de poder vir a superar o capitalismo ocidental nesta fase de desenvolvimento. Teatro outrora de múltiplos projectos falhados de ocidentalização, a Rússia está hoje na vanguarda da modernização do Ocidente.” (p.155)

“Os outros animais não precisam de um propósito na vida. Contraditoriamente, o animal humano não pode viver sem ele. Não podemos pensar que o propósito da vida poderá passar pela sua simples observação.” (p.170)

7/06/2008

CAPITALISMO 17 (J.S. é prémio nobel de economia)

STIGLITZ, Joseph E., Tornar Eficaz a Globalização, Porto, Ed. Asa, 2007. (413 pp. Ca. 18 euros)
“Hoje está generalizada (…) uma compreensão das limitações do mercado. Os escândalos dos anos 90, na América e noutros lugares, derrubaram o “Estilo Financeiro Capitalista Americano” do pedestal onde se encontrava há demasiado tempo.
(…) Há também um reconhecimento cada vez maior de que não existe apenas uma forma de capitalismo, nem uma só maneira “corrente” de gerir a economia. Há, por exemplo, outras formas de economia de mercado – como a da Suécia – que conduzem a sociedades bastante diferentes, marcadas por melhores cuidados de saúde, melhor educação e menor desigualdade.
Enquanto que a versão da Suécia pode não funcionar tão bem noutros sítios (…) o seu êxito demonstra que há maneiras alternativas de economias de mercado eficazes. E quando há alternativas e opções, os processos políticos democráticos devem estar no centro de tomada de decisões – e não os tecnocratas. Uma das minhas críticas às instituições económicas internacionais é que tentaram pretender que não havia trade-offs – um único conjunto de políticas que faria com que todos ficassem melhor – enquanto a essência da economia é a escolha, pois há alternativas que beneficiam alguns grupos (como os capitalistas estrangeiros) à custa de outros (…) Entre as opções centrais com que se deparam todas as sociedades está o papel do Estado. O sucesso económico requer que se alcance o equilíbrio entre o Estado e o mercado.(…) Mas eu argumentaria que a globalização, da maneira como tem sido aplicada, tem dificultado frequentemente, a obtenção do necessário equilíbrio.” (pp.13,4)

“Claro que aqueles que estão descontentes com a globalização económica geralmente não objectam com o maior acesso aos mercados globais, ou à disseminação do conhecimento global. Mas levantam cinco questões:
· As regras do jogo são injustas, especificadamente concebidas para beneficiar países industrializados avançados. De facto, algumas mudanças recentes são tão injustas que fizeram com que alguns dos países mais pobres piorassem realmente.
· A globalização promove valores materiais acima de outros valores, como a preocupação com o ambiente ou a própria vida.
· (…) a globalização tem retirado uma boa parte da soberania aos países em desenvolvimento e da sua capacidade de tomarem decisões em áreas fundamentais que afectam o bem-estar dos seus cidadãos. Neste sentido tem minado a democracia.
· Enquanto os defensores da globalização têm vindo a argumentar que toda a gente beneficia economicamente, há provas abundantes, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento, de que haverá muitos prejudicados em ambos.
· Talvez o ponto mais importante, o sistema económico que tem sido imposto aos países em desenvolvimento (…) é inadequado (…). A globalização não deveria significar a americanização nem da política económica nem da cultural mas frequentemente é o que sucede – e isto tem provocado ressentimento (pp.33,4)

“(…)a maneira como se tem tomado decisões – a governança – na arena internacional sofre de dois males: a voz dos países em desenvolvimento é ouvida de menos e as vozes dos interesses especiais são ouvidas de mais” (p.172)

“Uma coisa que me dá alguma esperança é o movimento de responsabilidade social das empresas. (…) A Sociedade Civil está também a desempenhar um papel cada vez mais activo, ao vigiar a actuação das grandes companhias mineiras e as industrias que prejudicam os trabalhadores. (…) A responsabilidade limitada tem estado subjacente ao crescimento do capitalismo moderno mas, com a globalização, as infracções de responsabilidade limitada têm vindo a assumir uma escala global; sem as reformas que aqui se sugerem podem tornar-se muito piores. A lição é simples (…) os incentivos são importantes e os governos e a comunidade internacional têm de trabalhar mais para garantir que os incentivos com que as empresas se confrontam estejam alinhados com aqueles a quem estes afectam, especialmente os menos poderosos no mundo em desenvolvimento” (pp. 267,8)

Sob a epígrafe “Tornar eficaz a globalização” (p.253) e no respeitante ás multinacionais, J.S. propõe [resumo]:
- Responsabilidade social das empresas.
- Limitar o poder das empresas.
- Melhorar a governança empresarial.
- Leis globais para uma economia global.
- Reduzir o âmbito da corrupção.

SAÚDE 1

SHAH, Sónia, Cobaias humanas, Casal de Cambra, Ed. Caleidoscópio, 2008
“Precisamos de abrir o debate acerca da própria ideia de usar corpos humanos como matéria de experiência. Para alguns desempenhos a função da cobaia em testes experimentais é o mesmo que, por exemplo, aceitar um trabalho na fábrica.” (pp. 18,19)

“Enquanto forem necessárias abordagens inovadoras para os dilemas da saúde imposta, por exemplo, pela falta de água potável e comida em boas condições, a resposta não está nos fármacos de marcas novas. E mesmo quando os produtos novos são, de facto, o que é mais necessário, desde novos fármacos contra a malária até tratamento contra a doença do sono, aqueles que ajudam os mais pobres, geralmente, têm pouco interesse para as empresas farmacêuticas, as quais se comprometem com as necessidades financiáveis dos seus investidores. O resultado mais possível será uma classe de ricos rodeada de fármacos, lado a lado com os pobres com falta de medicamentos. (…) “O desastre da talidomina marcou um ponto de viragem para a indústria farmacêutica em crescimento. Enquanto o escândalo revelou, sem dúvida, a insensatez de confiar nas empresas farmacêuticas direccionadas para o lucro (..) a legislação que surgiu no seguimento dessa situação não exigiu que a indústria se reorientasse no sentido da boa saúde da sociedade. Em vez disso, as novas regras exigiram que a indústria aumentasse amplamente as actividades experimentais, que eram tidas em grande conta. Agora a procura de corpos para as experiências começaria a sério (p. 71)

“Escute (…) investigadores biomédicos (…) e irá certamente ouvir comentários espantosos sobre experiências em seres humanos feitas no passado, quando audaciosos testes, sem regulamentos onerosos, produziam resultados impressionantes. Experimentação deste tipo, dirá o cientista de investigação, infelizmente já não é possível “devido a preocupações de teor ético”. (…) É difícil imaginar alguém a falar de contratos de exploração, derrames de petróleo ou desfalque de empresas como não sendo possíveis “devido a preocupações de teor ético”. (…) Mas quando os investigadores clínicos enganam pacientes, exploram a sua pobreza ou desviam recursos escassos da sua assistência médica, tal não é considerado um mal genuíno. A actividade principal da investigação médica – fazer progressos ao nível da melhoria da saúde, salvar vidas – ofusca isso. A exploração e as violações dos direitos humanos são apenas efeitos secundários.
Dominar estes “efeitos secundários”, exige, em primeiro lugar, que se ponha de lado o mito à volta da investigação médica que os estabelece como “efeitos secundários”. (…) Mas se a investigação clínica é uma indústria, que se guia segundo os seus próprios interesses, então não há razão para lhe permitir espaço de manobra especial, para fechar os olhos quando (…) infringem as regras.
(…) Devíamos exigir que os acordos para as cobaias – por exemplo o acesso aos fármacos de estudo depois de o teste terminar – fossem justos e bons no presente, e não num futuro especulativo, quando os preços baixarem ou a pobreza acabar e outras pessoas aplicarem soluções melhores.
Tais requisitos, que podiam ser incorporados nas regras da FDA, serviriam como correctivos lógicos para a indústria competitiva e direccionada para o lucro, em que a investigação clínica actualmente se transformou. Mas isso faz questionar-nos se, em primeiro lugar, realmente queremos adoptar esse modelo” (pp. 253 a 255).





7/05/2008

TESTEMUNHOS 5


SALES, António, Um Ano no Tráfico de Mulheres, Lisboa, Pub. Dom Quixote, 2008 ca. 15 euros

- “Hum… De dezasseis… De onde? Da capital?
- De todas os lados. De Cancum, de D.F., sei lá! E digo-te mais. Mais a sul, em Chiapas e por toda essa região, os pais oferecem-te as filhas com treze ou quatorze anitos por um par de barris de cerveja e uma vaca. Eu conheço ai uma povoação onde as podemos arranjar sem qualquer problema. As dessa região são mais nativas, não são tão bonitas mas são jovenzinhas. Quantas é que queres?” (p. 366)

“Os factos são irrefutáveis e indiscutíveis: a imensa maioria das prostitutas que exercem em Espanha fazem-no em locais de alterne. A imensa maioria das rameiras que exercem em locais de alterne são estrangeiras que exercem a prostituição são imigrantes ilegais que vêm traficadas por máfias. Portanto, a imensa maioria do dinheiro que a prostituição movimenta na Europa, (…) reverte em benefício de máfias de tráfico de seres humanos. Este é o facto indiscutível a partir do qual é possível deduzir que todos os clientes deste tipo de serviços são de uma forma ou de outra, cúmplices dessas máfias. Actuem em consequência.
(…) Se os proxenetas, punhateiros, chulos ou “respeitáveis empresários” que defendem a prostituição como um trabalho digno, forem consequentes com aquilo que apregoam, deveriam dar o exemplo colocando a trabalhar nos bordéis as suas respectivas mães e filhas. Tudo o resto é merda e não passa de um execrável palavreado barato” (p.436,7)

MARKETING 1

GODIN, Seth, As mentiras do Marketing, Lisboa, ed. Presença, 2006, ca. 11 euros.
“O marketing tem a ver com a divulgação de ideias, sendo que divulgar ideias é o produto mais importante da nossa civilização.” (p.30)

“Uma história que funciona combinando a autenticidade e um mínimo de efeitos colaterais consegue construir uma marca (e um negócio) duradoura. (p.111)
”Sim, os profissionais de marketing são mentirosos. Mas os bem-sucedidos são aqueles que conseguem contar-nos de forma honesta uma história em que queremos acreditar e que desejamos partilhar.” (p.171)

Retrato 3


Retrato 2


Retrato 1


6/29/2008

GESTÃO 10

BRAFMAN, Ori e BECKSTROM, Rod A., A Estrela-do-Mar e a Aranha, O Fenómeno das Organizações Sem Líder, Lisboa, Ed. Presença, 2007 ca. 11 euros
“Este livro fala sobre o que acontece quando não há ninguém no comando. Aborda o que acontece quando não há uma hierarquia. Seria de esperar que se instalasse a desordem ou mesmo o caos. Mas, em muitas áreas, a ausência de uma liderança tradicional está a possibilitar a ascensão de grupos poderosos que estão a virar do avesso a indústria e a sociedade.” (p.13)
Alguns itens considerados importantes para uma organização sem líder:
- Deseconomia de Escala
- Efeito de Rede
- Conhecimento nas Margens
- Contribuição de todos
- Importância dos catalisadores
- Os valores são a organização
Questões deste tipo de organizações:
- Como está a saúde do círculo?
- Os membros continuam a participar?
- A rede cresce? Estende-se? Transforma-se? Descentraliza-se? ”A maior parte dos catalisadores compreendem estas questões intuitivamente. Numa organização estrela-do-mar as pessoas fazem o que querem. Preocupam-se com os membros mas não esperam relatórios nem desejam controlar (…) Os melhores catalisadores são aqueles que põem as pessoas em contacto e vão marcando o compasso da ideologia (p.169)
sites referidos:
www.vsf.cape.com/~dales/science//nervous.htm
www.edge-of-reef.com/asteroidi/asteroidien.htm
www.usdoj.gov/ag/manualpart1_1.pdf (site do FBI que exibe um manual apreendido à organização de Bin Laden e expõe o modo de funcionamento de uma organização tida como exemplo de “sem líder”)

PSI 2

TALEB, Nassim Nicholas, O Cisne Negro, Lisboa, Pub. Dom Quixote, 2008
“Ser genuinamente empírico é reflectir a realidade o mais fielmente possível; ser honrado implica não recear o aspecto e as consequências de se ser diferente” (p.59)

“A nossa propensão para impor significado e conceitos bloqueia a nossa noção dos pormenores que formam o conceito. (…) As nossas mentes são como reclusas, prisioneiras da nossa biologia, a menos que consigamos encontrar uma escapatória engenhosa” (pp. 108,9)

“A maneira de evitar os malefícios da falácia narrativa é dando mais primazia às experimentações em detrimento da narração de histórias (…) e do conhecimento clínico em detrimento das teorias (p.128)

“Infelizmente não fomos construídos na actual versão da raça humana, para compreender matérias abstractas – precisamos de contexto. (…) Respeitamos o que aconteceu, ignorando o que poderia ter acontecido” (p.187)

“O problema é que as nossas ideias colam-se: depois de produzirmos uma teoria, não é provável que mudemos de ideias – logo, aqueles que adiam o desenvolvimento das suas teorias dão-se melhor. (…) Lembre-se que tratamos as ideias como bens e é difícil separarmo-nos delas” (p.199).

“Devido ao desenvolvimento do conhecimento científico, sobrestimamos a nossa capacidade de compreender as alterações subtis que fazem parte do mundo e o peso que é necessário atribuir a cada uma destas alterações. Hayek designou este fenómeno como «cientismo». [vd. “A Pretensão do Conhecimento” discurso de Hayek ao receber o Nóbel de Economia, em 1974 – nota de Kriu]

“Saiba como classificar as crenças não de acordo com a sua plausabilidade mas pelo mal que lhe podem causar. (…) Esteja preparado para todas as eventualidades relevantes” (p.267)

Do Glossário:
“Problema do fato vazio (ou problema do especialista): alguns profissionais não possuem competências que os diferenciem do resto da população mas, de algum modo, e contra todos os seus registos empíricos, são considerados especialistas: psicólogos, clínicos, economistas académicos, “especialistas” em risco, estatísticas, analistas, políticos “especialistas” em finanças, analistas militares, CEO, et ceatera. Estes profissionais ornamentam a sua “especialização” com uma linguagem rica em jargão, matemática e usam frequentemente fatos caros.
(…) Arrogância epistémica: medir a diferença entre o que alguém de facto sabe e o que pensa que sabe. Um epistemocrata é alguém possuidor de humildade epistémica, com uma grande desconfiança relativamente ao seu próprio conhecimento” (pp. 383,4)



Take the skeleton of a man, tilt the pelvis, shorter the femur, legs and arms, elongate the feet and hands, fuse the phalanges, elongate the jaws while shortening the frontal bone and, finally, elongate the spine, and the skeleton will cease to represent the remains of a man and will be the skeleton of a horse.

Buffon, 1753 (citado in: PANAFIEF, Jean Baptiste (texto) e GRIES, Patrick (fotos), Natural History Though Spectacular Skeletons, London, ed. Thames and Hudson, 2007.

6/16/2008

PORTUGAL 4

PINTO, António Mendonça, Economia Portuguesa, Melhor é Possível, Coimbra, ed. Almedina, 2007
“Agora ao iniciar-se um novo ciclo de aproveitamento de fundos comunitários, a orientação estratégica e operacional tem de ser claramente diferente (…) porque é preciso investir a sério no conhecimento, na ciência, na inovação e na tecnologia em consonância com a Estatégia de Lisboa” (p.109)

“Por sua vez a perigosidade da ideia de inexistência de alternativa de política vem, essencialmente, do desinteresse dos cidadãos pela política, para o que também contribui o fechamento dos partidos e a atrofiamento da comunicação social. Exagerando um pouco para se perceber melhor, de facto, os partidos políticos mais relevantes fecharam-se bastante em si próprios e subalternizaram os valores e as ideologias em favor da conquista pragmática do poder, nomeadamente para benefício de alguns membros e simpatizantes, sendo cada vez menos centros de discussão e preparação de políticas públicas para apresentação ao governo ou à Assembleia da República. Em consonância com esta evolução partidária, a (maior parte da) comunicação social também se ocupa cada vez mais com o acessório (…). Nestas circunstâncias não admira que vá minguando o debate político, crescendo a despolitização, diminuindo a confiança nos agentes políticos e alastrando a ideia de que não há alternativas de política, o que é perigoso porque reduz a discussão pública dos problemas, leva a pensar que tanto faz votar PS ou no PSD (…) e ajuda a desculpar os responsáveis políticos pelas fracos resultados obtidos. (…) mesmo que o Governo disponha de maioria parlamentar as medidas mais importantes deveriam ser sempre precedidas de debate político que envolvesse e motivasse a população, sob pena de correrem o risco de terem uma base social de apoio reduzida, ou de servirem interesses específicos em vez do interesse geral.

(...) Precisamos de um projecto de desenvolvimento mobilizador e de reconstruir a ideia e a confiança de que é melhor é possível [sublinhado do autor]. Para o efeito o crescimento da economia tem de ser a prioridade de topo da política económica. Sem abandonarmos o combate ao défice orçamental, o Governo deve substituir, ao nível da discurso e da prática, a política depressiva do défice pela política animadora do crescimento económico, mesmo que não se saiba ainda muito bem o que realmente o determina e como o influenciar eficazmente. (…) A julgar pelos resultados não tem havido suficiente capacidade de motivação dos empresários e sem a iniciativa empresarial a economia não se desenvolve.

(...) Temos planos e programas a mais e estratégia a menos, politicas demasiado dispersas e genéricas quando deviam ser mais articuladas e focadas nas prioridades principais.” (p. 332,3)


FASCISMO 1

GALIZA, Rui David e PINA João, Por Ter Livre Pensamento, Lisboa, ed. Assírio e Alvim, 2007
Biografias de ex-presos de Salazar com fotos.
Útil para a memória curta ou para evitar que diminua.

6/15/2008

BIOLOGIA 3

PONSET, Eduardo Viagem à Felicidade – As novas chaves científicas, Lisboa, ed. Dom Quixote, 2007.
“A constatação daquilo que os biólogos como Lynn Margulis (…) classificaram como endossimbiose levou-a a postular que na história da evolução imperou mais a colaboração entre as espécies do que a competição desapiedada pela sobrevivência.
Enquanto as cianobactérias iam oxigenando a atmosfera, outras bactérias suportavam mal os processos de oxidação desencadeados, bem como a crescente reactividade do ar. O aparecimento do oxigénio, letal para a maioria dos organismos, provocou um verdadeiro holocausto. Assim, essas células aliaram-se entre si para formar organismos pluricelulares mais adaptáveis ao novo ambiente oxigenado. À primeira célula eucariota sucederam as primeiras algas marinhas no decurso de quatrocentos milhões de anos. E umas espiroquetas mais velozes que a maioria dos outros organismos também acabaram por penetrar na muralha da membrana celular, fornecendo as vantagens da sua rapidez ao conjunto, em troca de alimentos.” (p. 110)

“Esquecemos até que ponto a vida na Terra é interdependente. Sem a vida microbiótica mergulharíamos no mundo das fezes e afogar-nos-íamos no dióxido de carbono que exalamos. (…) A moral da história da evolução é que somente através da conservação das espécies, da interacção ou da criação de redes, e não através da subjugação, podemos evitar um fim prematuro à nossa espécie.” (Linn Margulis cit. pp. 110/111)
“Se se perguntar a Lynn Margulis o que é a vida, ela responde que é uma estranha e parcimoniosa onda a fazer windsurf sobre a matéria: “é um caos artístico controlado, um monte de reacções químicas de tal complexidade que a viagem iniciada há quase quatro mil milhões de anos contínua agora numa forma humana, capaz de escrever cartas de amor e de utilizar computadores de cilício para calcular a temperatura da matéria quando nasceu o universo”. É uma definição muito parecida com a de outro biólogo, Ken Nealson (…) “A vida (…) é um equívoco” (p. 111)

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