
4/16/2008
4/14/2008
CAPITALISMO 5
“O fenómenos que Galbraith identificou no mercado comercial é agora a realidade dominante. (…) O valor intrínseco ou validade das proposições políticas avançadas pelos candidatos a cargos políticos é hoje em grande medida irrelevante em comparação com as campanhas publicitárias baseadas na imagem que eles utilizam para melhorar a percepção dos eleitores. E o custo elevado destes anúncios aumentou drasticamente a importância do dinheiro na política americana – e a influência daqueles que contribuem com fundos.” (Pág. 18)
(...) “É impossível existir uma sociedade civil bem informada sem que esta esteja bem interligada. Embora a educação continue a ser importante, o factor decisivo, actualmente, é a interligação. Uma sociedade civil bem interligada é construída por homens e mulheres que discutem e debatem ideias e questões entre si, e que verificam constantemente a validade da informação e das impressões que recebem uns dos outros – bem como do governo. (Pág. 298)
4/13/2008
ARTE 1
TÀPIES, Antoni, A Prática da Arte, Lisboa, Cotovia, 2002
“O artista é um homem de laboratório. Não é um gabinete de propaganda ao qual se encomende a difusão de arbitrariedades” (Pág. 31).
“O artista de hoje não tem de se dirigir a nenhum grupo humano em particular. O seu esforço deve concentrar-se na obra: conseguir uma obra total, profunda e eficaz.” (Pág. 40)
“Nunca acreditei que a arte tenha valores intrínsecos. Em si não me parece nada. O importante é o seu papel de moda, de trampolim que nos ajuda a atingir o conhecimento. Por isso, parece-me rídículo tudo o que tende “a enriquecê-la” com acumulações seja de que for: cores, composição, trabalho… A obra é um simples suporte (…) artifício para fixar a atenção, para estabilizar ou excitar a mente; e o seu valor tem de ser medido unicamente pelos resultados.” (Pág. 54)
“Em momentos como o nosso, em que predominam por toda a estética as mentalidades dirigistas – frequentemente policiais – em que já é difícil falar de sabedoria, de espiritualidade, de sensibilidade delicada ou da arte de viver sem provocar risadas ou perseguições: a tal ponto chegou a tergiversação dos valores!, o artista verdadeiro tem forçosamente de parecer um marginal, um solitário, um estranho à parte (…) Em momentos politicamente desfavoráveis, os artistas poetas eruditos dos Sung ou dos Ming também nos ensinaram a arte de se afastarem das coisas oficiais e de não colaborarem com o que consideravam inaceitável. Nas suas cabanas solitárias, conservavam a independência longe dos funcionários ao serviço dos antigos ou novos mitos desumanos e, com as suas obras de choque, contrárias a toda a convenção e falso valor, com as suas formas desenvoltas e sem respeito pelas regras ou liturgias, armados apenas com a sua máxima exigência de submissão à natureza das coisas (…) conseguiram transformar e abanar a consciência adormecida dos seus contemporâneos. (…) Virarmos as costas e negarmos muitas coisas de hoje, resistirmos a aceitá-las, por mais prestigiadas e sagradas as auréolas com que nos são apresentadas, é um dever vital. O nosso destino está em jogo: fazer perdurar a ignorância e os falsos mitos, e portanto a opressão, ou procurar o conhecimento e a felicidade. Vale a pena dedicarmos a esta alternativa toda a nossa vida, vale a pena a aventura e o risco de passarmos por sonhadores, e até por loucos – divina loucura! – como foi o caso de alguns artistas chineses, como Mi, o Louco, ou Pa-ta Xan-Jen, que fingiu ser mudo durante quase toda a vida (…) Na realidade tenho a certeza de que esta é a única tradição que devemos aceitar de olhos fechados: a que está na linha da luta perpétua contra a ignorância, luta que foi sempre travada pela sabedoria de todos os tempos”. (Págs. 79,80)
“Mas brincar não significa fazer as coisas “só porque sim”. E como todas as brincadeiras de crianças, os artistas também não fazem as coisas “só porque sim”. A brincar… a brincar em pequenos, aprendemos a ser grandes. A brincar… A brincar fazemos crescer o nosso espírito e ampliamos o campo da nossa visão, do nosso crescimento” (Pág. 94)
Do capítulo “Arte e Funcionários”
“Felizmente o artista dirige os olhos para outro mundo, para outra sociedade e para outras formas mais limpas, não contaminadas nem doutrinadas, com vontade de intervir. Ali onde a sua obra, longe de ser usada como um enfeite na moda. Ou uma purga de “maus pensamentos”, ou um mero instrumento propagandístico de “colheita de louros” possa contribuir realmente para o seu desenvolvimento harmónico, possa servir, juntamente com o trabalho de todos os que lutam nas outras disciplinas humanistas, a mais autêntica libertação e aperfeiçoamento.
Com o passar do tempo fui vendo, mais agora do que nunca, que em todas as épocas – tirando muito raras excepções – o autentico artista, o poeta, o grande pensador tem sempre fatalmente de fugir para o mais longe possível do mundo dos funcionários, quer na China dos Ming, quer na corte de Filipe II, ou na Checoslováquia actual, para mostrar a toda a gente que existe um terreno onde estes jogos, estas intrigas de altas chancelarias se esvaem perante a brancura imaculada da arte que lhe serve de inspiração.” (Págs. 105,6)
“O certo é que sempre haverá quem, de maneira mais inesperada, num recanto de sua casa, servindo-se sabe-se lá de que materiais – dos quais, naturalmente, e para já, os escritores profissionais dirão que não são arte – ou combinando sabe-se lá que espécie de textos – dos quais dirão que não é poesia – ou sons – que para alguns não serão música – poderá chegar a comover mais tarde uma geração. E certas formas que parecem de grande inocência semântica (…) acabam por converter-se, sem que ninguém o tenha conseguido provar, no verdadeiro estilo de uma época. Foi sempre perigosa a tentação, por parte dos que se dedicam à estética, de profetizar demais. As vezes são professores muito cultos que se servem de um aparelho bibliográfico impressionante e que, naturalmente, fazem o papel de inapeláveis diante do grande público. Mas a experiência ensina precisamente o contrário. Geralmente enganam-se. Pretendem encerrar o fenómeno artístico nas malhas das suas análises trabalhadas e demoradas; porém, quando julgam que o conseguiram, já não encontram nada, porque a vida seguiu por outros caminhos, são vítimas da análise. Parecem dar razão àquele personagem de Thomas Mann que dizia: “A análise é boa como instrumento do progresso e da civilização, boa na medida em que destrói convicções estúpidas, dissipa perconceitos e mina a autoridade. Por outras palavras: na medida em que humaniza e prepara os oprimidos para a liberdade. Mas é má, muito má, na medida que coloca obstáculos à acção, prejudica as raízes da vida e é impotente para lhe dar forma. A análise pode ser uma coisa muito pouco desejável, tão pouco desejável como a morte de que na realidade se alimenta.
Esquecem-se precisamente, que o poeta, o artista, o músico e o pensador independente se alimentam sempre, entre muitas coisas, de um estranho fervor rebelde perante qualquer tentativa que pretenda reduzi-los ou classificá-los num qualquer esquema. É uma espécie de necessidade, que parece inerente a todo o artista – está seguramente aqui a matéria primordial do acto criativo – de ludibriar os que esperam que determinada coisa aconteça num determinado momento. É a exclamação de Liszt ao ouvir Chopin: “Surpreendente; nesta passagem tinha de estar inevitavelmente um fá e este homem sai-nos com um si bumol”. (Págs. 129,130)
4/12/2008
ECOLOGIA 1
4/09/2008
PERFORMANCE 1
4/08/2008
“A sociologia do século XX considera a arte com muito mais benevolência. Mas é justamente porque ela não encara a arte como um jogo gratuito, como aquela actividade indigna e estéril que o século XIX via nela frequentemente. Etienne Sourian no seu Avenir de l’ Esthétique notou a semelhança impressionante de arte e da industria, opondo no entanto o “trabalho operário” ao “trabalho de arte” apesar de ambos estarem unidos, tanto na arte como na indústria: quando o operário se contenta com “seguir a máquina” sem gosto, sem apreciação dos resultados, fazendo uma execução rigorosamente profissional, trata-se de um trabalho operário. Mas também o é o gesto “puramente habitual” do pintor que “pela centésima vez “refaz «o lago de Santa Cucufa, no mês de Maio, às dez horas da manhã» porque o empresário lho pede”; mais “operário” ainda do que o “trabalho de arte” do desenhador industrial que tem de fazer uma “obra inovadora”, ou do que o engenheiro dando as suas instruções para a carroçaria de luxo de um “Hispano-Suiza”. Assim, a arte e a indústria devem estar colocadas uma ao lado da outra, na divisão do trabalho social: não diferem pelo “processo, nomeadamente, manual ou mecânico”. Mas a arte é criadora e a indústria é produtora. A arte é, portanto, como que a quintessência da industria, é uma espécie de industria transcendente, isto é, a industria por excelência. Ars, no sentido de trabalhos muito sólidos. A arte dos jardins, a arte do oleiro, a arte do ferreiro, são actividades simultaneamente estéticas e utilitárias. Não se pode aliás destruir a arte sem destruir ao mesmo tempo todas as grandes actividades humanas: pois a arte é substancial a todas as divisões do trabalho social. Não é possível isolá-la. Mas é preciso tentar reconhecê-la onde quer que esteja, fazê-la sair dos seus inúmeros esconderijos. É preciso analisá-la onde se esconde. Como não é possível tentar estudá-la através das suas inúmeras especificações, há que surpreendê-la nas atitudes dos que a vivem, que a sofrem e que a sentem. Renunciando a uma metafísica do Belo, há que tentar uma Psicologia da Arte." (Págs. 80/1)
(…)
“O Belo não tem existência física” dizia Benedetto Croce. O mesmo é dizer que o objecto não conta: só importa o sujeito. Se não se pode conhecer a arte por métodos objectivos, onde se poderá encontrar a sensibilidade estética? Principalmente na psicologia do produtor, do consumidor, do operário e do utente, mas também no estudo dos seus traços de união, o intermediário, o intérprete (seja virtuoso ou negociante de quadros). Noutros termos, trata-se essencialmente de estudar a criação, a contemplação e execução da obra de arte. (Págs. 83)
“O carácter estético de um objecto não é uma qualidade desse objecto mas uma actividade do nosso eu, uma atitude que assumimos em face do objecto” (Victor Basch, citado pág. 83)
“Não sei quem teria dito, nem onde, que a literatura e as artes influenciam os costumes. Quem quer que fosse, é indubitavelmente um grande idiota, é como se alguém dissesse: as ervilhas fazem crescer a Primavera. (Theophile Gautier, citado pág. 114)
4/07/2008
FASCISMO 2
PAXTON, Robert D., The Anatomy of Fascism, London, Penguin Books, 2005
“Can Fascism still exist? Clarly Stage One mouvements can still be found in all major democracies. More crucially, can they reach Stage Two again by becoming rooted and influencial? We need not look for exact replicas, in which fascists veterans dust off their swastikas. Collectors of Nazi paraphrenalia and hard-core neo-Nazi sects are capable of provoking destructive violence and polarization. As long as they remain excluded from the alliances with the establishment necessary to join the political mainstream or share power, however, they remain more a law and order problem than a political threat. Much more likely to exert an influence are extreme right mouvements that have learned to moderate their language, abandon classical fascist symbolism, and appear “normal”.
It is by understanding how past fascisms worked, and not by checking the color of shirts, or seaking echoes of the rethoric of the national-syndicalist dissidents of the opening of the twentieth century, that we may be able to recognize it. The well-known warning signals – extreme nationalist propaganda and hate crimes – are important but insufficient. Knowing what we do about the fascist cycle, we can find more ominous warning signals in situation of political deadloock in the face of crisis, threatened conservatives looking for their allies, ready to give up due process and the rule of law, seeking mass support by nationalist and racialist demagoguery. Fascist are close to power when conservatives begin to borrow their techniques, appeal to their “mobilizing passions” and try to co-opt the fascist following.Armed by historical knowledge, we may be able to distinguish todday’s ugly but isolated imitations, with their shaved haeds and swastiks tatoos, from authentic functional equivalents in the form of a mature fascist-conservative alliance. Forewarned, we may be able to detect the real thing when it comes along.
4/01/2008
POLÍTICA 1
“Se não tivéssemos perdido de vista os fins próprios da educação, se não começássemos a considerá-la como uma forma de expandir os campos da memória e da velocidade de processamento do pensamento, nunca aceitaríamos a engenharia genética como uma ferramenta legítima de educação”
“Nós não estamos a submeter as máquinas à nossa vontade, estamos a lançar-nos para os seus braços” (sem notação de páginas).
GESTÃO 4
POEMA 2
Faço brilhar as águas,
Queimo-me ao sol, à lua e à luz das estrelas...
Adoro tudo na terra.
Sou a brisa que alimenta todas as coisas verdes...
Sou a chuva que vem do orvalho e que leva as ervas
A rirem com a alegria da vida
Alegremo-nos nós também.
(Abadessa Hildegard, séc. XII)
3/31/2008
POEMA 3
sem sono
para ficar
a lembrar-me
das coisas boas
deitada
dentro da cama
às escuras
de olhos fechados
abraçada a mim
(Adília Lopes, in Caras Baratas, Relógio d' Água)
3/30/2008
CAPITALISMO 6
Os mercados tornam-se demasiado grandes, complexos e acelerados para estarem sujeitos à supervisão e às normas do século XX. Não admira, então, que este monstro financeiro globalizado ultrapasse a plena compreensão até dos mais sofisticados participantes no mercado. Os reguladores financeiros têm de fiscalizar um sistema bem mais complexo do que o existente quando as normas que regiam os mercados financeiros começaram por ser escritas. Hoje, a fiscalização destas transacções processa-se essencialmente através da vigilância individual dos parceiros intervenientes no mercado. Cada entidade de crédito protege os seus accionistas e controla as posições dos investimentos dos seus clientes. Os reguladores podem continuar a fingir que fiscalizam mas as suas capacidades estão muito diminuídas e tendem a reduzir-se ainda mais. Durante mais de dezoito anos, eu e os meus colegas do Conselho de Governadores presidimos a grande parte deste processo no FED. Só tardiamente nos apercebemos de que o poder de regular administrativamente estava a desaparecer. (…) Dado os mercados se terem tornado demasiado complexos para a intervenção humana eficaz, as políticas anti-crise mais promissoras são aquelas que mantêm a máxima flexibilidade do mercado, liberdade de acção para os principais participantes no mercado, como os fundos de risco, os fundos privados de acções e os bancos de investimento.
(…)Muitos críticos acham perturbadora esta confiança na mão invisível como precaução e reforço, perguntam-se não deveriam os agentes financeiros mundiais como os ministros das Finanças e banqueiros centrais procurar regulamentar esta nova e imensa presença global? Há quem defenda que, se não fizer bem, a regulação global não fará mal. Mas faz. A regulação, pela sua própria natureza, inibe a liberdade de acção do mercado e é essa liberdade de agir expeditamente que reequilibra o mercado. Elimine-se a liberdade e todo o processo de equilíbrio do mercado é posto em risco. (…) No mundo dos nossos dias, não consigo ver de que forma um aumento de regulação governamental poderia ajudar. A recolha de dados sobre os balancetes dos fundos de risco, por exemplo, seria inútil uma vez que provavelmente estariam obsoletos antes de a tinta secar. Deveríamos criar um sistema de informação global com as posições dos fundos de risco e fundos de acções privadas para ver se existem quaisquer concentrações que possam indiciar riscos de implosões financeiras? Há quase seis décadas que lido com relatórios dos mercados financeiros. Não conseguiria determinar através desses relatórios, se as concentrações de posições reflectiam de facto a actividade que compete aos mercados – eliminar os desequilíbrios do sistema – ou se estaria para surgir algum negócio perigoso. Surpreende-me-ia deveras se alguém o conseguisse. Na verdade a “mão invisível” pressupõe que os participantes no mercado ajam de acordo com os seus interesses. E há ocasiões em que as pessoas correm riscos manifestamente desnecessários. (…) Globalmente, o quadro de problemas financeiros com que o próximo quarto de século se confronta não é muito risonho. No entanto já suportámos bem pior. Nenhum deles afectarão para sempre as nossas instituições, nem sequer é provável que derrubem a economia americana do seu lugar de liderança mundial. (Págs. 524/526)
3/29/2008
BIOLOGIA 2
(…) num estudo recente sobre a selecção de parceiros na América, os biólogos evolucionistas Peter Buston e Stephen Emlen dizem que os homens e as mulheres jovens (…) escolhem pessoas com as mesmas características. (…) O espelho fala. Homens e mulheres também tendem para ter amantes que partilhem o mesmo sentido de humor, que têm valores sociais e políticos semelhantes, e para indivíduos que tenham opiniões idênticas acerca da vida, em geral. Digno de nota é o facto de os cientistas terem determinado que muitas dessas características, incluindo os interesses ocupacionais de cada um, que se faz nas horas de lazer, muitas das nossas atitudes sociais, até a firmeza da nossa fé em Deus, são influenciadas pelos nossos genes. Portanto, os tipos genéticos tendem uns para os outros; temos tendência para sermos atraídos por pessoas como nós. (…) A preferência por parceiros semelhantes a nós é, provavelmente, bagagem que acompanha o processo evolutivo. Porquê? Porque um feto e a sua mãe são estranhos um ao outro. Se partilharem uma composição química semelhante, a mãe terá o tempo mais facilitado enquanto carregar o filho no ventre. Com efeito, parceiros geneticamente semelhantes registam menos abortos espontâneos e geram bebés que são também mais saudáveis.” (pág. 109)
(Sob a rubrica “Amor sem idade”):
“Hoje há muito mais pessoas idosas que vivem sós, em vez de viverem com os filhos. E são saudáveis. De facto, alguns demógrafos dizem que devemos começar a pensar em estender a meia-idade para os 85 anos, em grande parte porque 40% dos homens e mulheres com essa idade são perfeitamente funcionais. A humanidade está a ganhar tempo para amar.
A tecnologia está a ajudar. Hoje, cremes e pensos de testoterona mantêm o impulso sexual activo. O viagra e outros medicamentos permitem aos séniores, na grande maioria homens, ter um bom desempenho na cama. (…) Começamos cedo também. Na sociedade dos caçadores colectores as crianças começam muitas vezes a brincar ao sexo e ao amor com a tenra idade de cinco ou seis anos.
(…) “Na verdade estamos constituídos de modo a poder amar em qualquer idade. As crianças apaixonam-se. Num estudo notável sobre o amor romântico na infância, o número de jovenzinhos de cinco anos que declarou já se ter apaixonado foi igual aos dos de dezoito anos. (…) Curiosamente, um estudo que abrangeu 255 pessoas, entre adolescentes, adultos jovens, homens e mulheres de meia-idade e cidadãos séniores, os cientistas não encontraram nenhuma diferença generalizada na intensidade da paixão de cada grupo: homens e mulheres amavam com igual força, quer tivessem sessenta, quer tivessem dezasseis anos. As pessoas mais velhas fazem coisas mais variadas e mais imaginativas juntas. Mas a idade não faz diferença nos sentimentos de amor romântico” (Págs. 209/10)
GESTÃO 5
"
POEMA 4
3/28/2008
ARTE 2
Confesso que não sei onde fui buscar este naco, que recuperei da lixeira. Será H. Eco?
“Um outro problema que a teoria da arte debate, e também aqui sem satisfazer plenamente as novas exigências manifestadas pela prática e pela auto consciência dos poetas, é o problema da ideia exemplar em função da qual o artista trabalha, e por isso o problema da invenção. Durante o desenvolvimento da estética antiga, o conceito platónico da ideia, servido originariamente para desvalorizar a arte, torna-se cada vez mais conceito estético, apto a significar o fantasma interior do artista. Todo o helenismo tinha efectuado uma revolução teorética do trabalho do artista, e cada vez mais se inclinava a pensar que ele fosse capaz de propor uma imagem ideal de beleza desconhecida na natureza. Com Filóstrato pensa-se agora que o artista se pode emancipar dos modelos sensíveis e das percepções habituais. Entra em vigor um conceito de fantasia que contém já – segundo alguns intérpretes modernos – todos os pressupostos de uma estética da intuição (Cf. Rostagni, A., Sulle tracce di un’ estetica dell’ intuizione presso gli antichi, in Sritti minori. Aesthetica, Turim, bottega d’ Erasmo, 1955. pág. 356) Os estóicos contribuem para este desenvolvimento com o seu inatismo e Cícero, no De Oratore, expõe uma doutrina do fantasma interior melhor que toda a realidade sensível”.
3/27/2008
ALTERNATIVA 2
“Apesar de essas organizações estarem longe de ser recentes, esta mobilização dos cidadãos a nível mundial é nova em vários aspectos:
1. Está a ocorrer a escala nunca antes vista.
2. As organizações são globalmente mais diversas e díspares que no passado.
3. Cada vez mais encontramos organizações que passam das soluções de “tapa buracos” para abordagens sistémicas dos problemas – oferecendo melhores receitas e não apenas comida.
4. As organizações de cidadania estão menos ligadas à Igreja e ao Estado e, na verdade, exercem uma pressão considerável sobre os governos (como se viu com a Campanha Internacional Para a Proibição das Minas Terrestres e com a criação do Tribunal Penal Internacional.)
5. Estão a fazer parcerias com empresas, instituições académicas e governos – criando novos mercados e segmentos de actividade de impacto social híbrido, acumulando uma diversidade de experiências para a resolução de problemas e alterando a forma como os governos funcionam.
6. Devido às lutas por posições que normalmente ocorrem quando um sector que era restrito passa a ser de “entrada livre”, e novos jogadores entram em campo, o sector da cidadania está a aproveitar os efeitos benéficos do empreendedorismo, maior concorrência e colaboração e uma crescente preocupação com o desempenho.” (págs. 31/2)
“Aos cidadãos que procuram criar organizações não basta ter liberdade; é preciso dinheiro. Tem de haver um excedente de riqueza na economia para financiar o seu desempenho. (…) Actualmente existem muitas organizações de cidadania que estão a desenvolver mecanismos para gerar a sua própria riqueza, através de actividades lucrativas” (pág. 33)
3/25/2008
ARTE 3
TESTEMUNHOS 1
(Nota de kriu: “Papalagui” significa “homem branco” e estes discursos, transcritos por um europeu, foram feitos por Tuiavii à sua tribo, no regresso de uma viagem à Europa, no início do século XX, com o objectivo de contar o que viu.
Este Papalagui é, porventura, um best-seller editorial português. Li o Papalagui no final dos anos sessenta e tenho-o visto sucessivamente reeditado. )
“Os jornais são maus para o nosso espírito, não só porque relatam o que se passa mas também porque nos dizem o que devemos pensar disto ou daquilo, dos nossos chefes de tribo ou dos chefes de tribo doutras terras, e de todos os acontecimentos e acções dos homens. Os jornais gostariam que todos os homens pensassem o mesmo. Atacam a cabeça e os pensamentos do indivíduo. Pretendem que toda a gente tenha cabeça e pensamentos iguais aos deles. E sabem como levar isso a cabo. Quem leia, pela manhã, os muitos papéis saberá o que, ao meio-dia, o Papalagui tem na cabeça e o que pensa” (pág. 62)
“Todos os Papalaguis têm uma profissão. É difícil de explicar o que isso é. É qualquer coisa que uma pessoa devia ter vontade de fazer, mas raramente tem. (…) Há entre os Papalaguis tantas profissões quantas pedras há na lagoa. (…) O Papalagui transforma tudo quanto o homem é capaz de fazer numa profissão.(…)É raro que um Papalagui adulto saiba ainda dar trambolhões ou fazer cabriolas como uma criança. Ao andar arrasta o corpo, como se houvesse alguma coisa pesada a entravar-lhe os movimentos. (…) A profissão é, também ela, um aitu que dá cabo da vida, e promete belas coisas ao homem e ao mesmo tempo que lhe suga o sangue” (Págs. 52/54)
3/24/2008
ROCK 1
FOWLIE, Wallace, Rimbaud e Jim Morrison, os poetas rebeldes, Rio de Janeiro, Elsevier Editora, 2005.
(S/ o concerto de Miami, em 1 de Março de 1969):
"O estado de embriaguês por si só provavelmente não era suficiente para justificar o comportamento obsceno de Jim. Graças a Artaud, ele havia se interessado pelo Living Theatre, de Julien Beck e sua esposa, Judith Molina. Era comum os atores subirem nus ao palco, onde encenavam as suas peças e improvisavam esquetes. A explicação que J. Beck oferecia para aquele comportamento era a mesma de Artaud: a necessidade de sacudir o público, de retirá-lo do seu costumeiro estado semiletárgico. Jim estava desmoralizado e fez o melhor que pode para desmoralizar o público. Existem diversas versões para o incidente e todas concordam que o que transpareceu aquela noite em Miami interrompeu em definitivo a trajectória do grupo. Jim incentivou os fans a subirem ao palco. Jim e um policial trocaram de quepe. Jim foi jogado na plateia onde organizou um trem humano. A fila que se formou atrás dele era enorme. De volta ao palco, Jim arrancou a camisa e a jogou para a multidão. Começou a abrir as calças e mais tarde declarou que acreditava ter-se mostrado.
Quando foi expedida a ordem de prisão, ele foi acusado de atentado violento ao pudor, acto obsceno e de simular sexo oral. O caso foi noticiado em toda a parte. "O Rei Lagarto se despe." Imediatamente uma grande turnê dos Doors que correria vinte cidades foi cancelada. (...) Os Doors foram banidos em toda a parte. O presidente Nixon deu o seu apoio aos organizadores de manifestações que condenavam o grupo. (Págs. 118/9)
S/ o concerto no México, em Junho de 1969:
"Danny Sugerman conta que foi das melhores apresentações de toda a história da banda. Jim tinha deixado crescer a barba e foi recebido calorosamente, apesar da publiciade negativa. Na primeira noite os mexicamos pareceram não ter entendido "The End". Mas nas noites seguintes, eles pediram a música. Quando Jim cantava "Father/yes son" os rapazes respondiam em uníssono os versos seguintes: "I want to kill you". ("Pai, quero matar-te" n.k.)
(...) Parecia que o escândalo de Miami havia sido superado. Um ensaio escrito por um jovem dramaturgo, Harvey Perr, publicado no Los Angeles Free Press, apresentava uma visão inédita sobre os The Doors. Perr falou da simpliciade das músicas. Foi dos primeiros críticos a ver em Jim um autêntico poeta americano da linhagem de Walt Whitman. Para ele, a mensagem revolucionária da música dos The Doors transcendia o rock, que seria uma forma de expressão mais limitada." (Págs. 119/20).
Sangue nas ruas da cidade de Chicago
Indios espalhados pelas estradas ao raiar do dia
Sangue nas ruas da cidade de New Haven
3/23/2008
EDUCAÇÃO 1
(…) Sente-se no chão (…) e feche os olhos. Respire fundo algumas vezes e deixe o corpo relaxar. Mantenha a coluna o mais direita possível e pouse as mãos descontraídas no colo ou nos joelhos. Agora concentre toda a atenção na forma como respira. “Veja” o ar entrar pelas narinas a cada inspiração e sair de novo a cada expiração. Se quiser pode contar os tempos “um” para a inspiração, “dois” para a expiração, “três” para a inspiração seguinte, etc., recomeçando de princípio quando tiver contado até dez.
Prossiga com a mesma actividade durante vinte a trinta minutos, esforçando-se por se manter constantemente concentrado na respiração. É uma técnica que irá dominar com a prática e, de início, pode custar-lhe bastante manter a concentração. É natural que haja outros pensamentos a querer interrompê-lo (…) Ignore todas as distracções e volte a atenção uma vez mais para a forma como respira.
Quando terminar a sessão não salte como uma mola para regressar aos afazeres do seu dia. Respire fundo e devagar mais algumas vezes, abra os olhos e deixe que a calma da meditação o acompanhe quando voltar às suas obrigações normais.
(…) Precisa de meditar todos os dias, de preferência duas vezes ao dia e deixar que os benefícios cheguem gradualmente, quando tiverem de chegar. Se assim fizer, irá perceber que ao fim de alguns meses a meditação melhora a sua vida, muito mais do que neste momento supõe. (Págs. 150/1)
3/21/2008
CAPITALISMO 7
“Achei que a sociedade aberta estava em perigo nos Estados Unidos – não tanto por causa dos ataques terroristas, mas antes devido à forma como o presidente Bush reagiu a esses ataques. (…) O presidente Bush resolveu invadir o Iraque com pretextos falsos. Quando a nação mais poderosa do mundo distorce a verdade, ignora a opinião mundial e insulta o direito internacional, a ordem mundial corre um grande perigo.” (pág. 135)
“Que acontece entre 1950 e 1980 aos Estados Unidos? (…) atribuiria a transformação sobretudo à ascensão do consumismo e à sua aplicação à política. Desde 1980 que a recusa de encarar a realidade tem sido exacerbada pela globalização. (…) A oferta e a procura deixaram de ser dadas de forma independente, porque a procura foi estimulada artificialmente e os mercados já não lidam com mercadorias mas sim com marcas. (…) As empresas já não supriam necessidades mas sim os desejos e manipulavam e estimulavam esses desejos. (…) Foi assim que se desenvolveu o consumismo. Foi fomentado pelas empresas na sua procura de lucros.
A pouco e pouco, os métodos desenvolvidos para uso comercial descobriram um mercado na política. Este facto alterou a política. A ideia original das eleições era que os candidatos se apresentavam e anunciavam aquilo que defendiam; o eleitorado escolheria então aquele de quem mais gostava. (…) Mas o processo foi corrompido pelos métodos adoptados da vida comercial: grupos-alvo e mensagens apelativas. Os políticos aprenderam a ir ao encontro dos desejos dos eleitores, em vez de proporem as políticas em que acreditavam. Os eleitores não deixaram de ser afectados. (...) Foi assim que a América se tornou hedonista. Foi fomentado pelos políticos que queriam ser eleitos (...) Os Estados Unidos foram também os grandes patrocinadores da globalização que, por sua vez, foi uma dávida para os Estados Unidos. Mas a posição dominante dos Estados Unidos não pode ser conservada por uma sociedade hedonista, incapaz de enfrentar realidades desagradáveis.” (págs. 164/5)
TESTEMUNHOS 2
FEYNMAN, Richard P., O significado de Tudo, Gradiva, 2ª ed. 2005 (três conferências proferidas em 1963.)
“A civilização ocidental, parece-me, assenta em duas grandes heranças: uma é o espírito científico, a aventura em direcção ao desconhecido, um desconhecido que tem de ser reconhecido como tal para ser explorado, a exigência de que os mistérios mais profundos do universo permanecem sem resposta, a atitude de que tudo é incerto. Em resumo: a humildade intelectual.
A outra grande herança é a ética cristã. A acção baseada no amor, a irmandade de todos os homens, o valor do indivíduo, a humildade do espírito. Estas duas heranças são lógica e profundamente consistentes. Mas não é tudo. Precisamos de coração para seguir uma ideia. Se as pessoas regressarem à religião a que estão a regressar? Será a igreja moderna um lugar que dê consolo a um homem que duvide de Deus? Mais, a um que não crê em Deus? Será a igreja moderna o lugar para confortar e encorajar alguém com estas dúvidas? Não teremos, até hoje, canalizado a força e consolo de cada uma destas heranças consistentes para atacar os valores da outra? Será isto inevitável? Como podemos canalizar a inspiração para sustentar estes dois pilares da civilização ocidental de modo que possam manter-se juntos com total vigor, sem receio um do outro? Isso não sei. Mas colocar esta interrogação é o melhor que posso fazer a propósito da relação entre a ciência e a religião que foi no passado, e ainda é, uma fonte de código moral, bem como de inspiração para seguir esse código.” (Págs. 56/7)
“Suponhamos que dois políticos concorrem à presidência e no contacto com os agricultores lhes perguntam: “o que tenciona fazer a propósito da questão agrícola?” Um deles sabe imediatamente o que deve fazer e responde – bang, bang, bang. O outro concorrente, por sua vez, afirma: “Bem, não sei. Sou general e nada sei de agricultura. Mas parece-me ser um problema muito difícil. (…) Portanto a maneira como entendo resolver o problema da agricultura é rodear-me das pessoas que sabem algo sobre ele, estudar todas as experiências que foram tentadas e despender algum tempo a ponderar e a tentar chegar a alguma conclusão sobre a possível solução de um modo razoável, não posso dizer-lhes agora, antecipadamente, qual vai ser essa conclusão mas posso indicar-lhes alguns princípios que tentarei seguir – não dificultar a vida dos agricultores individuais; se houver problemas arranjar um modo de tratar deles; etc.”.
É claro que neste país este homem nunca chegaria a lado algum. Faz parte da atitude mental da população o imperativo de responder e que um homem que dá uma resposta é melhor do que aquele que não responde, quando em muitos casos é precisamente o oposto. O resultado desta atitude é evidente, é que o político tem que dar uma resposta. E, resultado disso, é as promessas eleitorais nunca poderem ser cumpridas. É um facto mecânico: é impossível. E daí ninguém acreditar nas promessas eleitorais. E o resultado é o descrédito geral dos políticos, uma falta de respeito geral pelas pessoas que tentam resolver os problemas e a assim sucessivamente. Tudo isto é gerado desde o início (talvez – esta é uma análise simplificada). Talvez seja tudo gerado pelo facto de a atitude da população ser a de exigir uma resposta, em vez de tentar encontrar um homem que tenha uma maneira de chegar à resposta” (págs. 73/74)
“Portanto, em resumo, não pode provar-se nada a partir de uma ou duas ocorrências. Tudo deve ser cuidadosamente verificado. A não ser assim tornamo-nos naquelas pessoas que acreditam em toda a espécie de coisas loucas e não percebem nada do mundo em que vivem. Ninguém compreende o mundo em que vivemos mas alguns percebem bem mais do que outros” (pág. 90)
“O que estou a pedir em muitas direcções é uma honestidade humilde. Acho que devia haver uma honestidade mais humilde em questões políticas. E acho que desse modo seríamos mais livres.
Gostava de sublinhar que as pessoas não são honestas. Os cientistas também não são honestos. É inútil. Ninguém é honesto. Os cientistas não são honestos. E as pessoas habitualmente pensam que o são. Isso ainda é pior. Por honesto não pretendo dizer apenas que se diga a verdade. Mas que se esclareça toda a situação. Que se deixe bem claro toda a informação necessária para que alguém inteligente possa tirar as próprias conclusões.
Por exemplo, em relação aos testes nucleares não sei se sou a favor ou contra eles. (…) Por isso não estou a dizer de que lado estou. Por isso sobre este assunto, posso ser humildemente honesto. “ (Pág. 111)
“Há uma coisa sobre o futuro que vejo com optimismo. Acho que há muitas coisas a trabalhar na direcção correcta. Em primeiro lugar, o facto de haver tantas nações e de se darem ouvidos umas às outras em virtude da comunicação, mesmo que tentem fechar os ouvidos. Por isso, há toda a espécie de opiniões a circular e o resultado político é o de que é mais difícil eliminar as ideias. E algumas das dificuldades que os Russos estão a ter para controlar pessoas como o Sr. Nakhrasov são um tipo de dificuldades que espero continuem a desenvolver-se” (pág. 123)
“Portanto a questão consiste em saber se é possível fazer algo análogo (trabalhar por analogia) com os problemas morais. Creio que não é completamente impossível que haja acordos sobre as consequências, que concordemos com o resultado final, mas talvez não com as razões porque fazemos o que temos de fazer. (…) Considero, pois, a encíclica do papa João XXIII, que li, uma das mais importantes de todo o tempo e um grande passo em frente. Não consigo encontrar melhor expressão para as minhas crenças sobre a moralidade, os deveres e responsabilidades da humanidade, das pessoas umas com as outras, do que essa encíclica. Não concordo com alguma da maquinaria que sustenta algumas ideias, talvez imanem de Deus, pessoalmente não acredito (…) Não concordo mas não vou ridicularizá-lo nem sequer discutir. (…) E reconheço esta encíclica como o princípio, provavelmente de um futuro novo, em que talvez esqueçamos as teorias sobre as razões por que acreditamos nas coisas, dado que, no fim, e no que respeita à acção, acreditamos nas mesmas coisas” (Pág. 125)
3/20/2008
TEATRO 8 Ah, popularidade!!!
POEMA 5
Da mesma boca
que mordeu uma pulga –
Uma oração a Buda.
Para elas também a noite
é longa e solitária
..
Tão magras
Que metem dó
..
Há moscas
e Budas
O buraco feito na neve
Ao mijar
a minha última morada
Sob metro e meio de neve.
3/16/2008
CRITICA TEATRO 1 "A Cabra ou quem é Sílvia?" na Comuna, em Lisboa, Agosto 05
m gosto, ajustada, certa, enfim, aplico-lhe todos os adjectivos possíveis a algo que faz um todo coerente e funciona esteticamente mas... não gosto da sua forma: tal é viável?Pode isto consubstanciar uma crítica, isto é, tenho o direito de dizer: a coisa funciona bem mas ao lado, isto é, há qualquer coisa que menoriza a opção estética da encenação, no caso a apresentação daquele texto naquela moldura?
Posso criticar algo em nome de uma hipótese que lá não está quando o que vi fez sentido e serve (a meu ver, enfim, menos bem...) o texto?
Eis o "busilis" da questão: acho que a encenação da Comuna não esta à altura das implicações do texto, enfim, não o serve tanto como outra (a qual apenas intuo) e o que a seguir se escreve é fruto, pois, de uma frustração: a peça foi feita daquela forma, ela funciona mas...
Antes do mais situo a minha leitura dramaturgica do texto: o protagonista confronta-se com um dilema trágico pois entre as duas opções que se lhe apresentam (ficar com a cabra, perdendo a companhia da sociedade humana, ou abandonar a cabra, ficando junto dos seus iguais) ambas lhe são nefastas, pois acarretam uma perda: no primeiro caso, a dos seus pares, no segundo a da amada Silvia, a cabra. Este dilema é trágico e nele me baseio para classificar o texto "A Cabra..." como trágico, independentemente da acção se passar no mesmo lugar, em vinte e quatro horas, etc, etc. etc. exigências que o tempo, no meu entender de dramaturgo, varreu para reter apenas o principal, aquilo sem o qual não há de facto lugar a tragédia: um dilema trágico, sem solução satisfatória, com o qual se defronta um protagonista.
Ora, assim sendo - o próprio Albee alude a tragédia no subtítulo do seu texto - qualquer encenação da peça deve realçar este seu aspecto, subordinando-lhe todas as opções estéticas.
Ora é aqui, nesta zona da construção do espectáculo, que a minha divergência em relação à leitura cénica d' "A Cabra...", pela Comuna, se dá. Senão veja-se:
A comuna situou a cena numa sala de estar, cara ao velho "teatro de boulevard" e, logo por isso, dando ao espectador um sinal de que o conflito em cena versará o célebre problema do casal a braços com a infidelidade de um dos cônjugues, tratado naquela óptica que as ditas "peças de boulevard" utilizam para o efeito, cujo objectivo é sobretudo divertir.
É o que acontece n' A Cabra?
Não.
O adultério do protagonista é a tal ponto radical que coloca não só a esposa mas tambem a sociedade em causa.
A questão é de extrema gravidade e ultrapassa o ambito do casal.
Mas advogue eu contra a minha própria causa e, diga que o dispositivo cénico que a comuna escolheu, a propria encenação o destrói… Mas é ainda isto verdade? A cena em que a esposa enganada parte os "tarecos" da casa não se enquadra, afinal, numa banal fita de ciúmes?
E mais: o que se destrói são as paredes, isto é, os alicerces da "casa" ou apenas os adereços, enfim uma jarra, livros, isto é, "a loiça"?
Infelizmente é apenas isso o que sucede e assim se fundamenta a minha convicção de que a encenação do texto induz em erro o espectador, isto é, traduz pela bitola mínima o que Albee propõe pela sua genial pena.
A Cabra é um dos grandes textos de despedida do sec. XX e merece um tratamento á altura do que propõe como reflexão. De contrário o espectador, enganado, vai rindo com o drama burguês da mulher enganada por uma cabra e enfim, sai do teatro feliz com a anedota. Tanto mais que a dita cabra até surge, no fim, morta, numa prova ainda da tradução literal - e linear - com que o texto foi encenado.
Tudo na encenação que vi d' A Cabra no espaço da Comuna esteve coerente. Mas como talvez dissesse Galileu, referindo a Terra que desejavam fixa: e todavia ela move-se...
Última nota: alguém que reviu "A Cabra" no festival de Almada disse-me que, no espaço ao ar livre, o cenário da "sala de estar" não "colava" ao texto e que, por isso, a tragédia do tema sobressaía. Tal parecer dá-me razão? É que na sala da comuna, onde assisti ao espectáculo, nada distanciava o dispositivo cénico. E lá se estreou.
GESTÃO 6
“Este tipo de força é a base daquilo que chamamos de coragem existencial. Os três C são o Compromisso, o Controlo e o Confronto.
Se somos fortes em compromisso, quando as coisas dão para o torto, decidimos manter o nosso envolvimento em vez de nos afastarmos para o isolamento e alienação.
Se somos fortes em controlo, esforçamo-nos por ter influência no resultado, em vez de nos afundarmos em impotência. E, se formos fortes em confronto, vemos a mudança e o stresse como uma oportunidade de crescer e aprender, e não como uma violação da nosso conforto e segurança.” (págs. 126/7)
Porto editora, 2007
Identifique o que o faz sentir-se bem e faça-o mais frequentemente.
Identifique o seu desejo (Peça)
Dê atenção ao seu desejo (Acredite)
Permita que o seu desejo se concretize (Permita)
Dizer “muitas coisas podem acontecer” abre possibilidades ao seu desejo.
Estabeleça o seu objectivo de vida.
Comece a avançar
Aja: uma e outra vez
CAPITALISMO 7
« Je veux montrer qu’un glissement tellurique de la pensée américaine venu de droite est à l’ oeuvre depuis au moins les annéss 1970, que ses maîtres spirituels ont acquis un pouvoir important et durable que leur permet d’ influer sur la politique ; que ce nouveau systeme de pensée, tant laique que réligieux, a peu de chances de changer simplement parce qu’ un parti, ou un président est au pouvoir plutôt qu’ un autre. (...) Cette culture a été patiemment construite; elle a penetré toutes les couches de la societé américaine, depuis la classe dirigeante jusqu’ aux échelons les plus bas, et elle n’ est pas remise en question car ses prémisses sont habituelmment tacites. Celles-ci ont néaumoins conduit à um déplacement sensible du centre de gravité de la politique américaine vers la droite, cette culture repose pour un grande part sur des mensonges (sublinhado da autora) (pág. 10).
«Aujoud’hui, même le monde des années 1970, sans parler de celui des anées 1950, est à peine reconaissable. La question que je me pose (...) est la suivante: será-t-il possible de revenir à une culture et à une politique américaine plus génereuses, même si elles seront certainement moins innocentes ? Ou bien les changements apportés par um demi-siècle de construction et de diffusion de l’ idéologie néo-liberal laique et réligieuses sont-ils permanents ?
Aujourd’hui les gagnants ramassent tout, les perdants rien. (...) Ceux qui dirigent le monde de la grande entreprise et de la finance n’ éprouve au fond, que du mépris pour les faibles. Loin d’ être des frères humains méritant notre aide, les pauvres ne méritent ce qu’ ils ont – c’est-à-dire très peu en vérité. Le gouvernement est heureux d’ observer les choses depuis le banc de touche pendant que les réalisations du mouvement des droits civiques sont battues en brèche. Les attitudes, comme l’ dramatiquement révelé l’ ouragon katrina aux yeux du monde, continueront à prévaloir tant que l’opinion publique ne réclame pas de changements. Or elle ne montre pour l’instant, que peu de signes de révolte, particulièrement la population pauvre elle-même.
Au fur et à mesure que progressent les inégalités, le resultat est la destruction de la cohésion social et de la solidarité. Lors du désastre de La Nouvelle-Orléans, les gouvernements étrangers ont été plus prompts à offrir leur aide que Washington. Pourquoi en effet se soucier des pauvres, principalment de Noirs, qui ne pouvaient pas s’ échapper? Eux aussi avaient ce qu’ils méritent. Des psychologues de l’ université de Princeton ont récemment utilisé la resonance magnétique pour mésurer la réponse du cerveau des étudiants à des photographies de personnes essuies de groupes sociaux variés. Le cortéx préfrontal émet normalment des signes en réponse à des « stimuli socialment signiicatifs ». Or les chercheurs ont été
Choqués de decouvrir que les photographies de personnes appartenant à des groupes socialment « extrêmes » comme les toxicomanes, ne provoquaient aucune réponse dans cette région, suggérant que ceux qui les visualisaientt les consideraient moins qu’ humains. « C’est exactement la même chose avec les sans-abri et les mendiants dans les rues, explique (un psychologue):Les gens les considèrent comme des tas d’ ordures (*)».
*Il y a cependant de l’ espoir. Il suffisait de poser une question quelconque à propos de la personne de la photographie, comme : «Quelle nourriture pensez-vous que ce mendiant aimerait ? » pour que la zone du cerveau se mette à emetre des signaux. (Voir Mark Buchanan, « Are we Bon Prejudiced" ?("Naisson-nous avec des préjugés ? ») New Scientist, 17 Mars 2007.
(Págs. 291/2)
“Bien qu’il existe encore sans aucune doute beaucoup d’ Américains classiques, bons et génereux, la grande majorité n’ ont pas la moindre idée de ce que font leur gouvernement et leurs grandes entreprises dans le pays, et encore moins dans le monde. (...) Les medias remplissent leur rôle, qui consiste, selon le critique des media Herbert Schiller, dans «la simplification jusqu’à la stupidité, à la mode américaine" (in Monde Diplomatique et The Guardian Weekly, aôut 1999). La plupart des gens tiennent leurs informations exclusivement de la télevision, où la frontière entre information et varietés est chaque jour plus ténue, ce qui a donné naissance a l’ affreux néologisme anglais infotainement (contaction d’ information et d’ entertainment, « divertissement »). Cinq ou six grandes entreprises taransnationales jouissent d’un quasi-monopole sur les programmes, et, pour elles, offrir aux Américains des analyses ne présente aucun interêt. Ce qu’elles ne contrôlent pas est sous la coupe des réseaux de diffusion televisée et radiophoniques confessionnels. Les Américains ne reçoivent presque jamais la moindre donnée culturel qui ne vienne pas de l’Amérique d’ elle même – c’est-à-dire des sources réligieuses ou des grandes entreprises. (...) En ce qui concerne les Lumières (...) le « créationnisme » est maintenant légalment enseigné dans de nombreux États afin de permettre en « équilibre » face au darwinisme et à l’ évolution, même s’il revêt parfois les habits de cette honteuse fausse science qu’est le « Dessein intelligente ». Le dédain des dirigeants pour la science fair du tort aux peuples et à la planète. (...) Le monde educatif est aussi infesté des charlatains réligieux ; dans les universités, la police néoconservative de la pensée menace des professeurs de renvoi et les condamne à une « neutralité » sans consistence.
La religion semble avoir de moins en moins de rapport avex le fait d’ aimer son prochain et de se comporter avex les autres comme on voudrait qu’ ils se comportent envers soi ; il s’ agit de plus en plus de se réjouir à l’ idée que son prochain sera réduit en chips quand le Christ reviendra, le pêcheur ne recevant que son dû. (...) Les mesures de contrôle social sont géneralment efficaces ; parmi elles, il y a le mantien derrière les barreaux de plus de deux millions de déclassés (...) des centaines de milliers d’ entre eux sont enfermés pour des délits non violents liés à la drogue. Le taux d’ incarceration en Amérique, 773 personnes par 100.000 est le plus fort du monde. En résume, l’ usine à idéologie et à inégalités produit des biens que la plupart des gens achetent sans même le savoir. Le prix est trop élevé et nous le payons tous. (págs. 293/5)
3/14/2008
TESTEMUNHOS 3
- Pergunta que muitas vezes passa pela cabeça das pessoas é a relação que há entre o seu trabalho na Linguística e o seu trabalho na Política.
- Não existe qualquer relação directa. (…) Acontece que a linguagem é dos poucos domínios em que pode estudar-se faculdades humanas nucleares, de forma muito intensa e obter resultados para além da compreensão superficial. Isto é extremamente difícil de conseguir na maioria das áreas mas esta é uma daquelas em que podemos consegui-lo.” (pág. 44)
“Simplifico todas as coisas por dizer que “os Estados Unidos actuam por todo o lado como um império do mal”? Sim, isso certamente simplificaria demais as coisas. E é por isso que saliento que os Estados Unidos se comportam como qualquer outra potencia. Acontece que os Estados Unidos são mais poderosos e por isso, como é de esperar, mais violentos. Mas é sempre assim. Quando os britânicos governavam o mundo, faziam a mesma coisa.
Falemos dos curdos. Que fazia a Grã-Bretanha relativamente aos curdos? Vejamos uma pequena história (…) Depois da guerra, conforme resulta de documentos internos secretos, os britânicos estavam a estudar como é que iam continuar a governar a Ásia, agora que já não tinham a força militar necessária para ocupá-la. A ideia que surgiu foi a de se voltarem para o poder aéreo (…) usar o poder aéreo para atacar civis. Calcularam que seria uma boa maneira de reduzir os custos acarretados pelo esmagamento dos bárbaros. Winston Churchill que era então Secretário de Estado das Colónias não julgava que fosse suficiente. Recebeu um ofício do gabinete da Força Aérea Britânica no Cairo pedindo-lhe autorização, e agora vou citar, para usar gás venenoso “contra árabes recalcitrantes” (…). Bem, esse documento circulou por todo o Império Britânico. O Gabinete da Índia resistiu. Disseram de lá: Se se usar gás venenoso contra curdos e afegãos isso vai causar-nos problemas na Índia. (…) Haverá protestos, as populações ficarão furiosas, etc. (…) Churchill ficou indignado com a reacção. E disse:
“Não percebo estes melindres acerca da utilização de gás… Sou absolutamente a favor do uso de gás venenoso contra tribos selvagens… Não é necessário usar apenas os gases mais mortíferos; podem ser usados gases que provoquem grandes incómodos e espalhem o terror e que, no entanto, não deixem efeitos permanentes sérios na maior parte dos atingidos… Em circunstância alguma podemos concordar com a não utilização de quaisquer armas disponíveis para conseguir um mais rápido fim das desordens que preponderam na fronteira. Salvará vidas britânicas. Usemos todos os meios que a ciência nos permite”.
Aí tem, portanto, a maneira como se lida com curdos e afegãos quando se é britânico. Que aconteceu depois? Bem, não sabemos com precisão. E a razão porque não sabemos exactamente é que há dez anos o governo britânico instituiu aquilo a que chamou uma Política de Governo Aberto, a fim de tornar mais transparentes as operações governamentais, a fim de caminhar em direcção da democracia (…). E a primeira acção da Política de Governo Aberto foi retirar dos arquivos públicos oficiais – e presumivelmente destruir – todos os documentos que tivessem a ver com o gás venenoso e do poder aéreo contra os árabes recalcitrantes, isto é, os curdos e os afegãos. Assim, podemos ficar felizes porque nunca saberemos exactamente qual foi o resultado deste pequeno exercício de Churchill.” (págs. 133/136)
3/12/2008
3/11/2008
CRITICA 2 She will not live, performance de Hugo Calhim com Joana Von
Movimentos, experiências com objectos – poucos – e, no final, é-nos enviado um berlinde virtual que nos dá a vez ou a acção. E digo “finalmente” porque durante a performance somos agarrados pela acção de Joana Von e é esta a qualidade de She will not live: absorve-nos e o que, de início, nos chama a atenção – uma mulher nua e estática olhando-nos do fundo do seu espaço - deixa de ter importância, porque a dita imagem se anula entre as actividades/acções que ela mesma leva a cabo: estar nua, ou pouco vestida, resumir-se-à então a um facto entre os demais.
Esta reificação de um corpo desnudo significa que a performer transmuta a sua nudez ao longo do espectáculo tornando-a parte do seu trabalho, utensílio, apenas. Como se o espectador assistisse ao suicídio de alguém, cuja morte entretanto esquecesse, apesar do suicida continuar na sua frente. Joana continua mais ou menos despida mas…
Porém que faz a intérprete de She will… para se subtrair à nossa devassa, com que nos entretém? Joga, coloca o seu corpo em confronto com objectos quotidianos – molas de pendurar roupa, uma garrafa – e é tudo tão despojado que, no fim do espectáculo, se fica com a impressão de ter assistido a nada. Na verdade testemunhou-se uma transubstanciação, tanto mais difícil quanto se trata, não só de um corpo no seu estado de esplendor físico, como ainda feminino, e logo, desde há milénios prisioneiro de um olhar, o masculino. Mas a transubstanciação dá-se. E, naturalmente em ritual, em absoluto silêncio, entrecortado apenas pelo som do seu próprio fabrico.
She will… trata de um corpo que, de objecto se ergue, através do jogo cénico, a sujeito, libertando-se do seu carrasco, no caso o voyeurismo.
Só o trabalho, entendido como acção sobre si mesmo/no mundo, conduz à autonomia, no caso concreto a da condição feminina, eis a “história” de She will not live, performance que se poderia também chamar “Requiem por um certo “She”.
CRÍTICA 3 Miguel Borges em "A Velha"
Miguel Borges numa multiplicidade de papéis sem nunca deixar a sobriedade de uma actuação inteligente, cerebral e nada condescendente com histrionismos fáceis.
O dom da palavra, da concisão, do gesto preciso, da elisão dos movimentos inúteis – ou “entretantos” – expressa nas passagens bruscas entre posições, atitudes, máscaras. A condizer com o despojamento do espaço, a sua austeridade ou fisicalidade, isto é, a imposição de um espaço, paredes, canos ou condutas, como símbolo possível de uma comunicação que começa e não acaba, salvo quando a luz fecha, abrindo no entretanto sobre uma velha, um maquinista, uma mulher, algures vista numa padaria – e que por não ter nome – como a velha? – fica vulto – o amigo com que se bebe - e embebe – em vodka, a vizinha, um colectivo, em suma, que circula, mais o manco que pedincha e o gozo dos putos de rua: uma multidão num espaço fechado – como o corpo que finalmente nem existe mas se vê na mala – vermelha – a única cor garrida em cena - uma acusação que ameaça – a de um social alheio a qualquer razão subjectiva e que procurará no protagonista um assassino – mais uma reza escatológica – como deveriam ser todas as conversas com a divindade – num canto da cena, entrevendo um corpo que durante toda a representação se oculta, quer sob palavras-imagens, quer num fato que aperta, e de que mal se liberta – salvo quando evacua - que evoca K., de “O Processo” na versão Wells.
Uma interpretação magistral de um actor em pleno amadurecimento e que, se conseguir não se tornar pivot de um qualquer programa de entertainment ou chalaça, poderá ir onde quiser.
ENTRANHA 9 Cara Estética dos Trezentos...
Explico os motivos assim como os exemplos:
Com a democratização novos grupos sociais tiveram acesso ao ensino e ao consumo. Todavia, descendendo de meios com baixos recursos económicos, nunca tiveram durante a sua infância e mesmo formação – a escola democratica ja foi suficentes vezes associada com uma “caserna” para tornar a referi-lo – acesso a qualquer lugar de luxo ou de maior qualidade. (A escola poderá compensar isto por sucessivas visitas a museus mas todos sabemos hoje que a Escola portuguesa pós 25 de Abril falhou o seu objectivo).
Assim, todas as gerações, duas até á data, criadas na jovem democracia portuguesa tiveram como referencia de serviço publico um restaurante macdonnald’s e por loja de consumo a dos trezentos mais próxima.
Como resultado a estética que impera no teatro hoje é igualmente a das caras lojas de trezentos. Não só porque os criadores que nelas expôem receberam a sua influencia como também porque o publico está disposto a receber tal estética. Além de que todos sabemos quanto o prazer de agradar arrasta para o conformismo o mais bem intencionado.
Assim, tivemos em Lisboa, por vias diferentes mas, por cooincidencia?, ambas as produções em teatros geridos por entidades públicas – o Trindade e o Nacional – duas peças, cuja cenografia é devedora do que aqui chamo “a cara estetica dos trezentos”: Terramoto e Medeia.
Em Terramoto tal estética foi visível na pelintrice bem vestida dos figurinos, na cenografia feita de caixotes, nos fumos mais que vistos e coloridos de vermelho – o vermelho é a primeira cor que vem ao imaginário pequeno-burguês para qualquer coisa de “mais especial”.
Em Medeia nos chão que se ilumina (cujo contributo dramatúrgico é nulo mas contribui para a tal estética do bonitinho) no brilho sintético do sangue, nas canções do coro, cuja música evocava o musical ligeiro (a tragédia grega tinha a emmeleia mas segundo consta o seu estilo era contido e nobre) na utilização, enfim de todo o género de efeitos paradigmáticos das bugigangas que acendem e apagam que alguns emigrantes vendem hoje pelas ruas.
Cara estética de trezentos!
3/09/2008
FÍSICA 1
“Mas, repetimo-lo uma vez mais, a imagem de uma matéria inicialmente confinada a um volume minúsculo e propagando-se no espaço vazio envolvente deve ser rejeitada. Se queremos conservar a imagem da explosão, é preciso modificá-la. Imaginemos antes um espaço contínuo em que cada ponto está em explosão. O universo e homogéneoo e não tem centro.” (pág. 69)
“Quanto mais quente estão os corpos mais energiam irradiam. (…) Sendo mais denso e mais quente, o universo do passado deveria ser por isso mais luminoso (…) Que aconteceu a essa brilhante realização que reinava outrora no espaço? É a pergunta que faz então George Gamow. (…) Rumor atenuado do esplendor original só resta hoje nos céus uma fraca radiação, invisível a nossos olhos. (…) Trata-se de uma radiação emitida por um corpo quente a uma temperatura homogénea. Este corpo isotérmico está disperso à escala do cosmos; a radiação provém uniformemente de todas as direcções” (págs. 111/116)
“Esta isotermia trazia uma notícia boa e uma notícia menos boa. (…) A notícia boa situa-se ao nível de um problema espinhoso: a origem das galáxias. A textura do universo contemporâneo é extremamente granular. A densidade média das galáxias é, pelo menos, um milhão de vezes mais elevada do que a do espaço que a separa. Como explicar a passagem do espaço homogéneo antigo para a não homogeneidade contemporânea? Qual é o mecanismo da germinação das galáxias na miscelânea inicial? Como se acumularam estes “coágulos” na matéria primitiva? Em que momento começaram as massas embrionárias a separar-se? Como evoluíram até ao esplendor das espirais contemporâneas? A física propõe uma resposta: o efeito da gravidade sobre a miscelânea inicial. Um coágulo primordial exerce à sua volta uma força de atracção. Obedecendo a este apelo, a matéria vizinha aproxima-se e junta-se-lhe, aumentando a sua massa e a gravidade. O fenómeno amplia-se por si mesmo. É o efeito “bola de neve”. As galáxias teriam nascido assim.
A presença destas estruturas embrionárias deveria manifestar-se muito cedo na evolução do cosmos. A radiação fóssil deveria deixar traços. Daí o embaraço causado pela sua extraordinária isotropia. É a notícia menos boa trazida pelas observações de radiação fóssil.
Visando resolver este problema, foi em 1988 lançado um satélite americano a que foi dado o nome de COBE (Cosmic Background Explorer). Os primeiros resultados, publicados em 1990, confirmam com uma precisão espantosa, a sua natureza térmica.
Em Março de 1992 a equipa científica do COBE anuncia a descoberta tão esperada da granularidade da radiação fóssil. São detectadas também variações de temperatura na proporção de uma parte por cem mil, os germes das grandes estruturas estão mesmo lá.” (págs. 118/122).
“Admitamos que a temperatura do universo tenha atingido num passado longínquo um valor superior a 10 mil milhões de graus. (…) Tais temperaturas têm um efeito desastroso nos núcleos. A agitação térmica é tal que a força nuclear não consegue manter-lhes a coesão. Decompõem-se em protões e neutrões. Nesta época o mundo é constituído por uma sopa homogénea de nucleões, entre os quais pululam electrões, neutrinos e outras partículas elementares. Mas nada de núcleos atómicos. (págs. 153/4)
WEINBERG, Steven, Os três primeiros minutos, Lisboa, Gradiva, 1987
Sobre a matéria escura e a sua possível importância na formação dos germes de galáxias S.W. coloca a hipótese de que a dita matéria poderia acelerar a germinação de galáxias, devido ao facto de não perturbar a isotermia dos céu. Verificou-se, com efeito, que a matéria escura funcionaria como bolsas discretas sobredensas que poderiam servir de núcleos de condensação para as futuras estruturas.
Acerca da impossibilidade de isolar quarks livres diz S.W:
“Se a perca de interacção entre dois quarks diminui à medida que se aproximam, deve também aumentar à medida que se afastam. A energia necessária para afastar um quark dos outros num hadrão vulgar aumenta portanto com a distancia e acaba eventualmente por se tornar suficientemente grande para criar novos pares quark-antiquark a partir do vácuo. No fim acabaremos não com vários quarks livres mas com vários hadrões vulgares. É exactamente como tentar isolar uma extremidade de uma corda. Se se puxar com muita força, a corda parte-se mas o resultado final são duas cordas, cada uma com duas extremidades! Os quarks estavam suficientemente próximos no universo primitivo para não sentirem a interacção e se comportarem como partículas livres. Todavia, todos os quarks livres nesta época, à medida que o universo arrefecia e se expandia, devem ter sido aniquilados por algum anti-quark, ou então terem encontrado um lugar de repouso, um protão ou um neutrão. (p. 159)
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