STIGLITZ, Joseph E., Tornar Eficaz a Globalização, Porto, Ed. Asa, 2007. (413 pp. Ca. 18 euros)
“Hoje está generalizada (…) uma compreensão das limitações do mercado. Os escândalos dos anos 90, na América e noutros lugares, derrubaram o “Estilo Financeiro Capitalista Americano” do pedestal onde se encontrava há demasiado tempo.
(…) Há também um reconhecimento cada vez maior de que não existe apenas uma forma de capitalismo, nem uma só maneira “corrente” de gerir a economia. Há, por exemplo, outras formas de economia de mercado – como a da Suécia – que conduzem a sociedades bastante diferentes, marcadas por melhores cuidados de saúde, melhor educação e menor desigualdade.
Enquanto que a versão da Suécia pode não funcionar tão bem noutros sítios (…) o seu êxito demonstra que há maneiras alternativas de economias de mercado eficazes. E quando há alternativas e opções, os processos políticos democráticos devem estar no centro de tomada de decisões – e não os tecnocratas. Uma das minhas críticas às instituições económicas internacionais é que tentaram pretender que não havia trade-offs – um único conjunto de políticas que faria com que todos ficassem melhor – enquanto a essência da economia é a escolha, pois há alternativas que beneficiam alguns grupos (como os capitalistas estrangeiros) à custa de outros (…) Entre as opções centrais com que se deparam todas as sociedades está o papel do Estado. O sucesso económico requer que se alcance o equilíbrio entre o Estado e o mercado.(…) Mas eu argumentaria que a globalização, da maneira como tem sido aplicada, tem dificultado frequentemente, a obtenção do necessário equilíbrio.” (pp.13,4)
“Claro que aqueles que estão descontentes com a globalização económica geralmente não objectam com o maior acesso aos mercados globais, ou à disseminação do conhecimento global. Mas levantam cinco questões:
· As regras do jogo são injustas, especificadamente concebidas para beneficiar países industrializados avançados. De facto, algumas mudanças recentes são tão injustas que fizeram com que alguns dos países mais pobres piorassem realmente.
· A globalização promove valores materiais acima de outros valores, como a preocupação com o ambiente ou a própria vida.
· (…) a globalização tem retirado uma boa parte da soberania aos países em desenvolvimento e da sua capacidade de tomarem decisões em áreas fundamentais que afectam o bem-estar dos seus cidadãos. Neste sentido tem minado a democracia.
· Enquanto os defensores da globalização têm vindo a argumentar que toda a gente beneficia economicamente, há provas abundantes, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento, de que haverá muitos prejudicados em ambos.
· Talvez o ponto mais importante, o sistema económico que tem sido imposto aos países em desenvolvimento (…) é inadequado (…). A globalização não deveria significar a americanização nem da política económica nem da cultural mas frequentemente é o que sucede – e isto tem provocado ressentimento (pp.33,4)
“(…)a maneira como se tem tomado decisões – a governança – na arena internacional sofre de dois males: a voz dos países em desenvolvimento é ouvida de menos e as vozes dos interesses especiais são ouvidas de mais” (p.172)
“Uma coisa que me dá alguma esperança é o movimento de responsabilidade social das empresas. (…) A Sociedade Civil está também a desempenhar um papel cada vez mais activo, ao vigiar a actuação das grandes companhias mineiras e as industrias que prejudicam os trabalhadores. (…) A responsabilidade limitada tem estado subjacente ao crescimento do capitalismo moderno mas, com a globalização, as infracções de responsabilidade limitada têm vindo a assumir uma escala global; sem as reformas que aqui se sugerem podem tornar-se muito piores. A lição é simples (…) os incentivos são importantes e os governos e a comunidade internacional têm de trabalhar mais para garantir que os incentivos com que as empresas se confrontam estejam alinhados com aqueles a quem estes afectam, especialmente os menos poderosos no mundo em desenvolvimento” (pp. 267,8)
Sob a epígrafe “Tornar eficaz a globalização” (p.253) e no respeitante ás multinacionais, J.S. propõe [resumo]:
- Responsabilidade social das empresas.
- Limitar o poder das empresas.
- Melhorar a governança empresarial.
- Leis globais para uma economia global.
- Reduzir o âmbito da corrupção.
7/06/2008
CAPITALISMO 17 (J.S. é prémio nobel de economia)
SAÚDE 1
SHAH, Sónia, Cobaias humanas, Casal de Cambra, Ed. Caleidoscópio, 2008
“Precisamos de abrir o debate acerca da própria ideia de usar corpos humanos como matéria de experiência. Para alguns desempenhos a função da cobaia em testes experimentais é o mesmo que, por exemplo, aceitar um trabalho na fábrica.” (pp. 18,19)
“Enquanto forem necessárias abordagens inovadoras para os dilemas da saúde imposta, por exemplo, pela falta de água potável e comida em boas condições, a resposta não está nos fármacos de marcas novas. E mesmo quando os produtos novos são, de facto, o que é mais necessário, desde novos fármacos contra a malária até tratamento contra a doença do sono, aqueles que ajudam os mais pobres, geralmente, têm pouco interesse para as empresas farmacêuticas, as quais se comprometem com as necessidades financiáveis dos seus investidores. O resultado mais possível será uma classe de ricos rodeada de fármacos, lado a lado com os pobres com falta de medicamentos. (…) “O desastre da talidomina marcou um ponto de viragem para a indústria farmacêutica em crescimento. Enquanto o escândalo revelou, sem dúvida, a insensatez de confiar nas empresas farmacêuticas direccionadas para o lucro (..) a legislação que surgiu no seguimento dessa situação não exigiu que a indústria se reorientasse no sentido da boa saúde da sociedade. Em vez disso, as novas regras exigiram que a indústria aumentasse amplamente as actividades experimentais, que eram tidas em grande conta. Agora a procura de corpos para as experiências começaria a sério (p. 71)
“Escute (…) investigadores biomédicos (…) e irá certamente ouvir comentários espantosos sobre experiências em seres humanos feitas no passado, quando audaciosos testes, sem regulamentos onerosos, produziam resultados impressionantes. Experimentação deste tipo, dirá o cientista de investigação, infelizmente já não é possível “devido a preocupações de teor ético”. (…) É difícil imaginar alguém a falar de contratos de exploração, derrames de petróleo ou desfalque de empresas como não sendo possíveis “devido a preocupações de teor ético”. (…) Mas quando os investigadores clínicos enganam pacientes, exploram a sua pobreza ou desviam recursos escassos da sua assistência médica, tal não é considerado um mal genuíno. A actividade principal da investigação médica – fazer progressos ao nível da melhoria da saúde, salvar vidas – ofusca isso. A exploração e as violações dos direitos humanos são apenas efeitos secundários.
Dominar estes “efeitos secundários”, exige, em primeiro lugar, que se ponha de lado o mito à volta da investigação médica que os estabelece como “efeitos secundários”. (…) Mas se a investigação clínica é uma indústria, que se guia segundo os seus próprios interesses, então não há razão para lhe permitir espaço de manobra especial, para fechar os olhos quando (…) infringem as regras.
(…) Devíamos exigir que os acordos para as cobaias – por exemplo o acesso aos fármacos de estudo depois de o teste terminar – fossem justos e bons no presente, e não num futuro especulativo, quando os preços baixarem ou a pobreza acabar e outras pessoas aplicarem soluções melhores.
Tais requisitos, que podiam ser incorporados nas regras da FDA, serviriam como correctivos lógicos para a indústria competitiva e direccionada para o lucro, em que a investigação clínica actualmente se transformou. Mas isso faz questionar-nos se, em primeiro lugar, realmente queremos adoptar esse modelo” (pp. 253 a 255).
7/05/2008
TESTEMUNHOS 5
SALES, António, Um Ano no Tráfico de Mulheres, Lisboa, Pub. Dom Quixote, 2008 ca. 15 euros
- “Hum… De dezasseis… De onde? Da capital?
- De todas os lados. De Cancum, de D.F., sei lá! E digo-te mais. Mais a sul, em Chiapas e por toda essa região, os pais oferecem-te as filhas com treze ou quatorze anitos por um par de barris de cerveja e uma vaca. Eu conheço ai uma povoação onde as podemos arranjar sem qualquer problema. As dessa região são mais nativas, não são tão bonitas mas são jovenzinhas. Quantas é que queres?” (p. 366)
“Os factos são irrefutáveis e indiscutíveis: a imensa maioria das prostitutas que exercem em Espanha fazem-no em locais de alterne. A imensa maioria das rameiras que exercem em locais de alterne são estrangeiras que exercem a prostituição são imigrantes ilegais que vêm traficadas por máfias. Portanto, a imensa maioria do dinheiro que a prostituição movimenta na Europa, (…) reverte em benefício de máfias de tráfico de seres humanos. Este é o facto indiscutível a partir do qual é possível deduzir que todos os clientes deste tipo de serviços são de uma forma ou de outra, cúmplices dessas máfias. Actuem em consequência.
(…) Se os proxenetas, punhateiros, chulos ou “respeitáveis empresários” que defendem a prostituição como um trabalho digno, forem consequentes com aquilo que apregoam, deveriam dar o exemplo colocando a trabalhar nos bordéis as suas respectivas mães e filhas. Tudo o resto é merda e não passa de um execrável palavreado barato” (p.436,7)
MARKETING 1
“O marketing tem a ver com a divulgação de ideias, sendo que divulgar ideias é o produto mais importante da nossa civilização.” (p.30)
“Uma história que funciona combinando a autenticidade e um mínimo de efeitos colaterais consegue construir uma marca (e um negócio) duradoura. (p.111)
6/29/2008
GESTÃO 10
“Este livro fala sobre o que acontece quando não há ninguém no comando. Aborda o que acontece quando não há uma hierarquia. Seria de esperar que se instalasse a desordem ou mesmo o caos. Mas, em muitas áreas, a ausência de uma liderança tradicional está a possibilitar a ascensão de grupos poderosos que estão a virar do avesso a indústria e a sociedade.” (p.13)
Alguns itens considerados importantes para uma organização sem líder:
- Deseconomia de Escala
- Efeito de Rede
- Conhecimento nas Margens
- Contribuição de todos
- Importância dos catalisadores
- Os valores são a organização
Questões deste tipo de organizações:
- Como está a saúde do círculo?
- Os membros continuam a participar?
- A rede cresce? Estende-se? Transforma-se? Descentraliza-se? ”A maior parte dos catalisadores compreendem estas questões intuitivamente. Numa organização estrela-do-mar as pessoas fazem o que querem. Preocupam-se com os membros mas não esperam relatórios nem desejam controlar (…) Os melhores catalisadores são aqueles que põem as pessoas em contacto e vão marcando o compasso da ideologia (p.169)
sites referidos:
www.vsf.cape.com/~dales/science//nervous.htm
www.edge-of-reef.com/asteroidi/asteroidien.htm
www.usdoj.gov/ag/manualpart1_1.pdf (site do FBI que exibe um manual apreendido à organização de Bin Laden e expõe o modo de funcionamento de uma organização tida como exemplo de “sem líder”)
PSI 2
TALEB, Nassim Nicholas, O Cisne Negro, Lisboa, Pub. Dom Quixote, 2008
“Ser genuinamente empírico é reflectir a realidade o mais fielmente possível; ser honrado implica não recear o aspecto e as consequências de se ser diferente” (p.59)
“A nossa propensão para impor significado e conceitos bloqueia a nossa noção dos pormenores que formam o conceito. (…) As nossas mentes são como reclusas, prisioneiras da nossa biologia, a menos que consigamos encontrar uma escapatória engenhosa” (pp. 108,9)
“A maneira de evitar os malefícios da falácia narrativa é dando mais primazia às experimentações em detrimento da narração de histórias (…) e do conhecimento clínico em detrimento das teorias (p.128)
“Infelizmente não fomos construídos na actual versão da raça humana, para compreender matérias abstractas – precisamos de contexto. (…) Respeitamos o que aconteceu, ignorando o que poderia ter acontecido” (p.187)
“O problema é que as nossas ideias colam-se: depois de produzirmos uma teoria, não é provável que mudemos de ideias – logo, aqueles que adiam o desenvolvimento das suas teorias dão-se melhor. (…) Lembre-se que tratamos as ideias como bens e é difícil separarmo-nos delas” (p.199).
“Devido ao desenvolvimento do conhecimento científico, sobrestimamos a nossa capacidade de compreender as alterações subtis que fazem parte do mundo e o peso que é necessário atribuir a cada uma destas alterações. Hayek designou este fenómeno como «cientismo». [vd. “A Pretensão do Conhecimento” discurso de Hayek ao receber o Nóbel de Economia, em 1974 – nota de Kriu]
“Saiba como classificar as crenças não de acordo com a sua plausabilidade mas pelo mal que lhe podem causar. (…) Esteja preparado para todas as eventualidades relevantes” (p.267)
Do Glossário:
“Problema do fato vazio (ou problema do especialista): alguns profissionais não possuem competências que os diferenciem do resto da população mas, de algum modo, e contra todos os seus registos empíricos, são considerados especialistas: psicólogos, clínicos, economistas académicos, “especialistas” em risco, estatísticas, analistas, políticos “especialistas” em finanças, analistas militares, CEO, et ceatera. Estes profissionais ornamentam a sua “especialização” com uma linguagem rica em jargão, matemática e usam frequentemente fatos caros.
(…) Arrogância epistémica: medir a diferença entre o que alguém de facto sabe e o que pensa que sabe. Um epistemocrata é alguém possuidor de humildade epistémica, com uma grande desconfiança relativamente ao seu próprio conhecimento” (pp. 383,4)
Take the skeleton of a man, tilt the pelvis, shorter the femur, legs and arms, elongate the feet and hands, fuse the phalanges, elongate the jaws while shortening the frontal bone and, finally, elongate the spine, and the skeleton will cease to represent the remains of a man and will be the skeleton of a horse.
Buffon, 1753 (citado in: PANAFIEF, Jean Baptiste (texto) e GRIES, Patrick (fotos), Natural History Though Spectacular Skeletons, London, ed. Thames and Hudson, 2007.
6/16/2008
PORTUGAL 4
PINTO, António Mendonça, Economia Portuguesa, Melhor é Possível, Coimbra, ed. Almedina, 2007
“Agora ao iniciar-se um novo ciclo de aproveitamento de fundos comunitários, a orientação estratégica e operacional tem de ser claramente diferente (…) porque é preciso investir a sério no conhecimento, na ciência, na inovação e na tecnologia em consonância com a Estatégia de Lisboa” (p.109)
“Por sua vez a perigosidade da ideia de inexistência de alternativa de política vem, essencialmente, do desinteresse dos cidadãos pela política, para o que também contribui o fechamento dos partidos e a atrofiamento da comunicação social. Exagerando um pouco para se perceber melhor, de facto, os partidos políticos mais relevantes fecharam-se bastante em si próprios e subalternizaram os valores e as ideologias em favor da conquista pragmática do poder, nomeadamente para benefício de alguns membros e simpatizantes, sendo cada vez menos centros de discussão e preparação de políticas públicas para apresentação ao governo ou à Assembleia da República. Em consonância com esta evolução partidária, a (maior parte da) comunicação social também se ocupa cada vez mais com o acessório (…). Nestas circunstâncias não admira que vá minguando o debate político, crescendo a despolitização, diminuindo a confiança nos agentes políticos e alastrando a ideia de que não há alternativas de política, o que é perigoso porque reduz a discussão pública dos problemas, leva a pensar que tanto faz votar PS ou no PSD (…) e ajuda a desculpar os responsáveis políticos pelas fracos resultados obtidos. (…) mesmo que o Governo disponha de maioria parlamentar as medidas mais importantes deveriam ser sempre precedidas de debate político que envolvesse e motivasse a população, sob pena de correrem o risco de terem uma base social de apoio reduzida, ou de servirem interesses específicos em vez do interesse geral.
(...) Precisamos de um projecto de desenvolvimento mobilizador e de reconstruir a ideia e a confiança de que é melhor é possível [sublinhado do autor]. Para o efeito o crescimento da economia tem de ser a prioridade de topo da política económica. Sem abandonarmos o combate ao défice orçamental, o Governo deve substituir, ao nível da discurso e da prática, a política depressiva do défice pela política animadora do crescimento económico, mesmo que não se saiba ainda muito bem o que realmente o determina e como o influenciar eficazmente. (…) A julgar pelos resultados não tem havido suficiente capacidade de motivação dos empresários e sem a iniciativa empresarial a economia não se desenvolve.
(...) Temos planos e programas a mais e estratégia a menos, politicas demasiado dispersas e genéricas quando deviam ser mais articuladas e focadas nas prioridades principais.” (p. 332,3)
FASCISMO 1
Biografias de ex-presos de Salazar com fotos.
Útil para a memória curta ou para evitar que diminua.
6/15/2008
BIOLOGIA 3
PONSET, Eduardo Viagem à Felicidade – As novas chaves científicas, Lisboa, ed. Dom Quixote, 2007.
“A constatação daquilo que os biólogos como Lynn Margulis (…) classificaram como endossimbiose levou-a a postular que na história da evolução imperou mais a colaboração entre as espécies do que a competição desapiedada pela sobrevivência.
Enquanto as cianobactérias iam oxigenando a atmosfera, outras bactérias suportavam mal os processos de oxidação desencadeados, bem como a crescente reactividade do ar. O aparecimento do oxigénio, letal para a maioria dos organismos, provocou um verdadeiro holocausto. Assim, essas células aliaram-se entre si para formar organismos pluricelulares mais adaptáveis ao novo ambiente oxigenado. À primeira célula eucariota sucederam as primeiras algas marinhas no decurso de quatrocentos milhões de anos. E umas espiroquetas mais velozes que a maioria dos outros organismos também acabaram por penetrar na muralha da membrana celular, fornecendo as vantagens da sua rapidez ao conjunto, em troca de alimentos.” (p. 110)
“Esquecemos até que ponto a vida na Terra é interdependente. Sem a vida microbiótica mergulharíamos no mundo das fezes e afogar-nos-íamos no dióxido de carbono que exalamos. (…) A moral da história da evolução é que somente através da conservação das espécies, da interacção ou da criação de redes, e não através da subjugação, podemos evitar um fim prematuro à nossa espécie.” (Linn Margulis cit. pp. 110/111)
“Se se perguntar a Lynn Margulis o que é a vida, ela responde que é uma estranha e parcimoniosa onda a fazer windsurf sobre a matéria: “é um caos artístico controlado, um monte de reacções químicas de tal complexidade que a viagem iniciada há quase quatro mil milhões de anos contínua agora numa forma humana, capaz de escrever cartas de amor e de utilizar computadores de cilício para calcular a temperatura da matéria quando nasceu o universo”. É uma definição muito parecida com a de outro biólogo, Ken Nealson (…) “A vida (…) é um equívoco” (p. 111)
6/14/2008
GESTÃO 1
“Chamamos-lhe “mesas em apóstrofo “ porque os participantes se sentam à volta de mesas circulares espalhadas por uma sala plana e, em alguns locais, colocamos mesas extras, mais pequenas (os apóstrofos) para aqueles que têm de se virar para verem uma apresentação colectiva. Também não queremos perturbar a classe ao dividi-la em grupos de discussão mais pequenos. As pessoas sentem-se de maneira muito diferente do que uma colecção de indivíduos na sala de aula tradicional. Porque os participantes se encontram uns com os outros, face a face para partilhar experiências e, ao mesmo tempo, virarem-se para um ponto comum a ouvir uma apresentação, são tanto donos do espaço quanto o são os formadores. Num certo sentido a sala de aula não tem uma parte que seja obviamente a “frente da sala” para além de uma parede onde são projectadas as apresentações. (…) Mais importante ainda, este arranjo permite que a classe entre e saia do modo “grupos de discussão” por vezes por períodos de poucos minutos de cada vez. Podemos por exemplo perguntar se há algumas “questões de mesa” – questões consideradas pelos grupos à volta das mesas, em vez de virem apenas da primeira pessoa que levanta a mão.”
(…) “ De acordo com um livro de sociologia Michael Useen (1989) os estudantes de artes e ciências têm mais dificuldade em encontrar primeiros empregos como gestores do que os estudantes com diplomas académicos profissionais ou em ciências empresariais, na medida em que lhes faltam competências específicas em finanças e engenharia. (…) No entanto, uma vez contratados tendem a progredir mais depressa do que os seus colegas.
(…) O estudo relativo aos testes de admissão verificou que os estudantes que obtêm melhores resultados “ tiveram como cadeiras nucleares disciplinas de um ramo de conhecimento caracterizado pelo formalismo de pensamento, relacionamento estruturados, modelos abstractos, linguagem simbólica e dedutiva. Quanto mais abstracta for a matéria, mais ela ajuda a desenvolver capacidades puras de raciocínio; e quanto mais fortes forem as capacidades de raciocínio de uma pessoa, tanto melhor essa pessoa se vai sair em qualquer campo de aplicação.
Isso condiz com os dados do mundo empresarial. As empresas dizem-nos que embora as competências técnicas sejam as mais importantes nos lugares de gestão de nível inferior, essas competências tornam-se menos importantes nas posições intermédias superiores, onde os traços cruciais incluem competências de comunicação, a capacidade para formular os problemas e o raciocínio. “ (p.504)
“Consoante a vida se torna mais agitada, as instituições académicas deveriam tornar-se refúgios onde se possa reflectir” (p. 495)
“A aprendizagem é um processo de construção. Por outras palavras aquilo que se aprende é o formando que o junta” (Gaskins I.W)
6/10/2008
GESTÃO 2
“Assim que tenha decidido qual é a sua missão e para onde quer ir, o passo seguinte é identificar quem o pode ajudar a chegar lá” (p.53)
“A mãe estava errada – compensa fala com estranhos. Conforme Malcolm Gladwell escreveu: “os conhecimentos (…) representam uma fonte de poder social e quantas mais pessoas conhecidas V. tiver, mais poderoso será” (p.155)
“Há cerca de dez anos, Thomas Harrell (…) dedicou-se a identificar as características dos seus ex-alunos que conquistaram o sucesso. (…) verificou que a média obtida no curso não tinha qualquer relação com o sucesso. O único traço comum entre os licenciados de mais êxito era a fluência verbal. Aqueles que tinham construído negócios e escalado num ápice a escada da sua organização eram aqueles que, com confiança, podiam iniciar uma conversa com qualquer pessoa em qualquer situação. (pp.172,3)
“No que diz respeito a causar boa impressão o segredo do jogo é a diferenciação. (…) Há uma forma de se destacar no mundo profissional que é garantida: seja você mesmo. Eu acredito que a vulnerabilidade (…) é um dos activos mais subvalorizados nos negócios.
(…) o Poder hoje em dia tem que ver com a partilha de informação e não com a sua retenção. Mais do que nunca, as linhas que definem a fronteira entre pessoal e profissional esbateram-se. Somos uma sociedade aberta que requer comportamentos abertos. E em regra não há muitos segredos que valham a energia que é preciso despender para os manter secretos. Ser franco com os outros transmite respeito (…). Mas é claro que isto não significa que tenha de confrontar ou desrespeitar. Significa antes que deve ser honesto, aberto e vulnerável o suficiente para genuinamente permitir que outros entrem na sua vida e que lhe retribuam com a sua própria vulnerabilidade. (…) Quando se aperceber que o melhor “quebra-gelo” está numa mão cheia de palavras vindas do coração, o acto de iniciar uma conversa tornar-se-á muito menos intimidante” (pp. 173,175)
6/08/2008
GESTÃO 3
“A crença, ou mito, mais comum é que as pessoas aderem aos cultos para se conformarem. Na verdade, é o contrário que acontece: as pessoas aderem para se individualizarem.
No cerne de aderir a um culto, como a qualquer comunidade em que nos envolvamos, encontra-se um paradoxo. (…) A dinâmica deste paradoxo dos cultos pode ser avaliada nos seguintes passos básicos:
1. Um indivíduo pode sentir-se diferente e até mesmo alienado perante o mundo que o rodeia.
2. Isto conduz à abertura a um ambiente mais compatível ou até à procura desse ambiente.
3. Provavelmente esse indivíduo sentir-se-ia mais seguro e confortável num lugar em que a diferença face ao mundo exterior seja encarada como uma virtude e não como uma falha.
4. Isso proporciona-lhe a oportunidade para a auto-realização dentro de um grupo de pessoas com as mesmas características, que celebram o indivíduo por ele ser como é.” (pp. 28 a 30)
“À medida que mais mercados se caracterizam por produtos e serviços com poucas diferenças materiais, as marcas têm de se tornar mais capazes de satisfazer necessidades emocionais. [sublinado do autor] Há poucas emoções mais fortes do que a necessidade de pertencer e de criar sentido. As marcas estão destinadas a explorar esta necessidade. (p. 263)
6/07/2008
CAPITALISMO 1
SHUTT, Harry, O Declíneo do Capitalismo - Poderá um Sistema de Lucros Auto-Regulado Sobreviver?, Cascais, Produções Culturais, Ldª, 2008
(…) “mesmo quando a escada do cadafalso financeiro que se desenrolou se está a tornar insustentável, não há nenhum reconhecimento por parte dos partidos políticos dominantes ou órgãos de opinião no mundo ocidental de qualquer uma das fraquezas fundamentais do modelo de organização existente. A razão para não se confrontar a realidade do fracasso económico não é, deve ser claro, fruto de uma incapacidade por parte dos líderes mundiais em compreender a verdadeira natureza do problema subjacente. É sim, porque qualquer reconhecimento aberto da realidade conduziria à inevitável conclusão de que o sistema capitalista dominante, baseado na primazia do lucro, é agora, não só cada vez mais instável e destrutivo mas desesperadamente obsoleto relativamente às necessidades económicas modernas e aos desenvolvimentos tecnológicos. E que uma alternativa mais funcional iria inevitavelmente acabar gradualmente com o desvio ruinoso de valor económico acrescentado para os bolsos de uma pequena minoria que (através da sua riqueza desproporcionada) exerce largamente um poder político inexplicável.”
(…)
”Além disso está a tornar-se dolorosamente claro que os governos dos que supostamente são os países mais avançados do mundo estão agora tão permeados com elementos corruptos, os quais parecem ter perdido qualquer sentido de responsabilidade pelo interesse público” (pp. 7,8)
Tal como na França do séc. XVIII, a élite de hoje percebe (com muita justificação) que quaisquer iniciativas para enfraquecer os seus maiores privilégios iriam tender a levar ao fim efectivo de estruturas – particularmente as dos mercados financeiros – em que o seu poder essencialmente parasítico se baseia” (p. 114).
“Da mesma forma que se torna habitual entre empresas e instituições financeiras envolverem-se em fraudes contabilísticas descaradas com o objectivo de pintar um quadro positivo do seu desempenho financeiro, os governos também recorreram à falsificação dos registos do desempenho económico com o objectivo de evitar o surgimento do pessimismo público – e um correspondente colapso de confiança do mercado. Tais distorções (…) por razões óbvias são raramente expostas nos meios de comunicação social. Se de facto há razão para duvidar de que as modernas instituições políticas são comprovadamente mais flexíveis do que as do passado autoritário, tal pareceria ser atribuível a
a) enorme poder que os interesses dos ricos adquiriram para influenciar o processo “democrático” – ao ponto de efectivamente comprarem a totalidade dos partidos políticos ou governos e
b) a capacidade relativa (muito ajudada pela tecnologia moderna) para doutrinar o público com uma ideologia irracional, através dos meios de comunicação social (inevitavelmente dominados pelos mesmos interesses dos ricos)” (p. 113)
“O modelo de capitalismo auto-regulado, maximizador do lucro já não é compatível com as prioridades das democracias modernas (…) tem de ser abandonado em favor de crescente ênfase na redistribuição do rendimento e de riqueza baseados em princípios de equidade e cooperação (…)
Uma parte significativa do PIB poderia ser desviada da satisfação dos accionistas e especuladores para servir outras prioridades” (pp. 135 a 138)
“mesmo que aceite pelos líderes ocidentais que o problema do agravamento do caos global não pode ser ignorado, a sua resposta parece ser totalmente incoerente e irrealista – na medida em que não é possível identificar qualquer estratégia (…) neste mundo de fantasia a actual questão da desordem global é definida como um problema de “Estados fracassados”. (…) A solução sugerida agora passa por impõr de novo, de alguma forma, a hegemonia dos Estados-nações mais fortes sobre os mais fracos ou em colapso. O mais surpreendente nestas novas propostas (…) é o facto de que não só constituem uma rejeição dos princípios fundamentais das relações internacionais mais modernas mas que relembram a era europeia do absolutismo do séc. XVIII. Assim, a análise por detrás desta visão:
- prevê um retorno a uma ordem tal que teria sido aprovada por Maquievel ou Hobbes, na qual o poder e a autoridade pertencem àqueles que possuem a maior força militar, tendo os pequenos mortais de se submeter aos ditames dos fortes
(…) a (…) tese é surpreendentemente consistente com a presente estratégia norte-americana de procurar simplesmente subverter toda a ideia de princípios de Direito internacionais (pp. 146 a 148).
6/01/2008
ANARQUISMO 1
QUEIROZ, Clara, Se Não Puder Dançar Esta Não É a Minha Revolução – Aspectos de vida de Emma Goldman, ed. Assírio e Alvim, 2008.
“Um aspecto que impressiona ao estudar o seu percurso é que muitas das lutas que travou durante a vida continuam actuais. O imperialismo e as suas guerras, a precariedade da liberdade de expressão, o poder dos meios de comunicação na formação da opinião do público, a liberdade das mulheres (…) o poder manipulador e discriminatório da escola, o desemprego e, até, o direito às oito horas de trabalho
(…) Durante a sua vida Emma Goldman foi aperfeiçoando a definição de anarquismo (…) já no fim da sua vida era a seguinte:
ANARQUISMO: Libertarianismo como oposto ao autoritarismo.
O ideal de liberdade igual para todos em oposição à regra invasiva pela violência ou força, exercida por indivíduos, grupos ou governos.
“Uma filosofia do mundo, de uma nova ordem social, proposta por aplicação prática generalizada em que a liberdade igual para todos não é restringida por leis invasivas feitas pelos homens”
“Uma teoria de que a lei exercida por um grupo de homens sobre outros é o resultado de compulsão invasiva, baseada na ideia de que o Poder faz o Direito, é errada, devastadora, prejudicial e desnecessária” (pp. 98,99)
5/25/2008
EUROPA 1
SLOTERDIJK, Peter, Se a Europa Acordar, Reflexões Sobre o Programa duma Potencia Mundial no Termo da sua Ausência Política, Lisboa, Relógio d’ Água, 2008.
“Hoje a “intelligentsia” europeia deve a si própria um exemplo de que a política praticada em grande é possível para lá do império e do desprezo imperialista. O poder que se exerce a partir de Bruxelas sobre a grande Europa encontra-se agora perante uma escolha. Ou quer passar para um imperialismo mais ou menos aberto, nomeadamente sob influencia de cenários sugestivos que profetizam uma guerra económica entre os Estados Unidos, o Japão e a Europa, bem como uma guerra mundial por infiltração do Sul contra o Norte. Ou compreende que a sua oportunidade reside na translação do Império para um não-império, uma nova união de entidades políticas. Se se decidir por um novo Império, perde o resto da sua alma e provoca o seu próprio desaparecimento por depravação nas três gerações futuras. Apenas com a herança da ambição e do cinismo, nenhuma cultura percorrerá nem que sejam cem anos suplementares. Só a recusa de todo e qualquer tipo de desprezo dará à nova Europa o fôlego longo da verdade que anima as mais íntimas pretensões ao êxito. Uma coisa é, porém, inegável: se acordar, a Europa virá a si própria numa época de tempestades. Os nossos contemporâneos que espreitam o futuro poderão sentir que folheiam um catálogo de misérias anunciadas. Podem animar-se com o dito do herói do mar Vasco da Gama que correu o mundo em barcos à vela e, uma vez, gritou para a tripulação desesperada durante uma tormenta no oceano Índico: “Avante, homens, treme o mar de nós!” Para nós, a nova política começa com a arte de criar palavras que designarão o horizonte aos homens que vogam no navio do real” (p. 60)
ATTALI, Jacques, Europe, Paris, 1994
“Será então necessário que a(s) Europa(s) se aceite(m) não já como um clube cristão mas como um espaço sem fronteiras, da Irlanda até à Turquia, de Portugal à Rússia, da Albânia à Suécia; que privilegie culturalmente o nómada relativamente ao sedentário, a generosidade relativamente ao recolhimento sobre si próprio, a tolerância relativamente à identidade, em resumo, a multipertença relativamente à exclusão. Os debates recentemente abertos sobre o direito de ingerência humanitária e sobre o direito de voto dos estrangeiros, sobre a cidadania e sobre o direito de asilo abrem caminho para essas mutações” (pp. 196-197)
VALERY, Paul, La Crise de l’ Esprit, Varités I, Paris, 1924
«Onde quer que domine o espírito europeu, vemos aparecer o máximo de necessidades, o máximo de trabalho, o máximo de capital, o máximo de rendimento, o máximo de ambição, o máximo de modificação da natureza exterior, o máximo de relações e de intercâmbio.
Este conjunto de máximos é Europa ou imagem da Europa.
Por outro lado, as condições desta formação e desse desequilíbrio espantoso radicam evidentemente na qualidade dos indivíduos, na qualidade média do Homo Europaeus. É notável que o homem da Europa não seja definido pela raça, nem pela língua, nem pelos costumes, mas sim, pelos desejos e pela amplitude da vontade…”
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