5/19/2008

POESIA Celebramos haikus...

CAPITALISMO 2

HARDT, Michael e NEGRI, António, Império, São Paulo, Livros do Brasil, 2004.
“A sociedade do controlo poderia ser assim caracterizada por uma intensificação e uma generalização dos apaelhos normalizadores da disciplinariedade que animam por dentro as nossas práticas comuns e quotidianas; mas ao contrário da disciplina, trata-se de um controlo que se estende muito para além das sedes estruturadas das instituições sociais através de redes flexíveis, modeláveis e flutuantes” (págs. 40/41)
“Sobre esta passagem da sociedade disciplinar à sociedade de controlo podemos adiantar (…) que a relação – cada vez mais interna – de implicação mútua de todas as forças sociais que o capitalismo usou ao longo de todo o seu desenvolvimento, hoje se realizou plenamente.” (pág. 42)
“Em contrapartida quando o poder se torna internamente biopolítico, o conjunto do corpo social é abrangido pela máquina do poder e desenvolvido na sua virtualidade. (…) A sociedade, subsumida sob um poder que desce até aos centros vitais da estrutura social e dos seus processos de desenvolvimento, reage como um corpo único. O poder exprime-se assim como um controlo que invade o fundo das consciências e dos corpos da população – e que se estende ao mesmo tempo, através da totalidade das relações sociais.” (p. 42)
“A legitimação da máquina imperial tem origem, pelo menos em parte, nas industrias da comunicação, quer dizer, na transformação que converte o novo modo de produção numa máquina. Estamos perante um sujeito que produz a sua própria imagem de autoridade. Perante uma forma de legitimação que não se baseia em nada que lhe seja exterior e que se reformula a todo o momento no desenvolvimento da sua própria linguagem de autoavaliação.” (p. 51)
“Nos termos da esfera biopolítica a vida destina-se a trabalhar para a produção e a produção a trabalhar para a vida. (…) Um dos lugares onde podemos situar a produção biopolítica da ordem consiste nas conexões imateriais de produção da linguagem, de comunicação e de símbolos que as indústrias da comunicação estabelecem. O desenvolvimento das redes de comunicação está organicamente ligado à emergência da nova ordem mundial; por outras palavras, estamos aqui perante o efeito e a causa, o produto e o produtor. A comunicação não só exprime mas também organiza o movimento da globalização. Organiza-o multiplicando e estruturando as interconexões através de redes, exprime-o e controla o sentido e a direcção do imaginário que percorre essas conexões das redes de comunicação. Dito de outro modo: o imaginário é guiado e conduzido no quadro da máquina de comunicar (…) a mediação é absorvida na máquina da produção (p. 50)
“O que temos necessidade de descobrir é de que modo a multidão se organiza e redefine como um poder político positivo.” (p. 433)

5/18/2008

ENTRANHA 1 Eros...

Entretantos...
As viagens, os momentos de passagem onde o tempo é mais do que habitualmente uma ponte e, por fim, a chegada, o cais. Um ideal?
No entanto, no entanto sucede que, nesses entretantos algo por vezes ocorre e o que seria sem história, ou conto, torna-se excepcional e único. Assim, naquele percurso, naquele metro entre dois nadas, um rosto atraente, uns olhos mais expressivos, ou que aos nossos não fugiram, magoam para sempre o não feito, a palavra que se não dirigiu:
- Anda, tomemos um café. Ou… vamos já para a cama?

TEATRO 1 "CASEMOS" no "FATAL - Festival Teatro Universitario de Lisboa

"Casemos" ocorreu ontem no Festival do Fatal, no espaço exterior do Teatro da Politécnica. No final casaram dez pares de espectadores. Uma espectadora casou com uma cadeira. A n/ sacerdotiza celta casou quem se lhe apresentou sem qualquer discriminação.

5/17/2008

FILOSOFIA 1

Iracema Macedo in Kriterion: Revista de Filosofia
Print ISSN 0100-512X
Kriterion vol.46 no.112 Belo Horizonte Dec. 2005, pp. 283-292.


"Nietzsche apresenta, no item 7 do ensaio Richard Wagner em Bayreuth, uma releitura do mito da caverna de Platão. Para ele, é como se a sociedade moderna estivesse envolvida pelas sombras, pelos fantoches, pela hipocrisia e mentira dos homens aprisionados na caverna. O artista seria então um indivíduo superior que teria acesso à verdade, à luz, à realidade e voltaria amorosamente ao subterrâneo para tentar libertar seus companheiros. "

ENTRANHA 2 Rua Augusta...

O prédio que habito é vetusto, dizem-no mesmo Pombalino e, quer goste, quer não, nele vivem baratas. Baratas, pronto. Não no meu apartamento, é verdade, pois os quatro gatos que nele também moram não as tolerariam mas, no prédio, elas, as baratas, existem: nas traves mestras, nos buracos que ninguém vê, nas saias dos fantasmas. Baratas, insectos enormes, negros e que, sujeitos à repentina luz correm desabrigados sem que se adivinhe se em frente, se para os lados ou ascendem às nuvens, tal a rapidez da descolagem. Baratas voadoras, terror absoluto dos que as admiram – pela sua proverbial resistência – mas não as querem para companhia.
Isto a propósito da barata, a do terceiro andar.
Não, não era uma barata, não pertencia à espécie vulgar das baratas, não possuía os mesmos interesses que as demais nem idêntico "pedigree".
Não.
O que vi, deslocando-se lenta e majestosa, pesada e solene, nem era uma rainha das baratas mas apenas a imperatriz negra do império do baratedo.
Velha, gasta, gigantesca – perdão, grandiosa – arrastava com a solenidade das ocasiões únicas o seu negro corpo – coberto por especial manto? - no tapete cinza do terceiro direito. E só. Sim, face a tal sumidade, o que mais admirava era a sua solidão no deserto do patamar. Sua real imperabarateza saia, sem guarda-costas nem segurança. Assim E lá ia, pernas para a frente, pernas para trás e eu, crente que não olha de frente o deus que o agracia, desviei pudico o olhar, tímido na sua presença, enquanto ela porventura perneava para o amante, escondido algures no tapete vizinho e sequioso daquele chegada. Um general barato? Ou magala bafejado pela baraturura imperial, como outrora – consta – os militares de Catarina, a russa?
Desci a escada no maior silêncio, metido nos meus descaídos passos, eu, um mero inquilino do quinto esquerdo.

5/16/2008

TEATRO 2 "CASEMOS!" pelo TEATRO da UITI (Teatro Universitário da Universidade Internacional da Terceira Idade de Lisboa)

A peça estreia do Teatro da UITI "Casemos", baseada nas personagens da Commedia dell' Arte, encenada por mim, ante-estreou hoje na Mostra de Teatro 2008, organização da Junta de Freguesia do Lumiar, na sala da Academia Musical 1º de Junho, em Lisboa.
Casaram dezoito espectadores (um par de nubentes duas vezes). D. Albertina Marques foi a noiva do Grupo em serviço aos desamparados de par.
A Junta ofereceu ao Teatro da UITI uma estatueta comemorativa.

TEATRO 3 "A Perca" nos "Anos Sessenta" vista por...

A "A Perca", na sua segunda encenação pelo autor, exibiu-se ontem no bar "Anos Sessenta", na Mouraria, interpretada por Margarida Diogo e António Craveiro.
A sessão, para um numeroso grupo dos seus frequentadores habituais, realizada à porta fechada e promovida pela Teresa Palma Fernandes foi muito aplaudida. O autor/encenador assistiu (sentindo-se entretanto "muito" autor/encenador.)

5/14/2008

ENTRANHA 3 Rua Augusta... (5)

Retrato de Portugal na Rua Augusta
D. Rosa, vedeta que lá fora se incensa, canta à esmola porque no seu país ninguém a contrata. (E é ela a mais pura world-music singer portuguesa)
A criança que, aos quatro anos alguém pôs na rua, enquanto alguém colhia o bom metal, hoje adolescente, assim continua. Formação? Serve os que formam e ganham à bitola de Bruxelas.
- Está a fazer o dele!
Dizia um PSP ao escrevinhador nauseado desta crónica, o qual lhe chamava a atenção para o descalabro, era o ano da graça de 95 e decretava o primeiro de então a paixão pela educação.
A sem-abrigo da porta da Lisbonense dorme o resto do sono sentada num banco.
Os bancos, esses mesmos que desapareceram da transversal de Santa Justa, para que os pedintes os não usassem (e a freguesia dos Anjos fez o mesmo aos assentos que lhe rodeavam a igreja, pois neles sentavam os que comem na “sopa dos pobres”, mesmo ali ao lado)
Os canteiros das plantas ornamentais confundidos com lixeira e as flores entre cartões e coca-colas.
Os polícias que, ora aparecem aos magotes, ora ninguém os vê, e assim a indústria dos cãezinhos de cesto na boca, para gáudio de quem os explora e tortura, regista dividendos e maus exemplos (E nem uma só associação animal se pronuncie sobre o negócio)
Portugal, e estas suas élites: até quando?

5/02/2008

FUTUROLOGIA 1

AAVV, Os Próximos 50 Anos - A ciência na primeira metade do séc. XXI, organizado por BROCKMAN, John, Lisboa, ed. Esfera do Caos, 2008.
Lee Smolin, “O Futuro da Natureza do Universo” (pp.19-30):
“Existem, grosso modo, dois tipos de tais teorias multiverso. O primeiro limita-se a postular que o mundo consiste num numero elevado de Universos sendo as leis da natureza ou, pelo menos, os parâmetros de tais leis tomados ao acaso em cada um. Tal é casualmente designado por princípio antrópico. O segundo tipo de teoria postula a existência de um processo através do qual novos Universos nascem como resultado da formação de buracos negros. Esta teoria, designada selecção natural cosmológica, funciona de modo semelhante à biologia evolutiva, pois os tipos de Universos mais comuns são aqueles que produzem mais cópias de si mesmos.” (Pág. 30).

Martin Rees, “Desafios cosmológicos: estaremos sós e onde?” (pp. 31-40)
Mesmo se a vida em formas primitivas for comum no Universo, o aparecimento de formas avançadas de vida pode não o ser. Neste momento parece-me que a única posição racional sobre o assunto é o agnoticismo. Não sabemos o suficiente sobre as origens da vida – e ainda menos sobre se a evolução natural é “convergente” ou se produzirá resultados diferentes, se fosse reiniciada na Terra – para podermos aferir da possibilidade de alienígenas inteligentes.” (p. 32)

Brian Goddwin, “Nas sombras da Cultura” (pp. 51-60)
"Enquanto cientista, prefiro ter um bocadinho de sensação ou sentimento posto na matéria, de alguma forma, e permitir que seja ampliada em sistemas organizados de certo modo particulares - uma perspectiva que tem sido extensamente explorada nos escritos de filósofos como Alfred N. Whitehead (...) Charles Hartshorne (...) e David R. Griffinn.
(...) a nossa actual ciência das quantidades forneceu-nos a capacidade de produzir bens suficientes para satisfazer as necessidades de todos os habitantes do planeta mas legou-nos uma qualidade de vida em rápido declíneo a nível mundial. É possível perspectivar, à sombra da ciência actual, as componentes de uma ciência das qualidades que poderá restaurar as percepções qualitativas no lugar que ocupam no nosso quotidiano, onde as decisões dependem da qualidades, tal como de quantidade. Esta restauração, em conjunto com o reconhecimento de que os sentimentos não são nossa pertença exclusiva, mas pertencem também ao resto da natureza, seja em que forma for, oferece-nos um conjunto drasticamente transformado de possibilidades para o conhecimento científico, a tecnologia e a acção colectiva e política. Uma mudança desta importância na perspectiva científica não acontecerá da noite para o dia, se é que virá a acontecer. Requer novas formas de educação ao nível mais básico, em que as ciências e as artes sejam unidas para manter a integridade das pessoas, em que as tomadas de decisão científicas e tecnológicas exijam a participação de todos os membros da sociedade civil, e em que o conhecimento científico se alie novamente à acção responsável. Então a era em que vivemos será vista, de facto, como uma Idade das Trevas, mas uma era em que as sementes da transformação estavam já presentes e repousando dentro da sombra da Terra, onde Gaia, por assim dizer, as alimentava. (pp. 58/9).

Paul Bloom, “Em direcção a uma teoria do desenvolvimento moral” (pp.83-92)
“Enquanto escrevo este ensaio acaba de ser publicado um estudo que dá conta de uma investigação de larga escala sobre os efeitos da TV em 570 adolescentes. (…) Este relatório está cheio de implicações estratégicas que correspondem decorosamente ao senso comum: os programas educacionais são bons, os programas violentos são maus, e devíamos ter mais daqueles e menos destes. (…) Não precisamos de mais e mais estudos, o que necessitamos é de um teoria do desenvolvimento moral, esclarecida por trabalho interdisciplinar, incluindo a psicologia cognitiva e a teoria da evolução. Precisamos de uma teoria de desenvolvimento moral, ao nível da riqueza intelectual das nossas teorias de desenvolvimento da linguagem e do desenvolvimento da percepção. Apenas então podemos abordar com alguma sensatez estas questões da causalidade e da prevenção” (p. 89).

Geoffrey Miller,“A Ciência da Subtileza” (pp. 93-99)
“Eles não tinham medo de especular sobre a natureza das emoções, da estética, do amor, da visa familiar e até dos estados alterados.
Este tipo de psicologia desapareceu no séc. XX com a democratização associada à cultura de massa e com a ascensão do reducionismo e do positivismo na ciência. A psicologia alargou o seu leque – admitindo dentro das suas fronteiras as mulheres, as crianças, os proletários, os povos não ocidentais e os primatas – mas estreitou-se em substancia. Ao mesmo tempo, a indústria cultural alargou a sua clientela, com meios de comunicação como os filmes, a rádio e a televisão, substituindo a intimidade elitista do romance e do teatro. As descrições culturais da natureza humana mais estereotipadas e menos variadas. Paralelamente ocorreu uma simplificação grosseira do conteúdo da psicologia. (…) Positivismo, empirismo e reducionismo colocavam o onus da prova sobre aqueles que desejavam tomar em conta a consciencia humana: qualquer estado mental que não pudesse ser validado no laboratório era tido como irreal.
Em resumo, quer a cultura ocidental, quer a psicologia ocidental se americanizaram no séc. XX. Tornaram-se mais abrangentes, mas menos sofisticadas, mais objectivas nos métodos mas menos precisas nos resultados, mais progressistas politicamente mas menos humanas.
(…) Penso que será demonstrado nos próximos cinquenta anos que esta premissa é falsa. As novas tecnologias têm o potencial de validar uma gama muito maior de experiência subjectiva humana.
(…)Assim que a tecnologia melhorar e que sejamos capazes de seguir a expressão dos genes em tempo real abrir-se-à um mundo novo de complexidade psicológica.
(…) A minha esperança é que, quando os caloiros frequentarem a primeira cadeira de Psicologia em 2050, a sua reacção seja “Ah! É por isso que sentimos x quando acontece y” em vez da habitual resposta: “O que é que isto tem a ver com a vida real?” (p. 95/9)

Mihaly Czikszenmihalyi, “O Futuro da Felicidade” (pp.101-110)
“A forma como devemos utilizar a capacidade de controlo da composição genética da espécie humana é um assunto que assumirá uma importância central nos próximos cinquenta anos.” (p.101)

“Que tipos de seres humanos iremos criar? Cópias de carne e osso das nossas máquinas e dos nossos computadores? Ou seres com uma consciência aberta ao cosmos, organismos que evoluam alegremente em direcções sem precedentes?
A psicologia dá sinais de se estar a mover nesta última direcção. Em vários centros (…) tópicos como a sabedoria, os objectivos da vida, a motivação intrínseca, a espiritualidade – que estariam todos fora dos seus limites há algumas décadas atrás – estão a ser investigados por académicos sérios” (p.109)

Rodney Brooks, “A Unificação da Carne e das Máquinas” (pp.179-187)
“Há cinquenta anos, logo a seguir à Segunda Grande Guerra, houve uma transformação da engenharia. Até ai, a engenharia tinha sido uma actividade centrada nas máquinas mas, por volta de 1950, transformou-se numa disciplina baseada na física. Estamos actualmente a assistir a uma nova transformação da engenharia, desta vez numa disciplina essencialmente baseada na biologia. (…) No laboratório de inteligência artificial do MIT, de que sou director, assisto todos os dias aos sinais dessa transformação. (…) O nosso objectivo, num prazo de trinta anos, é conseguir uma manipulação da genética dos sistemas vivos de tal forma refinada que, em vez de fazer crescer uma árvore, cortá-la e construir uma mesa, a partir dai sejamos capazes de fazer crescer directamente a mesa. (…) Fazemos cultivo de células musculares e utilizamo-las como controladoras do movimento em aparelhos simples, precursores das próteses que serão instaladas sem costura em corpos humanos deficientes.” (p. 182)




“Alguns tetraplégicos com lesões em pontos muito elevados da coluna (…) de tal forma a impedir que falem ou controlem a sua respiração, precisando de um ventilador, serão agora capazes, através de implantes neurais nos seus cérebros, de comandar um rato de computador apenas pelo pensamento” (p. 184)

“No futuro faremos criação de muito daquilo que hoje fabricamos, através da utilização de organismos geneticamente modificados que efectuarão manipulações moleculares sob o nosso comando digital. Os nossos corpos e a matéria-prima das nossas fábricas serão a mesma coisa. Talvez consigamos mantê-los separados nas nossas mentes, tal como hoje distinguimos o nosso contexto do contexto das galinhas que criamos em aviários. Mas, da mesma forma que a sombra deste pensamento nos faz reflectir sobre a nossa própria existência confinada, haverá alterações na nossa perspectiva sobre nós próprios, enquanto espécie: começaremos a ver-nos, simplesmente, como parte da infra-estrutura da indústria.
Enquanto prossegue o trabalho científico e técnico, seremos confrontados permanentemente com o mesmo conjunto de questões inquietantes: o que é estar vivo? O que faz com que algo se torne “humano”? O que faz com que algo se torne “sub-humano”? O que é um super-humano? Que alterações da humanidade são aceitáveis? É eticamente legítimo manipular a vida humana para introduzir certas “correcções”? Que tipo de correcções? Que versão de “vida” e de “humano”? Que responsabilidade deve ter o cientista individual pelas formas de vida que manipula – ou que cria?
E estas questões não são colocadas apenas dentro dos limites bem-intencionados da ciência; são abordadas pela sociedade, em geral, e acompanhadas de todo o tipo de manifestações, desde o vandalismo até ao terrorismo e à guerra total.”, (pp. 186,7)

Peter Atkins, “O Futuro da Matéria”, pp. 189-207.
“Um problema teórico que atrai, actualmente, muita atenção é o seguinte: dada a sequência de aminoácidos que constituem uma cadeia polipeptídica (isto é, a coluna de uma proteína) que forma adopta a cadeia no seu ambiente natural? Esta é uma questão crucial em biologia molecular, uma vez que a forma de uma proteína determina efectivamente a sua função. Mesmo deixando de parte o extraordinariamente interessante conhecimento puro relacionado com a explicação da função pela composição, o estabelecimento da função pode ser encarado como uma componente essencial do Projecto do Genoma Humano, em que se pretende estabelecer a ligação entre a informação do ADN e as proteínas lá codificadas, assim como, posteriormente, com as funções que exercem em virtude da sua composição e da sua forma” (p.197)
“Obteremos então filmes, fotograma a fotograma do desenrolar de reacções e observaremos os átomos e as moléculas nos seus momentos mais íntimos, ganhando uma percepção verdadeira e profunda das formas da matéria que manipulamos com as nossas técnicas mágicas” (p. 198).


Roger C. Schank, “Vamos Ficar Mais Inteligentes?” (pp.199-207)
“À medida que as máquinas se tornarem omnipresentes e capazes de responder a questões sobre aquilo que nos preocupa, diminuirá o valor que damos ao facto de cada indivíduo ser um repositório de conhecimentos factuais. (…) O conhecimento deixará de ser visto como um produto a ser adquirido. Tudo aquilo que pode ser obtido facilmente tende a ser desvalorizado pela sociedade e assim acontecerá com o conhecimento. Aquilo que tenderá a ser valorizado serão as boas questões. “Olha que só com os computadores não vais longe”, ouviremos aconselhar. (…) A instrução significará - mesmo para crianças de 2 anos – explorar esferas de interesse com guias inteligentes disponíveis para responder às questões e para colocar questões novas” (…) As agências de certificação procupar-se-ão mais em conhecer aquilo que sabemos fazer – que indicadores virtuais de mérito foram alcançados – do que com as aulas que frequentámos” (p. 203).
”Começaremos a perceber, nos próximos 50 anos, que a experiência e a capacidade individual para entender o seu alcance constituem a medida última de inteligência e a expressão última de liberdade.
(…) Seremos capazes de ir onde desejarmos num dado dia e tudo o que as pessoas quererão saber será aonde é que estivemos e que experiências tivemos (…). Perceberemos que os factores para qualquer medida verdadeira de inteligência residem nas questões que permanecerem por responder e naqueles que são capazes de pensar correctamente sobre elas.” (p. 205)

“É aquilo que sabemos fazer, e não aquilo que conhecemos, que passará a interessar num sistema de ensino baseado em ambientes de funcionamentos realistas. (…) As nossas mentes serão educadas de forma diferente e o nosso mundo intelectual não será dominado, nem pelos humanistas, nem pelos cientistas mas pelos experimentalistas, aqueles que foram e fizeram e que, em resultado, se tornaram curiosos”.” (p.206)

Jaron Lanier, “O tecto da Complexidade” (pp.209-220)
“A realidade virtual é essencialmente o estudo científico dos limites do ilusionismo e não da redução da realidade física” (p. 210)

“Talvez no futuro haja um sistema operativo cujos componentes se reconheçam, interpretem e até se prevejam uns aos outros. Um tal sistema seria menos susceptível de falhas catastróficas. (p. 215).

“Uma ciência de computação e de informação nova teria de incorporar uma teoria da herança. Os espaços de configuração dos sistemas causais complexos são tão vastos que não podem ser entendidos como bibliotecas infinitas, uma vez que jamais haveria tempo ou energia suficientes para uma pesquisa útil. Stuart Kaufman gosta de sublinhar, por exemplo, que o nosso Universo não é suficientemente velho para ter tido sido capaz de explorar todas as proteínas possíveis com um tamanho razoável. Os sistemas complexos acumulam, pois, heranças que restrigem o tamanho das explorações de espaços de configurações subsequentes. Devemos aprender a abandonar a ilusão que somos capazes de levar a melhor sobre as heranças. Esta é a ilusão que está em jogo, quando especialistas em tecnologia, propõem acrescentos radicais ao metabolismo humano ou à estrutura do cérebro.” (p. 217)

“Uma herança cria um contexto imutável num sistema de informação. As heranças são complexas. Ao reduzirem o espaço de configuração de um sistema, actuam como lentes que ampliam o potencial causal de bits.
Dizer sim numa cerimónia de casamento tem mais consequências do que dizer o mesmo a um estranho que o aborda na rua e pergunta se tem fósforos. (…) De forma semelhante, o ADN apenas ganha significado no contexto de um embrião; um filamento isolado de ADN quase seguramente não conteria informação suficiente para que (…) alienígenas inteligentes (…) experimentassem recriar uma criatura” (p. 218)

“Uma nova ciência de computação poderá fazer uma incorporação útil de uma forma grosseira de compreensão dos sistemas naturais como sistemas de informação (…) Devemos aprender a analisar os sistemas naturais de acordo com o potencial causal. Num instante qualquer, e apenas uma pequena parte de matéria ou de energia de um sistema afectará significativamente o futuro desse sistema – particularmente se se trata de um ser vivo. E mesmo ai há diferenças de grau: uma pequena mudança numa sinapse pode significar muito mais do que uma mudança semelhante na superfície de uma célula da pele.
Stuart Kaufman propôs que a vida poderia ser definida como um processo que se auto-reproduz e executa um ciclo de trabalho de Carnot (o modelo clássico para transformar energia em trabalho)” (p. 218)

“Daqui a cinquenta anos, se tivermos sorte, poderemos (…) aprender a ver o mundo, até certo nível, a partir do ponto de vista da evolução, em vez de a partir do ponto de vista da molécula ou do organismo.
(…) Ser capaz de explicar aquilo que hoje são aspectos misteriosos da biologia não os colocará automaticamente sobre o nosso controlo. Em vez disso é possível que venhamos a descobrir quais os aspectos da biologia que são irredutivelmente complexos (…) Numa ampla gamas de explorações, desde a economia à agricultura, estaremos limitados pelo tectos de complexidade – barreiras que não são necessariamente destruídas pela construção de computadores maiores e mais rápidos. Começaremos a perceber os tectos de complexidade como as verdadeiras limitações às nossas possibilidades.” (pp. 219,20)

David Gelernt, “Ligando os feixes” (pp.221-232)
“O estado da tecnologia daqui a cinquenta anos dependerá do software que inventarmos.” (p.222)

“O ambiente de trabalho, o sistema de ficheiros, a interface gráfica (…) são idênticos aos que existiam há década e meia. A única alteração substancial da nossa qualidade de vida computacional foi a web, mas a web é software, não é hardware.
(…) a sociedade substitui algo quando encontra algo melhor e não quando encontra algo mais recente. Não espero que seja tudo diferente daqui a cinquenta anos. Aquilo que é fundamental permanece.” (p.223)

“Os ganhos tangíveis levam sempre a melhor aos intangíveis (…) É por isso mesmo que 95% das universidades do mundo não existirão daqui a cinquenta anos. As escolas de topo subsistirão porque vendem algo tangível – o prestígio, que se traduz em emprego e em dinheiro. (p.231)

Joseph Ledoux, “Mente, Cérebro e Personalidade” (pp.233-242)
“A memória é um processo de ajustamento de ligações entre neurónios (…): os neurónios que estão envolvidos activamente na experiência sofrem certas alterações químicas que activam certos genes e desencadeiam, assim, a síntese das proteínas no interior destas células activas. As proteínas são depois enviadas para as sinapses activas das células activas, onde alteram a capacidade que estas sinapses, e apenas estas, têm de receber mensagens dos neurónios com os quais se encontram ligadas. A memória está encarnada nestas alterações. (p.236)

“Antes da festa tomamos uma pastilha com glutamato ou outras moléculas (…) e tudo quanto aconteça ficará gravado nos nossos circuitos com o mais nítido detalhe” (p. 238)

“À medida que aprendemos mais sobre a forma como o cérebro funciona (…) as defesas [jurídicas] sustentadas na neurologia tornar-se-ão mais comuns.

Samuel Barondes, “Medicamentos, ADN e o sofá do psicanalista” (pp. 253-261)
“Daqui a cinquenta anos as razões para uma consulta psiquiátrica não se terão alterado.(…) Mas daqui a cinquenta anos qualquer um que visite um psiquiatra trará consigo uma nova fonte de informação – uma palavra passe que fornecerá acesso ao seu ficheiro do ADN individual no computador do Serviço Nacional de Saúde.” (p.259)

Nancy Etcoff, “Escrutínio do cérebro, adereços e escontros breves” (pp. 263-273)
“No seu artigo “Onde é que sobreviverá a psicanálise” o psiquiatra Alan Stone conclui: “A psicanálise, quer como teoria, quer como prática, é uma arte que pertence às humanidades e não às ciências. Está mais próxima da literatura do que da ciência.” À medida que Freud se muda para as artes e para as humanidades, Darwin mudar-se-à para as ciências do comportamento e para a medicina. Daqui a cinquenta anos, a medicina darwiniana fornecerá o enquadramento deste campo. O cérebro, como qualquer outro órgão, foi moldado pela selecção natural e desenvolveu módulos mentais que aumentam a boa forma reprodutiva e ajudam a garantir a sobrevivência. A prática da psicoterapia será reorientada do foco nas doenças para o foco das vulnerabilidades, dos sintomas para as defesas adaptáveis, e de uma centralização exclusiva na história individual para um exame dos aspectos não individuais da experiência humana” (p.268) .






5/01/2008

O Artista gere gelado o rubro das suas emoções.
kriu

TEATRO 4 Sim, eu vi "Bonifácio do Paraíso"! (foto Paulo Marques)


Rua Augusta 4 "A Camponeza foi..."


A leitaria “A Camponeza”, na Rua do Arco do Bandeira, foi.
Retirou o aviso “fechado para melhoramentos” e abriu de novo as portas.
Em vez dos azulejos que vislumbravam alto a baixo as paredes tem agora umas placas sintéticas  e, da velha arquitectura, conserva dois painéis – ainda em azulejo – revalorizados já pela sua escassa quantidade. No tecto subsistem frisos da antiga forma.
De “A Camponeza”, quem não saiba o que foi, dirá que abriu pela primeira vez ontem as portas. Outrora as paredes eram cobertas de azulejos. Agora são iguais a quaisquer outras feitas em série. Em Paris as pastelarias também usam o mesmo tipo de painel.

"A Camponeza" foi.

4/28/2008

CAPITALISMO 3


GAGGI, Massimo e NARDUZZI, Edoardo, Low Cost O Fim da Classe Média, Ed. Teorema, 2008
“a filosofia do low cost invadirá inevitavelmente a esfera pública: para quem governa o Estado isto significa repensar a oferta levando em linha de conta a menor disponibilidade da classe da massa para suportar o ónus do seu financiamento. Por outras palavras, terá de surgir a capacidade de pôr em marcha um welfare igualmente low cost. (p. 11)

“Em suma: a Europa que “inventou” a classe média pode sobreviver ao fim dela. Chefias políticas desligadas da vida política do momento, e capazes de ler a realidade e as soluções possíveis numa perspectiva histórica, estão em condições de contribuir para o governo da sociedade low cost, mitigando a sua natural tendência para o excesso de consumismo – para o totalitarismo consumista, podemos dizer – e, portanto, para a perda de valores diferentes do simples preço de um bem ou de um serviço.
A sociedade low cost é já uma realidade, mas é um modelo incompleto, incapaz de ver o humano na sua integridade e complexidade. O capitalismo selvático e os sistemas económicos dinâmicos, mas não democráticos, não poderão, com certeza, curar-lhe as patologias. Esta nova realidade social necessita, pois, de humanização, valor plurissecular de identidade ocidental. O neo-humanismo da sociedade low cost.” (p. 166).

FILOSOFIA 2

NIETZSCHE, Friedrick, Obras Escolhidas, volume dois, Humano, Demasiado Humano, Relógio d’ Água, data a ver

"Deveria considerar-se um escritor como um malfeitor que, so nos casos mais raros, merece absolvição ou indulto: seria uma maneira de combater a multiplicação excessiva de livros" (p. 180)

"Os bobos das cortes medievais correspondem aos nossos folhetinistas; é o mesmo género de homens, semi-inteligentes, chocarreiros, exagerados, tolos que só servem para, uma vez por outra, mitigarem o patético do ambiente por meio de piadas e de palreio e ensurdecerem com a gritaria o som demasiado pesado e solene dos sinos que acompanham os grandes acontecimentos: outrora, ao serviço dos príncipes e dos nobres, agora a serviço dos partidos (tal como no espírito de partido e na disciplina de partido ainda hoje sobrevive uma boa parte da antiga sujeição nas relações do povo com o príncipe.) Mas toda a moderna casta de literatos, estão muito mais próximos dos folhetinistas; são os “bobos da cultura moderna” que a gente julga mais benevolentemente, se os tomar como não estando no pleno gozo das suas faculdades mentais. Considerar a actividade de escritor como profissão permanente deveria em boa verdade, passar por uma espécie de loucura." (p. 181)


4/26/2008

CAPITALISMO 4

LOPEZ-SÉBILLE, Philippe, Geopolíticas do Petróleo, ed. Piaget, 2006.
“a ausência de um fórum internacional dedicado a uma cooperação indispensável sobre a situação e as perspectivas do mercado petrolífero fez-se duramente sentir.” (Pág. 394).

“Paralelamente a esta subida de preços, provocada basicamente por um consumo cada vez mais elevado, as emissões de gases com efeito de estufa aumentam também consequentemente. Esta bulimia petrolífera mundial corre o risco de ser duplamente custosa.
Para muitos analistas (…) o recurso ao petróleo corre o risco de ser limitado mais pelas restrições ligadas aos gases com efeito de estufa do que pela rarefacção de recursos.” (Pág. 395).

“É comum citarem-se duas causas principais na origem do mau desenvolvimento de muitos países produtores de petróleo: (…) deixar perigar a maior parte das actividades económicas do país apoiando-se sempre mais nos rendimentos do petróleo; as receitas (do petróleo) não incidem no desenvolvimento de outras fontes de riqueza (…) a opacidade que preside à atribuição das concessões e dos contratos petrolíferos ou a gestão danosa das receitas do petróleo (…) estimula uma corrupção já omnipresente nos aparelhos de Estado. (…) Sem uma plena e inteira colaboração dos governos, sinónimo de um abandono voluntário de soberania, o petróleo como outros recursos minerais em África e noutros lugares, pode ajudar a sair do subdesenvolvimento? O EITI foi criado para responder afirmativamente a esta questão. Esta iniciativa de várias ONGs (…) visa reforçar a transparência das operações financeiras entre companhias extractoras e os Estados. (…) Sobressaem disparidades de transparência de um país para o outro, de uma companhia para outra. Este aspecto pode fazer pensar que, em função do seu peso na produção do país, da importância do país na sua estratégia de conjunto e, claro está, dos dirigentes do país, as companhias elaboram diferentes normas e que, em matéria de transparência, não pode haver uma regra.” (Pág. 399, 400)

“É evidente que o EITI é o primeiro passo no bom sentido, mas há um caminho muito longo” (Pág. 401)

“Esta falta global de transparência a todos os níveis do negócio sublinha a pouca fiabilidade de certas previsões estatísticas dos Estados produtores, ainda que toda a gente esteja mais ou menos de acordo sobre os volumes globais. No fundo o sistema assenta quase exclusivamente nas declarações dos principais intervenientes, não verificáveis e não verificadas de maneira independente.” (…) A prioridade actual, na falta de uma solução milagrosa, consiste em desenvolver urgentemente (…) “carburantes verdes”. (Pág. 402).

”A crise que actualmente atravessamos ainda não é um choque petrolífero mas antes um aviso. Provocará algumas mudanças num sistema global que apresenta tão ostensivamente os seus limites? Dará início a um debate de fundo mais alargado, seguido por medidas concretas sobre as energias, uma melhor utilização dos recursos petrolíferos e uma certa forma de antecipação do depois do petróleo? Tantas novas incertezas… Contudo quem é que molda simultaneamente os nossos modelos de sociedade e alimenta o seu crescimento económico, sem falar de eventuais perspectivas de desenvolvimento nos países que, neste momento ainda estão privados dele? O consumo de energia.
Em África há sol, rios, vento e também petróleo e gás mas, na melhor das hipóteses, para outros mercados: apenas 10% da população têm acesso à electricidade (…) De que tipo de desenvolvimento é que se fala há quarenta anos, e como travar a imigração nestas condições?” (Págs. 406/7)

4/25/2008

ENTRANHA 5 Rua Augusta... (3)

Receita para dinheiro

Ingredientes:
- um menor
- um acordeão
- um cãozito
- um cesto pequeno
- transeuntes mal formados.

Torture-se privadamente o cãozito para que permaneça imóvel e de cesto na boca horas a fio.
Ate-se o menor ao acordeão para que do instrumento saia qualquer coisa que pareça música.
Se a receita for bem preparada, os transeuntes mal formados colocarão moedas no cesto, indiferentes:
- Ao adulto que repimpadamente recolhe em casa o dinheiro do negócio.
- À tortura do cão.
Também se pode juntar ao cozinhado, em guisa de molho, uns tantos aue fotografam a cena, levados pela “beleza” do quadro.
Serve-se frio diariamente na Rua Augusta – ou no metro – perante a mudez das associações animais e do fisco.

4/24/2008

ENTRANHA 6 Rua Augusta (2)

Nada é vão.
Esperava chegar ao contentor do entulho e, juntamente com as demais inutilidades que o tempo fabricou, atirar com um dos troféus ganhos num concurso de encenação, onde me atribuíram o segundo e o primeiro prémios - a estatueta relativa a este último safou-se do lixo porque no gabinete do conselho executivo da escola - a Passos Manuel - que então representava - mas pensava eu que, chegando ao entulho, a coisa correria calma, discreta e mesmo silenciosa, apesar do que carregava: um candeeiro, uma tenda, enfim, uma colecção de tralha, como num jogo de bonecas russas: difícil é deitar fora a primeira.
E todavia...
Todavia, no entulho, numa rua traseira à Augusta, logo dei com um grupo de imigrantes, porventura ciganos, metidos no contentor.
- Traz roupa, senhor? - perguntou um.
Não sou parvo, acho-me mesmo lúcido e desfazer-se de troféus exige despojamento. Mas praticá-lo perante os olhos ávidos de uma chusma de miseráveis é vitória sobre si próprio ou já vaidade redundante? E não desvalorizei eu o troféu - e ao seu companheiro primeiro, lá na escola porventura ainda a salvo - no dia em que os mesmos que, em nome das tais habilidades teatrais, mo entregaram, me recusaram um apoio para encenar?
Atacado por vozes e gente, já num turbilhão de sentimentos, atirei o símbolo para o contentor e logo mãos ávidas o agarraram:
- É pesado, senhor!
- E maciço! – desabafou outro.
Na hora da despedida o meu "óscar" teve finalmente a sua consagração.
Nada é vão.

4/22/2008

BIOLOGIA 2

RIDLEY, Matt, A Rainha das Copas, o sexo e a evolução da natureza humana, Ed. Gradiva, 2004
“À medida que a vida emergiu do caldo original há vários milhares de milhões de anos, as moléculas que se multiplicaram à custa de outras tornaram-se mais numerosas. Depois algumas dessas moléculas descobriram as virtudes da cooperação e por isso começaram a juntar-se em grupos, chamados cromossomas, para gerirem máquinas chamadas células, que podiam replicar esses cromossomas eficientemente. Do mesmo modo, pequenos grupos de agricultores juntaram-se a ferreiros e carpinteiros para formarem unidades cooperativas chamadas aldeias. Os cromossomas descobriram depois que vários tipos de células podiam formar uma supercélula do mesmo modo que as aldeias começaram a juntar-se, formando tribos. Foi esta a invenção da célula moderna a partir de uma equipa de bactérias diferentes. Depois, as células agregaram-se para formarem animais, plantas e fungos, grandes conglomerados de conglomerados de genes, tal como as tribos se fundiam em países e os países em impérios. Nada disto teria sido possível para a sociedade sem leis que forçassem o interesse social sobre o impulso egoísta do indivíduo, sendo o mesmo válido para os genes. Um gene tem apenas um critério pelo qual é julgado pela posteridade: tornou-se um ancestral de outros genes. Em larga medida tem de o conseguir à custa de outros genes, tal como um humano adquire riqueza principalmente ao persuadir outros a separarem-se dela (legal ou ilegalmente).” (Pág. 104)

Na actualidade existem 3 equipas de cientistas americanos que procuram o “gene da homosexualidade” (…) A mais apelativa das novas evidencias sobre o gene homossexual é que os gémeos falsos, que se desenvolveram no útero e foram criados no mesmo ambiente familiar, apenas têm uma hipótese em quatro de partilharem o mesmo hábito homossexual. Por outro lado, os gémeos verdadeiros, criados no mesmo ambiente e com os mesmos genes, têm uma hipótese em duas de partilharem o mesmo hábito homossexual. Se um gémeo verdadeiro é homossexual as hipóteses de o irmão gémeo também o ser são de 50%. (Pág. 295)

“Se as preferências sexuais dos humanos homossexuais são grandemente influenciadas (e não completamente determinadas) por um gene, então é provável que as preferências dos heterossexuais também o sejam. (Pág. 296).

“apenas compreendendo como é que evoluiu a atracção sexual será possível fazer sentido a mistura de cultura e instinto e compreender porque mudam certas características como a moda e outras resistem.” (Pág.297)

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