Thomas Edison
4/01/2008
3/31/2008
POEMA 3
sem sono
para ficar
a lembrar-me
das coisas boas
deitada
dentro da cama
às escuras
de olhos fechados
abraçada a mim
(Adília Lopes, in Caras Baratas, Relógio d' Água)
3/30/2008
CAPITALISMO 6
Os mercados tornam-se demasiado grandes, complexos e acelerados para estarem sujeitos à supervisão e às normas do século XX. Não admira, então, que este monstro financeiro globalizado ultrapasse a plena compreensão até dos mais sofisticados participantes no mercado. Os reguladores financeiros têm de fiscalizar um sistema bem mais complexo do que o existente quando as normas que regiam os mercados financeiros começaram por ser escritas. Hoje, a fiscalização destas transacções processa-se essencialmente através da vigilância individual dos parceiros intervenientes no mercado. Cada entidade de crédito protege os seus accionistas e controla as posições dos investimentos dos seus clientes. Os reguladores podem continuar a fingir que fiscalizam mas as suas capacidades estão muito diminuídas e tendem a reduzir-se ainda mais. Durante mais de dezoito anos, eu e os meus colegas do Conselho de Governadores presidimos a grande parte deste processo no FED. Só tardiamente nos apercebemos de que o poder de regular administrativamente estava a desaparecer. (…) Dado os mercados se terem tornado demasiado complexos para a intervenção humana eficaz, as políticas anti-crise mais promissoras são aquelas que mantêm a máxima flexibilidade do mercado, liberdade de acção para os principais participantes no mercado, como os fundos de risco, os fundos privados de acções e os bancos de investimento.
(…)Muitos críticos acham perturbadora esta confiança na mão invisível como precaução e reforço, perguntam-se não deveriam os agentes financeiros mundiais como os ministros das Finanças e banqueiros centrais procurar regulamentar esta nova e imensa presença global? Há quem defenda que, se não fizer bem, a regulação global não fará mal. Mas faz. A regulação, pela sua própria natureza, inibe a liberdade de acção do mercado e é essa liberdade de agir expeditamente que reequilibra o mercado. Elimine-se a liberdade e todo o processo de equilíbrio do mercado é posto em risco. (…) No mundo dos nossos dias, não consigo ver de que forma um aumento de regulação governamental poderia ajudar. A recolha de dados sobre os balancetes dos fundos de risco, por exemplo, seria inútil uma vez que provavelmente estariam obsoletos antes de a tinta secar. Deveríamos criar um sistema de informação global com as posições dos fundos de risco e fundos de acções privadas para ver se existem quaisquer concentrações que possam indiciar riscos de implosões financeiras? Há quase seis décadas que lido com relatórios dos mercados financeiros. Não conseguiria determinar através desses relatórios, se as concentrações de posições reflectiam de facto a actividade que compete aos mercados – eliminar os desequilíbrios do sistema – ou se estaria para surgir algum negócio perigoso. Surpreende-me-ia deveras se alguém o conseguisse. Na verdade a “mão invisível” pressupõe que os participantes no mercado ajam de acordo com os seus interesses. E há ocasiões em que as pessoas correm riscos manifestamente desnecessários. (…) Globalmente, o quadro de problemas financeiros com que o próximo quarto de século se confronta não é muito risonho. No entanto já suportámos bem pior. Nenhum deles afectarão para sempre as nossas instituições, nem sequer é provável que derrubem a economia americana do seu lugar de liderança mundial. (Págs. 524/526)
3/29/2008
BIOLOGIA 2
(…) num estudo recente sobre a selecção de parceiros na América, os biólogos evolucionistas Peter Buston e Stephen Emlen dizem que os homens e as mulheres jovens (…) escolhem pessoas com as mesmas características. (…) O espelho fala. Homens e mulheres também tendem para ter amantes que partilhem o mesmo sentido de humor, que têm valores sociais e políticos semelhantes, e para indivíduos que tenham opiniões idênticas acerca da vida, em geral. Digno de nota é o facto de os cientistas terem determinado que muitas dessas características, incluindo os interesses ocupacionais de cada um, que se faz nas horas de lazer, muitas das nossas atitudes sociais, até a firmeza da nossa fé em Deus, são influenciadas pelos nossos genes. Portanto, os tipos genéticos tendem uns para os outros; temos tendência para sermos atraídos por pessoas como nós. (…) A preferência por parceiros semelhantes a nós é, provavelmente, bagagem que acompanha o processo evolutivo. Porquê? Porque um feto e a sua mãe são estranhos um ao outro. Se partilharem uma composição química semelhante, a mãe terá o tempo mais facilitado enquanto carregar o filho no ventre. Com efeito, parceiros geneticamente semelhantes registam menos abortos espontâneos e geram bebés que são também mais saudáveis.” (pág. 109)
(Sob a rubrica “Amor sem idade”):
“Hoje há muito mais pessoas idosas que vivem sós, em vez de viverem com os filhos. E são saudáveis. De facto, alguns demógrafos dizem que devemos começar a pensar em estender a meia-idade para os 85 anos, em grande parte porque 40% dos homens e mulheres com essa idade são perfeitamente funcionais. A humanidade está a ganhar tempo para amar.
A tecnologia está a ajudar. Hoje, cremes e pensos de testoterona mantêm o impulso sexual activo. O viagra e outros medicamentos permitem aos séniores, na grande maioria homens, ter um bom desempenho na cama. (…) Começamos cedo também. Na sociedade dos caçadores colectores as crianças começam muitas vezes a brincar ao sexo e ao amor com a tenra idade de cinco ou seis anos.
(…) “Na verdade estamos constituídos de modo a poder amar em qualquer idade. As crianças apaixonam-se. Num estudo notável sobre o amor romântico na infância, o número de jovenzinhos de cinco anos que declarou já se ter apaixonado foi igual aos dos de dezoito anos. (…) Curiosamente, um estudo que abrangeu 255 pessoas, entre adolescentes, adultos jovens, homens e mulheres de meia-idade e cidadãos séniores, os cientistas não encontraram nenhuma diferença generalizada na intensidade da paixão de cada grupo: homens e mulheres amavam com igual força, quer tivessem sessenta, quer tivessem dezasseis anos. As pessoas mais velhas fazem coisas mais variadas e mais imaginativas juntas. Mas a idade não faz diferença nos sentimentos de amor romântico” (Págs. 209/10)
GESTÃO 5
"
POEMA 4
3/28/2008
ARTE 2
Confesso que não sei onde fui buscar este naco, que recuperei da lixeira. Será H. Eco?
“Um outro problema que a teoria da arte debate, e também aqui sem satisfazer plenamente as novas exigências manifestadas pela prática e pela auto consciência dos poetas, é o problema da ideia exemplar em função da qual o artista trabalha, e por isso o problema da invenção. Durante o desenvolvimento da estética antiga, o conceito platónico da ideia, servido originariamente para desvalorizar a arte, torna-se cada vez mais conceito estético, apto a significar o fantasma interior do artista. Todo o helenismo tinha efectuado uma revolução teorética do trabalho do artista, e cada vez mais se inclinava a pensar que ele fosse capaz de propor uma imagem ideal de beleza desconhecida na natureza. Com Filóstrato pensa-se agora que o artista se pode emancipar dos modelos sensíveis e das percepções habituais. Entra em vigor um conceito de fantasia que contém já – segundo alguns intérpretes modernos – todos os pressupostos de uma estética da intuição (Cf. Rostagni, A., Sulle tracce di un’ estetica dell’ intuizione presso gli antichi, in Sritti minori. Aesthetica, Turim, bottega d’ Erasmo, 1955. pág. 356) Os estóicos contribuem para este desenvolvimento com o seu inatismo e Cícero, no De Oratore, expõe uma doutrina do fantasma interior melhor que toda a realidade sensível”.
3/27/2008
ALTERNATIVA 2
“Apesar de essas organizações estarem longe de ser recentes, esta mobilização dos cidadãos a nível mundial é nova em vários aspectos:
1. Está a ocorrer a escala nunca antes vista.
2. As organizações são globalmente mais diversas e díspares que no passado.
3. Cada vez mais encontramos organizações que passam das soluções de “tapa buracos” para abordagens sistémicas dos problemas – oferecendo melhores receitas e não apenas comida.
4. As organizações de cidadania estão menos ligadas à Igreja e ao Estado e, na verdade, exercem uma pressão considerável sobre os governos (como se viu com a Campanha Internacional Para a Proibição das Minas Terrestres e com a criação do Tribunal Penal Internacional.)
5. Estão a fazer parcerias com empresas, instituições académicas e governos – criando novos mercados e segmentos de actividade de impacto social híbrido, acumulando uma diversidade de experiências para a resolução de problemas e alterando a forma como os governos funcionam.
6. Devido às lutas por posições que normalmente ocorrem quando um sector que era restrito passa a ser de “entrada livre”, e novos jogadores entram em campo, o sector da cidadania está a aproveitar os efeitos benéficos do empreendedorismo, maior concorrência e colaboração e uma crescente preocupação com o desempenho.” (págs. 31/2)
“Aos cidadãos que procuram criar organizações não basta ter liberdade; é preciso dinheiro. Tem de haver um excedente de riqueza na economia para financiar o seu desempenho. (…) Actualmente existem muitas organizações de cidadania que estão a desenvolver mecanismos para gerar a sua própria riqueza, através de actividades lucrativas” (pág. 33)
3/25/2008
ARTE 3
TESTEMUNHOS 1
(Nota de kriu: “Papalagui” significa “homem branco” e estes discursos, transcritos por um europeu, foram feitos por Tuiavii à sua tribo, no regresso de uma viagem à Europa, no início do século XX, com o objectivo de contar o que viu.
Este Papalagui é, porventura, um best-seller editorial português. Li o Papalagui no final dos anos sessenta e tenho-o visto sucessivamente reeditado. )
“Os jornais são maus para o nosso espírito, não só porque relatam o que se passa mas também porque nos dizem o que devemos pensar disto ou daquilo, dos nossos chefes de tribo ou dos chefes de tribo doutras terras, e de todos os acontecimentos e acções dos homens. Os jornais gostariam que todos os homens pensassem o mesmo. Atacam a cabeça e os pensamentos do indivíduo. Pretendem que toda a gente tenha cabeça e pensamentos iguais aos deles. E sabem como levar isso a cabo. Quem leia, pela manhã, os muitos papéis saberá o que, ao meio-dia, o Papalagui tem na cabeça e o que pensa” (pág. 62)
“Todos os Papalaguis têm uma profissão. É difícil de explicar o que isso é. É qualquer coisa que uma pessoa devia ter vontade de fazer, mas raramente tem. (…) Há entre os Papalaguis tantas profissões quantas pedras há na lagoa. (…) O Papalagui transforma tudo quanto o homem é capaz de fazer numa profissão.(…)É raro que um Papalagui adulto saiba ainda dar trambolhões ou fazer cabriolas como uma criança. Ao andar arrasta o corpo, como se houvesse alguma coisa pesada a entravar-lhe os movimentos. (…) A profissão é, também ela, um aitu que dá cabo da vida, e promete belas coisas ao homem e ao mesmo tempo que lhe suga o sangue” (Págs. 52/54)
3/24/2008
ROCK 1
FOWLIE, Wallace, Rimbaud e Jim Morrison, os poetas rebeldes, Rio de Janeiro, Elsevier Editora, 2005.
(S/ o concerto de Miami, em 1 de Março de 1969):
"O estado de embriaguês por si só provavelmente não era suficiente para justificar o comportamento obsceno de Jim. Graças a Artaud, ele havia se interessado pelo Living Theatre, de Julien Beck e sua esposa, Judith Molina. Era comum os atores subirem nus ao palco, onde encenavam as suas peças e improvisavam esquetes. A explicação que J. Beck oferecia para aquele comportamento era a mesma de Artaud: a necessidade de sacudir o público, de retirá-lo do seu costumeiro estado semiletárgico. Jim estava desmoralizado e fez o melhor que pode para desmoralizar o público. Existem diversas versões para o incidente e todas concordam que o que transpareceu aquela noite em Miami interrompeu em definitivo a trajectória do grupo. Jim incentivou os fans a subirem ao palco. Jim e um policial trocaram de quepe. Jim foi jogado na plateia onde organizou um trem humano. A fila que se formou atrás dele era enorme. De volta ao palco, Jim arrancou a camisa e a jogou para a multidão. Começou a abrir as calças e mais tarde declarou que acreditava ter-se mostrado.
Quando foi expedida a ordem de prisão, ele foi acusado de atentado violento ao pudor, acto obsceno e de simular sexo oral. O caso foi noticiado em toda a parte. "O Rei Lagarto se despe." Imediatamente uma grande turnê dos Doors que correria vinte cidades foi cancelada. (...) Os Doors foram banidos em toda a parte. O presidente Nixon deu o seu apoio aos organizadores de manifestações que condenavam o grupo. (Págs. 118/9)
S/ o concerto no México, em Junho de 1969:
"Danny Sugerman conta que foi das melhores apresentações de toda a história da banda. Jim tinha deixado crescer a barba e foi recebido calorosamente, apesar da publiciade negativa. Na primeira noite os mexicamos pareceram não ter entendido "The End". Mas nas noites seguintes, eles pediram a música. Quando Jim cantava "Father/yes son" os rapazes respondiam em uníssono os versos seguintes: "I want to kill you". ("Pai, quero matar-te" n.k.)
(...) Parecia que o escândalo de Miami havia sido superado. Um ensaio escrito por um jovem dramaturgo, Harvey Perr, publicado no Los Angeles Free Press, apresentava uma visão inédita sobre os The Doors. Perr falou da simpliciade das músicas. Foi dos primeiros críticos a ver em Jim um autêntico poeta americano da linhagem de Walt Whitman. Para ele, a mensagem revolucionária da música dos The Doors transcendia o rock, que seria uma forma de expressão mais limitada." (Págs. 119/20).
Sangue nas ruas da cidade de Chicago
Indios espalhados pelas estradas ao raiar do dia
Sangue nas ruas da cidade de New Haven
3/23/2008
EDUCAÇÃO 1
(…) Sente-se no chão (…) e feche os olhos. Respire fundo algumas vezes e deixe o corpo relaxar. Mantenha a coluna o mais direita possível e pouse as mãos descontraídas no colo ou nos joelhos. Agora concentre toda a atenção na forma como respira. “Veja” o ar entrar pelas narinas a cada inspiração e sair de novo a cada expiração. Se quiser pode contar os tempos “um” para a inspiração, “dois” para a expiração, “três” para a inspiração seguinte, etc., recomeçando de princípio quando tiver contado até dez.
Prossiga com a mesma actividade durante vinte a trinta minutos, esforçando-se por se manter constantemente concentrado na respiração. É uma técnica que irá dominar com a prática e, de início, pode custar-lhe bastante manter a concentração. É natural que haja outros pensamentos a querer interrompê-lo (…) Ignore todas as distracções e volte a atenção uma vez mais para a forma como respira.
Quando terminar a sessão não salte como uma mola para regressar aos afazeres do seu dia. Respire fundo e devagar mais algumas vezes, abra os olhos e deixe que a calma da meditação o acompanhe quando voltar às suas obrigações normais.
(…) Precisa de meditar todos os dias, de preferência duas vezes ao dia e deixar que os benefícios cheguem gradualmente, quando tiverem de chegar. Se assim fizer, irá perceber que ao fim de alguns meses a meditação melhora a sua vida, muito mais do que neste momento supõe. (Págs. 150/1)
3/21/2008
CAPITALISMO 7
“Achei que a sociedade aberta estava em perigo nos Estados Unidos – não tanto por causa dos ataques terroristas, mas antes devido à forma como o presidente Bush reagiu a esses ataques. (…) O presidente Bush resolveu invadir o Iraque com pretextos falsos. Quando a nação mais poderosa do mundo distorce a verdade, ignora a opinião mundial e insulta o direito internacional, a ordem mundial corre um grande perigo.” (pág. 135)
“Que acontece entre 1950 e 1980 aos Estados Unidos? (…) atribuiria a transformação sobretudo à ascensão do consumismo e à sua aplicação à política. Desde 1980 que a recusa de encarar a realidade tem sido exacerbada pela globalização. (…) A oferta e a procura deixaram de ser dadas de forma independente, porque a procura foi estimulada artificialmente e os mercados já não lidam com mercadorias mas sim com marcas. (…) As empresas já não supriam necessidades mas sim os desejos e manipulavam e estimulavam esses desejos. (…) Foi assim que se desenvolveu o consumismo. Foi fomentado pelas empresas na sua procura de lucros.
A pouco e pouco, os métodos desenvolvidos para uso comercial descobriram um mercado na política. Este facto alterou a política. A ideia original das eleições era que os candidatos se apresentavam e anunciavam aquilo que defendiam; o eleitorado escolheria então aquele de quem mais gostava. (…) Mas o processo foi corrompido pelos métodos adoptados da vida comercial: grupos-alvo e mensagens apelativas. Os políticos aprenderam a ir ao encontro dos desejos dos eleitores, em vez de proporem as políticas em que acreditavam. Os eleitores não deixaram de ser afectados. (...) Foi assim que a América se tornou hedonista. Foi fomentado pelos políticos que queriam ser eleitos (...) Os Estados Unidos foram também os grandes patrocinadores da globalização que, por sua vez, foi uma dávida para os Estados Unidos. Mas a posição dominante dos Estados Unidos não pode ser conservada por uma sociedade hedonista, incapaz de enfrentar realidades desagradáveis.” (págs. 164/5)
TESTEMUNHOS 2
FEYNMAN, Richard P., O significado de Tudo, Gradiva, 2ª ed. 2005 (três conferências proferidas em 1963.)
“A civilização ocidental, parece-me, assenta em duas grandes heranças: uma é o espírito científico, a aventura em direcção ao desconhecido, um desconhecido que tem de ser reconhecido como tal para ser explorado, a exigência de que os mistérios mais profundos do universo permanecem sem resposta, a atitude de que tudo é incerto. Em resumo: a humildade intelectual.
A outra grande herança é a ética cristã. A acção baseada no amor, a irmandade de todos os homens, o valor do indivíduo, a humildade do espírito. Estas duas heranças são lógica e profundamente consistentes. Mas não é tudo. Precisamos de coração para seguir uma ideia. Se as pessoas regressarem à religião a que estão a regressar? Será a igreja moderna um lugar que dê consolo a um homem que duvide de Deus? Mais, a um que não crê em Deus? Será a igreja moderna o lugar para confortar e encorajar alguém com estas dúvidas? Não teremos, até hoje, canalizado a força e consolo de cada uma destas heranças consistentes para atacar os valores da outra? Será isto inevitável? Como podemos canalizar a inspiração para sustentar estes dois pilares da civilização ocidental de modo que possam manter-se juntos com total vigor, sem receio um do outro? Isso não sei. Mas colocar esta interrogação é o melhor que posso fazer a propósito da relação entre a ciência e a religião que foi no passado, e ainda é, uma fonte de código moral, bem como de inspiração para seguir esse código.” (Págs. 56/7)
“Suponhamos que dois políticos concorrem à presidência e no contacto com os agricultores lhes perguntam: “o que tenciona fazer a propósito da questão agrícola?” Um deles sabe imediatamente o que deve fazer e responde – bang, bang, bang. O outro concorrente, por sua vez, afirma: “Bem, não sei. Sou general e nada sei de agricultura. Mas parece-me ser um problema muito difícil. (…) Portanto a maneira como entendo resolver o problema da agricultura é rodear-me das pessoas que sabem algo sobre ele, estudar todas as experiências que foram tentadas e despender algum tempo a ponderar e a tentar chegar a alguma conclusão sobre a possível solução de um modo razoável, não posso dizer-lhes agora, antecipadamente, qual vai ser essa conclusão mas posso indicar-lhes alguns princípios que tentarei seguir – não dificultar a vida dos agricultores individuais; se houver problemas arranjar um modo de tratar deles; etc.”.
É claro que neste país este homem nunca chegaria a lado algum. Faz parte da atitude mental da população o imperativo de responder e que um homem que dá uma resposta é melhor do que aquele que não responde, quando em muitos casos é precisamente o oposto. O resultado desta atitude é evidente, é que o político tem que dar uma resposta. E, resultado disso, é as promessas eleitorais nunca poderem ser cumpridas. É um facto mecânico: é impossível. E daí ninguém acreditar nas promessas eleitorais. E o resultado é o descrédito geral dos políticos, uma falta de respeito geral pelas pessoas que tentam resolver os problemas e a assim sucessivamente. Tudo isto é gerado desde o início (talvez – esta é uma análise simplificada). Talvez seja tudo gerado pelo facto de a atitude da população ser a de exigir uma resposta, em vez de tentar encontrar um homem que tenha uma maneira de chegar à resposta” (págs. 73/74)
“Portanto, em resumo, não pode provar-se nada a partir de uma ou duas ocorrências. Tudo deve ser cuidadosamente verificado. A não ser assim tornamo-nos naquelas pessoas que acreditam em toda a espécie de coisas loucas e não percebem nada do mundo em que vivem. Ninguém compreende o mundo em que vivemos mas alguns percebem bem mais do que outros” (pág. 90)
“O que estou a pedir em muitas direcções é uma honestidade humilde. Acho que devia haver uma honestidade mais humilde em questões políticas. E acho que desse modo seríamos mais livres.
Gostava de sublinhar que as pessoas não são honestas. Os cientistas também não são honestos. É inútil. Ninguém é honesto. Os cientistas não são honestos. E as pessoas habitualmente pensam que o são. Isso ainda é pior. Por honesto não pretendo dizer apenas que se diga a verdade. Mas que se esclareça toda a situação. Que se deixe bem claro toda a informação necessária para que alguém inteligente possa tirar as próprias conclusões.
Por exemplo, em relação aos testes nucleares não sei se sou a favor ou contra eles. (…) Por isso não estou a dizer de que lado estou. Por isso sobre este assunto, posso ser humildemente honesto. “ (Pág. 111)
“Há uma coisa sobre o futuro que vejo com optimismo. Acho que há muitas coisas a trabalhar na direcção correcta. Em primeiro lugar, o facto de haver tantas nações e de se darem ouvidos umas às outras em virtude da comunicação, mesmo que tentem fechar os ouvidos. Por isso, há toda a espécie de opiniões a circular e o resultado político é o de que é mais difícil eliminar as ideias. E algumas das dificuldades que os Russos estão a ter para controlar pessoas como o Sr. Nakhrasov são um tipo de dificuldades que espero continuem a desenvolver-se” (pág. 123)
“Portanto a questão consiste em saber se é possível fazer algo análogo (trabalhar por analogia) com os problemas morais. Creio que não é completamente impossível que haja acordos sobre as consequências, que concordemos com o resultado final, mas talvez não com as razões porque fazemos o que temos de fazer. (…) Considero, pois, a encíclica do papa João XXIII, que li, uma das mais importantes de todo o tempo e um grande passo em frente. Não consigo encontrar melhor expressão para as minhas crenças sobre a moralidade, os deveres e responsabilidades da humanidade, das pessoas umas com as outras, do que essa encíclica. Não concordo com alguma da maquinaria que sustenta algumas ideias, talvez imanem de Deus, pessoalmente não acredito (…) Não concordo mas não vou ridicularizá-lo nem sequer discutir. (…) E reconheço esta encíclica como o princípio, provavelmente de um futuro novo, em que talvez esqueçamos as teorias sobre as razões por que acreditamos nas coisas, dado que, no fim, e no que respeita à acção, acreditamos nas mesmas coisas” (Pág. 125)
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