3/20/2008

TEATRO 8 Ah, popularidade!!!

Isto porque tenho duas peças de m/ autoria ( devo ser o único desde o Bernardo Santareno que chegou a ter três) em cena, e em Lisboa, ao mesmo tempo. Imaginem só! As entrevistas que tenho dado!
Pois, "A Perca" mostra-se na Fábrica de Braço de Prata (frente aos correios de Poço do Bispo, bus 28/755) dias 4 e 5 (sexta e sábado) de Abril, depois vai para o auditório de Alfornelos, a 11/12 e 18/19, tb sextas e sábados. Intérpretes: Margarida Diogo e António Craveiro.
Quanto ao "bom" do "Bonifácio do Paraíso" (apesar de ter uma asa Preta) exibe-se igualmente na Fábrica Braço de Prata a 18 e 19 / 25 e 26 (sextas e sábados) de Abril e, em Maio, estará no Café Concerto - o Bonifácio gosta de copos e ele próprio confessa que os tomou com o Diabo - da Comuna (ainda por cima a Comuna! pela meia-noite. É tão santo, pena ter a tal asa preta (Na foto não se nota porque faz sempre por disfarçá-la, enfim...)

TEATRO 9 "A Perca", segunda encenação, estreia na Mostra de Teatro de Almada, Fev. 08


TEATRO 10 "Bonifácio do Paraíso" (Estreia Sociedade Port. de Autores, Maio 2006)


POEMA 5

KOBAYASHI, Issa, Haiku, (versões de Jorge S. Borges) Lisboa, Assirio & Alvim, 2002

Da mesma boca
que mordeu uma pulga –
Uma oração a Buda.
..
Pulgas –
Para elas também a noite
é longa e solitária

..
Pulgas da minha cabana
Tão magras
Que metem dó

..
Onde há pessoas
Há moscas
e Budas
..
Que beleza –
O buraco feito na neve
Ao mijar
..
Será esta
a minha última morada
Sob metro e meio de neve.

3/16/2008

CRITICA TEATRO 1 "A Cabra ou quem é Sílvia?" na Comuna, em Lisboa, Agosto 05

O meu problema com o espectáculo que vi na Comuna sobre o texto A Cabra ou Quem É Silvia - Notas para uma definição da tragédia, de Albee, é o seguinte: percebo a encenação, acho-a coerente, de boCor do textom gosto, ajustada, certa, enfim, aplico-lhe todos os adjectivos possíveis a algo que faz um todo coerente e funciona esteticamente mas... não gosto da sua forma: tal é viável?
Pode isto consubstanciar uma crítica, isto é, tenho o direito de dizer: a coisa funciona bem mas ao lado, isto é, há qualquer coisa que menoriza a opção estética da encenação, no caso a apresentação daquele texto naquela moldura?
Posso criticar algo em nome de uma hipótese que lá não está quando o que vi fez sentido e serve (a meu ver, enfim, menos bem...) o texto?
Eis o "busilis" da questão: acho que a encenação da Comuna não esta à altura das implicações do texto, enfim, não o serve tanto como outra (a qual apenas intuo) e o que a seguir se escreve é fruto, pois, de uma frustração: a peça foi feita daquela forma, ela funciona mas...
Antes do mais situo a minha leitura dramaturgica do texto: o protagonista confronta-se com um dilema trágico pois entre as duas opções que se lhe apresentam (ficar com a cabra, perdendo a companhia da sociedade humana, ou abandonar a cabra, ficando junto dos seus iguais) ambas lhe são nefastas, pois acarretam uma perda: no primeiro caso, a dos seus pares, no segundo a da amada Silvia, a cabra. Este dilema é trágico e nele me baseio para classificar o texto "A Cabra..." como trágico, independentemente da acção se passar no mesmo lugar, em vinte e quatro horas, etc, etc. etc. exigências que o tempo, no meu entender de dramaturgo, varreu para reter apenas o principal, aquilo sem o qual não há de facto lugar a tragédia: um dilema trágico, sem solução satisfatória, com o qual se defronta um protagonista.
Ora, assim sendo - o próprio Albee alude a tragédia no subtítulo do seu texto - qualquer encenação da peça deve realçar este seu aspecto, subordinando-lhe todas as opções estéticas.
Ora é aqui, nesta zona da construção do espectáculo, que a minha divergência em relação à leitura cénica d' "A Cabra...", pela Comuna, se dá. Senão veja-se:
A comuna situou a cena numa sala de estar, cara ao velho "teatro de boulevard" e, logo por isso, dando ao espectador um sinal de que o conflito em cena versará o célebre problema do casal a braços com a infidelidade de um dos cônjugues, tratado naquela óptica que as ditas "peças de boulevard" utilizam para o efeito, cujo objectivo é sobretudo divertir.
É o que acontece n' A Cabra?
Não.
O adultério do protagonista é a tal ponto radical que coloca não só a esposa mas tambem a sociedade em causa.
A questão é de extrema gravidade e ultrapassa o ambito do casal.
Mas advogue eu contra a minha própria causa e, diga que o dispositivo cénico que a comuna escolheu, a propria encenação o destrói… Mas é ainda isto verdade? A cena em que a esposa enganada parte os "tarecos" da casa não se enquadra, afinal, numa banal fita de ciúmes?
E mais: o que se destrói são as paredes, isto é, os alicerces da "casa" ou apenas os adereços, enfim uma jarra, livros, isto é, "a loiça"?
Infelizmente é apenas isso o que sucede e assim se fundamenta a minha convicção de que a encenação do texto induz em erro o espectador, isto é, traduz pela bitola mínima o que Albee propõe pela sua genial pena.
A Cabra é um dos grandes textos de despedida do sec. XX e merece um tratamento á altura do que propõe como reflexão. De contrário o espectador, enganado, vai rindo com o drama burguês da mulher enganada por uma cabra e enfim, sai do teatro feliz com a anedota. Tanto mais que a dita cabra até surge, no fim, morta, numa prova ainda da tradução literal - e linear - com que o texto foi encenado.
Tudo na encenação que vi d' A Cabra no espaço da Comuna esteve coerente. Mas como talvez dissesse Galileu, referindo a Terra que desejavam fixa: e todavia ela move-se...
Última nota: alguém que reviu "A Cabra" no festival de Almada disse-me que, no espaço ao ar livre, o cenário da "sala de estar" não "colava" ao texto e que, por isso, a tragédia do tema sobressaía. Tal parecer dá-me razão? É que na sala da comuna, onde assisti ao espectáculo, nada distanciava o dispositivo cénico. E lá se estreou.

GESTÃO 6

POST, Stephen e NEIMARK, Jill, Lisboa, Ed. Sinais de Fogo, 2008.
“Este tipo de força é a base daquilo que chamamos de coragem existencial. Os três C são o Compromisso, o Controlo e o Confronto.
Se somos fortes em compromisso, quando as coisas dão para o torto, decidimos manter o nosso envolvimento em vez de nos afastarmos para o isolamento e alienação.
Se somos fortes em controlo, esforçamo-nos por ter influência no resultado, em vez de nos afundarmos em impotência. E, se formos fortes em confronto, vemos a mudança e o stresse como uma oportunidade de crescer e aprender, e não como uma violação da nosso conforto e segurança.” (págs. 126/7)

LOSIER, Michael, Lei da Atracção - Peça Acredite Receba
Porto editora, 2007

Identifique o que o faz sentir-se bem e faça-o mais frequentemente.

Identifique o seu desejo (Peça)
Dê atenção ao seu desejo (Acredite)
Permita que o seu desejo se concretize (Permita)

Dizer “muitas coisas podem acontecer” abre possibilidades ao seu desejo.

Estabeleça o seu objectivo de vida.
Comece a avançar
Aja: uma e outra vez

CAPITALISMO 7

GEORGE, Susan, La Pensée Enchainée – Comment les droits laique et religieux se sonst amparés de l’ Amérique, Paris, Fayard, 2007,
« Je veux montrer qu’un glissement tellurique de la pensée américaine venu de droite est à l’ oeuvre depuis au moins les annéss 1970, que ses maîtres spirituels ont acquis un pouvoir important et durable que leur permet d’ influer sur la politique ; que ce nouveau systeme de pensée, tant laique que réligieux, a peu de chances de changer simplement parce qu’ un parti, ou un président est au pouvoir plutôt qu’ un autre. (...) Cette culture a été patiemment construite; elle a penetré toutes les couches de la societé américaine, depuis la classe dirigeante jusqu’ aux échelons les plus bas, et elle n’ est pas remise en question car ses prémisses sont habituelmment tacites. Celles-ci ont néaumoins conduit à um déplacement sensible du centre de gravité de la politique américaine vers la droite, cette culture repose pour un grande part sur des mensonges (sublinhado da autora) (pág. 10).
«Aujoud’hui, même le monde des années 1970, sans parler de celui des anées 1950, est à peine reconaissable. La question que je me pose (...) est la suivante: será-t-il possible de revenir à une culture et à une politique américaine plus génereuses, même si elles seront certainement moins innocentes ? Ou bien les changements apportés par um demi-siècle de construction et de diffusion de l’ idéologie néo-liberal laique et réligieuses sont-ils permanents ?
Aujourd’hui les gagnants ramassent tout, les perdants rien. (...) Ceux qui dirigent le monde de la grande entreprise et de la finance n’ éprouve au fond, que du mépris pour les faibles. Loin d’ être des frères humains méritant notre aide, les pauvres ne méritent ce qu’ ils ont – c’est-à-dire très peu en vérité. Le gouvernement est heureux d’ observer les choses depuis le banc de touche pendant que les réalisations du mouvement des droits civiques sont battues en brèche. Les attitudes, comme l’ dramatiquement révelé l’ ouragon katrina aux yeux du monde, continueront à prévaloir tant que l’opinion publique ne réclame pas de changements. Or elle ne montre pour l’instant, que peu de signes de révolte, particulièrement la population pauvre elle-même.
Au fur et à mesure que progressent les inégalités, le resultat est la destruction de la cohésion social et de la solidarité. Lors du désastre de La Nouvelle-Orléans, les gouvernements étrangers ont été plus prompts à offrir leur aide que Washington. Pourquoi en effet se soucier des pauvres, principalment de Noirs, qui ne pouvaient pas s’ échapper? Eux aussi avaient ce qu’ils méritent. Des psychologues de l’ université de Princeton ont récemment utilisé la resonance magnétique pour mésurer la réponse du cerveau des étudiants à des photographies de personnes essuies de groupes sociaux variés. Le cortéx préfrontal émet normalment des signes en réponse à des « stimuli socialment signiicatifs ». Or les chercheurs ont été

Choqués de decouvrir que les photographies de personnes appartenant à des groupes socialment « extrêmes » comme les toxicomanes, ne provoquaient aucune réponse dans cette région, suggérant que ceux qui les visualisaientt les consideraient moins qu’ humains. « C’est exactement la même chose avec les sans-abri et les mendiants dans les rues, explique (un psychologue):Les gens les considèrent comme des tas d’ ordures (*)».

*Il y a cependant de l’ espoir. Il suffisait de poser une question quelconque à propos de la personne de la photographie, comme : «Quelle nourriture pensez-vous que ce mendiant aimerait ? » pour que la zone du cerveau se mette à emetre des signaux. (Voir Mark Buchanan, « Are we Bon Prejudiced" ?("Naisson-nous avec des préjugés ? ») New Scientist, 17 Mars 2007.
(Págs. 291/2)

“Bien qu’il existe encore sans aucune doute beaucoup d’ Américains classiques, bons et génereux, la grande majorité n’ ont pas la moindre idée de ce que font leur gouvernement et leurs grandes entreprises dans le pays, et encore moins dans le monde. (...) Les medias remplissent leur rôle, qui consiste, selon le critique des media Herbert Schiller, dans «la simplification jusqu’à la stupidité, à la mode américaine" (in Monde Diplomatique et The Guardian Weekly, aôut 1999). La plupart des gens tiennent leurs informations exclusivement de la télevision, où la frontière entre information et varietés est chaque jour plus ténue, ce qui a donné naissance a l’ affreux néologisme anglais infotainement (contaction d’ information et d’ entertainment, « divertissement »). Cinq ou six grandes entreprises taransnationales jouissent d’un quasi-monopole sur les programmes, et, pour elles, offrir aux Américains des analyses ne présente aucun interêt. Ce qu’elles ne contrôlent pas est sous la coupe des réseaux de diffusion televisée et radiophoniques confessionnels. Les Américains ne reçoivent presque jamais la moindre donnée culturel qui ne vienne pas de l’Amérique d’ elle même – c’est-à-dire des sources réligieuses ou des grandes entreprises. (...) En ce qui concerne les Lumières (...) le « créationnisme » est maintenant légalment enseigné dans de nombreux États afin de permettre en « équilibre » face au darwinisme et à l’ évolution, même s’il revêt parfois les habits de cette honteuse fausse science qu’est le « Dessein intelligente ». Le dédain des dirigeants pour la science fair du tort aux peuples et à la planète. (...) Le monde educatif est aussi infesté des charlatains réligieux ; dans les universités, la police néoconservative de la pensée menace des professeurs de renvoi et les condamne à une « neutralité » sans consistence.
La religion semble avoir de moins en moins de rapport avex le fait d’ aimer son prochain et de se comporter avex les autres comme on voudrait qu’ ils se comportent envers soi ; il s’ agit de plus en plus de se réjouir à l’ idée que son prochain sera réduit en chips quand le Christ reviendra, le pêcheur ne recevant que son dû. (...) Les mesures de contrôle social sont géneralment efficaces ; parmi elles, il y a le mantien derrière les barreaux de plus de deux millions de déclassés (...) des centaines de milliers d’ entre eux sont enfermés pour des délits non violents liés à la drogue. Le taux d’ incarceration en Amérique, 773 personnes par 100.000 est le plus fort du monde. En résume, l’ usine à idéologie et à inégalités produit des biens que la plupart des gens achetent sans même le savoir. Le prix est trop élevé et nous le payons tous. (págs. 293/5)

3/14/2008

TESTEMUNHOS 3

CHOMSKY, Noam, Poder e Terror, Lisboa, Ed. Inquérito, 2003 (compilação de entrevistas)
- Pergunta que muitas vezes passa pela cabeça das pessoas é a relação que há entre o seu trabalho na Linguística e o seu trabalho na Política.
- Não existe qualquer relação directa. (…) Acontece que a linguagem é dos poucos domínios em que pode estudar-se faculdades humanas nucleares, de forma muito intensa e obter resultados para além da compreensão superficial. Isto é extremamente difícil de conseguir na maioria das áreas mas esta é uma daquelas em que podemos consegui-lo.” (pág. 44)

“Simplifico todas as coisas por dizer que “os Estados Unidos actuam por todo o lado como um império do mal”? Sim, isso certamente simplificaria demais as coisas. E é por isso que saliento que os Estados Unidos se comportam como qualquer outra potencia. Acontece que os Estados Unidos são mais poderosos e por isso, como é de esperar, mais violentos. Mas é sempre assim. Quando os britânicos governavam o mundo, faziam a mesma coisa.
Falemos dos curdos. Que fazia a Grã-Bretanha relativamente aos curdos? Vejamos uma pequena história (…) Depois da guerra, conforme resulta de documentos internos secretos, os britânicos estavam a estudar como é que iam continuar a governar a Ásia, agora que já não tinham a força militar necessária para ocupá-la. A ideia que surgiu foi a de se voltarem para o poder aéreo (…) usar o poder aéreo para atacar civis. Calcularam que seria uma boa maneira de reduzir os custos acarretados pelo esmagamento dos bárbaros. Winston Churchill que era então Secretário de Estado das Colónias não julgava que fosse suficiente. Recebeu um ofício do gabinete da Força Aérea Britânica no Cairo pedindo-lhe autorização, e agora vou citar, para usar gás venenoso “contra árabes recalcitrantes” (…). Bem, esse documento circulou por todo o Império Britânico. O Gabinete da Índia resistiu. Disseram de lá: Se se usar gás venenoso contra curdos e afegãos isso vai causar-nos problemas na Índia. (…) Haverá protestos, as populações ficarão furiosas, etc. (…) Churchill ficou indignado com a reacção. E disse:
“Não percebo estes melindres acerca da utilização de gás… Sou absolutamente a favor do uso de gás venenoso contra tribos selvagens… Não é necessário usar apenas os gases mais mortíferos; podem ser usados gases que provoquem grandes incómodos e espalhem o terror e que, no entanto, não deixem efeitos permanentes sérios na maior parte dos atingidos… Em circunstância alguma podemos concordar com a não utilização de quaisquer armas disponíveis para conseguir um mais rápido fim das desordens que preponderam na fronteira. Salvará vidas britânicas. Usemos todos os meios que a ciência nos permite”.
Aí tem, portanto, a maneira como se lida com curdos e afegãos quando se é britânico. Que aconteceu depois? Bem, não sabemos com precisão. E a razão porque não sabemos exactamente é que há dez anos o governo britânico instituiu aquilo a que chamou uma Política de Governo Aberto, a fim de tornar mais transparentes as operações governamentais, a fim de caminhar em direcção da democracia (…). E a primeira acção da Política de Governo Aberto foi retirar dos arquivos públicos oficiais – e presumivelmente destruir – todos os documentos que tivessem a ver com o gás venenoso e do poder aéreo contra os árabes recalcitrantes, isto é, os curdos e os afegãos. Assim, podemos ficar felizes porque nunca saberemos exactamente qual foi o resultado deste pequeno exercício de Churchill.” (págs. 133/136)

3/11/2008

CRITICA 2 She will not live, performance de Hugo Calhim com Joana Von

Uma mulher no fundo de um espaço cénico olha-nos: eis o início de She will not live.
Movimentos, experiências com objectos – poucos – e, no final, é-nos enviado um berlinde virtual que nos dá a vez ou a acção. E digo “finalmente” porque durante a performance somos agarrados pela acção de Joana Von e é esta a qualidade de She will not live: absorve-nos e o que, de início, nos chama a atenção – uma mulher nua e estática olhando-nos do fundo do seu espaço - deixa de ter importância, porque a dita imagem se anula entre as actividades/acções que ela mesma leva a cabo: estar nua, ou pouco vestida, resumir-se-à então a um facto entre os demais.
Esta reificação de um corpo desnudo significa que a performer transmuta a sua nudez ao longo do espectáculo tornando-a parte do seu trabalho, utensílio, apenas. Como se o espectador assistisse ao suicídio de alguém, cuja morte entretanto esquecesse, apesar do suicida continuar na sua frente. Joana continua mais ou menos despida mas…
Porém que faz a intérprete de She will… para se subtrair à nossa devassa, com que nos entretém? Joga, coloca o seu corpo em confronto com objectos quotidianos – molas de pendurar roupa, uma garrafa – e é tudo tão despojado que, no fim do espectáculo, se fica com a impressão de ter assistido a nada. Na verdade testemunhou-se uma transubstanciação, tanto mais difícil quanto se trata, não só de um corpo no seu estado de esplendor físico, como ainda feminino, e logo, desde há milénios prisioneiro de um olhar, o masculino. Mas a transubstanciação dá-se. E, naturalmente em ritual, em absoluto silêncio, entrecortado apenas pelo som do seu próprio fabrico.
She will… trata de um corpo que, de objecto se ergue, através do jogo cénico, a sujeito, libertando-se do seu carrasco, no caso o voyeurismo.
Só o trabalho, entendido como acção sobre si mesmo/no mundo, conduz à autonomia, no caso concreto a da condição feminina, eis a “história” de She will not live, performance que se poderia também chamar “Requiem por um certo “She”.

CRÍTICA 3 Miguel Borges em "A Velha"

Uma personagem muitas personagens – o texto não obriga o intérprete a essa versatilidade – e uma velha que é muitas coisas.
Miguel Borges numa multiplicidade de papéis sem nunca deixar a sobriedade de uma actuação inteligente, cerebral e nada condescendente com histrionismos fáceis.
O dom da palavra, da concisão, do gesto preciso, da elisão dos movimentos inúteis – ou “entretantos” – expressa nas passagens bruscas entre posições, atitudes, máscaras. A condizer com o despojamento do espaço, a sua austeridade ou fisicalidade, isto é, a imposição de um espaço, paredes, canos ou condutas, como símbolo possível de uma comunicação que começa e não acaba, salvo quando a luz fecha, abrindo no entretanto sobre uma velha, um maquinista, uma mulher, algures vista numa padaria – e que por não ter nome – como a velha? – fica vulto – o amigo com que se bebe - e embebe – em vodka, a vizinha, um colectivo, em suma, que circula, mais o manco que pedincha e o gozo dos putos de rua: uma multidão num espaço fechado – como o corpo que finalmente nem existe mas se vê na mala – vermelha – a única cor garrida em cena - uma acusação que ameaça – a de um social alheio a qualquer razão subjectiva e que procurará no protagonista um assassino – mais uma reza escatológica – como deveriam ser todas as conversas com a divindade – num canto da cena, entrevendo um corpo que durante toda a representação se oculta, quer sob palavras-imagens, quer num fato que aperta, e de que mal se liberta – salvo quando evacua - que evoca K., de “O Processo” na versão Wells.
Uma interpretação magistral de um actor em pleno amadurecimento e que, se conseguir não se tornar pivot de um qualquer programa de entertainment ou chalaça, poderá ir onde quiser.

ENTRANHA 9 Cara Estética dos Trezentos...

Se, como se diz, o Teatro reflecte mais do que qualquer outra arte a sociedade, nela se há-de então repercurtir a cara estética das lojas de trezentos.
Explico os motivos assim como os exemplos:
Com a democratização novos grupos sociais tiveram acesso ao ensino e ao consumo. Todavia, descendendo de meios com baixos recursos económicos, nunca tiveram durante a sua infância e mesmo formação – a escola democratica ja foi suficentes vezes associada com uma “caserna” para tornar a referi-lo – acesso a qualquer lugar de luxo ou de maior qualidade. (A escola poderá compensar isto por sucessivas visitas a museus mas todos sabemos hoje que a Escola portuguesa pós 25 de Abril falhou o seu objectivo).
Assim, todas as gerações, duas até á data, criadas na jovem democracia portuguesa tiveram como referencia de serviço publico um restaurante macdonnald’s e por loja de consumo a dos trezentos mais próxima.
Como resultado a estética que impera no teatro hoje é igualmente a das caras lojas de trezentos. Não só porque os criadores que nelas expôem receberam a sua influencia como também porque o publico está disposto a receber tal estética. Além de que todos sabemos quanto o prazer de agradar arrasta para o conformismo o mais bem intencionado.
Assim, tivemos em Lisboa, por vias diferentes mas, por cooincidencia?, ambas as produções em teatros geridos por entidades públicas – o Trindade e o Nacional – duas peças, cuja cenografia é devedora do que aqui chamo “a cara estetica dos trezentos”: Terramoto e Medeia.
Em Terramoto tal estética foi visível na pelintrice bem vestida dos figurinos, na cenografia feita de caixotes, nos fumos mais que vistos e coloridos de vermelho – o vermelho é a primeira cor que vem ao imaginário pequeno-burguês para qualquer coisa de “mais especial”.
Em Medeia nos chão que se ilumina (cujo contributo dramatúrgico é nulo mas contribui para a tal estética do bonitinho) no brilho sintético do sangue, nas canções do coro, cuja música evocava o musical ligeiro (a tragédia grega tinha a emmeleia mas segundo consta o seu estilo era contido e nobre) na utilização, enfim de todo o género de efeitos paradigmáticos das bugigangas que acendem e apagam que alguns emigrantes vendem hoje pelas ruas.
Cara estética de trezentos!

3/09/2008

FÍSICA 1

REEVES, Hubert, Últimas Notícias do Cosmos, Lisboa, Gradiva, 1995
“Mas, repetimo-lo uma vez mais, a imagem de uma matéria inicialmente confinada a um volume minúsculo e propagando-se no espaço vazio envolvente deve ser rejeitada. Se queremos conservar a imagem da explosão, é preciso modificá-la. Imaginemos antes um espaço contínuo em que cada ponto está em explosão. O universo e homogéneoo e não tem centro.” (pág. 69)

“Quanto mais quente estão os corpos mais energiam irradiam. (…) Sendo mais denso e mais quente, o universo do passado deveria ser por isso mais luminoso (…) Que aconteceu a essa brilhante realização que reinava outrora no espaço? É a pergunta que faz então George Gamow. (…) Rumor atenuado do esplendor original só resta hoje nos céus uma fraca radiação, invisível a nossos olhos. (…) Trata-se de uma radiação emitida por um corpo quente a uma temperatura homogénea. Este corpo isotérmico está disperso à escala do cosmos; a radiação provém uniformemente de todas as direcções” (págs. 111/116)

“Esta isotermia trazia uma notícia boa e uma notícia menos boa. (…) A notícia boa situa-se ao nível de um problema espinhoso: a origem das galáxias. A textura do universo contemporâneo é extremamente granular. A densidade média das galáxias é, pelo menos, um milhão de vezes mais elevada do que a do espaço que a separa. Como explicar a passagem do espaço homogéneo antigo para a não homogeneidade contemporânea? Qual é o mecanismo da germinação das galáxias na miscelânea inicial? Como se acumularam estes “coágulos” na matéria primitiva? Em que momento começaram as massas embrionárias a separar-se? Como evoluíram até ao esplendor das espirais contemporâneas? A física propõe uma resposta: o efeito da gravidade sobre a miscelânea inicial. Um coágulo primordial exerce à sua volta uma força de atracção. Obedecendo a este apelo, a matéria vizinha aproxima-se e junta-se-lhe, aumentando a sua massa e a gravidade. O fenómeno amplia-se por si mesmo. É o efeito “bola de neve”. As galáxias teriam nascido assim.
Notemos desde já que, se a miscelânea é perfeitamente homogénea, nada se desagrega. Como o burro de Buridan, cada partícula atraída de igual modo por todas as que a rodeiam, permanece imóvel. Todavia, se por qualquer razão, a matéria de um dado volume vê a sua densidade tornar-se ligeiramente superior ao meio envolvente, então tudo se modifica e regressa ao ponto de partida… No início são necessários germes de galáxias.
A presença destas estruturas embrionárias deveria manifestar-se muito cedo na evolução do cosmos. A radiação fóssil deveria deixar traços. Daí o embaraço causado pela sua extraordinária isotropia. É a notícia menos boa trazida pelas observações de radiação fóssil.
Visando resolver este problema, foi em 1988 lançado um satélite americano a que foi dado o nome de COBE (Cosmic Background Explorer). Os primeiros resultados, publicados em 1990, confirmam com uma precisão espantosa, a sua natureza térmica.
Em Março de 1992 a equipa científica do COBE anuncia a descoberta tão esperada da granularidade da radiação fóssil. São detectadas também variações de temperatura na proporção de uma parte por cem mil, os germes das grandes estruturas estão mesmo lá.” (págs. 118/122).

“Admitamos que a temperatura do universo tenha atingido num passado longínquo um valor superior a 10 mil milhões de graus. (…) Tais temperaturas têm um efeito desastroso nos núcleos. A agitação térmica é tal que a força nuclear não consegue manter-lhes a coesão. Decompõem-se em protões e neutrões. Nesta época o mundo é constituído por uma sopa homogénea de nucleões, entre os quais pululam electrões, neutrinos e outras partículas elementares. Mas nada de núcleos atómicos. (págs. 153/4)


WEINBERG, Steven, Os três primeiros minutos, Lisboa, Gradiva, 1987
Sobre a matéria escura e a sua possível importância na formação dos germes de galáxias S.W. coloca a hipótese de que a dita matéria poderia acelerar a germinação de galáxias, devido ao facto de não perturbar a isotermia dos céu. Verificou-se, com efeito, que a matéria escura funcionaria como bolsas discretas sobredensas que poderiam servir de núcleos de condensação para as futuras estruturas.
Acerca da impossibilidade de isolar quarks livres diz S.W:
“Se a perca de interacção entre dois quarks diminui à medida que se aproximam, deve também aumentar à medida que se afastam. A energia necessária para afastar um quark dos outros num hadrão vulgar aumenta portanto com a distancia e acaba eventualmente por se tornar suficientemente grande para criar novos pares quark-antiquark a partir do vácuo. No fim acabaremos não com vários quarks livres mas com vários hadrões vulgares. É exactamente como tentar isolar uma extremidade de uma corda. Se se puxar com muita força, a corda parte-se mas o resultado final são duas cordas, cada uma com duas extremidades! Os quarks estavam suficientemente próximos no universo primitivo para não sentirem a interacção e se comportarem como partículas livres. Todavia, todos os quarks livres nesta época, à medida que o universo arrefecia e se expandia, devem ter sido aniquilados por algum anti-quark, ou então terem encontrado um lugar de repouso, um protão ou um neutrão. (p. 159)




3/07/2008

FÍSICA 2

DEES, Martin, O Meu Habitat Cósmico, Lisboa, Gradiva, 2002
“Se a matéria estivesse informalmente distribuída ao longo de um espaço infinito (…) uma parte acabaria por se agrupar numa certa massa e a outra parte noutra, de forma a produzir um número infinito de grandes massas, espalhadas a grandes distâncias umas das outras através do espaço infinito. Assim poderiam ser formado o Sol e as estrelas”
Newton, citado a pág. 87.

“A física elementar diz-nos que nenhum “dispositivo calorífico” pode funcionar e nenhuma complexidade surgir se tudo estiver em equilíbrio térmico: tem de haver regiões mais quentes que outras (…) As entidades estudadas pelos astrónomos – como as estrelas e as galáxias – mostram tendência para a diferenciação e a complexidade, da mesma forma que um animal ou uma planta” (pág. 88,9)

TEATRO 12 Olhando a m/ maquilhagem no papel de Avô/Lobo em "Pedro e o Lobo" enc. de Fernando Jorge, Teatro Extremo, Almada, 2008/03/15


ALTERNATIVA 2

In; http://www.ecoblogue.net/index.php?, 20.20 horas de 2008/03 /05
"Mas vão surgindo focos de resistência, um pouco por todo o mundo dito desenvolvido. O “downshifting”, ou “simplicidade voluntária”, consiste num movimento nascido nos Estados Unidos da América, formado por pessoas que aceitam viver com menos. Fartos de jornadas de trabalho que pouco tempo deixam para o lazer e a vida familiar, muitos “yuppies” acabam por se demitir do emprego que os escraviza para aceitar um emprego com uma menor carga horária. O passo que se segue é o “downsizing”, isto é, a redução do consumo. Viver com menos implica para estes trabalhadores mudar para uma casa mais pequena, trocando uma McMansão por um apartamento, trocar de carro e cortar nas despesas supérfluas (jóias, produtos de cosmética, consolas, “home cinemas”, etc.).
Os adeptos da simplicidade voluntária têm de enfrentar os constrangimentos que decorrem de viverem numa sociedade consumista e orientada para o trabalho. Uma pessoa que rejeita o materialismo de forma tão radical será facilmente rotulada como louca ou como membro de uma seita religiosa. É ainda comum estes trabalhadores serem acusados de tentar disfarçar o seu falhanço no mundo do trabalho. Nada que preocupe quem vive a vida com um sorriso na cara, é claro.
Muitos movimentos em todo o mundo foram ainda mais longe, pondo em causa todo o consumo. Os “freegans” (palavra que resulta de juntar “free” - gratuito – e “vegan”) adoptam um estilo de vida baseado na minimização do consumo. Fartos de um sistema económico que é agressivo para com as pessoas, os animais e o meio ambiente, os “freegans” chegam ao ponto de revirar caixotes do lixo, cultivar hortas urbanas e ocupar casas para reduzir ao mínimo as despesas e assim trabalhar o mínimo possível. Associado a este movimento surgiu ainda o “Freecycle” como plataforma para a troca directa de produtos utilizando a Internet ou lojas onde as pessoas podem levar o que quiserem sem pagar no fim.
Para quem ainda não está preparado para viver uma vida de sem-abrigo, existe ainda a opção de criar um núcleo de “compacters” (compactadores), pessoas que se comprometem a comprar apenas os produtos de primeira necessidade, recorrendo a mercados de usados ou de troca directa sempre que possível. O movimento The Compact defende o apoio ao comércio de proximidade, a redução do desperdício e a simplificação das vidas, contando já com dezenas de comunidades nos EUA.
Mais insólita ainda é a “Church of Stop Shopping”, do Reverendo Billy. Regularmente, Bill Tallen e o seu grupo de “acólitos” invadem espaços comerciais cantando músicas religiosas que apelam ao não-consumo. Recriando o ambiente das igrejas evangélicas pentecostistas, este grupo formado por um actor profissional e voluntários apela aos valores cristãos para por em causa de forma sarcástica o consumismo presente na sociedade americana.

A tartaruga ultrapassa a lebre
Outra fonte de resistência à sociedade do consumo é o movimento “slow”, que leva à prática o velho ditado “depressa e bem não há quem”, defendendo uma redução de intensidade no ritmo das nossas vidas como forma de contrariar a lógica alienante do super-stresse. O ponto de partida foi o movimento “slow food”, criado em Roma em 1986 na sequência de protestos contra a abertura de um McDonald's. Em 1999, a cidade de Greve, na Toscana (norte da Itália), tornou-se a primeira "città slow" (cidade lenta), tendo como modelo as comunas italianas do século XII. A moda pegou e hoje há dezenas de cidades na Europa, (inclusive cidades portuguesas) que aderiram a este clube restrito, tendo que respeitar as seguintes regras: não podem circular carros nos centros, não são admitidos super ou hiper-mercados nem restaurantes “fast food”, os alimentos são produzidos localmente, a energia consumida é de origem renovável e a cidade não pode ter mais de 50 mil habitantes.
Na mesma linha de pensamento, a Sociedade para a Desaceleração do Tempo, fundada na Alemanha há 15 anos, promove a reflexão sobre a relação da humanidade com o tempo. Esta sociedade, que reúne milhares de pessoas todos os anos para discutir formas de desacelerar, cunhou até o termo “eigenzeit” (tempo próprio) para traduzir a ideia de que todo o ser vivo tem o seu próprio ritmo. Como forma de exprimir esta ideia, a Sociedade para a Desaceleração do Tempo vende aos seus associados relógios que apenas têm o ponteiro das horas.
Mais divertidos ainda são os japoneses do Clube da Preguiça. Os membros deste clube adoptaram a preguiça como mascote e, tal como a preguiça tem apenas três dedos, também eles têm três princípios: amor, paz e vida. Recentemente, opuseram-se à participação do Japão na guerra do Iraque com o lema “Make slow love, not fast war” (Façam amor lento, não guerra rápida).
No Reino Unido nasceu a Slower Speeds Iniciative, uma iniciativa conjunta de associações cujo fim é defender a redução da velocidade de circulação nas cidades. Forçando os automóveis a circular a velocidades reduzidas não só reduzimos o ruído e melhoramos a segurança rodoviária como melhoramos as condições para o transporte por meios não poluentes, como a bicicleta. Dois designers franceses levaram mesmo à prática este conceito de forma ousada, criando um modelo para um carro lento que pudesse circular no centro de Paris a 15 km/h.

Reclamando o tempo
Não é por acaso que a maior parte dos movimentos anti-consumismo ou pelo direito à preguiça surgem nos EUA. No país onde o capitalismo atinge o seu auge, até o direito a férias está em risco. Segundo a Take Back Your Time, uma associação que luta pelo direito a férias, o tempo de férias médio é mais baixo nos EUA que em qualquer outro país industrializado. Como não existe uma lei que estipule o direito a férias, o abuso é generalizado, pelo que esta associação procura apoios junto da indústria do turismo para pressionar os governantes.
A defesa de vidas mais simples e ritmos de vida mais ajustados às necessidades humanas deveria fazer parte das reivindicações de todo o movimento sindical. Esta não é apenas uma luta secundária protagonizada por adolescentes desiludidos com a vida, é uma prioridade para todos os trabalhadores que vêem o seu tempo a ser usurpado pela máquina capitalista. Defender jornadas de trabalho mais reduzidas, férias maiores e a simplificação da vida é combater a ideologia produtivista que está na base da destruição do planeta.
Quando perguntaram a um líder da AFL-CIO o que queriam os trabalhadores ele respondeu “mais”.
Hoje está na hora de mudar a palavra de ordem para “menos”.


É disto que eu gosto em Lord Young. Vocês apresentam-me problemas. Ele apresenta-me soluções.
Margareth Thatcher
Não sou suficientemente novo para saber tudo
J.M.Barbie

3/02/2008

TESTEMUNHOS 3

Mitos:
Camarão, Africa:
O céu estava tão perto da terra que os homens o comiam e tinham de andar curvados. Mas um dia uma jovem resolveu pilar o milho e perguntou ao deus do céu: não te poderias chegar um pouco para lá? De facto quando ela levantava o pilão batia com ele no céu!
O céu fez-lhe a vontade mas a partir daí o deus nunca mais visitou a terra

India (hindu)
Um ovo de ouro que surgiu no vazio e deu origem aos criadores.

Indios da América do Sul, Colombia
No começo era o mar. Não havia nem sol nem animais... nada.

Caldeia, Babilónia 2500 AC
A água suporte comum do céu e da terra.
Uma montanha vazia flutua sobre o oceano.
O vazio é o país dos mortos, sob a abóboda celeste circulam os astros, o sol no seu carro chega pela parte oriental e desaparece pelo poente, retomando a sua posição diurna através de uma caverna.

Egipto, 2000 AC
O céu é sustentado por 4 pilares elevados, as estrelas suspensas a cabos iluminam a noite, o deus Ra circula com o Sol numa barca.

China, 1700 AC
O mundo é um carro no qual a terra, quadrada, constitui a caixa. O céu a tampa.
Quatro muros rodeiam a terra. Alem deles vivem seres fantásticos e deuses. No cimo habita o Senhor no nono andar. A face interior, plana, repousa sobre oito pilares.

FÍSICA 3

BARROW, Jonh D., 2005, Impossibilidade – Limites da Ciência a Ciência dos Limites, Lisboa, ed. Bizâncio.
“Nos últimos anos foi identificado uma forma importante de composição complexa (…) Exibe um tipo de comportamento que se tornou conhecido como sistema criticamente auto-organizado (Self organizing criticality – SOC). (…) É um estado complexo organizado (…) criado por um encadeamento de eventos (…) que, considerados individualmente, são caoticamente imprevisíveis. (págs. 197,8) (Exemplo que Barrow apresenta: a pirâmide de areia que, quando se lhe junta mais grãos, provoca avalanches de outros grãos, mantendo sensivelmente o mesmo declive).

“A nossa experiência com sistemas complexos diz-nos que eles mostram uma tendência para se organizarem em estados críticos muito sensíveis, que permitem que pequenos ajustamentos produzam efeitos compensadores em todo o sistema. Consequentemente são imprevisíveis no pormenor. Se se tratar de grãos de areia ou de pensamentos que estão a auto-organizar-se o movimento seguinte é sempre uma surpresa” (pág. 342)

A propósito da questão de saber se o nosso universo se expande ou contrai:
“Um universo crítico possui um equilíbrio exacto entre a energia de expansão e o impulso gravitacional da matéria no seu interior. Nos universos “abertos” a energia da expansão ultrapassa o impulso gravitacional, enquanto nos universos “fechados” a gravidade prevalece.” (pág. 237)
O difícil é aquilo que pode ser feito imediatamente, o impossível é o que leva um pouco mais de tempo"
George Santayana

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