8/15/2007


"As pessoas podem sempre ser levadas a seguir os líderes. É fácil. Só é preciso dizer-lhes que estão prestes a ser atacadas e acusar os pacifistas de falta de patriotismo e de estarem a pôr o país em perigo. Funciona sempre da mesma forma, qualquer que seja o país"
Hermann Goering

HISTÓRIA 1


POPPER, karl, A Pobreza do Historicismo, Lisboa, Esfera do Caos, editores, 2007 (Ca. 19 euros)
"A mudança é algo que tem sido descoberta repetidas vezes desde os dias de Heraclito" (p.14)
"Os historicistas modernos parecem não ter consciência da antiguidade da sua doutrina. Crêem - e será que a sua definição de modernismo permitiria outra coisa? - que o seu tipo de historicismo é a conquista mais recente e mais ousada da mente humana. (...) Quase parece que os historicistas estão a tentar compensar-se pela perda de imutável, agarrando-se à convicção de que é possível prever a mudança porque esta se rege por uma lei imutável..." (p. 148/9)

GESTAO 8


HODRON, Penna, Quando Tudo se Desfaz, Porto, Asa Editora, 2007
"Estarmos totalmente vivos, sermos totalmente humanos e estarmos completamente despertos, implica sermos continuamente atirados para fora do ninho. Viver completamente é estar sempre numa terra de ninguém, experimentar cada momento como algo completamente novo e fresco. Viver é estar disposto a morrer vezes sem conta. (...) A morte é querermos agarrar-nos àquilo que temos e fazer com que cada experiencia nos confirme, nos felicite e nos faça sentir completamente unos"
"Ser feliz é um dever para com os outros."
Alain Chartier, in Propos sur le bonheur, Paris, Gallimard, 1928, p. 210

ARTE 6


"O romancista, dramaturgo, são seres metidos na realidade, capazes de a abarcar no seu conjunto ou nalguma das suas parcelas. Timidamente remetem para o público o seu romance ou o seu drama. Eles acreditam - acreditamos - que o que inventam e publicam acrescenta alguma coisa ao já possuído pelos homens. Mas a sua invenção e o seu acrescento passam sem pena nem glória quando nenhuma grande assinatura se dignou reparar neles. O vulgar, então, é que o escritor renuncie à sua visão pessoal de realidade, ou da verdade, e se converta em seguidor doutro ou doutros já acreditados. Isto é, que se acolhe à protecção próxima ou remota de uma grande assinatura, em cujo exemplo ou em cujo principio possa esconder-se. O conjunto destes seguidores constitui uma "escola". E "escolas" literárias sempre as houve. O que acontece é que, antes, deixavam uma margem para a independência e hoje não deixam. A sociologia do escritor mudou muito. Inclusivamente a do escritor "engagé". Eu sou-o evidentemente mas não com um grupo ou uma escola. Sou-o ao jeito do guerrilheiro e não do soldado regular"
Gonzalo Torrente Ballester, in prólogo a Don Juan escrito em 1963, publicado juntamente com a peça pela Difel, 2005

O mais perto que o general ou almirante modernos chegam de um recontro armado de qualquer espécie é uma caçada aos patos na companhia de executivos, no retiro da Continental Motors, Inc." (C.Wright Mills, The Power Elite [Nova Yorque, Oxford Unversity Press, 1956] p. 189
Caminha para a esquerda, caminha para a direita mas acima de tudo não hesites - ditado zen.

CAPITALISMO 13



GALBRAITH, John Kenneth
A Anatomia do Poder, Lisboa, Ed. 70, 2007 (239 pags., ca.17 euros)
"Há uma tendência nos que escrevem baseados em amplos conhecimentos e inteligência para deixarem que o tema os arraste para uma complexidade densa e uma profunda subjectividade. Pode entender-se a tentação: complexidade e subjectividade constituem uma protecção contra as críticas das quais se pode dizer que não entenderam a questão; são ainda mais compreensíveis como alternativa ao trabalho e frustração, de clarificações nem sempre fáceis. Mas são também um disfarce de verdade - um substituto de visão clara e severa do essencial. Tentei essa visão - procurei manter as fontes e os instrumentos do poder constantemente sob os olhos do leitor" (p. 15, in prefácio pelo autor)
"Pode avaliar-se até que ponto um líder é verdadeiramente poderoso pela forma como consegue convencer os seus seguidores a aceitar as suas soluções para os problemas deles, o seu caminho para os seus objectivos" (p. 68)
"exploração do consumidor ao mesmo nível que a do trabalhador" (p. 173)
"A organização e o poder condicionado são uma vez mais as forças activas" (p. 180)
"A singular (e para muitos prejudicial) realização de Marx foi persuadir as massas trabalhadoras de que esta falta de poder - esta submissão - não era natural ou inevitável. O poder podia de facto ser obtido" (P.224)
" A compulsão também é enfraquecida se existe rendimento disponível na forma de subsídio de desemprego ou pagamentos de segurança social como alterntiva à fome e às dificuldades. (...) Nenhuma queixa é mais comum na sociedade industrial do que a que afirma que os trabalhadores já não são tão diligentes e disciplinados como no passado. Esta queixa deve ser dirigida, em parte, contra a riqueza que que reduziu o poder compulsório do empregador. Mas também se fazem contra a Segurança Social e outros benefícios que muito contribuíram para eliminar o medo" (p. 229)

Existe um momento especial na vida de toda a gente, um momento para o qual a pessoa nasceu. Quando ela aproveita essa oportunidade especial, cumpre a sua missão - uma misão para a qual está singularmente habilitada. Nesse momento, atinge a grandeza. É a sua melhor hora.
Winston Churchill

8/08/2007

CAPITALISMO 14


RAMPINI, Federico, O Século Chinês, Lisboa, Presença, 2006.
"Se a China não mudar, então arriscamo-nos a termos de ser nós a fazê-lo. O impacto desta superpotencia mundial, a convergência e a contaminação recíprocas entre sistemas, podem reforçar as tentações autoritárias presentes também nos Estados Unidos e na Europa. Mais globalização e menos liberdade, mais capitalismo e mas disciplina para todos: este seria o pior dos desenlaces para o século chinês" (p. 395)

7/12/2007

POEMA 7

Um jarro de vinho entre flores
nenhum camarada para beber comigo
convido a lua
e, contando com a minha sombra, seremos três...
Mas a lua não bebe
e a minha sombra contenta-se em seguir-me.
Não tarda separar-nos-emos
a primavera é tempo de alegria.

Li Po sec. VIII dc

7/08/2007

TESTEMUNHOS 4

CASTORIADUS, Cornelius, Uma Sociedade à Deriva, Entrevistas e Debates 1975/1997, 90 Graus Editores, 2006
"A nossa época é esta, em que se inventou esse termo supremamente ridículo de "pós-modernismo" para esconder a esterilidade ecléctica, o reino do facilitismo, a incapacidade de criar, a evacuação do pensamento em proveito de comentários, no melhor dos casos, do jogo verbal, da eructução. Época de parasitismo e de pilhagem generalizada. O que passa pelo último grito de "pensamento" e de "fisolofia política" será considerado, estou convencido disso, com compaixão dentro de uma ou três décadas. Porque no fundo que nos dizem? Que a história se deteve ou, melhor, que acabou. Desde a Antiguidade Grega a Europa definiu-se também pela filosofia e dizem-nos: fim da filosofia, resta apenas "desconstruir". Há vinte e oito séculos que a Europa se define pelas suas lutas visando modificar a instituição da sociedade, as suas lutas sociais e politicas, a sua criação política e dizem-os: a política (a verdadeira, a grande) acabou. A república parlamentar ou presidencial (o que se chama de "democracia", uma vez que se perdeu o respeito pelas palavras) eis a forma encontrada da sociedade. É verdade que restam algumas reformas por fazer: rever por exemplo, o regime dos abonos de família dos guardsa florestais. Mas no essencial a tarefa política, a tarefa instituinte da sociedade está concluída. Reagan, Thatcher, Kohl, Mitterrand/Chirac pelos séculos dos séculos.
Não podemos deixar de nos tornar, perante a evocação de semelhante pesadelo, irresistivelmente optimistas. Porque na perspectiva em causa há quase uma contradicção interna. Estamos a falar de figuras que são subprodutos, parasitas dos regimes contemporâneos, de figuras que, em caso algum, teriam sido capazes de os criar (do mesmo modo que os "desconstrutores" de hoje só podem viver pelo facto de os filósofos terem existido). E não serão sequer capazes, a prazo, de os conservar. Regimes esses produzidos pelas lutas dos povos em vista de objectivos bem mais radicais: objectivos de verdadeira autonomia. A filosofia, o verdadeiro pensamento, não acabou, quase poderíamos dizer que está a começar. E a grande política está por recomeçar. A autonomia não é simplesmente um projecto, é uma possibilidade efectiva do ser humano. Não se trata de prevermos ou decretarmos o sue advento ou apagamento, trata-de de trabalhar por ela. Atravessamos uma época baixa, nada mais." (p. 217/8)
" O ser não tem sentido, somos nós que criamos o sentido por nossa conta e risco (até mesmo sob a forma de religiões...)" p. 320
"A autonomia - a verdadeira liberdade - é a auto-limitação necessária, não só nas regras de comportamento intra-social, mas nas regras que adoptamos no nosso comportamento em relação ao meio ambiente" (p. 321)

6/23/2007

ALTERNATIVA 4


Zerzan, John, Futuro Primitivo, Stª Mª da Feira, Deriva ed, 2007
Uma redescoberta fundamentada do tempo antes da revolução agrícola a qual é associada à dominação da natureza e grosso modo à infelicidade humana.
Bom para esclarecer ideias feitas, isto é, varrer preconceitos sobre o nosso primeiro passado.
Cita-se: "Presumir a inferioridade da natureza [face à cultura] favorece o domínio de sistemas culturais que não tardarão a tornar a Terra inhabitável." (p. 54)
CM

6/17/2007

POLÍTICA 2



CHOMSKY, Noam, Governement in the future, New York, Seven Stories Press, 1970
De leitura acessível, contém esclarecimentos bem fundamentados bibliograficamente sobre o liberalismo, socialismo libertário, socialismo de Estado e capitalismo, dedicando-se a classificar estas quatro doutrinas políticas. Chomky assume-se partidário do socialismo libertário.

TESTEMUNHOS 5


KANG, H. e GRANGEREAU F., "Aqui é o Paraíso" - Uma Infância na Coreia do Norte, Lisboa, Ed. Ulisseia, 2007
A citação de Soljenitsyne "Aquele a quem privardes de tudo não está mais em vosso poder. É outra vez completamente livre" abre o relato acompanhado de desenhos feitos pelo autor do testemunho, o adolescente Hyok e transcrito por Grangereau. Citam-se extractos do "Paraíso", isto é, da actual Coreia do Norte
- Vi a minha primeira execução aos nove anos" p. 21 e legenda de desenho.
- "Como é que ousaste desenhar o Nosso Grande Líder? É o genero de coisa que merece o pelotão de execução." (...) A professora explicava que somente alguns desenhadores especialmente dotados estavam habilitados na Coreia do Norte a reproduzir retratos do Grande Líder." (p. 57).
- "A mãmã ficava perturbada com a visão dessas dezenas de petizes em bandos (...) que ficavam à espera dos clientes que provavam os crêpes para ver se deixavam cair um pedaço inadvertidamente (...) Viam-nos colocados à espera diante de cada barraca de comida."
- "Recordo-me desse outro caso, próximo da minha casa, onde dois irmãos discutiam constantemente à hora da refeição para saber quem tinha mais comida na tijela" (legenda de desenho).
- "Depois de os ter retalhado, Moon comia-os juntamente com a sua mãe que tinha mais de oitenta anos e com o filho. Este era casado mas a mulher dele recusava-se a tocar em carne humana. No entanto o terrível segredo seria descoberto." (p.102) CM

6/08/2007

Saiba o que quer, decida-se a realizar e persista na empreitada

6/07/2007

ALIMENTAÇÃO 1



POLLAN, Michael, The Omnivore' s Dilemma, London, Penguin Press, 2007
Uma experiência profunda acerca da alimentação: porque se come o que se come e os problemas que levanta. Um pouco a história do homem das barbas e do lençol. Perguntado se dormia com elas, dentro ou fora daquele, nunca mais dormiu. É suposto que após a leitura de O.D., V. continue a alimentar-se...

6/06/2007

ECOLOGIA 3



LOVELOCK, Jim, A Vingança de Gaia, Lisboa, ed. Gradiva, 2007
"Talvez sejamos Nimbys [Not in My Back Yard=Nas Minhas Traseiras, Não!] mas vemos esses políticos urbanos (...) tentar manter viva uma civilização moribunda através de uma quimioterapia inútil e desadequada quando não há esperança de cura e o tratamento torna insuportáveis as últimas etapas da vida" P. 212 [ a propósiro de energias eólicas e outras que no estado actual não chegam para as necessidades. J.L. defende a energia nuclear]
"Seja o que for que esteja errado com a ciência, ela ainda constitui a melhor explicação que temos do mundo material"p. 221
" Se de facto nos preocupamos com o bem-estar da humanidade é nosso dever colocar Gaia [sistema da Terra que enquanto organismo vivo mantém as condições à continuidade da Vida] em primeiro lugar e é nossa obrigação garantir que não tiramos dela mais do que o nosso justo quinhão" p. 160.
CM

6/05/2007

HISTÓRIA 2


00.00 h - início da Terra
00.05 h - vida
00.20 h - primeiros moluscos
00.23 h - dinossauros
23.40 h - desaparecem dinossauros
23.55 h - humano
23.59 h - cérebro humano duplica o volume

... e há um centésimo de segundo: revolução industrial!

MEDIA 1

WALTON, Dominique, Casal de Cambra,
É Preciso Salvar a Comunicação, ed. Caleidoscópio, 2006
Lutar pelo informação significa lutar pela comunicação. Hoje a informação leva a melhor s/ a comunicação. Amanhã abrir-se-à uma terceira etapa em que a comunicação levará a melhor s/ a informação, em que a sociedade de comunicação se instalará no espaço hoje ocupado pela soc. de informação. Em que a realidade da incomunicação obrigará a construir a coabitação (p.172)

Poder-se-à dizer que a incomunicação é o ultimo estado da comunicação no sentido em que legitima a irredutibilidade de identidades na comunicação.
Comunicar não é passar por cima de identidades, é contar com elas. Procura-se a partilha. Troca-se. Tropeça-se na incomunicação. Constrói-se a coabitação. É nisso que a comunicação desloca a problemática da informação.
Todos sonham realizar a comunicação à troca de informações e todos constatam que o humano não vive de informações, de mensagens, mas de relações, quase sempre difíceis.

Pensar a sociedade de comunicação não é por conseguinte um propósito pessimista. É admitir que a comunicação tem limites.
Quando tudo circula, se troca e entra em contacto, não é demais lembrar que existem sempre três situações: a partilha, a coabitação e a incomunicação. Estas três situações ontológicas subsistem qualquer que seja o desempenho das ferramentas, e devemos ter em mente esta trilogia se queremos evitar que a comunicação técnica se torne numa das tiranias da globalização. De qq. modo comunicar é correr um risco e é nisso que reside, na realidade, toda a grandeza da questão. O risco de encontrar o outro e falhar.

Não há ética de comunicação sem respeito pelo Outro, isto é, sem uma reflexão política, porque coabitar com o Outro induz imediatamente a questão política, a da democracia. E tambem a da cultura, isto é, a questão do diálogo entre as visões do mundo. E, por fim, a do social, porque a globalização da informação assegura também uma transparência das desigualdades sociais. Ou seja, tudo vem com a informação. É por isso que se adivinham duas saídas: luta de classes à escala mundial, ou o regresso à política a à antropologia, como meio de resolver a questão do respeito pelo Outro (p. 173)

No quadro da globalização desenvolve-se um conflito vital entre o par potência/segurança versus abertura/democracia.
Comunicar é aceitar a prova da alteridade, o que é bem diferente duma lógica da segurança, a qual se apoia no poder.
Escolher a comunicação é sempre inscrever-se contra a segurança. CM

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